Notas iniciais
Graças aos céus que a páscoa já acabou!

Alguns dizem que a cor do vazio é o preto, outros que a cor da tristeza é o azul, mas o que todos concordam é que a solidão é cinza. Ela é pálida e fria, como a despretenciosa gotícula de chuva que pinga no meu óculos, me tirando de meus devaneios. Os feriados sempre me deixam assim, depressiva, solitária. Para a maioria das pessoas são datas importantes para reunir a família e amigos e criar memórias agradáveis. Mas para mim, não passam de datas que me fazem recordar dos que já se foram, e pior, dos que ainda não se foram dessa vida e sim da minha vida.

O dia nublado, assim como meus pensamentos, assim como meus sentimentos. Logo a chuva cai e talvez lave minha alma levando um pouco do peso para longe. Solto um suspiro ao me perguntar porque todo mundo sempre vai embora, amigos, namorados, parentes. Ninguém fica do seu lado, seja intencionalmente ou não. O ser humano acaba por ser tão passageiro, raso, e temporário quanto uma chuva de verão.

Queria poder dizer que nunca mais vou me molhar ou me aproximar de outras pessoas. Mas é inevitável. Talvez era sobre tudo isso que Bauman queria dizer. Talvez realmente amores, laços, pessoas, sejam tão líquidos, superficiais e passageiros quanto uma gota de chuva que cai no meu rosto e continua correndo por ele enquanto se junta a lagrimas.

Talvez um dia eu entenda o motivo de tanta liquidez. Até lá, cancelem todos os feriados e chuviscos de verão, ou a solidão que me assola me devorará de vez.

Notas finais
é isso aí, to tisti ;-;
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!