Notas iniciais
Mais um! Dessa vez foi rápido =D Gente, muito obrigada pelos comentários, vocês são ótimos! :)

Estava escuro lá fora. Os dias se tornavam em noites mais cedo naquela época do ano, e a temperatura da noite caía rapidamente. Maura desligou o motor do carro e ela olhou para trás para observar Harriet. Ela estava em silêncio, olhando para fora da janela com as sobrancelhas levantadas. De repente, ela virou a cabeça e piscou os olhos para Maura como se tivesse saído de um transe.

'Essa é a sua casa?' Ela apertou o dedo indicador contra o vidro da janela.

Maura sacudiu a cabeça em positivo. "Sim".

'Oh.' Harriet estudou a entrada da porta iluminada por uma luz fraca.

'Pronta para ir?'

'Sim'.

Maura saiu do carro e fechou a porta. Uma rajada de vento frio atingiu seu rosto e ela estreitou os olhos. Ela caminhou ao redor do carro e ajudou Harriet a libertar-se do cinto de segurança. A menina ainda estava usando o casaco de Maura, assim a loira não tinha outra opção a não ser levá-la por todo o caminho. Elas passaram pela porta e uma vez lá dentro, Maura colocou a menina no chão.

Elas ficaram paradas por um minuto. Isso era tudo muito novo para ambas. Maura nunca tinha estado sozinha com uma criança antes, ela não sabia exatamente que protocolo seguir, isso é, se é que tinha algum. O que ela deve fazer em primeiro lugar? Mostre-lhe a casa? Não, ela não estaria interessada nisso. Talvez ela deveria... Mas o som de patas pequenas trotando no assoalho de madeira a trouxe de volta à realidade. Lá estava Joe Friday, fazendo sua entrada. Primeiro ela cheirou e colocou as duas patas dianteiras contra a perna de Maura, como se dissesse 'Olá' a sua proprietária, então, dirigiu a sua atenção para a hóspede. Cuidadosamente, ela aproximou e fungou. A menina estendeu a mão para o cão e Joe a lambeu.

'Oh!' Exclamou a menina. 'Esse é o seu cachorro.' Ela disse à Maura, agora acariciando a cabeça do animalzinho.

'Sim. Essa é Joe Friday. Eu acho que ela gosta de você.' Maura disse, agora um pouco mais confortável sabendo que Harriet tinha encontrado algo para se divertir, o que lembrou Maura de...

'Ela é bonitinha.'

'Não é? E lembra que eu disse que tenho um cágado?'

'Sim!' Os olhos de Harriet estavam bem abertos, Joe Friday agora lambendo sua mão e abanando o rabo para ganhar atenção, mas ela havia sido esquecida momentaneamente.

'Gostaria de conhecê-lo?'

'Claro!' Ela disse com toda a sua energia restante.

Maura esperou-a despir o casaco e, em seguida, pegou sua mão e caminhou pela casa. Bass estava na cozinha, de modo que o passeio não foi tão grande. Ele estava ao lado do freezer, e Harriet parou quando viu o animal de estimação.

'Harriet, esse é Bass.'

'Ele é grande.' Foi uma pequena observação. Maura sorriu satisfeita com a expressão no rosto de Harriet. Ela estava em algum lugar entre perplexa e admirada. Seus olhos estavam se movendo rapidamente, de um lado para o outro, como se estivesse tentando obter toda a imagem de uma só vez, disposta a não perder um pequeno detalhe.

'Sim, ele é. Gostaria de acariciá-lo?'

'Eu posso?' Olhos azuis se voltaram para Maura enquanto a pergunta foi feita de uma maneira ingênua que só crianças fazem.

'Claro.'

A menina deu um passo adiante, mas não soltou da mão de Maura. Lentamente, ela se agachou na frente do animal que estava agora olhando para ela e uma vez que ela não desgrudou da mão de Maura, a loira encontrou-se ajoelhando-se também.

Ela estendeu a mão para o cágado, deu um tapinha de leve na cabeça, mas quando Bass rapidamente retraiu a cabeça em sua concha, Harriet deu um passo para trás e trombou com Maura, desabando nos braços da mulher mais velha.

'Oh!' Ela exclamou levantando as mãos, claramente com medo.

'Tudo bem, querida. Ele é dócil.' Maura segurou a cintura de Harriet e puxou-a para cima novamente. 'Vamos tentar isso...' Ela caminhou até a geladeira e pegou algumas folhas verdes. 'Alface. Você quer tentar e dar a ele?'

Harriet parecia insegura.

'Eu vou te ajudar, venha aqui.'

Maura deu a folha para Harriet e guiou a mão da garotinha com a sua, colocando perto de Bass. O animal colocou a cabeça para fora e deu uma mordida. Olhos azuis viraram-se para Maura em quase descrença.

'Mais uma vez?' Ela murmurou, encantada.

'Sim, agora você pode fazer isso sozinha.' Maura a motivou.

Ela fez mais uma vez. E então, duas vezes. Em seguida, ela parecia confortável o suficiente lá, alimentando a tartaruga de Maura, como se ela tivesse feito isso por um longo tempo. A loira decidiu sentar-se no chão em algum momento, porque seus joelhos já estavam doendo, e ela estava gostando de ver a menina interagindo com Bass.

Depois de folhas e folhas de alface, o cágado ficou satisfeito e decidiu seguir em frente e obter algum lugar tranquilo para tirar um cochilo. Harriet o viu desaparecer atrás do balcão da cozinha, em seguida, virou-se para Maura.

'Ele só come isso?'

'Não. Ele gosta de morangos e hibisco.'

'Oh ... Deve ser muito bom ter uma tartaruga.'

'É, sim.'

Harriet mordeu o lábio inferior. Sua mãe tinha dito a ela que talvez, um dia, ela teria uma. Mas e agora? Ela não tinha mais sua mãe, como ela poderia ter uma tartaruga? O pensamento a deixou triste. Ela queria uma tartaruga e acima de tudo, ela queria a mãe dela. E de repente tudo isso parecia muito estranho. Ela não conhecia Maura, aquele não era o seu lar, ela não se sentia em casa. Ela queria ir para casa. Ela não deveria ter deixado o seu apartamento naquela manhã. Talvez se ela tivesse ficado lá...

'O que passa na sua cabecinha, Harriet?' Maura perguntou docemente, notando que a menina tinha ficado triste.

'É...' Ela abaixou a cabeça, envergonhada. 'Eu gosto de você, Maura. Mas você pode me levar para casa?'

Maura suspirou e passou a mão pelo cabelo. O mundo não era justo. Não era justo uma mãe ser assassinada e uma criança de seis anos de idade ser deixada para trás, sozinha nesse imenso lugar cheio de perigo, pessoas ruins, e vida dura. Sozinha e alheia a tudo isso, não tendo ninguém para guiá-la e protegê-la até que ela tivesse idade suficiente para fazê-lo sozinha. Maura queria poder fazer algo para aliviar sua dor, mas a verdade nem sempre é gentil.

'Harriet... Você sabe que mesmo se você voltasse para casa você ficaria sozinha lá?'

'Talvez ela volta para casa?' Ela perguntou em uma última tentativa.

'Não querida. Eu... te disse, lembra?'

Ela balançava a cabeça que sim, em silêncio, com lágrimas escorrendo pelo seu rosto. 'Não dá pra eu ir pra casa? Eu nunca vou voltar pra casa?'

'Você vai ter uma nova casa, Harriet. Pode demorar um tempo, mas eu prometo a você, você vai. Agora, por que você não toma um banho? Está ficando tarde e você está exausta.'

A garota ignorou sugestão. 'Onde é a minha casa agora, Maura?'

Desarmada, Maura não tinha resposta para isso. Embora fosse uma questão justa, levava a outro tema; um que Maura não estava disposta a falar agora. A menina tinha tido o suficiente para um dia. Escolhendo deixar para amanhã, ela colocou os braços ao redor de Harriet e levantou-se, levando a menina com ela em seus braços.

'Querida, você está tão cansada que esta conversa que estamos tendo não fará qualquer sentido. Vamos esquecer isso por agora, está bem?'

Ela sentiu a cabeça de Harriet se movendo ligeiramente contra seu cabelo. Maura entrou no quarto de hóspedes e acendeu a luz. Em seguida, ela entrou no banheiro e fez Harriet uma oferta.

'Chuveiro ou banheira?'

'Banheira..?' Sua voz frágil veio com incerteza.

'Ok.'

Maura se sentou na beirada da banheira e abriu a sua torneira, esperando pacientemente enquanto ela estava sendo preenchida. A cabeça de Harriet estava descansando contra seu peito e a menina estava respirando pesadamente agora. Maura sabia que ela estava cansada, de uma maneira que uma criança não deveria estar. Ela passou a mão para cima e para baixo em suas costas, o murmúrio da água embalando-las para um estado de hipnose.

'Harriet? Ela chamou, quebrando o efeito.

'Hum.'

'Eu sei que você está com medo, mas eu quero que você saiba que você está segura aqui. Okay?'

A cabeça se moveu em sim.

'Bom. Agora, vamos tirar sua roupa e te lavar.'

A menina foi para o chão e levantou os braços para cima. Maura demorou um momento para entender o gesto.

'Oh...' Ela se inclinou para frente e ajudou-a a tirar o vestido.

'Não olha!' A menina mandou enquanto tirava sua pequena calcinha.

'Eu não estou.' Ela colocou o vestido sobre a pia.

A menina pulou na banheira e ficou lá por um tempo, sem falar.

'Vou preparar algo para você comer.' Maura anunciou, sabendo que a menina estava confortável lá.

'Maura... Antes de ir... Você pode lavar o cabelo?' A voz veio tímida, num murmúrio.

A loira sorriu para ela. 'Sim. Morango ou lavanda?' Ela perguntou enquanto alcançava o shampoo.

'Morango, aí Bass vai gostar mais de mim.'

Maura deu uma risadinha. 'Presumo que sim.'

Duas horas depois Jane estava chegando em casa. Maura tinha ligado uma vez, mas ela estava muito ocupada comprando algumas coisas e perdeu a chamada. Com sacolas nas mãos, ela abriu a porta e entrou na casa. Finalmente em casa. Deus, ela realmente queria descansar um pouco. Demorou apenas um minuto para Joe Friday vir recebe-la na sala de estar. Abanando o rabo, ela cheirou as sacolas.

'Não, Joe. Isso não é para você! "

'Jane, é você?' A voz de Maura a precedeu.

'É!' Ela caminhou até o balcão da cozinha e colocou as sacolas lá.

'Por que você demorou tanto tempo?' Maura estava atrás dela agora.

Jane se virou e colocou os braços ao redor da cintura de sua esposa. 'Sinto muito. Eu passei por algumas lojas.' Ela deu-lhe um beijo.

'Lojas?' Maura inclinou a cabeça para o lado.

'Sim...? E eu trouxe comida!'

'Ótimo, eu estou morrendo de fome. O que mais que você trouxe?' Maura beijou o queixo de Jane e descansou os braços ao redor do pescoço dela.

'Algumas coisas. E então, onde está Harriet?'

'Ela está no banho.'

'Oh... Olha isso.' Jane selecionou um pacote específico e o abriu depois de soltar Maura. Eles estavam de pé, lado a lado agora.

'O que é isso?'

'Bem, você sabe... Eu dirigi até ao restaurante, e você sabia que tem uma loja bacana ao lado dele? Eu pensei que Harriet precisaria de algumas roupas, você sabe, uma vez que ela vai ficar aqui por um par de dias... E eu comprei algumas.'

A morena esvaziou o saco plástico. Maura ficou impressionada. Desconcertada. Ela não estava esperando por isso.

Ela estudou cada item, um por um. Dois pares de jeans, duas calças de moletom (uma rosa e uma lavanda), cinco pares de calcinhas, duas blusas de moletom, duas camisetas com caricaturas estampadas nelas. E ainda por cima...

'O que é isso?' Maura desenrolou a última roupa. Era macio, muito macio, verde e... 'É uma fantasia?'

'Não! É um pijama. Não é legal? Eu acho que ela vai gostar.' Jane deu de ombros.

Era um pijama com capuz. Parecia uma fantasia porque era a tartaruga — Squirtle — que Harriet tanto amava. Maura passou as mãos sobre o tecido. Era macio, confortável, parecia quente. Sim, uma criança com certeza dormiria bem nisso. Harriet teria pelo menos um motivo para sorrir depois deste dia horrível. Ela iria adorar, Maura tinha certeza. Ela não sabia as razões pelas quais Jane tinha comprado isso para ela, mas ela ficou impressionada. Ela não estava esperando nada mais do que pequenas conversas entre ela e Harriet, mas além das aparências, Jane se preocupava com a menina, importava o suficiente para comprar um pijama personalizado. Essa era Jane, dura por fora e, tão igual o tecido em suas mãos, macia por dentro.

'Maura?' Jane sussurrou porque a loira havia se perdido em pensamentos.

'Sim?'

'Por que você parece triste?' Ela perguntou com cautela, com a voz baixa.

Maura lambeu os lábios, dobrou a roupa de novo e colocou-a em cima do balcão. Jane ainda estava esperando por uma resposta quando ela voltou sua atenção para ela.

'Eu...' Ela olhou para seus pés. 'Você teria sido uma ótima mãe.' Ela não iria encarar os olhos de Jane, então ela só ficou olhando para o chão.

'Oh, querida...' Jane deu um passo em direção a ela e abraçou a loira tão apertado quanto podia. Lá estava aquele sentimento de novo, o desamparo, aquela sensação de perda que elas estavam se esforçando a lutar contra isso por meses. Tinha vindo sempre em ondas, sem ser convidado, sem avisar, de vez em quando. Mas à medida que a tempestade principal tinha passado, as ondas eram agora mais fracas do que antes.

Jane beijou a testa de Maura e a loira suspirou pesadamente contra seu pescoço.

'Sinto muito, eu não deveria...' Ela disse já se afastando, mas Jane puxou-a de volta, porque ela sabia que Maura estava evitando o assunto. A morena apoiou as mãos contra a costas de Maura.

'Não, Maur. Qual é!' Jane beijou sua bochecha. 'O que posso fazer por você?'

Maura finalmente encontrou os olhos de Jane.

Jane viu a tristeza nos olhos da loira combinando sua própria. Se ela pudesse agarrá-la com as mãos, se ela pudesse carregá-la por si só, ela faria isso. Ela libertaria Maura daquilo. Doía duas vezes: ela sofria por ela e por saber que Maura estava sofrendo também.

'Apenas fica comigo?'

'Para sempre.' Jane prometeu.

'É muito tempo, você sabe disso, certo?' Ela estreitou os olhos, desafiando Jane.

'Parece bem pouco se eu vou passar com você.' Maura sorriu para ela, segurou seu rosto com as duas mãos e lhe deu um beijo lento nos lábios.

'Você me faz tão feliz.'

Jane segurou-a firmemente — ainda assim tão suavemente — em seus braços. 'Bem, o que posso dizer? Seu pai mafioso me ameaçou, então é melhor eu te fazer feliz, caso contrário... Bem, eu não quero nem pensar nisso.' Ele soltou um falso suspiro.

Maura riu e deu um tapa de leve na esposa.

'E também... Eu quase me esqueci disso! É porque você é o amor da minha vida.'

'Assim é melhor.'

Jane se inclinou e capturou os lábios de Maura em sua boca novamente, sugando-os suavemente antes de transformar em um beijo mais profundo. Jane pressionou seus corpos juntos, desejando algum tempo a sós com Maura, por sua pele macia, suas carícias delicadas, por sua doçura. Caramba, nada comparado com a sensação de chegar em casa sabendo que Maura estaria lá esperando por ela, tornando os dias de merda mais leves e os dias bons ainda melhores. Jane a amava, cada centímetro de seu corpo, todos os vestígios de sua mente brilhante, cada gesto. Ela estava tão apaixonada, tão ridiculamente apaixonado por ela. Por anos.

E também Maura por ela, ela sabia disso. Pelos dias ela acordava sentindo os lábios de Maura em seu ombro, ou bochechas, ou no pescoço, ela sabia disso. Toda vez que Maura olhava para ela depois de ficar uma hora, talvez mais, sem vê-la, ela sabia disso. Sempre que ela deitava a cabeça no colo de Maura, ela sabia disso. Quando Jane segurava a mão dela na frente de todos, orgulhosa de quem ela era, e de com quem ela estava, os olhos de Maura se iluminavam como as grandes estrelas do céu. Ela via amor lá, admiração, amizade, desejo. Ela via uma alma contente que tinha encontrado sua metade, como Maura lhe dissera uma vez — de que os deuses gregos tinham separado as pessoas que vieram da mesma alma em dois, deixando-os com nada, senão uma alma incompleta. Eles tinham sido condenados a esse sentimento de falta, a menos que eles encontrassem a outra parte ausente.

Jane tinha encontrado a dela. Sua alma gêmea. Sua Maura. Sua razão, seu senso. Elas estavam felizes — mesmo com os problemas, mesmo com os dias ruins, mesmo com algumas diferenças. O amor não delas não se curvaria diante das dificuldades, não quebraria, não iria sequer trincar. Elas eram fortes juntas.

Maura abriu um grande sorriso antes de mover seus lábios longe de Jane. 'Eu também te amo.'

'Eu sei que você ama.' A voz de Jane estava rouca.

'Mas é só um pouquinho.' Maura deu uma risadinha.

'Não quebre meu coração, Maura Rizzoli-Isles!' Jane protestou fazendo Maura rir novamente — era seu passatempo favorito.

Maura inclinou-se para beijá-la novamente, mas uma voz baixinha chamou sua atenção.

'Oi'. Harriet estava olhando para elas, imóvel, segurando a toalha grande em torno dos ombros, com as mãos na frente do peito, mantendo-a no lugar.

'Oh, hey. Você aí.' Jane corou. Ela tinha visto as duas se beijando?

'Harriet, venha cá. Jane comprou algumas roupas para você.' Maura acenou com a mão para ela, então envolveu a toalha no corpo dela corretamente e a prendeu ali, deixando as mãos da menina livre.

'Comprou?' Ela olhou para a morena.

'Na verdade, eu comprei! Quero que você veja este primeiro, olha...' Ela pegou o pijama empolgada e desdobrou ele, à altura da visão de Harriet. 'O que você acha?'

'É o... Squirtle?'

'Sim! É para você.' Jane sorriu toda animada. Ela estava esperando, pelo menos, um sorriso de contentamento, porque ela sabia Harriet tinha uma coisa com essa tartaruga, mas essa não foi a reação da garota.

Ela estendeu a mão para o vestuário, os olhos correndo dele para Jane, então, seus lábios curvaram-se para baixo, e ela endureceu seu aperto no material macio e começou a chorar em voz alta.

Jane olhou para Maura indefesa, confusa. 'O que eu fiz?'

'Jane... Ela está apenas cansada e sensível' Maura deu de ombros se desculpando, ainda que isso não fosse culpa dela.

'Bem... Eu...' Ela estava perdida. O que ela deveria fazer agora? Mas Maura estava lá para salvá-la.

'Harriet', ela se ajoelhou na frente da garotinha, 'tudo bem, querida. Você gostou?'

'E-eu gostei!' Ela enxugou as lágrimas do rosto com uma das mãos.

'Bem, deixe-me secar você para que você possa colocá-lo.'

'T-tá.'

'Ok, vem aqui.' Maura tirou a toalha e secou-a, em seguida, ajudou-a com a calcinha. 'Pronto. Vamos colocá-lo agora.'

'Tá b-bem.'

Primeiro as pernas, então os braços. Era algum tipo de macacão, com botões que ia da barriga para o pescoço, apenas. Acabando de abotoar o pijama, Maura dobrou as mangas — embora Jane tinha pedido um tamanho para uma criança de seis anos de idade, Harriet era menor do que outras crianças da sua faixa-etária — e colocou a touca.

'Agora você está pronta. Vamos dar uma olhada.' As três caminharam até o espelho e Harriet riu da sua própria imagem lá.

A mente de uma criança era muito confusa para Jane, mas pelo menos ela tinha gostado.

'Bem, eu acho que temos mais uma tartaruga na nossa casa, Maura.' Ela brincou.

O rosto de Harriet se iluminou com a observação de Jane. Ela correu até ela e abraçou suas pernas. 'Muito obrigada, Jane. É perfeito.'

Jane se agachou e deu-lhe um abraço. 'Não por isso, garotinha. Que tal jantar agora? Eu não sei você, mas eu, pelo menos, estou morrendo de fome!'

Harriet balançou a cabeça que sim.

Elas jantaram juntas no sofá, assistindo TV — um desenho animado que Harriet tinha escolhido — mas 15 minutos depois ela estava bocejando, em seguida, ela descansou a cabeça contra a coxa de Jane e embalada pelo som que vinha da TV, caiu sono. Jane se certificou de que ela estava dormindo profundamente antes de carregá-la para o quarto de hóspedes. Ela era leve e pequena e era tão fácil de transportar. E Jesus, ela estava tão bonitinha naquele que pijama. Jane entrou no quarto e sentou-se em cima da cama, segurando Harriet em seus braços um pouco mais. Ela entendia por que Maura gostava dela. Ela era inteligente, engraçada, intrigante. Ela era honesta sobre suas próprias emoções — talvez porque ela era apenas uma criança ainda — e ela também era uma bela criança, isso era inegável. Olhos grandes azuis, cabelos escuros, pele clara. Um rosto inocente e ao mesmo tempo desafiador.

Sim, a própria Jane gostava dela. Ela não deveria, ela sabia o que estava por vir após estes dias, e ainda assim, ela não podia evitá-lo. É por isso que ela havia dito a Maura para ficar longe, só porque ela sabia que ela também iria ser pega nisto. Mas o primeiro corte é o que dói mais, não é isso que eles dizem? Ela tinha passado por isso antes, quando chegasse a hora ela saberia como lidar com a situação, ela já tinha conhecido essa dor antes. Mas o que dizer de Maura? Como ela reagiria a isso?

Como Harriet reagiria a isso?

Sacudindo a cabeça tristemente, Jane deu um beijo na testa de Harriet e acariciou sua bochecha com o polegar. Ela rezou para que uma boa família a adotasse, ela merecia uma casa agradável, parentes agradáveis, talvez irmãos e irmãs. Quem sabe? Havia um monte de possibilidades. Jane tentou ignorar aquela voz em sua mente dizendo 'incluindo os maus'; ela não era ingênua, mas ela esperava com todo o coração que Harriet acabasse em uma família grande e harmoniosa.

Harriet se remexeu no colo de Jane e, não querendo perturbar seu sono, a morena colocou a menina na cama, cobrindo-a até o queixo e apagou a luz, deixando a porta aberta, só por prevenção. Maura tinha ido tomar banho, Jane iria se juntar a ela.

A noite estava apenas começando.

Notas finais
Tava dando uma olhada na internet e achei essa foto de um bebê usando uma fantasia de tartaruga igual a da Harriet. Poderia ser a Harriet bebe: http://favim.com/image/2374451/ (sim, estou morrendo de amores!) Vocês conseguem imaginar Maura e Jane com um bebe fofo assim? Eu consigo!