Mergulho e mergulho. Já até perdi a conta de quantas vezes fiz isso.

Tento me manter no fundo, mas meu corpo é levado para cima, e quando meus pulmões não estão mais aguentando eu nado de volta para a praia.

***

O sol já está se pondo agora. Eu e minha mãe já lanchamos várias coisas e analisamos todos os modelitos que passaram a nossa frente, desde corpos esculturais até mulheres sem vergonha de suas celulites ou virilhas não depiladas. Sendo que ao final isso pouco importa porque essas pessoas não estão nem aí...

As cores do céu estão em efeito degradê e isso é como uma música para os meus ouvidos no caso, meus olhos. Queria que meu pai estivesse aqui, ele anda meio sozinho ultimamente, e Luiz também, ele ia gostar de ver as mulheres de maiô.

Mas agora eu estou aqui, e minha mãe também, mas ela está em silêncio e me sinto parte desse mar, acho que eu era uma sereia e não me lembro...

Ontem eu pensei em me matar, novamente. Mas acho que o que estou vendo hoje deve ser visto mais vezes e se eu tirar minha vida, não terei mais chances como esta, e nem chances de ver e sentir outras coisas.

Laranja. Laranja rosado. Rosa. Rosa amarelado. Amarelo. Amarelado branco. Branco?

São as cores do céu.

E assim como a minha vida possuiu vários tons, assim este céu está. Sou um sol. Não por todos orbitarem ao meu redor, odeio ser o centro das atenções, mas por ser quente e gerar todos essas cores e tons. Sou uma em um milhão e um milhão em uma.

E se dou tudo isso, acredito que ainda não vivi o suficiente para me descobrir.

Preciso gerar novas cores.