Notas iniciais
Dois dias e meio depois da triste decisão

— E o que você vai fazer quando sair daqui? _ pergunta ele.

Encaro o teto enquanto penso.

— O que eu queria muito mesmo era viajar. Conhecer alguns lugares sabe....

— Amsterdã?

— Sim. Amsterdã também. Roma. Tailândia. Califórnia.

— Queria ser rico pra ir junto contigo.

Olho pra ele e sinto uma imensa vontade de chorar. E meu corpo não obedece minhas ordens. Nada me obedece ultimamente. E lágrimas escorrem lentamente uma atrás do outra pelo meu rosto.

Odeio chorar na frente dos outros mas parece que aqui estou desarmada.

— Sabe o que eu pensei enquanto eu estava na cozinha sangrando?

Percebo Luiz estremecer.

— Eu pensei... será que isso vai demorar muito? _ dou uma risadinha irônica. _ pensei... será que existe inferno? E se existir, será que eu vou pra lá?

— Eu acho que existe. _ murmura ele.

Reviro os olhos.

— Eu pensei que a minha mãe pelo menos não ficaria sozinha, porque o..._ suspiro_ porque ele ficaria com ela, e ela nunca saberia de nada.

Luiz engole em seco.