Notas iniciais
Dois dias e algumas horas depois da triste decisão

Eu preciso dar um jeito de morrer de novo.

E essa frase soa alto nos meus ouvidos.

Antes sentia arrepios só de pensar nela, e pensar nela era algo que eu fazia todo dia, mas agora...

Agora nada mais importa pra mim. Nem minha mãe.

Ainda lembro de seus olhos inchados por causa das lágrimas, ela me falou tanta coisa que acabei por esquecer de todas. Enquanto ela falava e beijava minha mão eu apenas a encarava e não consegui dizer nada. Ia dizer o quê? “Ah mãe, desculpa mas esqueci de te contar que o seu namorado enfiou o dedo na minha vagina”

Não. Ele não vai morrer.

E se ele não vai, então eu vou.

***

Minha mãe já veio aqui mais duas vezes. Comi praticamente obrigada porque estou sem vontade alguma. Ela quer demonstrar estar animada e já falou até em viagens... mas finjo não ouvir e apenas a observo. Sua empolgação e esperança em me ver sair daqui, viva. Mas no fundo ela sabe que eu já estou morta. E eu apenas preciso concretizar isso. Odeio esperar.