Sobre Tudo e Sobre Nada
19 Filha Fase -5
Notas iniciais
De todas as disciplinas da escola a única que gosto mais é História, por causa da minha professora e do que ela me proporciona quando assisto sua aula. Amo as viagens que faço no tempo, como esqueço quem eu sou e como assimilo o passado com o presente.
É incrível como a história se repete. Os humanos são idiotas.
Os outros professores consigo relevar... português é chato e a professora é indiferente a nós, amo inglês mas o professor é um cuzão. Geografia não entendo nada apesar do professor ser gatinho e as demais matérias nem lembro tanto que tirei 70% de notas vermelhas.
Não sei se deveria estar arrasada ou chorando mas... simplesmente não sinto nada... olho para aqueles números e eles não significam nada pra mim. Simplesmente nada.
Minha vida é um navio que está prestes a afundar mas diferente das outras vezes não quero me importar mais.
A história se repete.
Sou uma idiota.
***
Um rostinho bonito não te faz mais feliz, te faz parecer mais feliz, mas do que adianta?
***
Eu queria ter mais amigos, ou amigas; sim, aquelas pessoas que te fazem sorrir por coisas bobas e também riem das besteiras que você fala, aqueles com quem você faz loucuras, aqueles com quem você compartilha segredos e fofocas. Amigos.
Essa palavra soa tão estranha pra mim que eu chego a me perguntar se faço parte dessa planeta.
Não. Eu não sou alienígena, já tive colegas, os da escola como sempre, mas nenhum deles foi capaz de me dar a segurança de que eu podia lhe contar meus sonhos, nenhum deles foi capaz de me repassar a certeza de que não riria se lesse meus poemas, nenhum deles foi capaz de me garantir que estaria comigo até o final, nenhum deles.
A não ser você.
***
Eu gostava tanto de rir. Mas depois não encontrei horas adequadas para isso.
Queria fazer mais por mim. Pelos meus sonhos e pelo que acredito.
Mas é decepcionante saber que isso não cabe à mim totalmente. Sou dependente das circunstâncias e do tempo.
***
Eu não quero viver pouco entende? Quero descobrir coisas novas.
Quero saber fazer vários cálculos e discutir sobre os filósofos gregos.
Quero entender como funciona meu cérebro e como funciona o magnetismo da terra.
Quero tocar um instrumento vorazmente e quero cantar uma melodia cheia de paz.
Eu quero isso. Mas sei que é quase impossível.
Talvez, algum dia daqui a cinquenta anos eu consiga realizar isso.
Talvez.
E digo talvez, não porque é muita coisa, mas porque não sei se terei forças pra viver até lá.
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