Notas iniciais
Três dias depois da Triste Decisão

As palavras de Hillary ainda ecoam na minha mente e a cena que eu imaginei ainda repassa diante de mim enquanto caminho em direção ao quarto delas com umas coisas que a mãe de Hillary me mandou comprar. Júnior sumiu mesmo mas algumas medidas já foram tomadas e me sinto mais aliviado de certa forma.

Isso que é o legal de compartilhar sua dor.

Você sente como se o fardo estivesse mais leve e quando outras pessoas podem fazer algo por você ou podem fazer algo que você não sabia como fazer ou não podia... nossa, isso é mágico.

***

Hillary e eu estamos conversando sobre algumas séries que assistimos nas últimas semanas, cada um na sua casa é claro. Estou vendo um jeito de perguntar o que ela fará de verdade depois que sair daqui.

— Você já tá bem melhor né.

Ela confirma com a cabeça.

— Sim. Me sinto mais forte. Acho que antes do... incidente, eu estava com baixa resistência.

— É... esses soros são da hora...

— O que você quer saber? _ ela me encara.

— Hã?

— Eu te conheço. Quer saber alguma coisa e tá enrolando...

Suspiro.

— Olha, vou ser bem claro...

— Como se não fosse antes... _ ela dá uma risadinha.

É, já percebi que a sinceridade é meu ponto forte.

— Então, eu vim aqui e fiz o que achei ser o certo, por você, pela sua mãe. Eu gosto muito de você Hillary mas sinto que você não gosta de mim o bastante pra ficar ou... sei lá. Eu sei que você não desistiu da ideia.

Ela permanece em silêncio.

— Pois bem, só quero te falar que eu não vou desistir de você. E só queria que você pensasse nisso. A tua dor pode ser enorme e você pensa que não vai conseguir suportar mas eu sei que você é forte. E espero que você se dê conta disso um dia.

Me levanto e sinto vontade de sair correndo.

— Eu preciso ir em casa agora, minha mãe deve estar preocupada... mas se vocês quiserem eu volto.

— Tudo bem Luiz. Pode ir. Descansa.

— Tá legal. Falou. Boa noite.

Me encaminho para a porta.

— Luiz.

Me viro.

— Eu ainda vou estar aqui amanhã. Viva.