Sobre Tudo e Sobre Nada
14 Amigo Fase 2
Notas iniciais
Chego no hospital e não consigo nenhuma informação plausível. Hillary não tem parentes e isso é mais chato ainda, já vi a mãe dela de longe apenas.
As mensagens ainda saltam diante de mim.
“Luiz, aconteceu uma merda”
“Eu tô me sentindo horrível”
“Não tem área aí?
“Eu quero morrer”
“Ele me tocou Luiz. Ele me tocou”
“E eu não consegui fazer nada.”
“Me responde logo, por favor.”
***
Me sinto afundando num abismo infinito.
Eu não estava aqui.
Não pude ajudá-la.
E agora quero morrer também.
***
Esse é o problema do suicídio.
Ele não é apenas um caso isolado.
Quando ele acontece ele leva centenas com ele. Faz suas vítimas.
Ele é como um auxiliar da morte. Poupa o seu trabalho.
Quem precisa de um câncer terminal quando a solidão dilacera seu coração?
Quem faz questão de uma febre interminável quando está morrendo por dentro?
Quem quer uma lepra quando foi estuprada?
Ele faz as pessoas enxergarem coisas onde não há, mas pode haver...
Por que eu estou aqui? Alguém me ama? Faço alguma diferença pra alguém?
A vida é uma merda.
E pensando nisso saio do hospital porque já não adianta eu procurar respostas se a única pessoa que as poderia me dar já não está mais aqui.
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