Sobre Pôr-do-sol

1 Sobre Pôr-do-sol


Sobre pôr-do-sol

Eu olho o poente...

Hoje eu procurei o pôr-do-sol.

Exupéry já dizia que quando a gente está triste demais, gosta do pôr do sol...

Hoje sai em busca dele.

Choveu o dia todo, o céu a minha frente tinha tons de prata e azul, estava claro, mas não havia sol. Eu dirigi rumo ao poente. O vento trazia o cheiro de terra molhada que se misturava ao meu perfume. O verde se misturava ao prata no horizonte. Uma lágrima fugidia traçou seu caminho. Não vi o sol se por hoje. Por mais que eu o buscasse.

A tristeza, às vezes, já nos é tão íntima que nos acostumamos a ela. Quase não percebemos que quando a canção muda seu refrão. Quase não percebemos que a poesia nos leva para bem longe dela, e mesmo assim, procuramos o poente.

Olhar o poente e esperar.

Esperar pela tristeza.

Esperar pela noite.

Esperar pela canção.

Esperar pelo sorriso.

Ainda assim queria ver o pôr-do-sol. Eu afastaria minha cadeira para poder vê-lo novamente, mas meu planeta não é tão pequeno. Talvez minha poesia talvez fosse diferente. Ou não. O fato é que nos prendemos a coisas que nos são familiares.

Eu continuo a olhar o poente. Agora com um brilho a mais em meus olhos.Na esperança de que a tristeza não esteja mais a minha espera.

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