Sobre Nós
1 Capítulo 1 - 9 meses antes do fim.
PRÓLOGO
Sempre fui muito apegada ao símbolo do yin yang, para muitos esse símbolo significa dualidade, duas forças opostas que se complementam. O significado ao qual eu sempre tive uma identificação maior foi sobre este símbolo representar o equilíbrio das forças existentes no universo, para toda coisa ruim que acontece contigo, existe uma boa e para toda boa existe uma ruim, acredito que esse equilíbrio se insira no contexto que de tudo de bom ou mal que fazemos a alguém, volta para nós de alguma forma. Se isto seria a natureza, o universo, forças místicas ou até quem sabe algum deus, promovendo a justiça aqui na Terra? Não sei. Sei que é nisso em que acredito e só espero que todo mal que você me fez se volte contra você.
Talvez isso seja um desejo de vingança de alguém que se sente magoada no momento. Mas todos nós sabemos o que merecemos da vida. Não me entenda mal, você merece muitas coisas boas, mas por certas coisas ruins, você vai ter que pagar.
9 meses antes do fim — 14 de agosto de 2013.
Desde sempre fui apaixonada por cinema e livros. A capacidade que cada obra tem de nos levar para um mundo completamente mágico e diferente do nosso cotidiano, onde pessoas recebiam cartas e iam para Hogwarts e duas pessoas se apaixonam apenas com uma troca de olhares, sempre me fascinou. Porém, admito que finais como os de contos de fadas sempre me incomodaram.
“E VIVERAM FELIZES PARA SEMPRE”
Ninguém é feliz o tempo todo, felicidade e tristeza não é “ser” é “estar”. Estamos felizes por uma boa companhia, um dia agradável, uma notícia boa e estamos tristes por coisas que não deram certo, problemas rotineiros ou simplesmente por estar triste, tudo bem não está bem, lágrimas não significam que você é uma pessoa infeliz ou que está perdendo em relação às outras em algum sentindo. Todo mundo se sente mal com ou sem motivo e o mesmo acontece com a felicidade. O que importa é lembrar que estamos tristes, porém não somos assim.
Salas de cinema sempre me deixam feliz. O frio, a tela gigante, o cheiro de pipoca que preenche o ambiente e a falsa sensação de privacidade que o escuro nos trás. Lugar aonde amigos vão para assistir o último filme da Marvel que foi lançado, famílias vão para curtir um tempo juntas e onde boa parcela dos casais deram o primeiro beijo. Algum lugar mais apropriado para se entregar a um beijo do que um cinema? Onde varias histórias de amores impossíveis são contadas dia após dia? Provavelmente não. Com a gente não poderia ter sido diferente.
Estávamos lá, sentados lado a lado, já tinha assistido aquele filme, não gostei muito, mas como eu adorava está em uma sala de cinema, só por está e nossa turma queria assistir algum filme, decidi que assistir ao filme novamente, não chegaria nem perto de algo completamente desagradável. Percebo que ele constantemente olha para mim e sorri, então resolvo retribuir os olhares e sorrisos ao longo do filme, como uma brincadeira já que o filme em si não está tão interessante.
Após vários olhares, sorrisos e comentários bobos sobre os filme, Guilherme me olha e comenta no meu ouvido.
— Eu estou com muita vontade te beijar. — E sorri.
Como assim me beijar, eu penso. Somos amigos e porque só agora? Eu que sempre gosto de ter o controle de tudo, me encontro perdida sem saber como agir ou o que fazer. Acredito que fiquei cerca de alguns segundo olhando totalmente perplexa pra aqueles olhos castanhos que até aquele momento eram completamente normais para mim e enxerguei algo diferente. Beleza? Desejo? Interesse? Não exatamente, uma mistura de tudo isso talvez, mas em especial, enxerguei paz e calmaria.
— Ta ficando louco garoto? Me beijar agora? – Falei enquanto ria, tentando disfarçar a surpresa e o nervosismo.
— Claro, por que não? – Ele sorri sem desviar seus olhos dos meus. – Um beijo, nunca fez mal a ninguém, muito pelo contrário. – Disse enquanto se aproximava.
Apesar de está nervosa, perplexa e não muito interessada, eu não me afastei.
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