Num determinado momento advindo do nunca, existiu um deus, que se proclamou o sem nome. Os por ele criados não saberiam dizer de onde viera ou qual era seu objetivo, mas sua grande sabedoria e amor os impressionaram. Seus filhos o viam como o único a ser reverenciado e idolatrado, a única paixão a qual deveriam ceder. A seus filhos deu o nome de anjos e cada anjo teria seu próprio nome, conforme suas próprias características. O principal de todos era o braço direito do deus, Luciferes.

Lúcifer era assim chamado por seu grande intelecto e incrível capacidade de absorver informações e transmiti-las. Era o anjo da luz, pois iluminava a mente de todos, esclarecendo suas dúvidas e sempre lutando pelo justo e correto.

Ao reino dos céus, o deus guardou apenas o belo e confortável, criando seus filhos em meio ao melhor de seu poder. Ao reino terrestre presenteou com outros filhos vivos. A água e a terra foram criadas junto ao planeta, mas entre os seres que lá passaram a habitar, havia uma ordem de preferência. Cada um teria sua respectiva função na manutenção do ambiente, porém o divino sempre beneficiou especialmente aos humanos homens.

Anjos ocupavam o primeiro plano, pois eram as armas do deus na Terra. Humanos eram o segundo plano, pois eram os filhos que mais amava. Ensinou aos anjos também a amá-los e aos humanos a adorar os primeiros.

Durante décadas foram felizes os três, deus, anjo e humano. O homem, ainda o único que existia, permanecia inconsciente de sua própria existência, apreciando o carinho do pai distante. A mulher, única também, demorou a duvidar de tal carinho.

Em meio ao jardim perfeito em que os humanos viviam, a mulher encontrou uma cobra enrolada numa árvore, que insistiu em conversar com ela, mesmo sendo a fala com animais de outras espécies proibidas pelo deus. A fêmea não apenas desobedeceu ao pai, para questionar sua autoridade, mas pela primeira vez um humano questionava sua certeza. A serpente não insistiu para ser má e fazer a humana sofrer tanto quanto os outros animais sofriam, mas para elucidá-la e mostrá-la a verdade.

O importante é que a mulher aceitou e, estupefata, correu para contar ao seu irmão incestuoso tudo que ouvira. Ambos não puderam duvidar de todos os argumentos utilizados contra seu deus.

A divindade, irada, expulsou os dois filhos do jardim após ouvir o relato das bocas de um de seus anjos. Lúcifer, impassível, assistiu a tudo, pensando sozinho nas palavras da serpente.

“Que deus é esse? Mata, adoenta e penaliza àqueles que ama. Observa, distante, nossas tristezas e sofrimentos.”

Calado, Lúcifer abaixou a cabeça e pediu perdão ao pai por, durante alguns instantes, ter dado ouvidos ao que a cobra falou. O perdão concedido, saiu, deixando um deus estranhado para trás.

Em todo o céu falava-se dos últimos acontecimentos. Os anjos, magoados com os humanos por não terem obedecido ao deus. Os humanos andando por florestas, sem saber exatamente o que encontrar ou como agir, tendo que aprender a tudo sozinhos.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.