Sobre Bailes Frustrados - Doremus
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Sobre Bailes Frustrados (Ou Nem Tão Frustrados Assim) — Doremus
Era a última semana antes do grande baile de inverno. Dorcas estava aflita. Todas as suas amigas já tinham recebido convites dos rapazes que queriam. Lily Evans finalmente tinha aceitado sair com James Potter, e o mesmo aproveitou a oportunidade e a chamou para a festa. Marlene ainda estava em dúvida entre ir com Sirius Black ou Amos Diggory (embora internamente, todos soubessem que ela escolheria o Black).
Não que Dorcas não tivesse recebido muitos convites para o tal evento (porque pelas suas contas, foram muitos), mas ela simplesmente não conseguia se imaginar lá sem Remus Lupin. Além do mais, como uma das principais organizadoras do evento (escolhidos a dedo por Minerva McGonagall) poderia não ir ao baile?!
Ah, Remus Lupin... Ele ocupava um bom espaço nos pensamentos de Dorcas. Depois de uma história complicada (tinham quase se acertado como casal), eles tinham decidido ir com calma, afinal, para quem tinha demorado tanto para se declarar, esperar um pouco não era um problema. Certo?!
Errado. Dorcas não aguentava mais esperar para contar a todos que o lobinho era seu, e somente seu. E sim, antes que me perguntem, ela sabia sobre o “probleminha peludo” e definitivamente não se importava com isso.
Aliás, não é como se Lupin tivesse contado seu segredo de boa vontade. Tudo começou porque Dorcas era MUITO curiosa. E teimosa. Teimosa a ponto de seguir os marotos em direção ao salgueiro lutador em uma noite de lua cheia. Não precisamos citar o pânico que ela ficou ao ver o estado de Remus.
E bem, apesar de ser uma experiência traumática, ela finalmente entendeu o motivo de seu patrono ser um grande lobo. Não podia ser coincidência. Não mesmo. E foi por isso (e por outros motivos, que não vêm ao caso), que ela decidiu ajudá-lo.
Aprendeu a arte de como se tornar uma animago (sem os marotos e suas amigas saberem, claro). Passou dias trancada na biblioteca do castelo, até aprender o que tinha que fazer. E sua forma animaga? Uma linda loba branca. Os Marotos ficaram muito surpresos quando ela apareceu para ajudar em uma lua cheia. Remus quase enfartou ao vê-la quando recobrou a consciência.
Naquele mesmo dia, Remus confidenciou a James que seu lobo interior parecia estar incontrolável e no cio (se é que aquilo era possível). Claro que o Potter não se aguentou e espalhou para todos os seus amigos (como a bela fofoqueira que era), que sabiam do tal problema peludo.
E obviamente (as paredes de Hogwarts tem ouvidos), chegou aos ouvidos de Dorcas. Que não se aguentou de felicidade e acabou arrumando um encontro com ele em Hogsmeade. Não parecia grande coisa aos olhos dos outros alunos, mas para Dorcas e Remus era um grande passo. É claro que no dia, houve apenas uma pequena declaração tímida e um único toque de lábios.
E desde então, todas os pequenos encontros entre eles, foram caracterizados por bochechas coradas e alguns selinhos roubados em momentos de coragem. Até aí, tudo bem. Mas o baile estava se aproximando e ela estava começando a achar que teria que ir desacompanhada à festa. O que será que ela tinha feito a Merlin, para merecer um destino tão cruel?
*-*-*-*
Depois de muita reclamação, Meadowes tinha desistido. Acabou por decidir ir sozinha (obviamente suas amigas a fizeram chegar nessa decisão). Passou o sábado se arrumando e finalmente estava pronta.
Seu vestido era azul marinho, e um tinha tecido leve, de maneira que quando ela caminhava, ele parecia a chuva caindo. A cor de seus olhos castanho-claros estava em destaque com o belo delineado de gatinho. Seus cabelos loiros (quase da cor mel) estavam presos com um coque mal feito, que na verdade estava muito bem preso. Para finalizar, suas sardas apareciam em destaque nas bochechas e ombros.
Dorcas já estava cansada de ouvir de suas amigas que ela estava incrível, mas nem todos os elogios do mundo melhorariam sua autoestima.
— Vamos Dorquinhas! – Marlene McKinnon sabia que a Meadowes odiava o apelido – Me dá um sorriso para a foto – implorava ela, segurando uma câmera apontada para Dorcas, que sorriu amarelo para a máquina trouxa. Nenhuma das meninas aguentava mais ter que ouvir sobre o drama “Doremus”.
— Eu juro que se você não se acertar com Remus hoje, eu esqueço que sou a melhor amiga de vocês, e arranco aquilo que ele chama de “varinha” fora! – Ralhou Lily, impaciente ao notar o desânimo da amiga.
— Não viaja, Lily... Se ele não me convidou, qual a possibilidade dele realmente querer alguma coisa comigo? – Disse a loira com o olhar cheio d'água. As meninas respiraram fundo e reviraram os olhos.
— CHEGA!!! – Ouviram um grito de Alice — você vai levantar essa sua bunda magra daí é vai descer naquele salão. E você vai arrasar! Vai mostrar para aquele frouxo, que Dorcas Meadowes não é mulher que sofre por homem. Aposto que secretamente o Lupin tem um complexo de "varinha’’ pequena! Não é possível, nunca vi tanto cu doce na vida – Todas as garotas encararam Alice, como se ela fosse o próprio Merlin parado no dormitório
Alguns segundos depois, Marlene, Lily, Alice, Dorcas e Mary caíram na gargalhada. Ficaram um bom tempo daquele jeito, tentando limpar as lágrimas do riso. Assim que se acalmaram, as garotas saíram do dormitório e deixaram a amiga loira por último. Dorcas resolveu demorar um pouco. Ela não queria chegar no salão desacompanhada, enquanto as suas amigas estavam com seus pares.
Contou aproximadamente dez minutos, deu uma última ajeitada no cabelo e na maquiagem, finalmente dando-se por satisfeita. Saiu do quarto e começou a descer as escadas do dormitório feminino. Tendo uma vista privilegiada do início da escadaria, ela acabou vendo Remus Lupin, que estava sentado em uma das poltronas perto da lareira. Ele tinha o olhar perdido nas chamas e parecia muito cansado.
Meadowes estava na metade dos degraus, tentando fazer o mínimo de barulho possível, quando sem querer tropeçou. Ela recobrou o equilíbrio rapidamente e notou que Remus olhava fixamente para a garota (sem dizer que ele estava quase babando). Ela sentiu suas bochechas esquentarem e andou com pressa (lê-se quase correndo). Estava quase alcançando a entrada do salão comunal, mas uma mão firme e áspera segurando seu braço, a impediu.
— Hm... É... D-Dorcas, você está muito, muito bonita – ela sentia como se milhares de borboletas estivessem querendo sair de sua barriga, mas decidiu não dar o braço a torcer.
— O-Obrigada, Remus – ela deu um sorriso educado, e ainda corada deu as costas rapidamente e começou a andar até o salão.
Ela estava passando por um corredor vazio do castelo e tinha a noção de que Lupin estava seguindo seus passos. Dorcas não queria admitir, mas estava feliz por ele tentar ser insistente (mesmo que no seu íntimo ela acreditasse que ele ainda deveria ter a chamado para o baile idiota).
Eles estavam passando por uma enorme janela, com uma vista privilegiada da lua minguante, quando Remus a puxou, como tinha feito no salão comunal.
— Doe, eu realmente acho que precisamos conversar... Eu não sei porque você parou de falar comigo. Esses últimos dias têm sido quase impossíveis para mim. Me responda, eu fiz alguma coisa? – Ele a olhava suplicante.
— Na verdade, o problema é esse. Você não fez NADA. Aliás, você nunca faz. – Até mesmo ela se assustou com o tom de voz que usou. Nunca em sua vida, ela tinha sido tão grossa com o lobisomem. Ele a olhava com os olhos arregalados.
— Já que a circunstância é essa, será então que você pode me falar o que eu NÃO fiz? — Remus lhe devolveu com uma sobrancelha arqueada com tom de desafio. Dorcas estava chocada com a lerdeza do rapaz.
— Será que você não percebeu? Todos esses dias eu tenho recusado convites do baile de inverno. Um monte de gente me chamou para sair, e eu disse não!
— É claro que eu percebi, você chama atenção. – Franziu o cenho. — E qual o problema com isso? Você queria ter aceitado o convite deles? — Lupin estreitou os olhos, desconfiado. Sinal que estava perdendo a paciência também.
— Pelo amor de Merlin... – Dorcas murmurou, desistindo da conversa. — As meninas tinham razão! Eu fiz muito bem ir ao baile sozinha – disse a última frase decepcionada.
— Espera! O que? — Remus parecia finalmente compreender o que estava acontecendo – por Merlin! Eu sabia que tinha alguma coisa errada... Você não percebeu que está indo ao baile comigo?! – Ele gesticulava tentando explicar.
— Desde quando? – A garota arqueou a sobrancelha
— Desde que eu estou apaixonado por você! Droga, eu achei que estava bem claro – ele suspirou alto. O coração de Dorcas parecia dar solavancos. Ela sentiu seu rosto esquentar de vergonha, pela milésima vez aquele dia. Remus não estava muito diferente.
— B-Bom... É que... É que e-eu não sabia... E... – Ela gaguejou constrangida.
— Bom, agora que você entendeu... Você pode, por favor, segurar no meu braço, colocar um sorriso no rosto e entrar naquele salão mostrando a todos que você é minha? — Remus enumerou a enxurrada de palavras antes que perdesse a coragem.
Dorcas estava estática, com os olhos arregalados. Em um breve segundo de insanidade, ela pegou impulso e pulou no colo de Remus. Primeiro o abraçou forte, cruzando suas pernas em volta do quadril do rapaz (dando graças a Merlin por ter escolhido um vestido com a saia bem flexível).
Assim que o rapaz se recuperou do choque, ele segurou firmemente as coxas da garota, dando suporte. A carregou até uma parede e encostou as costas dela, dando apoio.
A respiração de ambos estava descompassada, mesmo sem nenhum toque íntimo. Alguns instantes se passaram até que finalmente Dorcas tirou sua cabeça do ombro do lobo, o encarando fixamente. Remus não conseguiu se segurar por muito tempo e tomou os lábios dela com vontade.
Para eles, o mundo poderia acabar naquele instante. A pressão dos lábios macios de Dorcas, faziam com que o lado selvagem de Remus viesse à tona. Ele nunca havia beijado ninguém com tamanha voracidade.
Lupin aprofundou o beijo, passando a língua pelo lábio inferior de Dorcas, que com um suspiro, concedeu passagem para que a língua dele explorasse sua boca. Parecia uma dança sincronizada.
Infelizmente, o ar se fez necessário. Mas Remus estava quente e queria mais. Ele separou suas bocas e mordeu o lábio inferior de Dorcas, que parecia se segurar para não gemer.
Ele desceu beijos pelo pescoço dela, indo ao delírio. Fez uma trilha de beijos molhados, desde sua clavícula até a orelha. Ele sentia a pele da loira se arrepiando. Aproveitando-se da situação, ele deu um longo chupão perto da orelha dela. E em troca, ele pensou ter ido até o paraíso, ao ouvir o som de seu nome sendo gemido pela boca inchada de Dorcas.
Mas como nada era fácil para o nosso casal Doremus, eles tomaram um enorme susto ao escutar um pigarreio vindo do início do corredor. Lupin manteve a loira em seu colo, mas afastou seus rostos rapidamente. Suas bochechas pegavam fogo.
— Eu juro que me odeio por interromper o momento do casal — James Potter olhava com um sorriso maroto nos lábios. — Mas a Tia Minnie está te procurando, Dorcas. Acho que tem algo relacionado a decoração do salão... – Ele disse com uma cara estranha, tentando prender uma gargalhada. A loira não respondeu, ela estava temendo não ter voz suficiente para falar.
É claro! Como Dorcas tinha se esquecido disso? Ela foi responsável por definir um tema para a decoração do baile de inverno. Tinha passado os últimos três dias passando suas ideias para a vice-diretora.
— E quer um conselho? – O cervo zombou das expressões do casal. — Dê um jeito na sua boca e nesse vestido antes de ir vê-la... Aliás, acho que ela vai adorar saber que os alunos prediletos dela estavam por aí fazendo um intercâmbio linguístico...
Depois do trocadilho tosco de Potter e um silencio constrangedor, a loira caiu na real que ainda estava no colo de Remus e teria que sair dali. Ela soltou um muxoxo de insatisfação, liberando suas pernas da cintura do rapaz. Seu rosto estava em brasa. Ela observou James Potter dar meia volta e ir para o salão (dando gargalhadas, claro). Assim que ele passou pela porta, Dorcas voltou sua atenção ao loiro ao seu lado.
— Éhh... Isso que acabou de acontecer foi... — Ela tentou quebrar o gelo.
— Intenso. — Ele completou a frase dela rapidamente. Dorcas o observou calmamente. Ele tinha os lábios inchados, o cabelo desgrenhado, e seu terno estava um pouco amassado. Sexy. A palavra que o descrevia era essa.
— Acho que nós precisamos ir agora... – Ela sussurrou.
— Eu sei... Mas não pense que isso aqui já acabou. Eu quero terminar o que nós começamos hoje – Ele corou ainda mais, depois de dar uma piscadela safada para a loira. Tentando não deixar a garota mais constrangida, Remus falou. – Vamos lá, você tem que falar com a McGonagall.
Ambos se olharam nos olhos e Lupin lhe estendeu a mão. Dorcas prontamente aceitou e deu um sorriso suave para o rapaz. Ele beijou sua bochecha e eles caminharam em direção ao salão com grandes caras de satisfação, pensando que naquele dia, eles finalmente estavam completos.
.
.
— Ah, e a propósito, eu também estou apaixonada por você, lobinho.
Fale com o autor