No carro,um trânsito horrível que lhe remete à sua cidade natal,São Paulo.Liga o som do automóvel e ,depois de trocar algumas vezes de estação,aumenta um pouco o volume de "God only knows". Canta e e faz os vocais dos Beach Boys lembrando de como adorava essa banda.Abre o porta-luvas e pega um pouco de pó e falando consigo mesmo: -Essa porcaria de trânsito dessa cidade,essa porcaria de pó não é suficiente nem pra hoje.Mas que inferno- Atormentado pela quantidade de droga e irritado,reclama sozinho. "Passa por cima,veado." Grita ele a um motorista que buzina."Preciso arrumar mais dessa porcaria agora."

Fala,velho,eu tava querendo um pó,dá pra cê me arrumar agora? -Quanto,coroa?- 10 gramas,daquela boa que cê me vendeu semana passada.-E tu acha mesmo que eu vendo coisa ruim?Aqui só tem produto de qualidade...mas tu vai querer isso tudo pra agora? Vai ficar doidão... -Isso é comigo,vá,corre lá que tô com pressa- Enquanto espera a droga chegar,vê uma movimentação estranha e presta atenção.

Uma moça grita,pedindo socorro e quando ele se aproxima percebe que trata-se de uma garota da comunidade,muito bonita por sinal. -Qual o problema,moça? "Ahhh,Deus." responde ela chorando. "Queriam me matar,ele quer me matar,eu tenho que fugir daqui agora,só quero sumir,largar essa vida...largar a vida.De que sirvo nesse mundo? Não quero mais,cansei." -Calma,devagar...qual seu nome? "Shirley,com y no final." -Pois bem,Shirley com y no final,me conte o que está havendo. "Coroa!!" chama o traficante,para entregar as drogas a Marcus, "Não se mete com essa mulher,coroa,tô avisando." Marcus pega a droga,paga e o traficante some,como num passe de mágica antes mesmo que pudesse lhe responde o por quê de o advogado não poder se 'meter' com a mulher.-Moça,diga logo se posso lhe ajudar. "Poder pode,mas não deve." por um instante ele olha nos olhos da moça e lembra se sua melhor amiga de infância e juventude em São Paulo. -Por que não deveria? Se puder e quiser ajudarei você,ninguém me diz o que devo ou não fazer. "Aí,coroa,isso tudo é muito maior do que tu pode imaginar,tô com muito problema...com meu ex,com droga.Tão correndo atrás de mim,mataram minha amiga que morava comigo agora.Saí de casa correndo,não pude pegar nada.Eles me querem agora,eu tô perdida" e mais uma vez em prantos as palavras de Shirley param de fazer sentido. "Ele vem,ele vem" -Ele quem,Shirley?Desse jeito vai ficar realmente complicado de te ajudar,você precisa me contar o que está acontecendo aqui. "Moço,num vai dar tempo de te contar nada,ele vai chegar aqui...me tira daqui" Marcus,sem nenhuma ideia do que fazer,sai caminhando com Shirley até o carro e manda ela entrar. -Vou te pagar um hotel por essa noite,você precisa se acalmar,me contar tudo...só por hoje,amanhã cedo,dependendo do que você me contar podemos ir ao DP e resolver isso logo. "Obrigada",diz a moça aliviada, "Mas o senhor não vai gostar quando souber de tudo...é complicado,eu não sou santa." -Está decidido,menina,quero sabe e você vai me contar.

Chegam a um hotel. Na verdade uma pousada. Na verdade uma pousada de quinta categoria. O local tinha um letreiro em luz neon escrito LMPAZA,a segunda letra estava apagada e Marcus não sabia qual vogal completava o nome do estabelecimento,afinal,ele não conhecia nada por nome de LAMPAZA,LEMPAZA...

"Hotel Lumpaza,boa noite,o que desejam?" -Lumpaza,era um u,mas o que diabos é Lumpaza?- sussurrou Marcus baixinho fazendo Shirley dar o primeiro sorriso desde que eles se encontrarm. "Não entendi,o que vocês desejam?" pergunta o homem da administração,que parecia ser o único funcionário daquele lugar feio,um velho de barbas brancas e sujas e uma pele vermelha,queimada pelo sol que só quem é de Recife sabe como é. -Ah,sim,senhor,queremos um quarto...na verdade,ela que um. "E o senhor não vai ficar no quarto com ela? Que mundo..." Não,só ela se hospedará aqui,apenas por essa noite. "Aqui as chaves,segundo quarto à direita." -Quanto custa,quero pagar adiantado. "São 100 paus,rapaz." Marcus paga e vai ao quarto com Shirley para que possa finalmente saber a história.

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