Notas iniciais
AVISO IMPORTANTE: Os capítulos foram divididos novamente para melhor visualização, mas sem mudanças em seus conteúdos. Portanto, se você já é um leitor antigo, os 5 primeiros capítulos correspondem ao que antes eram prólogo + capítulo 01 e capítulo 02. Boa leitura! Estou à disposição em caso de eventuais dúvidas!

X. Death Does Waste Time

Em Cathastrophe, a capital imperial, trens a vapor cruzavam por toda a cidade transportando os cidadãos da maior metrópole do império para todos os distritos da mesma, bem como para todas as outras cidades importantes de Igelivel. Para os poucos bem afortunados, ainda haviam os majestosos dirigíveis que cortavam os céus e encurtavam ainda mais a distância entre a capital e as demais localidades.

O fascínio imperial pelas máquinas era extremamente influenciado pela adoração à Santa Igelivel a Magnífica, santa das lendas antigas cujo nome fora honrado no batismo do império, e pela paixão à criatividade e ao avanço científico do povo Igeliano. Cathastrophe era, de fato, um polo industrial para mecanicistas e alquimistas de todos os cantos de Igelivel, além de ser uma potência militar a anos adormecida para o bem de todos, obviamente.

Naquele dia em especial o sol estava em seu auge como a tempos não era visto em Cathastrophe e, por volta do meio-dia, castigava sem distinção os prédios de pedra da cidade baixa, os emaranhados de metal e ferro do distrito comercial e as extravagantes obras arquitetônicas — moradia exclusiva de lordes e altos oficiais do governo — do distrito nobre.

Todo dia era a mesma coisa: Quinze minutos antes do meio dia a torre do relógio no centro da cidade soava três vezes, cada apito era fruto do trabalho de enormes pistões que por sua vez liberavam grandes nuvens de vapor no alto da torre. Uma obra-prima dos mecanicistas do império.

Indiferente ao corre-corre dos cidadãos que buscavam refúgio daquele calor infernal, uma jovem de aparência extravagante permanecia sentada com as pernas cruzadas na mureta da grande escadaria de pedra polida que levava ao palácio real de Igelivel, na parte mais alta da cidade:

— Major Jezebel, creio que devemos sair desse calor e seguir o plano, não? — Questionou um jovem soldado imperial, claramente perturbado com a calma da moça à sua frente. — Joanne e Rosalind já foram na frente ao local designado, devemos nos juntar a elas.

— Trinta e oito graus e subindo... — Comentou a jovem, enquanto olhava diretamente em direção ao sol através de uma espécie de monóculo de bronze, acoplado entre a orelha e o olho direito. — Em breve você deve começar a cozinhar dentro desse uniforme pesado. Interessante.

— Interessante? — Respondeu o soldado arqueando as sobrancelhas em um misto de curiosidade e indignação. — Nós temos uma missão, e...

Antes que o jovem soldado pudesse concluir sua reclamação, Jezebel levantou-se do muro e o interrompeu bruscamente, o olhar azulado da moça perfurou o rapaz:

— Não precisa repetir, estou ciente do nosso chamado, Reese. — Respondeu a moça, as palavras sempre afiadas como a lâmina de prata presa em sua cintura — Particularmente eu acredito que Joanne e Rosalind possam dar conta do recado sozinhas. Ou você duvida da capacidade delas?

O soldado cerrou os punhos, visivelmente tentando manter a compostura com a jovem:

— Certamente não duvido! — Exclamou Reese, passando a gesticular de maneira exagerada. — Mas é meu teste para me tornar um Pacificador, por isso quero muito ser útil...

— Foi uma pergunta retórica. — Jezebel interrompeu bruscamente o soldado pela segunda vez, desta, com uma entonação irritadiça. — Se quer mesmo ser útil, vá na frente e seja morto de alguma forma divertida, me impressione.

O calor insuportável e a atitude odiosa de sua companheira obrigaram o pobre rapaz a abrir alguns botões de seu uniforme militar. A cor marrom, o peso do tecido, os ornamentos metálicos da armadura nos joelhos e cotovelos, além das botas e luvas de couro negro contribuíam para uma sensação térmica sufocante.

Os cabelos negros do rapaz exalavam um suor irritante, sua pele levemente bronzeada transpirava ainda mais devido ao nervosismo de ser avaliado pela figura mais famosa — e temida — entre os Pacificadores de Igelivel: Jezebel Augusta.

Quase cambaleando em função do calor e determinado a provar seu valor, o soldado resolveu deixar a moça para trás — um grave crime de insubordinação, não fosse a natureza despreocupada de Jezebel — e seguir para o local designado de sua missão.

— Você é insana! Não sei como o general Uhlich pôde aceitar você entre os Pacificadores! — Exclamou Reese um tanto aborrecido enquanto se afastava. — Vou mostrar do que sou capaz e me tornar um Pacificador exemplar!

Jezebel pouco pareceu se importar com a atitude do soldado e, com um leve toque do indicador, recolheu o pequeno aparelho de metal em seu olho o fazendo voltar até a orelha.

Após temporariamente resolvida a situação com o recruta, o som estridente do grande relógio que marcava meio dia em ponto relembrou Jezebel sobre a situação a qual ela, o recruta Reese e outros dois Pacificadores haviam sido designados a intervir: Um alquimista que havia auto dosado uma nova e perigosa substância conhecida como Traxia, acabou perdendo totalmente o controle e atacando civis inocentes além de destruir uma loja onde um possível contato entre diferentes catalisadores poderiam gerar um incêndio ou até uma explosão.

No fim das contas, era apenas mais um dia violento na utópica Catastrophe, bem como apenas outra missão para o grupo de talentosos soldados conhecidos como Pacificadores, a elite das tropas imperiais de Igelivel.

Jezebel fechou o primeiro botão da túnica militar branca que trajava, decorada impecavelmente com um fourragère dourado, o favorito entre os Pacificadores, e colocou novamente o quepe branco de aba negra que ainda estava sobre a mureta onde ela repousava minutos antes. O acessório combinava perfeitamente com os fios absurdamente lisos e dourados de seu cabelo chanel, dando uma aparência mais séria apesar dos traços finos e delicados da jovem que de delicada realmente só tinha a aparência. No largo cinturão de couro escuro seu fiel sabre de prata permanecia preso, tão sedento de sangue quanto sua portadora. A calça branca de seu uniforme militar era justa, porém, elástica o suficiente para lhe proporcionar mobilidade em combate, além, é claro, de delinear suavemente as curvas de seu belo corpo. Um par de botas pretas de cano longo completavam o níveo uniforme padrão dos Pacificadores, destacando sua presença onde quer que eles fossem, e, popularmente gerando a alcunha de Morte Branca entre os cidadãos de Cathastrophe.

Jezebel teve um mau pressentimento quanto ao alquimista envolvido com a substância proibida — a mortal Traxia—, sentiu um arrepio lúgubre percorrer seu corpo e naquele exato momento passou a questionar se de fato suas companheiras Joanne e Rosalind — e até mesmo o recruta Reese — poderiam estar correndo perigo enquanto ela perdia tempo com ponderações estúpidas.

Apressadamente e agora decidida a cumprir sua missão, a Morte Branca rumou apressadamente ao centro alquímico perto dali onde fora instruída a intervir, sem sequer imaginar o real perigo que a aguardava.

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XI. Touch of Traxia

Uma multidão cercava o velho prédio do centro alquímico no centro de Cathastrophe, civis curiosos se agrupavam aos montes dificultando o trabalho dos soldados encarregados da patrulha das ruas da cidade. Os soldados impotentes frente à situação delicada apenas faziam uma espécie de corrente humana em torno da entrada do edifício enquanto aguardavam reforços.

Apoiados pelas facções puritanas da cidade, mecanicistas e outros adeptos dos movimentos anti-alquimia gritavam furiosos apontando “mais um” acidente causado pela conduta dos alquimistas da capital, e exigiam o exílio de tais hereges. Para eles, qualquer estudo que afronte a hegemonia da Santa das Máquinas era algo a ser combatido. O império apesar de ser em essência mecanicista, já aceitava a alquimia — cultura nascida e amplamente difundida em Kul’Yolia, nação vizinha e outrora inimiga — como parte de seu dia-a-dia e parte fundamental em seus engenhos bélicos.

— É ela, é a major Jezebel! — Exclamou um dos soldados patrulheiros ao vislumbrar a moça que se aproximava através da multidão.

Ninguém mais se atreveu a protestar ou agir descontroladamente na presença de Jezebel. A turba ao perceber a chegada da pacificadora, se partiu em duas, formando um corredor de olhos temerosos e fascinados por onde a moça cruzou apressadamente.

— Major! — Exclamou outro dos soldados, prestando continência à sua superior e abrindo passagem para dentro do círculo de contenção — A situação saiu de controle, a capitã Joanne foi ferida em combate e a tenente Rosalind não está dando conta do número de feridos! É um desastre!

Apesar de irritada com o pessimismo do soldado e consternada pela segurança de suas companheiras, Jezebel sabia que o homem não falava em tom de criticismo e sim de desespero.

— Vai ficar tudo bem agora, apenas continuem com a contenção desse tumulto. — Jezebel observou os vários civis caídos em frente a entrada do centro alquímico — E emitam um chamado para a equipe médica.

— Sim senhora! O chamado já foi enviado pela tenente Rosalind, senhora.

Jezebel apenas assentiu com a cabeça.

Os Pacificadores eram geralmente chamados nesse tipo de situação delicada onde os soldados comuns não conseguiam lidar, situações perigosas, com reféns ou onde muitas vidas estivessem em perigo. Eram um grupo à parte no exército de Igelivel, embora fosse composto por membros de várias hierarquias. Foi criado e é comandado pelo General Uhlich VanderWaal, o Mediador.

“Que oponente formidável teria tirado de combate a capitã Joanne? Afinal ela é uma exímia lanceira, suas habilidades quase se rivalizam com as minhas.” — Pensou Jezebel momentos antes de se aproximar da companheira caída e da moça que a tratava.

— Finalmente, Bel! — Exclamou uma jovem de pele clara e cabelos castanhos lisos aparentando no máximo dezoito anos, o uniforme militar branco era o mesmo de Jezebel, porém, sem o quepe. — Por que você demorou tanto?

Os olhos castanho-claro da jovem se encheram d'água e ela continuou sem dar a Jezebel chance de se explicar:

— N-nós não conseguimos conter aquele homem sozinhas. — A jovem tenente permanecia de joelhos, lado ao corpo imóvel de Joanne e frente à Jezebel. — Joanne entrou lá e acabou sendo ferida... E o pior é que nossas suspeitas estavam corretas, realmente alguns alquimistas negligentes estão manejando Traxia ilegalmente e conduzindo testes horríveis.

— Sinto muito, Rosalind. — Começou Jezebel com certo pesar em suas palavras após o desabafo de sua companheira. — Quão grave é a situação de Joanne?

— Muito grave. Foi sorte ela ter conseguido recuar até o lado de fora nesse estado. — Balbuciou Rosalind, voltando sua atenção à pacificadora caída. — Eu contive fácilmente a hemorragia e desinfetei o ferimento, mas… Isso é algo novo, não estava preparada para algo assim.

Uma grande caixa de primeiros socorros repousava aberta próxima Rosalind e Joanne. Nela, Jezebel pôde perceber inúmeras poções, ervas, catalisadores e componentes alquímicos, além ferramentas de corte e sutura, gases, ataduras, alguns manuais e anotações incompreensíveis a ela.

Jezebel se abaixou próximo ao corpo de Joanne, retirando seu quepe e cobrindo o rosto da mesma. O calor estava imenso e o risco de insolação era alto.

Rosalind removeu a compressa que havia colocado sobre o ferimento de Joanne, revelando a ferida: um corte profundo na altura das costelas, provavelmente proveniente de uma cimitarra ou lâmina curvada similar. Do corte saía uma substância escura, não era sangue ou pus, era espessa, porém, estranhamente não tinha cheiro algum. Veias escuras surgiram em torno do corte, em uma espécie de gangrena. Era visualmente perturbador e doloroso a ponto de fazer Joanne desmaiar.

— Isso é imperdoável! — Esbravejou Jezebel ao ver o horrendo ferimento da pacifista caída. — Irei entrar e arrancar algumas repostas de seja lá quem tenha feito isso!

— Tome cuidado, Bel. — Suplicou tristemente a jovem Rosalind. — Não quero ver você na mesma situação que Joanne. Então haja o que houver não toque ou seja tocada diretamente pela lâmina do homem lá dentro, pelo que pude constatar ela é a fonte da infecção. Aquele recruta, Reese, entrou no prédio logo após Joanne e até agora não saiu, também estou preocupada com ele...

— Não se preocupe, tomarei cuidado. Inclusive vou dar um jeito de salvar a pele daquele garoto idiota. — Respondeu Jezebel com um olhar determinado. — Você já fez o possível por Joanne no momento, a deixe descansar e prepare os demais feridos para transporte e socorro. Logo a equipe médica principal deve chegar.

— Sim, senhora! — Respondeu Rosalind de prontidão consolada pelas palavras de Jezebel, confiando totalmente no comando da companheira. — Se existe um antídoto, talvez ele saiba dizer e talvez eu possa até reproduzir a receita!

— Você é uma apotecária prodígio, escolhida a dedo pelo general Uhlich para fazer parte dos Pacificadores. Se existe alguém capaz de encontrar um antídoto, é você, Rosalind.

Após tais palavras de incentivo, Jezebel respirou fundo e adentrou o prédio do centro alquímico, preparada física e mentalmente para qualquer tipo de desafio.

Ou assim ela imaginava.

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XII. Fragmented Human Nature

O grande centro alquímico consistia de dois andares. O térreo hospedava uma grande livraria de um lado e diversas estantes e prateleiras de materiais alquímicos do outro, divididas por um largo corredor que direcionava até a recepção. Uma escada em espiral levava ao segundo piso, onde eram localizados os laboratórios de pesquisa e outras diversas salas não disponíveis ao público comum. Apesar de tanto espaço, o local estava vazio e escuro, provavelmente evacuado após o ataque.

Jezebel avançou com cautela observando a destruição causada no primeiro andar e ao chegar na metade do corredor, algo capturou completamente sua atenção: um homem de aparência repulsiva estava deitado meio a alguns escombros. O homem tinha cabelos e barba compridos e imundos, trajava roupas rasgadas sujas de sangue e de alguma outra substância escura. Apesar da aparência do homem misterioso, o detalhe que mais chamou a atenção da pacificadora fora o feixe de luz que penetrava o local vindouro de um grande rombo no teto. O feixe iluminava o exato lugar onde o homem permanecia deitado, como um holofote realçando um personagem em uma peça teatral. Pitoresco e assustador ao mesmo tempo.

“Sangue e Traxia talvez? Além dessas vestes e aparência… Certamente não se trata de um alquimista daqui. Algo não faz sentido…” — Ponderou Jezebel sem se aproximar demais do homem caído.

— Ah, Major Jezebel! — Uma voz estridente e familiar ecoou subitamente no saguão, retirando a moça de seus pensamentos. — Já está tudo sob con...

Em um ato de pura técnica e reflexo, a pacificadora sacou seu sabre de prata e com um giro rápido o posicionou a centímetros do pescoço do dono da voz, parando instantâneamente ao reconhecê-lo.

— Recruta? — Questionou Jezebel incrédula.

— S-sim… — Respondeu o jovem Reese engolindo saliva. — P-pode baixar a arma agora?

Aparentemente impressionada e confusa, Jezebel guardou o sabre novamente na bainha:

— Como assim sob controle? — A moça ainda parecia incrédula, arrancando um sorriso de satisfação do recruta. — O homem que derrotou Joanne e causou toda essa destruição é aquele deitado ali?

— Sim. — Respondeu Reese com um sorriso de orelha a orelha, os olhos castanhos brilhando orgulhosamente — Ele mesmo, mas como você pode notar eu já neutralizei a ameaça e estou de olho nele até os reforços chegarem.

Reese se aproximou do homem caído sem a mínima preocupação, juntando algo envolvido em tecido branco do chão e o levando até Jezebel:

— Também separei aqui a lâmina que o suspeito usou para ferir a capitã Joanne. — Reese removeu parte do pano, revelando uma cimitarra de lâmina curva banhada em uma substância negra e de aparência infecciosa.

Reese embalou a arma e a depositou novamente no chão. Ele parecia cansado, mas nem ao menos estava ferido. O que causava ainda mais desconfiança em Jezebel.

— Você deve estar se perguntando como, certo? — Reese riu descontraído, alheio à situação perigosa na qual se encontravam. — Bem, eu descobri o ponto fraco dessa substância! Graças a mim, será possível acabar com o surto de Traxia em todo o império!

Jezebel apenas assentiu com a cabeça, o azul desconfiado de seus olhos analisavam cada palavra do recruta:

— E o ponto fraco seria? — Indagou a pacificadora levando a mão ao queixo.

— Luz! As pessoas infectadas são enfraquecidas por claridade em geral. Quando percebi isso, foi fácil fazer ele cair na minha armadilha.

Reese se aproximou novamente do homem caído, o chutando e pisando em sua cabeça. Para a surpresa tanto do recruta quanto de Jezebel, o homem balbuciou algo incompreensível.

— Que? — Respondeu Reese em tons de deboche, aproximando seu rosto do rosto do homem caído. — Não consigo ouvir nada da merda que você tá falando!

“Não… Isso não está certo. Já houveram outros casos como estes nos últimos meses, inclusive pessoas infectadas perambulando pelas ruas em plena luz do dia. A não ser que..” — Pensou Jezebel antes de concluir algo potencialmente perigoso.

— Se afaste dele, Reese! — A pacificadora gritou já sacando sua lâmina novamente — A fraqueza deles não é a luz!

As palavras de Jezebel soaram como lâminas gélidas perfurando o peito do recruta, gotículas de suor brotaram e escorreram por seu rosto e o jovem sentiu o corpo travar de vez ao ver que o homem caído agora o fulminava com um olhar diabólico. As pupilas eram dilatadas, a íris era negra e pequenas veias escuras circundavam ambos os olhos do homem.

— Eu disse… — Sussurrou o homem agarrando o braço de Reese de supetão. — Que iria... matar você.

Antes que Jezebel pudesse interferir, o homem se ergueu dos escombros com agilidade descomunal, e, ainda tendo o braço de Reese em suas mãos, o retorceu como se fosse um graveto seco.

O grito de dor de Reese ecoou por todo o saguão enquanto uma torrente de sangue jorrava do misto de carne e ossos retorcidos que outrora eram seu braço.

— Você não é digno da salvação… — O homem agora segurava Reese pelo rosto, o erguendo do chão sem dificuldade alguma. — Desapareça, verme.

Com tais palavras o homem infectado arremessou Reese com força absurda, o corpo do recruta se chocou contra a parede atrás de Jezebel. O som do impacto fora terrível, ossos quebrando, órgãos explodindo… O estômago da pacificadora revirou completamente ao final de tal cena horrenda. Reese estava morto. Tão fácil e rápido. Uma vida se desfaleceu frente a seus olhos e apesar de suas palavras anteriormente, Jezebel não se sentiu nada impressionada com a morte violenta que presenciara.

— Jovem tolo. — Debochou o homem estalando os dedos das mãos e pescoço. — Ao menos você parece menos ignorante do que ele.

Jezebel nada respondeu, apenas tentou focar sua mente no perigo a sua frente. Negociar não era mais uma opção. Pacificar o alvo? Certamente essa era a última coisa que se passava pela cabeça da moça.

Sua respiração estava ofegante, as mãos trêmulas suavam de excitamento. Já havia observado o inimigo por tempo suficiente, era hora de o destruir. Completamente.

Notas finais
Comentários, indicações, críticas e sugestões serão sempre bem vindos! Obrigado e não perca o próximo capítulo!