Sob um Crepúsculo Diferente

9 Capítulo 8 - Acidente


Notas iniciais
Graças a Deus eu voltei com mais uma atualização! Sem mais delongas, boa leitura! P.S.: E eu não teria conseguido terminar este capítulo, se não fosse pela Larissa. Meu anjo, você é demais! Obrigada pela ajuda! Este capítulo é dedicado especialmente pra você, Lari ♥ Espero que esteja orgulhosa hahaha

Na manhã seguinte, a luz estava mais clara e não havia nenhuma névoa cobrindo a minha janela. Surpresa, me levantei e na pressa, tropecei em minhas cobertas que se arrastavam no chão. Praguejei baixinho quando cai no chão e me levantei, andando em direção a janela. A paisagem do lado de fora me fez sorrir automaticamente, porque havia uma fina camada de neve cobrindo o jardim, o topo das árvores, a estrada e a minha caminhonete. Toda a chuva de ontem havia congelado e virado gelo. Eu estava excitada com a neve, mas receosa também, porque essa seria a primeira vez em que eu dirigiria numa estrada coberta por gelo. Senti um frio na barriga com esse pensamento, mas tentei não pensar muito nisto, porque não ajudaria em nada eu me apavorar. Não seria tão difícil dirigir, seria? Eu esperava que não. Respirei fundo e sorri.

Você consegue. Pensei positivamente.

Papai já havia saído para o trabalho quando eu desci. Eu não estava com fome, mas decidi que não era bom sair de barriga completamente vazia, então optei por comer uma maçã.

Tive que ter muito cuidado para não cair no gelo mortal que cobria a calçada, mas por sorte, consegui chegar até a minha caminhonete sem cair. Eu me sentia ansiosa enquanto diria para a escola. Eu sabia que não era por causa da paisagem meio branca e nem por causa dos meus novos amigos. Toda essa excitação era porque eu estava ansiosa para ver Edward Cullen. Isso era muito idiota. Eu não deveria estar ansiosa para ver um garoto com atitudes estranhas que eu mal conhecia. Eu tinha as minhas suspeitas sobre Edward Cullen e minha mente dizia que eu deveria evitar ele completamente. Fiquei intrigada quando ele disse que não usava lentes de contato, mas lembrei bem nitidamente da cor em seus olhos semanas atrás. Eles eram negros e duas semanas depois, quando enfim ele retorna, seus olhos tinham uma cor dourada. Isso era muito estranho e muito intrigante. Eu também ainda estava amedrontada pela hostilidade que eu sentia emanando dele e ainda ficava com a língua presa sempre que olhava o seu rosto desumanamente perfeito. Eu estava plenamente consciente que nós éramos opostos que não se atraíam. Eu também não deveria estar consciente de sua presença e nem ansiosa para vê-lo novamente. Eu deveria agir indiferente, mas com educação quando estivesse perto dele. Eu decidi que era isso que eu faria e daria o meu melhor para não recuar.

Papai havia deixado um bilhete em cima da mesa, onde ele explicava que havia levado a minha caminhonete hoje mais ledo pra colocar correntes nos pneus. E graças à isso, eu não tive problema algum com o gelo que cobria a estrada. Mas mesmo assim, eu não quis brincar com a sorte, então dirigi mais devagar do que o normal.

Quando eu sai da caminhonete, Angela acenou para mim do outro lado do estacionamento, mas antes que eu pudesse ir até ela, senti meu celular vibrar dentro da mochila e o peguei. Havia uma mensagem e era de minha mãe. Ela, ansiosa do jeito dela, queria saber todas as novidades que aconteceram comigo desde a última vez que nos falamos. Sorri, revirando os olhos e comecei a digitar uma mensagem bem rápida.

Mãe, agora eu tenho aula. Mais tarde quando eu estiver em casa, eu te ligo, ok? Enquanto isso, relaxe um pouco. Beijos, Bella.

Porém, enquanto respondia a sua mensagem, acabei parando no canto de trás da minha caminhonete. Não esperando para ver o que mamãe mandaria em seguida, enfiei o meu celular junto com a chave da picape que eu ainda segurava nas mãos dentro da mochila. Comecei a andar, ajeitando as alças da minha mochila no meu ombro. Antes que eu pudesse sair do canto onde eu estava, parei quando ouvi um barulho estridente. Era como um arranhão muito alto e estava rapidamente bem perto. Eu olhei para cima confusa e vi várias coisas simultaneamente. Nada estava se mexendo em câmera lenta como acontece nos filmes. Ao invés disso, a adrenalina pareceu fazer o meu cérebro trabalhar muito mais rápido e fui capaz de absorver em detalhes várias coisas ao mesmo tempo.

Primeiro: Edward Cullen estava parado do outro lado do estacionamento, me encarando horrorizado. O rosto dele se destacou dos outros rostos e todos estavam petrificados com a mesma expressão de choque.

E segundo: Havia uma van azul escura derrapando. Seus pneus guinchavam contra os freios e giravam selvagemente no chão cheio de gelo do estacionamento. A van ia bater em um dos cantos traseiros da minha caminhonete. E eu estava entre eles.

Quando percebi o que ia acontecer, eu travei em choque e minha mente parou. Eu estava apavorada e petrificada de medo. Fechei os olhos, numa tentativa de que isso fosse amenizar o impacto. Mas eu sabia que não. Em seguida, ouvi o barulho de algo se quebrando, que vinha da carroceria da minha caminhonete. Senti alguma coisa bater em mim fortemente, mas não da direção em que eu esperava. Minha cabeça bateu contra o gelo e senti algo sólido e frio me pressionando no chão. Num impulso pra saber o que estava acontecendo, abri meus olhos e vi que estava deitada no chão atrás do carro de pintura queimada, que estava estacionado próximo ao meu. Mas não tive a chance de prestar muita atenção em mais nada, porque a van ainda estava vindo. Ela havia feito uma curva no fundo da minha caminhonete e ainda estava girando e deslizando, prestes a colidir comigo de novo. Uma voz baixa me fez notar que eu não estava sozinha. E essa voz era impossível não reconhecer. Duas mãos longas e brancas ficaram protetoramente na minha frente e a van parou a um palmo de distância. As mãos grandes cabendo perfeitamente num vão profundo na lateral da van e as mãos dele se moveram tão rápido, que ficaram fora de foco. Uma delas estava de repente agarrando o fundo do carro e alguma coisa estava puxando e empurrando as minhas pernas, como se elas fossem de uma boneca de pano, até elas encostarem-se ao pneu do carro com a pintura queimada. O baque de um som metálico fez meus ouvidos doerem e a van estava estabilizada no chão. O vidro estava caído no asfalto, exatamente onde as minhas pernas haviam estado minutos antes. Tudo ficou absolutamente silencioso por um longo segundo antes da gritaria começar. Mas, mais claramente que a gritaria, eu podia ouvir a voz baixa e desesperada de Edward no meu ouvido. Eu estava atordoada e em choque. Eu vi mesmo tudo aquilo? Ou eram só efeitos do choque?

— Bella? Você está bem? — Edward me perguntou, preocupado e desesperado.

— S-sim, e-estou bem. — Gaguejei ridiculamente. Tentei me mexer, mas me dei conta de que Edward estava me segurando pela cintura com muita força.

— Tenha cuidado. — Ele avisou quando eu relutei. — Acho que você bateu muito forte com a cabeça.

— Ai — Eu gemi, me dando conta de uma dor pulsante, centrada acima da minha orelha esquerda

— Foi o que pensei. — A voz de Edward fez parecer que ele estava prendendo uma risada.

— Como... — Eu parei, tentando me orientar. — Como você chegou aqui tão rápido? – Eu perguntei.

— Eu estava parado bem ao seu lado, Bella. — Ele deu ênfase ao "bem" e seu tom estava sério novamente.

Tentei me desvencilhar dele e sentar de novo, mas dessa vez, ele não relutou, soltando o seu braço da minha cintura e escorregando o mais longe possível de mim no espaço limitado. Olhei para a expressão preocupada e inocente dele, e mais uma vez, eu estava desorientada pela força dos seus olhos dourados em mim.

O que é que eu estava perguntando à ele mesmo? Pensei.

Não demorou muito até que eles nos encontrassem. Uma multidão de pessoas com lágrimas saindo dos olhos e escorrendo pelo rosto, estavam gritando umas para as outras por nós.

— Não se mexam. — O Trainador Clapp instruiu.

— Tirem o Tyler da van! — O Sr. Banner gritou.

Havia um fluxo de atividade ao nosso redor. Tudo estava caótico e isso acabou me deixando com dor de cabeça. Eu tentei me levantar, mas as mãos frias de Edward me puxaram para baixo pelo ombro.

— Fique quieta por enquanto. — Ele pediu.

— Mas está frio — Eu reclamei igual uma criança de 5 anos, fazendo Edward rir baixinho.

De repente a clareza retornou a minha mente e eu lembrei o que estava tentando dizer a ele.

— Você estava bem ali ó. — Eu apontei pro lugar onde o carro dele estava estacionado, fazendo ele parar de rir na hora. — Você estava perto do seu carro, do outro lado. — Eu disse, confiante e sua expressão ficou dura e sombria.

— Não, eu não estava. – Ele afirmou, com convicção.

— Não adianta mentir para mim. Eu vi você, Edward. – Afirmei, séria, começando a me irritar.

Tudo ao nosso redor ainda continuava um caos. Eu conseguia ouvir a voz áspera de mais adultos se aproximando da cena. Eu obstinadamente me mantive na nossa discussão. Eu estava certa e ele ia ter que admitir.

— Bella, eu estava bem ao seu lado. — Ele deu ênfase no "bem" mais uma vez. — Eu te tirei do caminho. – Ele me encarou intensamente. Seu olhar estava queimando nos meus, como se estivesse tentando me convencer do contrario.

— Não, você não estava. — Eu apertei a minha mandíbula e o dourado de seus olhos brilhou.

— Por favor, Bella. – Ele implorou. Sua voz estava intensa, como se pedisse pra mim confiar nele.

— Por quê? — Eu quis saber.

— Apenas confie em mim. — Ele pediu e ao fundo, eu podia ouvir o som das sirenes.

— Você promete me explicar tudo depois? – Eu perguntei depois de ponderar por alguns instantes. Eu não deixaria ele sair dessa. Ele apertou a ponte do nariz, pensando e eu esperei, pacientemente.

— Eu prometo. — Ele respondeu, exasperado.

— Ótimo — Eu respondi, me levantando, mas quando fiquei de pé, senti uma dor forte na cabeça e tudo girou. Cambaleei pro lado e antes que eu caísse, senti os braços de Edward ao meu redor. Ele me estabilizou em seus braços, mas eu ainda estava tonta.

— Eu estou bem. – Tentei lhe tranquilizar, mais ele pareceu não acreditar, mas, relutantemente, soltou os seus braços da minha cintura. Porém, no segundo seguinte em que ele me soltou, a tontura retornou quando tentei dar um passo. Eu tombei pro lado e tudo ficou escuro. Senti ser segurada e a última coisa que eu ouvi antes de desmaiar, foi a voz de Edward apavorada.

Quando acordei, eu estava deitada em uma cama de hospital. Confusa por alguns minutos, fiquei sem entender o motivo que me trouxe até aqui. De repente, as lembranças retornaram e me lembrei de tudo que aconteceu. Lembrei de receber uma mensagem de mamãe e de parado em dos cantos da minha caminhonete, enquanto lhe respondia rapidamente. Lembrei de ouvir um som de um carro derrapando e logo em seguida, ver uma van vindo em minha direção. Lembrei do choque e de fechar os olhos e esperar pelo impacto, que não veio de onde eu esperava. Lembrei de voltar a abrir os olhos e ver Edward me tirar do caminho, parando a van com a mão.

Meu coração acelerou e tentei me acalmar. Ser quase esmagada por uma van foi real, mas Edward... Ver Edward parando aquela van de um jeito assustadoramente impossível... isso não poderia ser real, poderia? Não, sem chance alguma. Eu realmente imaginei essa última parte por causa do choque? Ou realmente aconteceu? Eu não conseguia entender e queria respostas. E então, lembrei também que antes de desmaiar, Edward havia prometido que me explicaria tudo e isso eu ia cobrar dele assim que eu o visse, se tivesse uma chance de ficar sozinha com ele.

Observei mais atentamente onde eu estava e conclui que talvez eu estivesse na sala de emergência. Presumi também que a sala deveria conter uma fileira de camas e que estavam separadas por cortinas azuis, igual as que estavam envolta de mim. Eu suspirei, pensando se alguém viria logo me ver.

— É muito bom que você tenha acordado, Isabella. Dr. Cullen ficará feliz em saber disso. — A enfermeira sorriu de forma gentil para mim. Eu lhe devolvi o sorriso e notei que em seu crachá dizia que seu nome era Rebeca.

— Eu vou checar a sua pressão e a sua temperatura. — Ela avisou, sorrindo docemente. Eu sorri e assenti. Ela colocou um medidor de pressão arterial no meu braço e um termômetro embaixo da minha língua.

Quando a enfermeira foi embora, eu comecei a me sentir ansiosa para o que estava por vir.

Neste momento, eu desejei ter algo para passar o tempo, enquanto esperava pela chegada do Dr. Cullen. Depois que a enfermeira saiu, ela deixou a cortina aberta e notei que Tyler Crowley, da minha aula de História e outro fã meu que também faz parte do meu novo grupo de amigos, estava deitado na maca ao lado da minha. Então aí me lembrei que era ele quem dirigia a van desgovernada e que quase me matou...

Eu olhei pra ele e fiquei com muita pena. Ele estava mais machucado que eu. Seu rosto estava com uma porção de cortes superficiais em toda a sua testa e na bochecha esquerda. Considerando que o impacto dele foi pior que o meu, era de se esperar que ele estivesse tão mal. Tyler estava dormindo, mas alguns minutos depois, ele se mexeu inquieto — provavelmente lhes deram algum remédio para não sentir dor, mas o efeito com certeza já estava passando e ele já conseguia sentir os efeitos do acidente. Quando enfim ele acordou e notou que eu estava ao seu lado, ele me encarou ansiosamente.

— Bella, me desculpe. – Ele pediu, desesperado.

— Eu estou bem, Tyler. Não tenho o que te desculpar. Você parece horrível, você está bem? — Eu perguntei, realmente preocupada com o estado dele.

— Eu pensei que fosse matar você... Eu estava indo rápido demais e acabei derrapando no gelo. — Ele choramingou, me ignorando. Eu suspirei mentalmente. Lá vem. Pensei.

— Não se preocupe com isso. Eu estou bem e sai sem nenhum arranhão. — Tentei mais uma vez lhe tranquilizar.

— Como você saiu do caminho tão rápido? Você estava lá, mas em outro minuto, não estava mais... — Tyler quis saber.

Essa pergunta fez o meu coração acelerar. Eu entrei em pânico e tinha certeza que o meu rosto havia se tornado mais branco que o normal. O que eu diria à ele? Eu não poderia lhe contar a verdade. Ele não acreditaria em mim de qualquer maneira e provavelmente acharia que eu sou louca. Ou acharia que era um efeito pós-traumático do acidente. A verdade — pelo menos a verdade que eu acho que vi — estava fora de questão. Com o meu coração batendo aceleradamente na minha caixa torácica, tentei fazer o meu cérebro trabalhar em uma mentira convincente e que o fizesse acreditar.

— Hã... E-Edward me tirou do caminho. — Me chutei internamente por gaguejar, sentindo os meus batimentos cardíacos retumbando nos meus ouvidos.

— Quem? — Tyley perguntou, meio confuso.

— Edward Cullen — Dessa vez, a minha voz saiu mais firme. — Ele estava do meu lado e me tirou do caminho. Eu estava me sentindo muito mal por mentir. Eu odiava mentir.

— O Cullen? Nossa, eu não o vi... Tudo foi tão rápido... Espera. Ele está bem? — Ele perguntou.

— Hmmm... Bem, eu não sei. Eu desmaiei e acordei poucos minutos antes de você. Mas acho que ele está bem sim. Ele provavelmente deve estar em algum lugar por aqui, mas eu não tenho certeza...

Tyler continuou seus pedidos constantes de desculpas e promessas que me recompensaria. Eu continuei lhe tranquilizando de que eu estava perfeitamente bem, mas ele continuou se atormentando. Irritada por ele não me ouvir e começando a sentir uma dor de cabeça com suas desculpas intermináveis, decidi fechar meus olhos e lhe ignorar, na esperança que ele notasse o sentido da minha atitude e calasse a boca.

— Ela ainda está dormindo? — Perguntou uma voz musical. Meus olhos se abriram instantaneamente e meu coração disparou.

Edward Cullen estava ao pé da minha cama, sorrindo maliciosamente para mim. Eu o encarei. Não foi fácil. Seria mais fácil se seus olhos não tivessem essa cor dourada e não estivesse tão intensos em mim.

— Ei, Edward... Eu lamento muito... — Tyler pediu apressadamente, mas Edward levantou a mão para pará-lo.

— Sem sangue, sem danos. — Edward disse, mostrando uma série de dentes brilhantes e super brancos. Eu segurei a respiração. Ele era realmente absurdamente lindo.

Edward sentou-se na borda da cama de Tyler, me encarou e sorriu novamente com malicia para mim. Eu apenas fiquei lá lhe encarando sem sorrir.

— Então, qual é o veredicto? — Ele me perguntou.

— Não tem nada de errado comigo. Bom, pelo menos eu acho. — E como você não está acorrentado em uma cama como eu e Tyler? — Perguntei, intrigada, porque ele não estava com nenhum arranhão aparente.

— Tudo depende dos seus contatos. Mas não se preocupe, eu vim para libertá-la. — Ele sorriu, presunçosamente.

Neste momento, um médico virou no corredor e o meu queixo caiu. Ele era jovem, loiro e muito mais bonito do que qualquer estrela de cinema que eu já tenha visto. No entanto, ele era pálido e parecia cansado. Havia círculos embaixo de seus olhos e ele era parecido com Edward. Conclui que o médico absurdamente bonito era o pai de Edward. Apesar de suas características serem iguais, este homem emanava uma áurea de compaixão e gentileza.

— Então Senhorita, Swan... — Dr. Cullen começou numa voz notavelmente agradável. — Como você está se sentindo? – Ele perguntou e eu contive a vontade de revirar os olhos.

— Eu estou bem. — Lhe respondi verdadeiramente.
Ele caminhou para o painel de luz e o ligou.

— Seu raio-x parece bom. — Ele disse. — Está com dor de cabeça? Edward disse que você bateu com força...

— Não está doendo. Eu estou bem. – Respondi, olhando de relance na direção de Edward. Os dedos frios do doutor tatearam levemente no meu crânio e ele percebeu quando estremeci.

— Dolorido? — Ele me perguntou e fiz uma careta. Eu não tinha como mentir.

— Um pouco. – Confessei, corando levemente.

Eu ouvi uma risadinha e olhei pra ver o sorriso complacente de Edward. Meus olhos se estreitaram.

— Onde está o meu pai? – Eu quis saber, ansiosamente.

— Ele saiu pra atender uma ligação, mas já deve ter sido avisado que você acordou. — Dr. Cullen me tranquilizou.

— Há quanto tempo eu fiquei apagada?

— Quase um dia inteiro. Você não tinha sinais de lesões graves, mas por conta do desmaio, decidimos lhe monitorar, pra ter certeza que não tivesse tido nenhuma concussão. Pelo que posso ver, você está bem e está liberada pra ir para casa, mas se sentir alguma vertigem ou qualquer problema com a sua visão, quero que volte imediatamente. — Ele avisou e eu assenti.

Se eu fiquei apagada por um dia inteiro, será que Edward então havia retornado normalmente para a escola? Me perguntei internamente...

— Você voltou para a escola? — Perguntei, olhando para Edward.

— Alguém tinha que espalhar que você ficaria bem. — Edward respondeu, presunçoso.

— Na verdade, o hospital hoje esteve bem movimentado... — Dr. Cullen comentou. — Parece que toda a escola estava na sala de espera em busca de informações sobre você e de Tyler.

— Hum, isso é legal, eu acho — Eu disse, corando um pouco.

Neste momento, papai entrou correndo na sala e suspirou aliviado quando me viu.

— Bella, eu estava tão preocupado... — Ele confessou, me abraçando. Eu sorri e lhe abracei também. Era bom ver ele.

— Ela está bem, Charlie. Não tem com o que se preocupar. — Dr. Cullen assegurou. — Bella está liberada para ir para casa, mas caso note que ela não está se sentindo bem, traga ela novamente pro hospital. E caso ela sentir dor, dê Tylenol à ela.

— Sr. Swan, eu sinto muito... — Tyler começou, mas papai o cortou.

— Calado. Terá sorte se ainda puder dirigir. — Meu pai avisou.

— Pai, não foi culpa dele. — Eu tentei urgentemente intervir.

— Você poderia ter morrido, Bella. — Ele retrucou.

— Tá, mas eu não morri. Eu estou bem. — Senti os olhos do Dr. Cullen e de Edward em nossa pequena discussão.

— Bella tem razão, Charlie. Poderia ter sido muito pior, mas sua filha teve muita sorte. — Dr. Cullen disse pro meu pai enquanto assinava o meu prontuário com um gesto floreado.

— Sorte mesmo foi Edward estar bem ao meu lado... — Eu disse "bem" com ênfase assim como Edward havia feito. Eu não consegui evitar. Dei um olhar duro em sua direção.

— Ah, bem, sim. — O Dr. Cullen concordou, subitamente ocupado com uns papéis na frente dele.

— Edward? Seu filho? — Meu pai perguntou, surpreso, olhando para Edward. Edward se mexeu desconfortavelmente e me senti mal, então tratei logo de concertar o que a minha boca grande havia dito.

— Sim, pai. Edward estava ao meu lado e estávamos conversando quando tudo aconteceu. — Menti e quase acreditei na credibilidade das minhas palavras.

Edward me olhou com um brilho em seus olhos e eu desviei o olhar, subitamente envergonhada.

— Eu fico muito grato por isto, Edward. — Papai lhe agradeceu. — Eu não sei o que teria acontecido se você não estivesse ao lado dela. Obrigado, garoto. — Ele sorriu, entendendo a mão para apertar a mão de Edward.

— De nada, Senhor. — Edward respondeu educadamente.

— Já você, eu temo que terá que ficar conosco por um pouco mais de tempo. — Dr. Cullen disse para Tyler, que começou a checar os cortes dele.

Charlie me ajudou a descer da cama e eu parei.

— Hum... pai, eu não tive a oportunidade ainda de agradecer à Edward por me tirar do caminho, então você pode ir na frente que eu vou logo em seguida. — Pedi e ele assentiu.

Quando tinha certeza que ele havia saído mesmo, me aproximei de Edward, agradecendo que o Dr. Cullen estava de costas.

— Eu posso falar com você por um minuto? — Eu sussurrei. Meu coração estava batendo forte no meu peito, já ciente do que ia acontecer. Sua mandíbula se apertou e Edward deu um passo se afastando de mim.

— Seu pai está esperando por você. — Ele disse entre dentes, olhando de relance pro Dr. Cullen e Tyler.

— Eu gostaria de falar com você em particular, se você não se importa. — Eu pressionei. Ele me olhou fixamente e depois me deu as costas, caminhando pelo longo quarto. Eu praticamente tive que correr para alcança-lo.

Assim que viramos na curva para um pequeno corredor, ele se virou para me encarar e eu parei abruptamente.

— O que você quer? — Ele perguntou, parecendo aborrecido. Seus olhos eram frios.

A expressão nada amigável dele me intimidou e minhas palavras saíram com menos severidade do que eu pretendia.

— Você me deve uma explicação. — Eu o lembrei.

— Eu salvei a sua vida! Eu não te devo nada! — Ele rosnou e eu vacilei com o ressentimento em sua voz.

— Você prometeu. — Eu insisti.

— Bella, você bateu a cabeça e não sabe do que está falando.

O tom dele era cortante. Agora o meu temperamento estava em chamas. O encarei desafiadoramente.

— Não tem nada de errado com a minha cabeça! — Eu disse e ele me encarou de volta.

— O que você quer de mim, Bella?

— Eu quero saber a verdade. — Eu disse. — Eu quero saber por que estou mentindo por você.

— O que você acha que aconteceu? — Ele soltou. Por um momento vacilei e ponderei se contava ou não. Mas num impulso de coragem, tudo saiu num sopro.

— Você não estava em nenhum lugar perto de mim. Tyler também não o viu, então não me diga que eu bati a minha cabeça. Aquela van ia esmagar nós dois, mas isso não aconteceu. Suas mãos deixaram amassados na lateral dela, deixando um buraco na lateral do outro carro também. E você não está nem ao menos machucado. A van de Tyler devia ter amassado as minhas pernas, mas você estava segurando ela... — Eu tinha noção do quanto aquilo soava louco e não conseguia continuar mais. Eu estava com tanta raiva que podia sentir as lágrimas chegando e tentei força-las a desaparecer, apertando meus lábios juntos.

Ele me olhava incrédulo, mas seu rosto estava tenso e na defensiva.

— Você acha que eu tirei uma van de cima de você? — Ele riu e seu tom questionava a minha sanidade. Sua atitude só me deixou com mais suspeitas. Era como uma fala perfeitamente decorada por um ator incrivelmente talentoso.

Eu não consegui falar em voz alta e simplesmente afirmei com a cabeça uma vez, com a minha mandíbula apertada, segurando a vontade de chorar.

— Ninguém vai acreditar em você. — Sua voz tinha um tom de zombaria.

— Eu não vou contar à ninguém. — Eu disse, sentida e a surpresa apareceu em seu rosto.

— Então porque isso importa? — Ele me perguntou.

— Porque eu não gosto de mentir e seria melhor se eu tivesse uma boa explicação para isso.

— Será que você não pode simplesmente me agradecer e esquecer tudo isso?

— Obrigada. — Eu disse, friamente.

— Você não vai desistir, vai?

— Não.

— Neste caso... Eu espero que você goste da decepção.

Nós nos olhamos em silêncio. Eu fui a primeira a quebrar o silêncio, tentando manter o foco. Corria o risco de me distrair com o seu rosto glorioso. Era como tentar encarar um anjo destruidor.

— Porque você se incomodou? — Eu perguntei.

Ele pausou e por um instante seu rosto estonteante ficou inesperadamente vulnerável.

— Eu não sei. — Ele respondeu e depois me deu as costas e caminhou para longe.

Eu estava com tanta raiva e muito magoada com a forma como ele havia me tratado. Demorou uns minutos até que eu pudesse me mover. Quando consegui andar, caminhei lentamente para a saída no final do corredor.

Papai estava me esperando na sala de espera. Quando me viu, sorriu, vindo em minha direção.

— Está tudo bem? — Ele perguntou, vendo minha expressão nada amigável.

— Sim, apenas cansada. Vamos logo para casa. — Eu apressei. Ele colocou o braço atrás das minhas costas e me guiou até as portas de saída.

Me sentia mais aliviada do que nunca quando sentei no banco do carona da viatura. Finalmente eu estava indo para casa. Nem eu e nem papai conversamos enquanto seguimos pra casa. O único som que era ouvido era o carro em movimento. Encostei a cabeça na janela e olhei pra fora. Eu tinha certeza que a postura defensiva de Edward era uma confirmação de todas as bizarrices que eu ainda não podia acreditar que eu tinha testemunhado.

— Hum... Bells, você vai precisar ligar para a sua mãe. — Papai comentou depois que chegamos em casa.

— Ah não, pai, você contou à mamãe! — Eu gemi.

— Você queria que eu escondesse isso dela? Ela é a sua mãe e merecia saber. — Ele advertiu.

Bati a porta da viatura com um pouco mais de força do que o necessário quando sai.

Como eu imaginava, mamãe estava histérica. Tive bastante dificuldade em lhe tranquilizar e assegurar que eu estava perfeitamente bem. Ela me implorou pra voltar pra casa, mas isso não ia acontecer. Forks agora era a minha casa. E além disso, eu estava intrigada pelo mistério que era Edward Cullen e até um pouco obcecada.

Idiota, idiota, idiota. Depois do que aconteceu, eu deveria ir embora de Forks e esquecer todos esses acontecimentos estranhos. Mas obviamente eu não faria isso, porque o desejo de descobrir os mistérios que rodeiam Edward Cullen era maior que a minha vontade de ouvir o pedido de minha mãe pra voltar pra casa. Depois de um tempo, mamãe se acalmou e eu respirei aliviada, desligando o telefone, sabendo que por agora, consegui lhe tranquilizar. Mas antes que eu pudesse subir pro meu quarto, o telefone tocou mais uma vez. Papai atendeu o telefone no terceiro toque e esperei. Era tio Billy. Ouvi enquanto papai lhe tranquilizava, dizendo que eu estava bem e que agora eu precisava descansar. Depois de mais um momento de conversa, ele desligou o telefone.

Papai continuou cuidando de mim e decidi dormir mais cedo. Depois de tomar banho e colocar um pijama quente, peguei três comprimidos de Tylenol no banheiro e tomei. De certa forma eles ajudaram e quando a dor passou, peguei no sono. Então essa foi a primeira noite em que eu sonhei com Edward Cullen.

Notas finais
Bom, espero que vocês tenham gostado e até o próximo capítulo! Beijos https://www.instagram.com/euapenasju/