Sob o olhar dos Deuses

2 O ceú dentro de um quarto


O som da chuva batia suave contra os vidros do apartamento luxuoso no centro de Atenas. Ganimedes estava deitado sob lençóis de linho egípcio, a respiração ainda irregular. O quarto inteiro cheirava a vinho doce, almíscar e prazer recém-descoberto.


Zeus o observava em silêncio. Seus olhos dourados percorriam o corpo do rapaz como se fossem relâmpagos contidos. Ele esticou o braço e passou os dedos devagar pelo peito nu de Ganimedes, sentindo a pele quente e sensível sob o toque.


— Ainda estás comigo? — perguntou ele com voz grave.


— Sempre estive — respondeu Ganimedes, os olhos meio fechados. — Mesmo antes de te conhecer.


Zeus se inclinou, beijando sua clavícula. O gesto era devoto, como se cada centímetro do corpo dele fosse um altar.


— Isso não é só desejo, garoto de Troia — sussurrou. — Eu estou te escolhendo.


Ganimedes não respondeu com palavras. Ele virou-se sobre Zeus, cavalgando com leveza, os cabelos caindo sobre o rosto. O corpo nu encaixou-se ao do deus em um movimento lento, cheio de intenção. As mãos entrelaçadas, os olhos se mantinham fixos.


O tempo parecia dobrar ao redor deles.


Ali, o Olimpo era feito de carne.

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Na manhã seguinte, Ganimedes estava sozinho à mesa. Zeus tinha sido chamado para uma reunião urgente com o Conselho — um disfarce para "evitar escândalos", como Hermes tinha dito com cinismo.


Ao dobrar o jornal, Ganimedes viu a manchete:

"Escândalo: Jovem aparece ao lado de CEO dos Olímpicos em evento fechado."


A imagem estava ali: ele, sorrindo, com a mão de Zeus em sua cintura.


Ele soube que aquilo não era vazamento comum.


Era ela.


A porta se abriu com suavidade e uma mulher entrou. Alta, cabelos escuros presos com perfeição e olhar afiado. Ela era esplêndida e ameaçadora.


— Hera — murmurou ele, levantando-se. — Eu... não esperava...


— Nem deveria — ela interrompeu, sem levantar a voz. — Você pode pensar que está brincando com um homem poderoso... mas você está brincando com o esposo da rainha.


Ganimedes engoliu em seco.


— Eu o amo — disse.


Ela sorriu com ironia, aproximando-se perigosamente.


— E acha que isso basta para sobreviver nesse Olimpo?

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Naquela noite, Zeus voltou furioso.


Tempestades se formavam em torno de seus olhos. O ar ao redor dele zumbia com eletricidade.


— Ela foi até você?


— Foi — Ganimedes respondeu, calmo. — Mas não me assusta.


Zeus caminhou até ele, os olhos brilhando.


— Não brinque com o que não entende, meu amor. O poder dela é antigo. Mas o meu... — ele segurou o rosto do rapaz entre as mãos, com delicadeza e desespero. — O meu é furioso quando te ameaçam.


Ganimedes deslizou as mãos pelo peito do deus, desabotoando a camisa.


— Então mostra — sussurrou. — Me mostra o poder que protege, não o que destrói.