A grande sala estava iluminada por tochas, e o murmúrio dos convidados — amigos, pai de Ganimedes, convidados de Zeus — flutuava no ar. No centro, Ganimedes, com terno bordô, segurava um cálice de vinho. Quando se aproximou de Zeus, o mundo pareceu parar por um instante.


Zeus o fitou, recolhendo o cálice dos lábios de Ganimedes. O tom de voz era suave, mas carregado de autoridade:


— Esta noite é para você, meu querido — disse ele, congelando o silêncio ao redor. Com delicadeza, envolveu-o pelos ombros e o conduziu até a sacada aberta. — Preciso de você ao meu lado.


Lá fora, o vento balançava as cortinas. Ganimedes sentiu a pele formigar quando Zeus colocou a mão firme em sua cintura e inclinou-se para sussurrar:


— És tudo o que desejo…


Os lábios calorosos tocaram o pescoço de Ganimedes; o aroma de ambrosia e vinho misturou-se ao perfume da noite. O rapaz estremeceu, consciente dos olhares que podiam estar sobre eles, mas ignorando-os. As mãos de Zeus deslizaram sob a camisa, explorando a pele comprida nas costas.


Ganimedes deslizou vagares para perto, empurrando Zeus contra a balaustrada. Um suspiro contido, uma pausa … até a solidão do momento romper e, então, o beijo se fez profundo, exigente, consensual.

---


Fedendo a boudoir, redecorado com veludos e pétalas de rosas, a câmara particular de Zeus aguardava-os. A tensão agora era palpável, um conhecido silêncio antes do clímax. Ganimedes o encarou:


— O que… queremos nós, realmente?


Zeus sorriu, mãos deslizando por sob a gravata:


— Quero-te por inteiro.


Ele desfez o tecido, o corpo de Ganimedes reagiu, arfando. Um dedo percorreu o contorno firme da mandíbula, antes de seguir para o lóbulo de sua orelha — um arrepio percorreu o corpo. O rapaz fechou os olhos e se entregou ao toque dominador de Zeus.


— Sirvo-te de coração, meu senhor — murmurou Ganimedes.


Zeus segurou-o, aproximando os rostos:


— E eu te concedo muito mais que imortalidade — disse com voz baixa e rouca. — Te dou o meu coração.


Eles se entrelaçaram, silenciosos exceto pelo pulsar das respirações. Aquela noite, a adoração tornou-se corpo e a admiração tornou-se carne.