Sob o luar
3 Capitulo 3 - Amigos
Marinette
Ladybug teve que caçar o quarto de Adrien pelas janelas da mansão Agreste. O lugar era tão imenso que ela levou um tempo para encontrar o quarto certo. Como se já não bastasse isso, ela também teve que evitar ao máximo as câmeras de segurança que estavam por toda a parte
Marinette só reconheceu o quarto de Adrien porque o mesmo estava cheio de consoles de videogames e pôsteres do Jagged Stone na parede. Se não fosse por isso teria passado despercebido.
Usando seu ioiô para apoio, Ladybug se pendurou do lado de fora da janela, buscando por qualquer movimento dentro do quarto. Ela reparou que havia uma porta — que provavelmente levava ao banheiro — e a luz estava acesa.
Ladybug considerou bater no vidro apenas para chamar a atenção de Adrien, mas ainda assim tinha uma pequena chance de não ser ele quem estava no banheiro. Ela decidiu esperar um pouco mais.
Não demorou muito e a porta do banheiro se abriu. Marinette sentiu uma pontada de medo passa pelo seu estômago, mas soltou um suspiro aliviado quando viu os fios loiros do rapaz. Ela não perdeu tempo e bateu no vidro.
Adrien se virou e olhou diretamente para ela. Ladybug sorriu, ela teria acenado se não estivesse com ambas as mãos ocupadas. O loiro correu até a janela e a abriu.
Ladybug pulou para dentro do quarto e puxou seu ioiô de volta.
— Ladybug! — Ele exclamou, sorrindo abertamente — Você realmente veio
Marinette endireitou a coluna e levantou a sacola de papel que ela tinha trazido consigo. Dentro tinha alguns macarons que ela escolheu dedo e estava realmente esperançosa de que ele fosse gostar.
— Eu— Ladybug travou no instante em que olhou para Adrien.
Ele estava usando apenas uma calça de pijama xadrez. Tinha uma toalha branca em volta de seu pescoço; o cabelo loiro estava bagunçado e espalhado por todo lado, ainda úmido do banho recente.
Ladybug permitiu que seu olhar abaixasse para o abdômen tonificado e isso foi o seu erro. Ela sentiu o calor subindo para o seu rosto e desviou o olhar no mesmo instante.
— Eu trouxe isso... Pra você... — Ela estendeu o sacola de papel e abaixou a cabeça, olhando fixamente para seu pé.
— Obrigado... — Adrien pegou a sacola. Ladybug ouviu o farfalhar do papel, mas ainda assim se recusou a levantar o olhar.
Ela estava inquieta, mudando o peso de um pé para o outro por longos segundos. Seu coração estava martelando contra seu peito e Ladybug se amaldiçoou internamente por estar agindo dessa forma ao redor de Adrien.
Afinal, é Adrien. O nerd sabe-tudo que estuda com ela a pelo menos dois anos.
Ela suspirou e olhou para o loiro por cima dos cílios, apenas para vê-lo levar um macaron à boca. No instante que ele comeu o doce rosado, seus olhos brilharam de alegria.
Ladybug estremeceu. Esse olhar era algo novo, que ela nunca tinha visto no rosto de Adrien antes. Ele parecia realmente feliz.
— Wow! — Exclamou.
Ladybug sorriu, perdendo toda a tensão de vê-lo sem camisa. Ela levantou a cabeça e observou ele caçar mais macarons dentro da sacola.
Ela estava se sentindo muito vitoriosa, já que ela mesma ajudou na preparação desses macarons.
— São deliciosos! — Sorriu, levando outro doce à boca.
— Fico feliz que tenha gostado! — Ela disse e colocou uma mão na cintura, fazendo uma pose vitoriosa. O sentimento de orgulho foi inevitável.
— Onde você conseguiu? — Ele perguntou, comendo mais um.
— Numa padaria qualquer aí... — Ela fez um gesto com a mão, como se o nome do local fosse insignificante.
Ladybug estava presa demais em se vangloriar que nem ao menos notou Adrien girando a sacola de papel em busca de algum nome ou endereço.
— Tom & Sabine boulangerie pâtisserie... — Ele murmurou e Ladybug arregalou os olhos.
Ela nem ao menos tinha reparado que o nome da padaria de seus pais estava escrito na sacola. A heroína olhou para o loiro com cautela, observando sua reação. Pelo olhar em seu rosto, ela tinha certeza que Adrien reconheceu o nome do lugar. Depois de um tempo ele encolheu os ombros e Ladybug pode ver um lampejo de tristeza passar pelos olhos dele.
A culpa revirou em seu interior.
Nem mesmo quando ela tem boas intenções as coisas dão certo.
— Muito obrigado — Ele disse com um sorriso no rosto. Por um momento ela pensou que ele tinha superado o ocorrido, mas a tristeza ainda estava tão clara em seus olhos, provando totalmente o contrário — Eu nem me lembro da última vez que comi um macaron — Ele tentou soar feliz, mas ainda assim soou falso.
Ladybug suspirou, fazendo um pacto interno com sigo mesma.
Ela vai fazer ele sorrir de novo, vai fazer ele superar tudo isso, e o mais importante: ela vai ser uma verdadeira amiga e companheira. Já que ela não pode estar perto de Adrien como Marinette, então vai fazer isso como Ladybug.
— Então... — Seus olhos vagaram brevemente pelo quarto, buscando algo interessante para comentar.
Marinette notou um console de videogames e um sorriso brincalhão brotou em seu rosto. Ela juntou as mãos atrás das costas e deu alguns passos em direção a televisão.
— Você tem algum jogo maneiro? — Ela perguntou. Adrien se virou, andando até uma porta que Marinette chutou ser um closet.
Ladybug tentou desviar o olhar das costas de Adrien, mas um hematoma roxo na cintura chamou sua atenção. Não era muito recente, mas ainda assim podia se ver com clareza o machucado, que se destaca mais ainda por causa da sua pele branca.
Ela sentiu uma pontada de preocupação revirar em seu interior. O que teria causado um hematoma tão grande assim?
— O que você fez aí? — Ladybug não queria soar raivosa, mas não pode evitar. Ela tinha um jeito diferente de demonstrar preocupação.
— Eu tenho vários jogos — Ele a ignorou, pegando a camisa de seu pijama e vestindo-a o mais rápido possível.
Ladybug arqueou uma sobrancelha e franziu os lábios.
Ela estava irritada por ele tê-la ignorado assim, tão abertamente, chateada por ele não confiar o bastante nela e preocupada.
Talvez esse último estivesse em maior escala.
— Não me ignore! — Ela andou até ele, parando apenas alguns passos de distância. Colocou uma mão na cintura e fez uma carranca irritada.
— Eu tenho Ultimate mecha strike III — Adrien a ignorou novamente e se virou, sorrindo — A gente pode jogar se você quiser!
Ladybug rosnou.
O sorriso inocente no rosto dele fez a raiva dela aumentar vigorosamente, revirando no seu inteiro. O pior de tudo é que Marinette sempre foi fraca em controlar sua raiva. É quase inexplicável, quando alguém a perturba sua raiva é como um vulcão em erupção.
Não para até que o estrago tenha sido feito.
Ladybug não estava pensando com clareza quando agarrou a gola do pijama de Adrien e o puxou para baixo, deixando ambos cara a cara. Ela observou os olhos verdes se arregalarem e um brilho diferente passar por eles.
Bem no fundo, dentro da sua mente nublada pela raiva, ela se perguntou se estava sendo cruzando uma linha sem volta. Mas Marinette nunca foi uma pessoa que segue a razão; geralmente seus sentimentos tem mais poder sobre ela.
— O que aconteceu? — Perguntou lentamente, contendo-se para não rosnar.
Adrien piscou algumas. Seus olhos verdes estavam vidrados, vagando pelo rosto de Ladybug e absorvendo cada detalhe com cuidado. Ele parecia preso em um transe e demorou um pouco para se recuperar.
Quando resolveu falar alguma coisa, sua boca abriu e fechou várias vezes antes que ele pudesse dizer uma frase coerente.
— Er... f-f-foi no u-último ataque do a-kuma — Ele lutou contra as próprias palavras, corando fortemente.
Ladybug arregalou os olhos e olhou bem para o rosto de Adrien, como se para confirmar que ele não estava mentido. Ela nem ao menos tinha visto ele no ataque há dois dias.
Claro, foi na escola — onde ele sem dúvidas estaria —, uma garota tinha ficado irritada quando perdeu em um jogo de handebol e não soube lidar com isso muito bem.
É claro que ela e Chat tiveram que aparecer para salvar o dia.
Mas, onde estava Adrien nesse pequeno período de tempo? Ela não tinha visto nem mesmo um vislumbre de sua cabeleira loira.
Talvez ele tivesse sido golpeado antes mesmo dela aparecer. Não era difícil imaginar a assustadora Hungry atacando Adrien, na verdade, seria até mesmo normal se isso tivesse acontecido. Mas mesmo assim, por que seu miraculous não tinha curado ele?
Marinette tinha algumas perguntas para Tikki quando chegasse em casa.
Ela soltou a gola e colocou uma mão na cintura, ignorando o sentimento desconfortável que surgiu em seu estômago. A ideia de que Adrien pudesse ter se machucado durante um ataque de um akuma não a agradou, principalmente quando seu dever era protege-lo.
— O que estava passando pela sua cabeça? — Perguntou exasperada — Da próxima vez não fique tão perto de um Akuma!
Adrien franziu as sobrancelhas, observando Ladybug com atenção.
— Deixe que eu e Chat cuidamos disso! —Ela disse e cruzou os braços, fazendo um biquinho irritado.
— Eu... — Adrien desviou o olhar e corou brevemente. Ele ajeitou os óculos que haviam escorregado um pouco — Eu vou tentar...
Ladybug deixou os braços caírem e sorriu. Ela deu um soco no ombro de Adrien, fraco o suficiente para não causar nenhum dano.
— Se não conseguir sair é só gritar que eu te tiro de lá — Ela lhe lançou um olhar brincalhão e sorrindo de canto continuou a falar — Agora, o que você disse sobre Ultimate mecha strike III?
Adrien
Como era possível duas pessoas serem tão diferentes, mas ao mesmo tempo tão parecidas?
Adrien não soube explicar, mas quase tudo que Ladybug fazia lhe lembrava vagamente de Marinette.
Quando ela agarrou a gola de sua camisa ele teve uma sensação de Déjà vu. Demorou alguns instantes para ele lembrar exatamente do que era familiar. Foi então que ele percebeu. O brilho irritado em seus olhos misturado com a preocupação; a forma como ela o puxou para baixo, sem se deixar intimidar pela sua altura. Mas o mais similar de tudo foi as suas palavras.
A preocupação foi nítida e lhe enviou um arrepio por todo o corpo.
Exatamente o mesmo que aconteceu com Marinette.
Adrien sorriu ao entregar um controle para Ladybug, sentindo a ansiedade revirar em seu estômago. Ele tinha que colocar esses pensamentos de lado.
“Ladybug e Marinette são duas pessoas diferente, talvez com apenas algumas semelhanças, nada demais... “A mente de Adrien tentou lhe convencer que era tudo uma grande peça; que na verdade ele estava apenas imaginando tudo aquilo.
Ele se deixou acreditar
— Pronto para perder loirinho? — Ele sorriu para o apelido, sentindo um calor confortável dominar seu coração. Adrien olhou para Ladybug.
— Não fique tão confiante assim Buggie! — Ela abriu um sorriso desafiador.
— Não me faça ter dó de você... — Ela disse em um tom dramático e claramente irônico.
Adrien não pode conter o sentimento quente que dominou seu coração quando jogo começou. Mesmo quando ele começou a perder drasticamente, não podia estar mais feliz.
A presença de Ladybug iluminou seu dia.
...
Adrien estava boquiaberto depois de perder quinze de dez partidas.
Ela é boa.
— Você faz alguma outra coisa além de jogar esse jogo? — Perguntou incrédulo.
Ladybug se deitou no sofá, soltando um suspiro cansado. Ela apoiou os pés no colo de Adrien como se ele fosse uma grande e confortável almofada. Adrien corou. Ele não estava acostumado com esse tipo de intimidade.
Ela parecia tão à vontade ao redor dele.
— Salvar Paris conta? — Ela bocejou, claramente exausta.
— É... Eu acho que conta — Deu de ombros e sorriu.
Adrien se virou e olhou para o relógio ao lado de sua cama e ofegou. Dez horas em ponto.
As horas tinham passado tão depressa com ela ao seu redor que ele nem ao menos notou.
— Você quer outra rodada ou está cansada demais? — Ele olhou para Ladybug com um olhar desafiador. A garota abriu um dos olhos e o encarou com uma sobrancelha levantada.
— Não me desafie loirinho... — Ela voltou a fechar os olhos e por um instante parecia que estava realmente dormindo.
Adrien suspirou. Ela estava muito cansada. Por mais que sua companhia fosse muita agradável e bem-vinda, Ladybug não poderia ficar ali, jogando com ele para sempre.
— Acho... Melhor você ir e descansar um pouco — Adrien disse, contendo as suas próprias mãos para não afagar as madeixas azuladas.
— Ufh... Descansar — Ladybug se virou e ficou deitada de lado no sofá. Sua voz estava recheada com desdém — É capaz de eu descansar bem mais aqui no seu sofá loirinho...
— Por quê? — Adrien não pode se conter, as palavras saíram de sua boca antes mesmo que ele pensasse.
Ladybug abriu um dos olhos e novamente o encarou por longos segundos. Ela sem dúvidas estava considerando o que ia lhe dizer.
Adrien tinha passado tempo o suficiente com ela como Chat para saber que Ladybug é extremamente conservadora quando se trata da sua vida pessoal.
— Tenho coisas pra fazer... — Murmurou e voltou a fechar os olhos.
Adrien suspirou. Isso era inevitável. Eles podiam até ser amigos, mas Ladybug ainda é Ladybug.
Ele olhou para a figura deitada ao lado dele. Ela parecia tão cansada.
Se ele ao menos pudesse ajudar ela com algumas. Por mais pequena que fosse, apenas para não deixa-la tão sobrecarregada.
As chances eram extremamente baixas, mas ainda assim ele podia tentar.
— Posso ajudar em alguma coisa...? — Ele perguntou, com uma leve esperança em sua voz.
Ladybug ficou em silêncio por um tempo. Adrien apenas observou seu peito subir e descer com a respiração, aguardando pacientemente uma resposta.
— ... eu acho que pode — Ela disse por fim — Mas não quero...
Adrien arqueou uma sobrancelha, se sentindo levemente insultado. Se ele pudesse ajudar ela sem dúvidas iria fazer isso com um sorriso no rosto.
— Não quer a minha ajuda? — Adrien ajeitou seus óculos e colocou uma mão no peito. Ladybug finalmente abriu os olhos e o encarou — Não sou bom o suficiente para ajudar a fantástica Ladybug? — Ele fechou os olhos e fez uma carreta ofendida. Estava sendo o mais dramático do que realmente queria.
Ladybug se sentou e encarou Adrien cara a cara. Ela parecia estar tendo uma briga interna. Durante longos segundos ela o encarou com os olhos vibrantes, antes de fechar as mãos em punhos e dizer:
— Não é que você não seja bom o suficiente — Ela socou seu ombro fortemente. Adrien gemeu e massageou o local atingido com uma carreta no rosto. Não podia realmente culpa-la, Ladybug não tinha uma ideia exata da força que ela tem — Só não quero abusar... — Ela desviou o olhar e fez um biquinho irritado.
— E se eu quiser ajudar? — Insistiu. Era a única coisa que ele podia fazer para convence-la.
— Arg! — Ela gemeu em frustação e enfiou as mãos em seu cabelo, balançando a cabeça de um lado para o outro — Nem é algo tão grande assim... É só um trabalho de física! — Ela perdeu o controle de sua voz e acabou falando um pouco alto demais.
Os olhos de Adrien brilharam em realização. Isso era algo que ele definitivamente podia ajudar, afinal, ele é realmente muito bom em física.
— Física? — Ele se ajeitou no sofá para poder ficar frente a frente com ela. Adrien se inclinou um pouco inconscientemente — Eu amo física!
Ladybug abriu a boca para dizer alguma coisa, mas foi interrompida por três batidas na porta do quarto.
Ambos os adolescente congelaram. Nenhum deles ousou desviar o olhar do outro.
— Adrien? — A voz de Nathalie veio do outro lado da porta, soando mais preocupada do que o normal.
Adrien esqueceu completamente de Nathalie. Não só dela, mas também de seu pai que geralmente passa por seu quarto nessa hora.
— S-Sim... — Ele forçou sua voz a colaborar, mas mesmo assim o som saiu hesitante e frustrado.
Adrien pegou Ladybug pelo braço e ambos se levantaram do sofá.
— Abra a porta — Adrien viu a maçaneta da porta tremer quando Nathalie tentou abri-la.
Ele se inclinou para frente, ficando na mesma altura de Ladybug e sussurrou próximo ao seu ouvido:
— Se esconda — Ladybug acenou firmemente.
Adrien a observou andar pelo quarto procurando por um esconderijo enquanto ia até a porta. Ela só virou a chave quando Ladybug se escondeu atrás de uma estante de livros e jogos.
— Oi Nathalie! — Ele a cumprimentou com um sorriso. Se amaldiçoando internamente por estar soando tão falso.
— Está tudo bem aqui? — Ela passou por ele e entrou no quarto, olhando cautelosamente ao redor.
Adrien sentiu suas mãos começarem a tremer e resolveu fecha-la juntas para impedir que Nathalie notasse.
O que ela diria se visse Ladybug, a heroína de Paris, sozinha com ele em seu quarto as dez da noite?
— Está tudo ótimo! — Ele sorriu, alcançando a mulher e ficando ao seu lado, tentando ao máximo não soar suspeito — Por que teria algo errado?
— Eu ouvi uma voz feminina... — Desconfiada, Nathalie olhou para Adrien, esperando uma explicação plausível.
Adrien lutou para pensar em alguma desculpa, ele nunca foi muito bom e em mentir. Quando estava começando a ficar sem esperança, ele se lembrou do videogame que ainda estava ligado.
— Eu estava apenas jogando — Ele apontou para a televisão, que ainda mostrava o jogo ligado e na tela de menu. Adrien rezou para que Nathalie não notasse o segundo controle ligado.
Nathalie pareceu aceitar essa desculpa e Adrien se sentiu aliviado. Ela levantou o braço e olhou no relógio de pulso.
— Já passou da sua hora de dormir... — Ela disse num tom monótono — Sabe que tem uma sessão de fotos amanhã de manhã e um almoço importante com os sócios de seu pai. Deveria estar descansando.
Adrien encolheu os ombros e corou. O fato de Ladybug estar ouvindo a conversa lhe deixou incomodado. Não por ser algo pessoal, mas por ele estar sendo tratado igual uma criança.
— Está bem... — Murmurou — Boa noite Nathalie — Ele disse quando a mulher começou a andar até a porta do quarto.
— Boa noite Adrien — Ela murmurou, pouco antes de sair, acrescentou: — Não tranque a porta
Adrien concordou com um aceno firme de cabeça e observou Nathalie fechar a porta. Ele esperou alguns segundos para ter certeza que ela havia se afastado antes de se virar e olhar diretamente para Ladybug, que já estava olhando parra ele com as mãos na cintura.
— Hora de dormir é? — Ela zombou, mas Adrien se sentiu quente quando olhou em seus olhos brincalhões.
— Fazer o quê? — Ele riu e se aproximou um pouco dela, lutando para manter a voz baixa para que ninguém além dela possa ouvir — Sou uma criança que precisa de limites!
— Se quiser posso contar uma história pra você dormir... — Ela disse e se inclinou para frente com um olhar travesso.
Adrien corou e desviou o olhar.
— Que tal você me deixar te ajudar com as perguntas de física? — Ladybug gemeu e perdeu totalmente a pose brincalhona. Ela de endireitou e abaixou uma das mãos, apontando para ele com uma carranca e um.
— Já disse, não vou abusar! — Ela disse entre os dentes e foi a vez de Adrien gemer.
— Por favor — Ele juntos as mãos e fez um gesto de suplica — Deixa eu te ajudar... é o máximo que eu posso fazer
Ladybug arqueou uma sobrancelha, parecendo pensar por alguns instantes. Ela deixou o braço cair ao lado do corpo e suspirou.
— Vou pensar... — Declarou.
Adrien sorriu levemente.
Se ele fosse ajudar ela com esse trabalho de física, então significa que ela ia voltar para vê-lo e eles passariam mais tempo juntos.
Talvez essa fosse a única coisa que ele realmente queria, mas não quis admitir nem para si mesmo.
Ladybug deu alguns passou na direção do rapaz. Ela deu um sorriso gentil e ficou na ponta dos pés.
Adrien observou cada movimento quando ela se inclinou para plantar um beijo em sua bochecha. No mesmo instante, ele sentiu um calor em seu rosto e encolheu os ombros.
— Até amanhã loirinho... — Ela disse e se virou, indo para a janela.
— Até... — Sua voz saiu tão baixa que quase ele próprio não ouviu.
Ladybug abriu a janela e acenou uma última vez antes de sumir na escuridão.
Depois de quase três horas, Adrien estava completamente sozinho em seu quarto. Ele levantou a mão direita até sua bochecha, a onde ela tinha lhe beijado.
Ele massageou a região e sentiu um calor agradável em seu peito, algo que rapidamente dominou o seu corpo e o aqueceu.
— Desde quando você é amigo da Ladybug? — Plagg perguntou, saindo enfurecido do banheiro, a onde ele tinha ficado durante todo esse tempo.
Adrien não respondeu, ele apenas andou até a sua cama e se sentou.
O kwami da destruição logo surgiu na frente de seu rosto com uma carranca enfurecida.
— Eu fiquei três horas dentro daquele banheiro sem camembert! — Disse exasperado — Eu mereço saber o porquê!
— Acho que tenho uma nova amiga Plagg — Ele sorriu— Pelo menos como Adrien...
Com um sorriso bobo nos lábios, Adrien se deitou em sua cama e se cobriu.
— Arg! — Plagg gemeu — Mereço camembert extra por ter que lidar com isso
Adrien revirou os olhos para seu kwami e se aconchegou na cama. Ele deixou toda a tensão e cansaço do dia ficar para trás e fechou os olhos. Riu quando Plagg se deitou em um travesseiro, ainda resmungando sobre "fome", "três horas" e "Ladybug".
Naquela noite, a única que dominava seus sonhos foi Ladybug.
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