Sob o cair da neve

1 Capítulo Único


Notas iniciais
OI!
Bom, esta OneShot é para o amigo secreto do grupo "Família SasuNaru". Eu espero que gostem! É minha primeira tudo: Primeira OneShot, primeira fanfic yaoi, primeira fanfic do Sasuke e Naruto. O que foi extremamente desesperante, pois não bastava ser a primeira, ainda era para alguém em específico. ;-; Dá para entender o meu nervosismo, né?
Bom, como todo o ship Yaoi em anime shonen, surge aquele dilema: Uke ou Seme? Mas nesta OneShot, nenhuma das posições está definida, porque esse não é o foco. Eu quero que, ao lerem esta OneShot, esqueçam essas coisas chatas de posições, e foquem no amor que um tem pelo outro. Porque no final, é isso que importa, né?
Enfim, boa leitura e desculpem-me desde já por qualquer erro que a fanfic possa vir a ter.

E minha alma alegra-se com seu sorriso,

Um sorriso amplo e humano,

Como o aplauso de uma multidão.

O clima se encontrava frio. Era noite de Natal, e a paisagem do lado de fora se encontrava no mais puro branco, coberta por uma fofa camada de neve. As ruas antes tão coloridas, agora pareciam não abrigar nada além daquela camada.

Dentro de casa, eu fazia o processo contrário ao lado de fora. Transformava a tela média e antes branca, a cada pincelada generosa que dava.

Eu adorava pintar. Minhas paredes eram viradas em quadros. Alguns sombrios, e outros alegres. Alguns de minha autoria, e outros de artistas alheios. Além daqueles que estavam em minhas paredes, havia outros quadros os quais guardava em uma sala especial. Todos apresentavam alguma diferença, mas era sempre a mesma pessoa pintada a pinceladas delicadas ali. Era sempre o mesmo sorriso encantador, e as madeixas loiras e bagunçadas.

Havia exatas quarenta e sete pinturas naquele mesmo quarto. Exatos quarenta e sete rostos alegres e juvenis – de uma só pessoa – imortalizados em pinturas coloridas. Todas feitas anualmente, no Natal. Esta, que estava para ficar pronta ainda hoje, seria mais uma.

Eu já fui muita coisa nesta minha longa vida. Escritor, músico, garçom, pintor etc. Hoje, ostentando meus 74 anos, pinto e escrevo. Luto para conseguir terminar meus romances e crônicas, já que não possuo mais a mesma memória de 20 anos atrás. Mesmo assim continuo a escrever, pois sou um velho teimoso.

Mesmo não tendo uma maravilhosa memória, ainda me lembrava do ocorrido há 48 anos. Em meu cotidiano, me pegava às vezes relembrando aquela época feliz. E no ato de pintar justo numa noite de Natal, me sentia ainda mais tomado de lembranças.

Naquela época, eu lutava pela minha independência do clã, que muitos achavam ser ganha assim que se saia de casa. Ledo engano. No meu caso, não importava para onde eu fosse, sempre possuía um pé preso na maldita casa Uchiha. Eu sempre seria a chave do clã para a permanência do sucesso. Eu sempre seria o “herdeiro” de tudo aquilo, já que meu irmão, Itachi, havia fugido do país, e consequentemente, de suas responsabilidades. O clã Uchiha era extremamente poderoso e rico no quesito dinheiro. Mas quando se tratava de riqueza da alma, não possuíam nada. Eram extremamente gananciosos e egoístas. E eu herdara um pouco deste egoísmo também.

Para fugir de todas as minhas responsabilidades, ao menos um pouco, eu ia todos os dias a um café local. Era um ambiente extremamente confortante, bem decorado. E os cafés que serviam lá eram os melhores da cidade, sem dúvidas.

Levava sempre um livro comigo, realizar uma leitura tranquila acompanhada de um café, era um dos meus passatempos preferidos. Afinal, eram os meus dois amores: café e livros.

Todas as vezes que eu ia neste mesmo café, encontrava um menino loiro. Dono de lindos olhos azuis e marquinhas nas bochechas, que lhe davam um ar infantil. A qualquer dia e a qualquer hora que eu fosse, eu sempre o encontrava lá. Ele trazia consigo cada dia um instrumento musical diferente. Às vezes violino, às vezes violão e às vezes até mesmo um violoncelo. Mas, independente do instrumento, era sempre a mesma rotina. Ele tomava seu café, observava as ruas agitadas do Japão, depois pedia licença para o dono da cafeteria – que era dada de bom grado – e então tocava o instrumento. Pegava-me observando atentamente o pequeno loirinho todos os dias. Este tocava com maestria todos os instrumentos trazidos, até mesmo o violoncelo, que era um instrumento grande e pesado de mais, para uma criaturinha que possuía, no máximo, 1,65. Além de ter um corpo magrinho, o que lhe deixava ainda mais miúdo.

E durante todo aquele ano, o pequeno tocava, e eu o observava. O clã e as responsabilidades não me importavam mais. Passei a ir ao café apenas para observá-lo. Até chegar o Natal. O café continuava aberto, mesmo nesta data. Entrei em um conflito interno, pensando se deveria ou não ir ao café, o pequeno estaria lá? Talvez não, pois seria Natal, e ele deveria aproveitá-lo com sua família. Mas, não custava nada tentar.

Para a minha surpresa e talvez alegria, o loiro estava lá sim. Com sua xícara de café vazia, estava a observar as ruas, que não estavam movimentadas hoje. Sentei-me em um lugar próximo a ele e pedi minha xícara de café, que veio rapidamente. Tomei o conteúdo da caneca calmamente, o observando de forma atenta.

Por longos minutos ele permaneceu apenas observando a paisagem através da janela. Mas assim que eu estava no fim da minha primeira caneca, ele pegou o violino – instrumento escolhido hoje – e começou a tocá-lo de forma lenta. Com os olhos fechados, o pequeno tocava, demonstrando sua experiência no ato.

No entanto, sua expressão sempre tão serena durante a música, estava conturbada e exibia dor naquele momento. Não demorou muito e pude observar lágrimas grossas escorrerem de seus olhos molhando a face tão bela. Tamanho era o sofrimento na hora, que ele não conseguiu continuar a tocar o violino, deixou-o de lado e apoiou a cabeça na mesa, chorando desesperadamente.

Lembro-me de ter me sentido extremamente desconfortável com aquilo. Pensei um milhão de vezes se deveria ir falar com ele, e no início achei isso uma má ideia. Mas meu coração se contraía a cada soluço que ele dava. Foi então que levantei da minha cadeira, deixando a caneca de lado. Já estava mais do que na hora de ir falar com o loiro.

Aproximei-me cautelosamente, para não assustá-lo. Sentei na cadeira a sua frente e o chamei. Ele se assustou um pouco, mas levantou a cabeça com uma expressão de dúvida. Seu rosto estava marcado com uma vermelhidão, demonstrando que havia chorado, e muito. Aquilo, de alguma forma, doeu muito em mim.

Perguntei o porquê de ele estar chorando daquele jeito. E o motivo de não estar passando o Natal com a sua família. E, tristemente, ele disse algo que me deixou surpreso:

— Eu não tenho família. Eu odeio o Natal.

E então ele desabou em lágrimas novamente. E começou a desabafar, contando o que lhe aconteceu para odiar tanto esta data.

O pequeno contou que, seus pais morreram em um acidente de carro, justamente no Natal, quando ele ainda tinha 19 anos. Os seus pais estavam saindo de Londres – lugar onde o loirinho morava antigamente – para ir visitá-lo. Saindo do aeroporto, os seus pais foram direto para o hotel, para então ir logo depois à casa do filho. Mas foram abordados antes de chegar ao hotel, por um carro que vinha a contramão. O acidente foi feio, os dois morreram na hora.

O pequeno me contou que, desde então ele odeia a data. Com o tempo, passou a achar tudo sem graça, estava sendo consumido pouco a pouco pelo tédio. Então lembrou que seus pais amavam o café daqui. Decidido, o loirinho passou a vir todo o dia ao café. E sempre levava um instrumento consigo. Contou que os pais amavam ouvi-lo tocar. Principalmente o violino. Então passou a tocá-lo todos os anos, no Natal. Como se fosse um presente para os falecidos.

Em meio aos meus pensamentos, eu me encontrava em dúvida. O pequeno disse que seus pais haviam morrido, quando ele ainda tinha 19 anos. Mas ele parecia ser muito mais novo que isso. E do jeito que contava, parecia fazer anos que os pais não estavam mais vivos.

Sem rodeios, perguntei a sua idade, pergunta essa que foi respondida de prontidão. Ele tinha 22 anos. O que realmente foi uma surpresa, uma vez que ele era apenas dois anos mais novo que eu.

Mesmo sendo muito mais velho do que aparentava, o loirinho ainda era novo para tanto sofrimento. E eu achava que a pressão do clã sobre mim já era motivo suficiente para alguém se suicidar. Nunca fui de me preocupar muito com os outros, mas a história dele tocou-me de algum modo. Decidido a fazer o pequeno esquecer o sofrimento por hoje, perguntei o seu nome. Naruto. Era um nome engraçado, mas combinava com ele. Disse-lhe o meu nome e idade, e então o convidei para passar o Natal comigo. Só vagando despreocupadamente pelas ruas. Coisa que eu fazia quase todo o dia.

Aquele dia realmente foi divertido, e durante ele, Naruto se permitia sorrir de vez em quando. Depois do Natal, passamos a nos encontrar mais vezes, fora do café. Naruto era uma pessoa encantadora. E depois de um tempo, já tendo mais familiaridade comigo e estando realmente feliz, dava um sorriso enorme, apertando os olhos, como uma raposa sapeca. Encantei-me pelo sorriso assim que o vi direcionado a mim pela primeira vez. E me senti realmente feliz. Naruto não se sentia mais só, se sentia completo com a minha presença. E isso foi motivo suficiente para que eu desse um sorriso de volta.

Com o tempo fomos nos aproximando cada vez mais. Até que o que eu sentia pelo loiro era tão forte que não podia chamar de apenas amizade. As proporções de meus sentimentos para com o pequeno eram desconhecidas até mesmo por mim.

Não podia negar, eu estava apaixonando-me pouco a pouco por Naruto. E ele, dava índices de que nutria o mesmo sentimento por mim.

Querendo levar isso mais a frente, no seu aniversário de 23 anos, o pedi em namoro. Ele pareceu surpreso no primeiro minuto, mas logo deu o maior e mais belo sorriso do mundo, pulou em meu pescoço, roubou-me um beijo e sussurrou em meu ouvido:

— Eu seria um tolo se recusasse.

Naruto era a minha perdição. Qualquer coisa que falasse, eu desmoronava. Quando me beijava, eu só pedia por mais. Ele era o fim da minha sanidade. Se eu acreditasse em almas gêmeas, diria que Naruto fora feito para mim. E foi.

Tudo parecia perfeito, até aquilo acontecer.

Um Naruto, com 24 anos, estava vindo às pressas para minha casa. Passaríamos a noite de Natal juntos, como fazíamos sempre. Mas quando estava próximo ao meu apartamento, foi abordado por um carro que vinha a contramão.

E do mesmo jeito que o Senhor e a Senhora Uzumaki morreram, Naruto deixou este mundo.

Ele fora levado às pressas para o hospital. Estava extremamente fraco. Já estando lá, me ligaram. Eu saí desesperadamente de casa, e cheguei a tempo de ver Naruto ainda vivo. Ele me olhou e deu sorriso fraco, pediu que eu me aproximasse. Aproximei-me, já chorando descontroladamente.

Ele levantou a mão trêmula e limpou meu rosto, tentando me livrar das lágrimas, o que não adiantou muito. Naruto aumentou um pouco seu sorriso fraco e deixou-se levar pelas lágrimas também. Aquelas mesmas lágrimas que eu nunca queria ver novamente, aquelas que ele me mostrou na noite em que nos conhecemos, e que ele mostrou novamente poucas vezes durante o nosso relacionamento.

Eu odiava aquelas lágrimas.

Naruto piscou lentamente, respirou fundo para então pronunciar com bastante dificuldade:

— Me desculpe,Sasuke. Eu não queria te fazer sofrer. Eu te amo, te amo muito.

E então as suas lágrimas cessaram, e ele fechou os olhos, tombando a cabeça para o lado. Imediatamente o “bip” ensurdecedor do aparelho parou. Em seguida o médico depositou sua mão em meu ombro murmurando um “sinto muito”.

Naquela mesma noite de Natal, lembro-me de ter chorado como nunca chorei antes. Como nunca esperei chorar algum dia. Em meio às lágrimas, resolvi pintar para tentar me acalmar. O que saiu na tela branca foi o rosto sorridente de Naruto, alegre e belo. Aquilo me acalentou um pouco, preencheu o vazio que o mesmo deixara horas atrás.

Então passei a pintar anualmente no Natal, a mesma face que eu tanto amei. Até chegar hoje, com um incrível recorde de 48 pinturas.

É Naruto, 48 anos sem você.

Eu amei a mesma pessoa por 48 anos, e continuarei a amar até o fim dos meus dias aqui na Terra. Eu só queria que Naruto estivesse vivo para presenciar esse recorde. Para dar-me um sorriso encantador mais uma vez.

Com o Naruto eu aprendi que, nem mesmo a neve mais fria e a paisagem mais “branca” possível podem tornar uma noite também branca, uma noite sem graça.

Aprendemos juntos que, sob o cair da neve e a transformação de tudo no mais puro branco, podemos ser felizes, podemos nos sentir amados, podemos manter o nosso humor “colorido”. Basta não deixá-lo transformar-se em branco e ser levado junto à neve.

Naruto, você ainda me ama? Você pode me ouvir? Sou eu.

Sempre me senti fora de contexto. Literalmente, tropeçando pela vida. Mas você sempre estava ao meu lado para me por nos eixos novamente. E eu estava aqui, para não te deixar ser levado pelas lágrimas outra vez.

Quando eu era criança eu queria tantas coisas, tantos planos. Acabei chegando a uma época onde mal sabia onde estava, mesmo querendo te fazer esquecer a tristeza, às vezes eu não conseguia. Às vezes, eu me perdia. Mas você se manteve ao meu lado, me mostrando o caminho certo, apenas com o seu sorriso, o meu ponto fraco.

E não se passará um dia, sem que eu sinta falta do seu sorriso.

Eu sempre amei tudo em você. Dos perfumes mais raros, eu escolheria o seu cheiro. Das frases mais bonitas, eu escolheria ouvir de você um “eu te amo” novamente. De todas as pessoas do mundo, eu escolheria você, sem dúvidas.

Eu sinto muito a sua falta.

Às vezes vou àquela praça, em frente ao café, que por incrível que pareça, ainda está de pé. Sento-me em um banco e conto tudo o que aconteceu para você. Me pego constantemente conversando sozinho. Mas você pode me ouvir. Muitos que passam e me enxergam conversando, me chamam de louco. Um velho perdido que está com o pé na cova. Um velho delirando que deveria estar em um asilo. Talvez eu esteja perdido, delirando, ficando louco, mas... Fazer o que?

O amor nos faz mais loucos.

Notas finais
Gostaram? Me desculpem se estiver uma merda, eu escrevi e reescrevi a OneShot várias vezes e nunca saia o que eu queria ;-;
Enfim, obrigado por lerem!
Bye!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!