A neve caía suavemente sobre os telhados de Hogsmeade, cobrindo a vila com um manto branco e silencioso, como se a magia do inverno tivesse se estendido por toda a paisagem. O sol, tímido, brilhava entre as nuvens, lançando uma luz pálida que tornava a cena ainda mais encantadora. Era um sábado raro, o primeiro fim de semana autorizado para que os alunos de Hogwarts visitassem a vila mágica desde o início do ano letivo. Entre os corredores de pedras e os edifícios encantadores, Victoire Weasley, com seu cachecol azul da Corvinal apertado ao redor do pescoço, caminhava com os amigos, as bochechas rosadas pelo frio cortante.

Ela sempre soubera apreciar o encanto de Hogsmeade — o som das risadas distantes dos estudantes, os cheiros inconfundíveis que vinham das lojas, e a sensação de estar em um lugar fora do tempo. Mas naquele dia, havia algo diferente no ar. Talvez fosse o céu particularmente claro ou, quem sabe, o bilhete que encontrara sobre o travesseiro naquela manhã.

"Encontre-me em frente à Zonko’s às 13h. – T.L."

Victoire leu as iniciais mais de uma vez, sorrindo levemente, surpreendida. Teddy Lupin. Era claro, não havia outro "T.L." em sua vida. E, apesar de se verem com frequência — nas férias, nas festas da família —, um convite como aquele era raro. Um encontro? Ela tentou não criar expectativas. Teddy era... apenas Teddy. O afilhado de seus tios, o garoto com quem dividira tardes de risadas e tortas da vovó Molly. Mas, nos últimos meses, algo havia mudado entre eles. Algo leve, mas inconfundível: olhares prolongados, gestos que pareciam durar um segundo a mais do que deveriam.

Agora, com o relógio prestes a marcar 13h, Victoire apressava o passo, o coração batendo de forma apressada. Ao dobrar a esquina, viu-o.

Teddy Lupin, recostado na parede da loja Zonko’s, parecia completamente à vontade, apesar do frio que fazia o ar se tornar quase sólido. Seus cabelos estavam bagunçados pelo vento, mas hoje estavam de um tom azul escuro. Quando ele a viu, abriu um sorriso que fez Victoire esquecer, por um momento, o gelo que tocava sua pele.

— Pensei que você talvez não viesse — disse ele, se afastando da parede e estendendo a mão.

— Pensei em te deixar esperando só pra ver se você ia congelar — ela respondeu, sorrindo, ignorando a corrente elétrica que correu por sua espinha ao segurar sua mão.

— Um plano cruel, senhorita Weasley. Você sempre foi assim?

— Só com quem me manda bilhetes misteriosos.

Ele riu, e Victoire percebeu o leve nervosismo em seus olhos, um brilho decidido.

— Tenho um plano — disse ele, com um sorriso enigmático.

— Ah, claro. Aventura ou confusão?

— Um pouco dos dois. Mas começa com torta de abóbora e termina... com uma surpresa.

Ela arqueou uma sobrancelha, curiosa, mas seguiu-o pelas vielas cobertas de neve, passando pela loja Dedos de Mel e pela Casa dos Gritos (onde Teddy lançou um olhar dramático, como se tivesse visto um fantasma). Quando chegaram ao Três Vassouras, o calor os envolveu como um abraço acolhedor, e o cheiro de manteiga derretida tornou o ambiente ainda mais acolhedor.

Sentaram-se perto da lareira. Tiraram os casacos e luvas, ainda com os rostos rosados do vento. Madame Rosmerta os reconheceu de imediato e trouxe duas cervejas amanteigadas sem que precisassem pedir.

— Então... qual é o seu plano secreto? — Victoire perguntou, soprando o vapor quente da sua caneca.

Teddy hesitou, seus olhos agora refletindo uma cor castanha clara. Ele parecia nervoso, como se estivesse tentando encontrar as palavras certas.

— Na verdade, não é um plano. Só queria passar um tempo com você. A gente quase nunca tem momentos só nossos, sem o barulho da família, sem alguém gritando “James, desça do lustre!”

Ela riu, balançando a cabeça.

— É verdade. Mas isso aqui... parece meio clandestino.

— Talvez porque seja — disse ele, baixando o tom da voz como se compartilhasse um segredo precioso. — Eu queria saber como seria estar com você... só você.

Victoire mordeu o lábio inferior, fingindo examinar sua caneca. Dentro dela, o coração batia mais rápido.

— Isso parece... quase um encontro, Teddy.

Ele a olhou de forma intensa, seus olhos castanhos brilhando.

— E se for?

Ela não respondeu de imediato. Ao invés disso, estendeu a mão sobre a mesa, tocando a dele suavemente.

— Então talvez você devesse continuar o plano. Qual é a próxima etapa?

Ele sorriu, como se tivesse encontrado a resposta para a pergunta que vinha fazendo a si mesmo.

— Surpresa. Mas envolve uma caminhada. Confia em mim?

Ela levantou-se de repente.

— Sempre.

Victoire puxou seu gorro azul para cobrir os cabelos loiros e seguiu Teddy para fora do Três Vassouras. O sol da tarde lançava sombras longas sobre a neve, e os sons dos outros alunos desapareciam à medida que se afastavam da vila.

— Para onde estamos indo? — ela perguntou, enquanto seguiam por uma trilha estreita entre árvores cobertas de neve.

— Lembra daquele lago pequeno atrás da colina? A gente costumava jogar pedras lá quando éramos crianças.

Ela sorriu ao lembrar das tardes de verão em Hogsmeade, escondidos dos adultos, tentando fazer as pedras pularem mais vezes na água.

— Lembro sim. Eu sempre ganhava.

— Isso é uma mentira descarada — Teddy respondeu com um tom brincalhão. — Você só ganhava quando usava magia escondida.

— Prove.

— Não tenho como! Mas tenho certeza de que sua varinha vibrava toda vez que você jogava.

Ela riu, o som ecoando suavemente entre as árvores.

A trilha os levou até o pequeno lago congelado. A superfície lisa refletia o céu pálido e algumas folhas secas que o vento havia trazido. Estava vazio, tranquilo — apenas eles dois.

— Uau... — Victoire sussurrou. — Está ainda mais bonito no inverno.

— Eu venho aqui às vezes — disse Teddy, chutando levemente a neve. — É silencioso. Um bom lugar pra pensar.

— Em quê?

Ele hesitou, a voz ganhando uma suavidade que Victoire não esperava.

— Em nós dois.

Ela o olhou, surpresa. Não porque o tema fosse novo — já haviam sussurrado sobre isso em muitas noites, entre cartas trocadas e olhares significativos —, mas pela seriedade em sua voz. Era algo mais firme agora. Algo que ele não queria esconder.

— Sabe, Vic — ele disse, encarando-a nos olhos — desde aquele beijo na plataforma, eu não consigo parar de pensar em nós. Todo mundo meio que sabe, ou imagina. Mas desde então... é como se estivéssemos dançando em volta disso, esperando algo. E… sabe... eu não quero mais esperar.

Victoire sentou-se sobre uma pedra coberta de neve e fez sinal para que ele se juntasse a ela. Seu coração batia descompassado. Não era surpresa o que ele dizia — mas a coragem dele em finalmente dizer isso em voz alta a deixou sem palavras.

— E o que você quer, Teddy? — ela perguntou, a voz suave, mas cheia de expectativa.

Ele respirou fundo, os olhos fixos nela.

— Você. Comigo. Oficialmente. Como minha namorada. Quero poder dizer isso em voz alta. Gritar isso. Sem me preocupar com o que os outros vão pensar. Sem esconder. Quero que as pessoas saibam da gente. Quero estar com você. Pra sempre.

Ela ficou em silêncio por um segundo, que pareceu eterno, até que, finalmente, um sorriso iluminou seu rosto, tão radiante quanto os flocos de neve caindo ao seu redor.

— Pensei que você nunca fosse pedir.

Ele riu, nervoso, mas dentro dele o coração batia com uma força que o fazia sentir-se quase invencível.

— Isso é um sim?

— É claro que é um sim, idiota.

Ela se inclinou para beijá-lo, um gesto que agora não carregava mais nervosismo, mas uma certeza tranquila. Eles já haviam trocado muitos beijos — rápidos, roubados, hesitantes. Mas este foi diferente. Foi uma resposta, um acordo, uma promessa silenciosa.

Quando se afastaram, com as bochechas coradas e os olhos brilhando, Teddy não conseguiu esconder o sorriso.

— Victoire Weasley... oficialmente minha namorada. Quem diria?

Ela riu, passando a mão pelos cabelos dele.

— Bem... eu acho que todo mundo.

Sentaram-se juntos, de mãos dadas, observando o lago congelado. Riram das memórias e começaram a planejar os próximos encontros, agora sem segredos ou olhares furtivos. Sob o céu de Hogsmeade, o frio parecia insignificante. O calor que irradiava de seus corações era suficiente para aquecê-los naquele dia mágico.


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