Sob minha pele
23 Capítulo 23
Notas iniciais
Mel.
John está agarrado em mim enquanto eu choro colada a seu peito. Eu nunca quis que ninguém brigasse por minha causa. Isso só faz eu me sentir mal. Minhas costas estão doendo, acho que eu cai de mau jeito.
John beija o topo da minha cabeça.
— Está melhor? – Ele pergunta com a voz hesitante. Ele parece mais calmo. Acho que o pior já passou. – Está doendo alguma coisa, amor?
— Estou. – Digo me afastando enquanto seco minhas lágrimas com as mãos. – Estou bem não se preocupe.
John me olha meio sem jeito. Ele coloca uma mecha do seu cabelo atrás da orelha.
— Você se machucou? – Ele pergunta preocupado.
— Não. Eu estou bem. – O silencio invade o ambiente. Ele fita seus pés, e eu não consigo tirar meus olhos dele. – Por que vocês homens tem que resolver tudo na porrada?
Pergunto indignada. Mas logo me lembro da minha briga com Ruth, porém ela ofendeu minha mãe. Ela mereceu.
— Eu – ele passa as mãos desenfreadas pelo cabelo – eu cheguei aqui e vi ele em cima de você, como você queria que eu reagisse? –Ele pergunta mal humorado. — E o que aconteceu afinal para que ele quisesse te beijar? – Ele trinca os dentes. – Eu juro por deus que se ele tivesse conseguido te beijar eu não conseguiria me segurar.
Um calafrio sobe por minha espinha. Ele conseguiu fazer um estrago. Mateo não parecia bem, porém, John está com um corte à cima do lábio.
Eu me aproximo dele enquanto meus dedos estudam seu rosto. Me parte o coração vê-lo machucado, e ainda mais por minha causa. Seus olhos me fitam de um jeito que faz meu coração acelerar. Parece medo.
— Você se machucou. – Digo baixinho tentando dissipar o clima ruim.
A última coisa que eu quero nesse mundo é brigar com ele.
Ele bufa.
— Ele ficou pior amor, você viu bem. – Ele diz enquanto passa as mãos por minha cintura e afunda o rosto em meu pescoço. Ele expira com força meu cheiro. – Não está brava comigo? – Ele pergunta baixinho, meio receoso. – Não quero te magoar nem te irritar.
Eu o abraço forte, com toda minha força. Estou na ponta dos pés enquanto me seguro em seus braços.
Me sinto tão pequena em seus braços.
— Eu deveria estar muito brava com você. – Murmuro chateada.
Chateada porque eu não queria que as coisas chegassem a esse ponto.
— O que ele disse para você? – John pergunta. Já posso sentir a tensão se apoderar de seu corpo. – Você não estava com uma cara boa.
— O de sempre – suspiro chateada. Mateo parece que adquiriu o dom de me magoar. Ele não está mais parecendo o garoto que eu conheço desde pequena. Ele está descontrolado. – Eu disse para ele que eu iria com você, e isso o deixou fora de controle.
Sinto a tensão do corpo dele se dissipar. Como se essa frase o tranquilizasse.
— Só isso? – Ele continua curioso.
— Ele disse que me ama. – Digo baixinho sentindo aquela faca se alojar em meu peito outra vez.
John ri sem humor.
— Disso eu já sabia. – John está olhando nos meus olhos agora. – Eu não quero mais esse cara perto de você. – Ele diz de um jeito que me deixa surpresa.
Eu conheço Mateo desde sempre, nós somos unidos desde criança. Ele é uma boa pessoa, um bom amigo. Ele apenas está meio descontrolado.
— Você não pode me pedir isso. – Digo franzindo o cenho. – Ele é meu amigo.
— Eu não estou pedindo Mel. – Seus olhos verdes penetram nos meus. Me olham com tanta intensidade que eu não consigo desviar. – Eu sei bem o que ele quer, ele te viu aqui sozinha e partiu para cima de você. – Ele rosna para mim.
— Ele não partiu para cima de mim. – Me defendo enquanto dou um passo para trás. – Ele veio conversar.
Isso parece irrita-lo mais.
— Então o que ele estava fazendo? – Ele pergunta em pose de batalha. – Ele não parecia querer conversar. Imagina se vocês estivessem no restaurante sozinhos. – John insinua.
Essa insinuação me deixa irritada. Mateo nunca me machucaria. Ele me protege desde que me entendo por gente.
— Mateo não é esse tipo de pessoa. – Deixo bem claro para ele. – Ele está apenas fora de si. Logo isso vai passar. Ele nunca me faria mal John. Eu não quero que você fale assim dele.
Ele me olha incrédulo como se não estivesse acreditando no que está ouvindo.
— Você não me parecia muito protegida perto dele quando eu tive que arranca-lo de cima de você. – Ele rosna. – Isso tudo quer dizer o quê? – Ele pergunta. Irritação irradiando dele e vindo direto para mim. – Você vai continuar amiguinha dele?
— Eu sinto muito se isso não te agrada. – Digo calma para ele. Eu não quero dar mais munição para briga. Isso já está indo longe demais. – Mas minha amizade com ele não vai acabar. – Deixo claro para ele.
Seu rosto está vermelho, e seus olhos estão com uma ferocidade que me deixa de cabelos em pé.
— Você gosta dele? – Ele pergunta com a voz embargada. – Você sente alguma coisa por ele?
Sério John? Eu não acredito que ele esteja pensando isso. Depois de tudo o que eu já disse para ele.
— Eu gosto dele. – Digo. Seus olhos se arregalam como se essa não fosse à resposta que ele estava esperando. – Ele é meu amigo. O que eu sinto por você e o que eu sinto por ele são sentimentos totalmente diferentes.
O alivio está estampado em seu rosto. Porém, ainda existe um resquício do ciúme.
— Ele não gosta de você como um amigo. E eu sei bem que quando ele tiver outra chance ele vai tentar te agarrar de novo, ele vai tentar tirar você de mim e isso eu não posso permitir. – Ele diz em um só folego. – E eu não quero que você se zangue comigo por eu estar protegendo o que é meu.
Meu coração se aperta. Será que ele não percebe que ninguém pode me tirar dele? Que eu já sou dele de corpo e alma, e que eu nunca vou querer outra pessoa? John me tomou por completa. Ele me arruinou para qualquer outro homem na face da terra. Desde que meus olhos o enxergaram, eles ficaram cegos para qualquer outro homem.
É ele, e só ele.
Eu me aproximo dele tomo seu rosto em minhas mãos. Meus dedos tocam seu rosto delicadamente. Ele fecha os olhos e suspira baixinho como se fosse demais para ele. Eu passo meus dedos pelas maçãs do seu rosto. Deste rosto que eu amo tanto.
— Eu amo você. – Eu enfatizo para ele. – Eu vou largar tudo por você. Isso já não é prova de amor o suficiente? – Pergunto encarando seus olhos. Tentando mostrar de algum jeito que eu nunca vou deixar de amá-lo.
Por nada nesse mundo!
Meu coração bate tão rápido no peito.
— Eu não suporto ver ele perto de você – ele diz como se estivesse sufocado. – Eu vejo o que ele quer. Ele quer você como mulher. Eu vejo a raiva que ele tem por você me amar. Eu tenho medo que você acabe pensando que ficar com ele seja melhor do que comigo. – Ele sussurra.
— John, porque com ele seria melhor do que com você? – Pergunto sem entender seu raciocínio.
— Não sei. – Ele dá de ombros, desconcertado – talvez porque com ele você não precisaria fazer mudanças drásticas na sua vida. E comigo você vai abrir mão de muitas coisas.
— Eu vou abrir mão de muitas coisas mesmo. – Digo concordando com suas palavras. – Mas eu vou ganhar uma vida nova com você. E isso para mim já um premio e tanto. – Digo sorrindo para ele.
Sues olhos me avaliam por alguns segundos enquanto seu rosto vai ao encontro do meu. Seus lábios tocam os meus delicadamente. Passo meus braços envolta do seu pescoço agarro seus cabelos enquanto ele respira rápido, enquanto ele me cola ao seu corpo o máximo possível.
— Esquece isso – ele diz com os lábios colados aos meus enquanto seus dedos brincam com meus cabelos. – Eu prometo que eu vou te fazer muito feliz. Você é minha prioridade. – Diz com a voz afetada. — E eu quero que o dia seja perfeito. Apenas nós dois. – Beijo sua bochecha. – Você ainda quer assistir ao filme? – Ele pergunta.
— Na verdade não. Eu perdi a vontade. – Confesso para ele.
Perdi toda, e qualquer vontade de vir aqui por um bom tempo.
— Então vamos. – Ele me puxa pela mão em direção ao carro.
Ele parece tão contente de repente. Como um garotinho ansioso por algo.
— Aonde nós vamos? – Pergunto curiosa tentando conter o riso para não rir da variação de humor de John.
Seus olhos brilham e meu coração tem um descompasso.
— Lembra que eu disse que eu tinha uma surpresa. – Ele diz sorrindo para mim, aquele sorriso que faz minhas pernas bambearem. – Era para ser depois do cinema, mas .... – ele dá de ombros. Ele abre a porta para mim. – Senhorita. – Ele diz enquanto faz uma reverencia. Não consigo conter o riso.
Eu conheço o lugar por onde estamos indo. Já passei muitas e muitas vezes por essa estrada. Era o caminho que nós fazíamos para ir ao lago quando eu era criança. Olho pela janela e o céu já não está mais tão limpo como estava hoje de manhã. Há algumas nuvens carregadas, porém mesmo assim os raios do sol conseguem ser vistos.
John procura por minha mão e a leva aos lábios.
— Eu te amo. – Diz de repente como se tivesse que me lembrar disso a todo o momento.
E eu me sinto a mulher mais feliz do mundo!
Eu não tenho dúvida do sentimento avassalador que eu sinto por ele. John chegou para mudar minha vida, e é isso o que ele tem feito. Dia após dia. Incrível como tudo está diferente, como ele encheu meu mundo de cor.
John entra em uma trilha. Em uma estradinha de barro. Franzo a testa. Esse caminho eu não conhecia.
— Aonde estamos indo? – Pergunto olhando para ele.
Ele sorri, um sorrisinho de canto de boca adorável.
— Nós aterramos esse lugar, eu estava passando muito tempo aqui, e todas às vezes em que eu olhava para o horizonte, eu pensava em você. – Meu coração se comprimi. Se aperta de tanto amor. — E ai eu pensava que eu tinha que te trazer aqui.
Não há nada que eu possa dizer agora. Eu consigo apenas ficar olhando para ele, apenas admirando sua perfeição.
John estaciona o carro em um lugar alto, é possível ver a altura de onde eu estou. Não sou muito fã de altura.
É diferente aqui. Eu consigo ver a cidade ao longe. Eu consigo ver o lago daqui. E é lindo. Tem duas cabanas enormes montadas aqui em cima.
— E essas cabanas? – Pergunto curiosa.
— Nós tínhamos que trazer algumas ferramentas de trabalho. Era mais fácil deixa-las aqui. – Ele dá de ombros. – Mark chama de base. – Ele ri.
Ah claro, no dia da briga ele me disse isso. Que tinha que voltar para a base. Rio com essa lembrança. Mark é uma figura.
— Essa é a surpresa? – pergunto o fitando. Seu rosto se abre em um sorriso enorme.
— É parte dela. – Ele diz contente. – Espere aqui. – Ele vai em direção ao carro abre a porta traseira e tira de lá um cesta, e uma toalha. – Eu pensei – ele continua – que nós podíamos fazer um piquenique. É um lugar tão lindo, e eu quero dividir esse momento com a mulher que eu amo.
Sorrio para ele já sentindo uma felicidade imensa se apoderar de mim. Do meu coração.
Eu pego a toalha de seu braço, e ele entrelaça sua mão na minha. Caminhamos até um lugar em que não tenha muito barro por perto. John estende a toalha na grama.
E eu conheço essa toalha.
— Você arranjou isso com a Ana?
— Você me pegou – ele diz enquanto se senta em cima da toalha e coloca a cesta de lado. Sigo seu exemplo e também me sento na toalha. O vento aqui em cima parece ser mais forte. Meus cabelos voam para trás dos meus ombros.
John abre a cesta e tira lá de dentro uma garrafa de vinho e duas taças.
— Típico. – Digo brincando.
— O que é típico? – Ele pergunta enquanto vejo a confusão em seu rosto.
— Você quer me embebedar, e depois me deitar nessa toalha. – Digo enquanto cerro meus olhos para ele em brincadeira.
Ele ri. Ri tanto que sua cabeça cai para trás. E é uma risada tão gostosa que puxa as cordas do meu coração de um jeito que apenas ele consegue. Seu cabelo agora desgrenhado cai todo para trás e eu sinto uma vontade enorme de me atirar em cima dele nesse exato momento.
— Amor – ele diz em um tom de voz que faz algo em mim se acender – nós dois sabemos que eu não preciso usar destes artifícios. Eu já nasci com essa cara aqui. – Sua sobrancelha está arqueada. – E olhando para você agora eu sei que não vai demorar muito até você me atacar.
— Que filho da mãe convencido você é. – Eu digo embasbacada.
E o pior é que ele tem razão!
Eu quero muito agarra-lo.
Ele está rindo daquele jeito de novo, e eu não resisto quando ele está assim. Tão feliz. E ainda mais por minha causa.
Eu sei que vou ser muito feliz ao seu lado!
Por que ele já me faz feliz.
Ele abre a garrafa de vinho e coloca um pouco em duas taças. Ele estende uma taça para mim e eu aceito.
— Não faça biquinho ou eu vou te agarrar. – Ele diz enquanto examina a cesta. – Vamos ver o que Ana preparou. – Ele fala como se estivesse falando para ele mesmo. – Aham. Morangos. — Ele diz enquanto ergue a bandeja.
— Eu amo morangos. – Digo já sentindo um desejo enorme de me esbaldar naquela bandeja. Naqueles morangos grandes e vermelhos. Eles parecem muito apetitosos.
— Eu pedi para ela colocar tudo o que você gostava. – Ele diz enquanto deposita um beijo em meus lábios. – Acho que eu mereço um premio.
Eu beijo seu pescoço e posso sentir sua pele se arrepiar.
— O que mais tem ai? – Eu pergunto já sentindo meu estômago roncar. — Eu estou morrendo de fome.
Ele ri achando graça.
— Seu desejo é uma ordem senhorita. – Ele volta a agarrar a cesta e retira tudo de lá de dentro.
Depois de comer tudo meio que me deu uma preguiça. Eu podia sentir meus olhos se fechando, e uma sensação de paz se apoderando de mim.
Eu tenho estado tão preguiçosa nos últimos dias. John tem me mimado muito. Estou ficando mal acostumada.
— Ei, cansada? – Pergunta John todo carinhoso. Eu sorrio para ele. – Seus olhos estão quase se fechando. Vem aqui. – Ele se ajeita, coloca um travesseiro atrás de sua cabeça.
Sim ele trouxe um.
Ele dá algumas batidinhas em seu colo. Me arrasto até ele e coloco minha cabeça em seu colo. Os dedos de John fazem carinho em meu cabelo e é difícil não cair na tentação do sono.
Apenas ouço os sons dos flashes da câmera enquanto John tira fotos minhas deitada com os olhos fechados, parecendo uma gatinha preguiçosa.
— Sério? – Pergunto preguiçosa.
— Gosto de fotos espontâneas. E essas estão lindas. – Ele diz. – Amo tirar fotos suas.
— Você gosta disso, não é? – Isso é óbvio. Já deu para perceber que ele tem paixão por fotografias. – Nunca pensou em ser fotógrafo?
Ele parece pensativo.
Ele passa o indicador pelo lábio, e eu tenho vontade de beijá-lo.
— Eu gosto sim, mas é mais uma coisa para passar um tempo.
Deixo ele brincar de fotógrafo enquanto eu aproveito a brisa. Enquanto eu tento relaxar um pouco. De repente eu me senti muito cansada.
— Como vai ficar tudo o que vocês vieram fazer aqui? – Eu pergunto curiosa enquanto me sinto relaxada perto do homem que eu amo.
— Bom, agora não há nada que possa ser feito. – Ele diz relaxado. Sinto seu peito subir e descer e isso me relaxa de um jeito. – Entretanto, daqui a uns três anos ou mais é possível que a terra já esteja pronta. Ela devia ter sido tratada há muito tempo, preparada antes, mas depois de nós andarmos por aqui nós vimos que isso não foi feito. – Isso parece irritá-lo. – Porém daqui a uns anos é possível que tentemos de novo. É um terreno muito bom.
Me viro para fita-lo. Ele sorri para mim, se inclina e beija a ponta do meu nariz.
— Sua barba faz cócegas. – Digo rindo.
— Você acha que eu devia tirá-la? – Ele pergunta enquanto passa os dedos sobre o queixo.
— Claro que não. – Praticamente grito. – É o seu charme. Você fica sexy assim.
E isso é a mais pura verdade.
Eu sempre tive uma queda por homens de barba, e a barba Rala de John é simplesmente perfeita. Amo senti-la em meus pescoço, em meus lábios.
Ele me recompensa com um de seus sorrisinhos maliciosos.
— Sexy é? – Ele pergunta enquanto se vira para ficar sobre mim.
— John – eu o repreendo. – Alguém pode chegar. – Digo enquanto olho para todos os lados.
— Ninguém vai vir aqui hoje amor – ele diz enquanto deixa beijos molhados de um dos meus ombros até o outro e no meu pescoço. Ele me faz arquejar. – Quer que eu pare? – Ele pergunta com uma expressão convencida no rosto.
Ele sabe que não!
Eu agarro seus cabelos com força enquanto puxo sua boca até a minha. As mãos de John passeiam por minhas pernas enquanto ele as separa colocando uma de cada lado do seu quadril. Suas mãos sobem dos meus joelhos até minhas coxas num piscar de olhos. Minhas mãos exploram por debaixo de sua camiseta. Passam por seu abdômen, por seu peito. Ele suga a pele do meu pescoço. E eu faço sons incoerentes enquanto eu tento desesperadamente me controlar enquanto sou tocada por ele dessa maneira. Ele esmaga meu corpo contra a toalha na grama. Sua respiração está pesada. Eu mal consigo ouvir a minha própria.
De repente ouço um som ao longe. John não para de me beijar, enquanto eu abro os olhos para ter certeza de que não é um carro que está próximo. Alguma coisa se mexe perto das chaves do carro. É o celular de John.
— John – eu digo sem fôlego.
Ele levanta o rosto para me encarar. Seus olhos estão negros, suas pupilas dilatadas. Seus cabelos estão bagunçados, seus lábios inchados. Ele está ofegante e isso faz algo comigo.
— Algum problema? – Ele pergunta enquanto suas mãos seguram meu rosto. Ele se abaixa e deixa um rastro de beijos demorados do meu queixo até minha testa.
— Seu telefone está tocando. – Eu estou falando de um jeito tão arrastado. Tão tomada pelas sensações que ele me proporciona agora, que nem eu mesma entendo o que eu acabei de falar.
— Deixa tocar. – Sua voz rouca em meu ouvido quase faz meu coração parar. Ele morde o lóbulo da minha orelha e eu sinto um arrepio tomar meu corpo. Ele parece sentir o mesmo.
— Pode ser importante. – Eu digo insistindo. Nunca se sabe. Às vezes é bom não arriscar.
Ele se levanta a contra gosto. Eu me sento e tento me recompor. Abaixo minha saia e tento arrumar meu cabelo. John olha para o celular de testa franzida. Ele o desliga e coloca de volta perto das chaves.
— Alguma coisa importante? – Pergunto curiosa, estranhando sua reação.
— Nada de importante. – Ele diz ranzinza, porém isso não me convence muito.
— Então porque essa cara? – Pergunto alarmada.
Quem quer que seja que tenha mandado uma mensagem ou ligado para ele, parece não ter o deixado feliz.
— Nada amor. – Ele diz enquanto engatinha até mim. – Só estou chateado por terem nos atrapalhado. – Ele diz enquanto aproxima seu rosto do meu. – Você fica linda assim, toda amassada. – Ele sussurra. Sinto minhas bochechas esquentarem. – Linda. – Ele murmura.
— Sei. – Digo ainda não muito convencida. – Foi outro guia que furou com você? – Pergunto enquanto fito seus olhos bem de perto.
Ele sorri e eu sinto meu corpo inteiro quase convulsionar.
— Amor, — ele diz baixinho – Não existe guia nenhum. – Ele diz sorrindo enquanto suas mãos agarram meu pescoço por trás.
Como assim não existe guia nenhum?
— Não acredito. – Digo espantada.
— Eu queria ficar sozinho com você. – Ele confessa. E um sorriso enorme se abre em meu rosto. – E eu sabia que Ana iria sugerir que você me ajudasse e foi o que ela fez. – Ele pisca para mim.
— Então era tudo um plano arquitetado por sua mente do mal. – Digo enquanto apoio minha mão em seu rosto. – Eu não acredito que eu cai direitinho. Você queria ficar sozinho comigo? – Pergunto boquiaberta.
Ele acena que sim.
— Você queria me beijar? – Murmuro tentando provoca-lo. – Assim como faz agora?
Ele acena que sim.
E então ele avança e morde meu lábio enquanto me beija com vontade.
— Então porque não me beijou? – Pergunto tentando recuperar o fôlego. – Naquele dia.
Eu sempre quis saber. Sempre. Eu achei muito estranho a reação dele depois de voltarmos para o restaurante.
— Por que depois que eu fiquei assim, tão pertinho de você eu senti uma coisa diferente – ele diz baixinho enquanto esconde seu rosto em meu pescoço. Fecho meus olhos com força para suportar a sensação. – Eu sabia que estava me apaixonando. Fiquei com medo. Esse tipo de sentimento é novo para mim, e eu sabia que não seria fácil. – Ele confessa. Sua boca deve estar deixando meu pescoço todo marcado. E eu não ligo nem um pouco. – Mas, depois de tudo eu não consegui resistir. Eu não resisto a você. Eu quero você só para mim, para toda a vida.
Meus olhos agora o fitam com adoração.
— Eu te amo tanto. – Digo enquanto o agarro sentido necessidade de ter ele perto de mim. Bem perto de mim.
— Eu amo você Mel. – Ele diz sofrido sem desgrudar seus lábios dos meus. — Demais. E eu não consigo imaginar nem um dia a mais sem ter você para mim. – Ele se joga em cima de mim.
E agora eu realmente não me importo que alguém apareça.
Eu o quero tanto!
Ouvimos um barulho ao longe. Trovões.
Uma chuva forte começa e quase não dá tempo de nós dois nos levantarmos. Eu e John estamos rindo feito duas crianças enquanto a água nos encharca. Nós recolhemos as coisas agora inundadas, e corremos para uma das barracas.
Eu estou completamente encharcada e John também. Eu estou com um sorriso ridículo no rosto que não quer ir embora. Está tatuado em meu rosto. Minha blusa branca e minha saia estão completamente coladas em meu corpo. Sinto a água fria escorrer por meus braços. Sinto um calafrio.
John coloca a cesta em cima de uma mesinha. E então vem em minha direção como um caçador se aproximando de uma presa. Ele me puxa pela cintura me fazendo ficar na ponta dos pés. Seus lábios encontram os meus famintos. Ele me levanta do chão sem o menor esforço e minhas pernas enlaçam sua cintura, suas mãos apertam com força minhas coxas enquanto eu seguro firme em seus ombros. Nossos corpos molhados estão grudados um no outro e a sensação é muito boa. Ele me senta em cima de uma mesa, e eu mantenho meus olhos colados nele enquanto o assisto retirar a camisa molhada por sobre a cabeça. Ele a joga em qualquer canto no chão. Minhas mãos sobem timidamente por seus braços fortes. Ele assiste aos meus movimentos. Suas mãos viajam até meu ombro e ele abaixa uma das alças da minha blusa. Ele deposita um beijo em meu ombro, tão delicadamente, que eu quase me sinto flutuar. Suas mãos descem até a minha barriga e ele levanta minha blusa muito lentamente. Reprimo um grito ao sentir seus dedos em contato com a minha pele. Ele sobe minha blusa até tira-la por sobre minha cabeça. Suas mãos viajam até minhas costas e ele desabotoa meu sutiã. Ele o deixa cair aos seus pés. Suas mãos voltam as minhas pernas, e mesmo com o vento forte, e com a tempestade caindo ao nosso redor, eu sinto meu corpo quente. Seu peito se cola ao meu, pele contra pele, sua boca se gruda a minha, nossos dentes batem um no outro por conta da necessidade do nosso beijo. Ele me deita sobre a mesa enquanto se ajeita em cima de mim.
É difícil pensar em outra coisa enquanto estamos nesses momentos. Eu apenas consigo pensar em como é bom estar aqui e agora com ele. Num momento tão intimo que eu nunca vou querer dividir com outra pessoa.
O mundo parece estar acabando em forma de água do lado de fora. Porém eu não consigo ter medo do barulho dos relâmpagos, dos gritos dos trovões. Todos os meus sentidos estão atentos a John, atentos aos sons abafados que ele faz, atentos aos sons dos nossos corpos colidindo, aos sons que saem do fundo de sua garganta enquanto minhas unhas arranham suas costas.
Eu estou tão apaixonada por você John.
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