Sob as Estrelas da Amazônia
5 Capítulo 4: Contatos Imediatos
Versão Beta (Ver notas do "Prólogo")
Ruan e Yumi deixaram o prédio e caminharam pelas ruas devastadas da cidade. Ruan olhou para o seu carro destruído e disse: "Bem, pelo menos temos nossas pernas para andar". Eles seguiram em direção à casa de Ruan, que ficava a cerca de 30 minutos de caminhada. No caminho, passaram por ruas cheias de escombros e pessoas desoladas, mas também viram equipes de bombeiros e policiais trabalhando para ajudar as vítimas.
Enquanto caminhavam até a casa de Ruan, o som ensurdecedor dos caças militares e helicópteros sobrevoando a cidade preenchia o ar. Era um lembrete constante da escala da devastação que o tsunami havia causado. Yumi e Ruan caminharam em silêncio, sem saber o que esperar quando finalmente chegassem à casa.
Finalmente, eles chegaram à casa de Ruan, uma típica casa de classe média, de tamanho agradável, mas modesta. Yumi olhou em volta e disse: "Você mora sozinho nesta casa tão grande?" Ruan riu e disse: "Não é tão grande assim, mas é confortável. Meus pais trabalham como gerentes em uma empresa de produção de chips em Manaus, então eu moro sozinho aqui". Eles entraram na casa e Ruan preparou um jantar simples para eles.
Ruan preparou um simples bife acebolado, com arroz e feijão, um prato modesto e rápido para aquela situação. Enquanto ele cozinhava, Yumi se sentou na bancada da cozinha, observando-o trabalhar. Ela pensou em como Ruan era habilidoso e como ele estava sendo gentil com ela durante todo o dia. Quando a comida ficou pronta, Ruan colocou tudo na mesa e acendeu uma vela.
"Infelizmente, não é de dia. Sem o sistema elétrico, não podemos ter energia, mesmo com painéis solares em casa, ficou faltando o sol", ele explicou. Embora eles estivessem jantando em um clima tão sombrio, a luz da vela criava uma atmosfera reconfortante.
Eles começaram a comer e Yumi percebeu que estava com fome, mal tendo comido desde o início daquela tarde. Ela agradeceu a Ruan pela refeição e perguntou sobre sua família.
Durante o jantar, Ruan pergunta para Marcos e Laura como eles estão se sentindo após o tsunami. "Vocês estão bem?", ele pergunta. Marcos responde, "Sim, eu acho que sim. Ainda estou um pouco em choque com tudo o que aconteceu, mas a gente tá se virando." Laura acrescenta, "É, o importante é que estamos todos juntos e conseguimos sair de Mosqueiro." Yumi concorda, "Verdade, a sorte é que vocês conseguiram encontrar a gente na hora certa." Ruan sorri, "E aí, o que vocês querem fazer agora? Vamos tentar entrar em contato com alguém ou esperar a situação melhorar um pouco mais?".
Enquanto comia, Yumi pegou um pouco de arroz em uma colher e fez um bolinho, ele perguntou a Ruan se podia dar a ele um incenso, curioso com a situação Ruan deu a ela uma caixa com vários incensos.
Procurando ali ela escolheu um de Jasmim e Fragrâncias de Rosas. Ela levou o bolinho para a janela, pegou uns hashi que trazia consigo em sua bolsa e colou eles de forma cruzada enfiados no bolinho de arroz, e ao lado os incensos, ela bateu tuas mãos de joelhos ali da frente fazendo uma oração "Por todos que nessa noite partiram desse mundo, deixo essa oferenda. Que todos passem pelo pelos portões 'torii' e cheguem aos céus!"
Ruan pega o seu celular e conecta o rádio na frequência 85.5 MHz, que era a frequência de emergência nacional. O locutor fala: "ATENÇÃO QUEM ESTIVER SEGURO EM CASA EVITEM AS RUAS, DESABRIGADOS PROCUREM OS SERVIÇOS DE EMERGÊNCIA LOCAIS, ATENÇÃO O UM METEORO DE 40 METROS DE DIÂMETRO ATINGIU A BAÍA DO GUAMÁ, PARA EVITAR A DESORDEM FIQUEM EM CASA, MAIS INFORMAÇÕES PERMANEÇAM SINTONIZADOS...". Depois disso, o locutor torna a repetir a mensagem. Yumi aperta o botão de desligar e fala: "Acho bom a gente não pensar nisso, apenas por hora".
Ruan concorda com a cabeça e desliga o rádio, colocando o celular de volta no bolso. Eles continuam jantando em silêncio por um tempo, mas logo Laura pergunta: "E seus pais, Ruan? Eles estão bem?".
Laura sorri e responde: "Estamos bem, obrigada. Seu bife está delicioso, Ruan".
Ruan sorri de volta e continua conversando com seus amigos, tentando manter o clima leve e descontraído. Mesmo em meio a uma situação tão difícil, eles conseguem encontrar um pouco de conforto na companhia um do outro.
Após o jantar, Ruan traz seu laptop e pergunta se eles querem assistir a um anime. Yumi aceita a sugestão e os irmãos que foram resgatados também se animam com a ideia. Eles acabam escolhendo um anime que todos gostam e começam a assistir juntos.
Durante a exibição, Ruan pergunta para os irmãos como eles estavam antes de serem resgatados. Os irmãos estavam em casa jogando "Tiro Grátis", um jogo muito popular entre os jovens antes de todos os eventos, antes de serem resgatados por Ruan e Yumi. Marcos e Laura, ao ver a notícia da onda, pensaram em sair da ilha com o carro da mãe, uma escolha imprudente, mas que acabou ajudando Yumi e Ruan no fim. E ao dormirem uma chuva forte caiu, para lavar a alma ferida do barro da destruição, o som da chuva batendo na janela e no telhado trouxe uma sensação de paz, apesar de tudo.
***
Eu acordo com um cheiro gostoso no ar e me espreguiço. Me lembro que estou na casa de Ruan. Me sinto um pouco desgrenhada e sonolenta, mas ao sentir o cheiro da comida, meu estômago ronca de fome. Eu me levanto e sigo o cheiro até a cozinha, onde encontro Ruan preparando o café da manhã.
"おはようございます" (ohayou gozaimasu — bom dia em japonês), cumprimenta Yumi.
"Bom dia, Yumi. Dormiu bem?", pergunta Ruan com um sorriso.
Eu me senti um pouco envergonhada por ter acordado tarde, mas respondi: "Sim, dormi muito bem. O que está preparando? Cheira tão bom!"
Olhei para o prato e perguntei curiosa: "O que é tapioca? Nunca ouvi falar disso antes".
Ruan sorriu e explicou: "Tapioca é como a nossa panqueca, pode ser salgada, doce ou agridoce. E para você, eu preparei uma surpresa, uma tapioca Romeu e Julieta. Prove!".
Eu dei uma mordida na tapioca recheada com queijo e goiabada e adorei o sabor e a textura. Agradeci a Ruan pelo café da manhã delicioso. Fiquei um pouco desanimada ao ver que os irmãos não pareciam muito animados com a comida.
A televisão ligou sozinha com um alarme estridente e o presidente do país, Carlos Mendes, anunciou a Lei Marcial devido ao impacto do meteoro. Fiquei em choque e preocupada com a situação.
"Lei Marcial significa que o governo assumirá o controle e a segurança do país", Explicou Ruan.
Eu fiquei inquieta com a situação e me preocupei ainda mais com a resposta de Ruan. A ideia de não ter controle sobre minha própria segurança e de seguir cegamente as ordens do governo era aterrorizante. Mas eu sabia que não havia escolha. Ruan comentou que teriam que esperar para ver como as coisas se desenvolveriam.
Eu assisti em silêncio enquanto o presidente explicava cada uma das medidas tomadas pelo governo em resposta à queda do meteoro. Fiquei tentando assimilar a magnitude da situação e preocupada com as possíveis consequências para a segurança da minha família e do país.
O presidente disse que a lei marcial seria necessária para garantir a segurança dos cidadãos e que todas as leis de controle de armas seriam revogadas para permitir que as pessoas se protegessem. Também fiquei surpresa ao ouvir que a capital seria temporariamente transferida para Santarém, no estado do Tapajós, e que as fronteiras do país seriam abertas para entrada e saída. A situação era grave e incerta, e eu me perguntava como as coisas iriam se desenrolar a partir dali.
Eu me questionei naquele momento em voz alta: "Armas? Por quê? Isso não é pior?
Ruan respondeu: "Não sei se você sabe, mas o Grão-Pará é uma nação armada. Muitas pessoas têm armas por aqui, mas não precisamos usá-las. É um pouco diferente do que você está acostumada, mas é assim que as coisas funcionam por aqui."
O impacto da queda do meteoro ainda estava sendo sentido em todo o país. Eu me perguntei como isso afetaria minha vida, minha família e amigos. Será que seríamos capazes de nos adaptar a essa nova realidade?
Enquanto o presidente continuava a falar na televisão, eu senti que minha vida e a vida de todos no país nunca mais seria a mesma. A queda do meteoro tinha mudado tudo, e agora tínhamos que nos adaptar a uma nova realidade, enfrentar os desafios que viriam pela frente e fazer o que pudéssemos para ajudar uns aos outros.
Ruan foi tirar algo debaixo do sofá. Quando dei conta era uma arma, uma pistola para ser mais precisa. Fiquei apreensiva, no meu país nunca tinha visto arma nas mãos de cíveis.
"Isso aqui vai nos ajudar, mesmo que seja uma catástrofe natural, tem muitas pessoas que podem querer se aproveitar das outras."
Ele notou minha reação, me explicou melhor que isso era para nossa proteção, e que nunca usaria a arma para motivos torpes.
Mesmo assim eu ainda estava com medo. Ruan em questão fez um discurso sobre o uso de armas.
"Devemos temer as pessoas, isso aqui não mata. Quem mata e a pessoa que está atras do gatilho, e isso aqui serve para proteger aqueles que não precisam de uma arma para nos causar mal"
Eu tentei entender a situação, mas continuei desconfortável. Isso me fez sentir um pouco de medo sobre Ruan, mas na condição que estamos, outras coisas me assustam ainda mais.
"Então, vamos? Yumi, Marcos e Laura vamos ir ao centro. Vê se está tudo bem com a família da Yumi."
Marcos vai na frente e assim que Ruan desbloqueia o carro ele entra, Laura entra junto comigo.
Quando subi no carro o Ruan colocou a arma no porta-luvas, isso me deixou mais tranquila, a arma não estava mais ao porte de Ruan, fora de vista. Seguimos em direção ao centro da cidade.
Enquanto seguimos pela cidade devastada, cada vez ficava mais preocupada. E todos ali expressavam isso através do silencio que fazíamos. Em respeito às vítimas, porque não tínhamos palavras para expressar o que havia acontecido.
Quanto mais avançamos, parecia que o caos era maior. As ruas estavam cheias de pessoas limpando suas casas, para as que sobraram minimamente em pé, socorristas e militares ajudavam no processo.
Tampouco depois chegamos ao lugar que era minha casa, me aliviei ao ver ela em pé. Eu senti um alívio misturado com emoção. Ruan falou que ficaria no carro junto com os irmãos.
Logo adentrei a casa procurando minha família. Eu tinha a chave e ao abrir a porta me dirigi a sala, e mus parentes estavam lá. Meus tios e prima ficaram felizes ao me verem e me abraçaram. Eu contei a todos emocionada tudo o que havia passado e como Ruan tinha me salvado de tudo.
Meus parentes contaram que tinham perdido as esperanças, segundo a brigada militar da cidade, todos aqueles que estavam na ilha morreram, que até agora os corpos encontrados, eram apenas cadáveres.
O tio Tsubaki foi conversar com Ruan, que estava no carro com as jovens salvos. Eu me aproximei para ouvir o que falavam.
"Não sei como agradecer, você salvou minha sobrinha! Vamos ser eternamente gratos a você"
"Calado..."
Ruan tinha sido anormalmente grosso com meu tio e isso me deixou irritada com ele, furiosa na verdade, eu queria dá na cara dele em um surto de raiva, no entanto ele completou.
"... Não sei se notaram, durante todo o caminho tinham pessoas e membros das forças de segurança e resgate, porque aqui está tão vazio..."
"E daí Ruan? Você foi grosso com meu tio, você tem que pedi descu~"
Ruan me ignorou, e estava falando com Marcos e Laura, eles saíram do carro, e ele pediu para todos entrarem. Notei que Ruan tinham pego algo de forma apressada na porta luva, pois ele deixou o mesmo aberto ao sair.
"Vamos gente, vamos entrar... Não parece nada seguro aqui fora!"
Eu fiquei sem ter o que falar, mas todos entramos em casa. Quando entrei pensei que a voz de Ruan esboçava a mesma entonação que tinha quando ele falava comigo enquanto fugíamos das ondas do Tsunami.
"Me desculpa Yumi... Desculpa Tio de Yumi, mas o ambiente lá fora está muito estranho.".
Ruan pediu para que todos trancasse todas as janelas e porta, pediu também para ligarem o rádio, eu estava apreensiva. Nada... Sem sinal no radio, ele tentou em seu celular e um rádio do tio de Yumi e não teve nenhuma resposta.
"Nada pior do que ter uma notícia ruim e não ter nenhuma notícia". Eu pensei, especulando sobre o que poderia ter acontecido.
Ficamos quietos por alguns minutos, com uma troca de olhares estranha entre todos. Logo começamos a ouvir passos distantes, se aproximando em marcha. Laura olhou pela janela e Ruan puxou ela da janela na hora, antes que pudesse ver algo.
Os passos ficavam mais perto, e naquele momento via pela janela que o sol que estava raiando de manhã foi-se coberto pelas nuvens. Logo os passos estavam em nossa varanda.
Notamos a sombras pelas janelas e portas, enquanto estávamos acuados em um canto daquele recinto.
Eu peguei na mão de Ruan, a apertei com força. Todos estavam com uma expressão de medo, inclusive ele.
"O ambiente estava escuro..."
Pahhhhh...." A maçaneta da porta foi destruída.
A porta abriu e a luz exterior nos cegou por um tempo.
Quando recobramos nossas visões, dois seres entraram.
Esguio, pálidos. Levemente translúcidos, não eram humanos!
Vestindo algo que parecia uma farda carmesim, portando algo que parecia uma arma... Eram soldados?
Eles foram em minha direção. Eu comecei a lacrimejar, meu coração disparou e minha mente estava quente. Quando aquele bicho me tocou com sua mão gelada eu gritei.
Meu grito ecoou pela sala. Eles me puxaram e queriam me levar para fora. Eu comecei a resistir, falando...
"Não quero, me solta por favor. ME LARGA!" O ser não entendia, tampouco me respeitava, ele apenas olhava e continuava com a ação.
Ruan ficou imóvel. Logo outro entrou e comigo sendo segurada pelo ser, ele portava algo no pulso, e começou a falar com aquilo em uma língua estranha.
Os seres conversaram entre si. Todos ali estavam paralisados pelo medo. Quando eles tentaram colocar um bracelete, um estava com o pulso em sua boca, e o outro estava olhando para meu pulso.
"Primeiramente bom dia demônios", Ruan estava de pé com a arma apontada para os seres. Ele atirou sem pensar duas vezes.
As paredes se mancharam sujaram de um liquido translucido. O bracelete continuava "falando". Ruan pegou no meu pulso e me puxou com força e correu comigo e falou baixo, com voz bem firme.
"VAMOS SAIR DAQUI AGORA!"
Ao sair na porta encontramos o carro de Ruan ainda no mesmo lugar, Ele pediu que todos entrassem, Marcos e Laura iam atrás de nós e meus tios e prima, perdidos falaram.
"Não vamos sair daqui! Aqui está seguro, talvez eles não voltem mais"
"Estão loucos? Aqui já foi abandonado, temos que sair daqui de qualquer forma, Ruan continuou me puxando. Eu queria ficar ali com meus tios.
Eu me debatia, tentando me soltar, mas Ruan me segurava firmemente. Eu não entendia o que estava acontecendo, por que aqueles seres estavam tentando me levar embora? E por que Ruan atirou neles? Meus tios pareciam tão assustados quanto eu, e minha prima chorava baixinho no canto da sala. Eu queria ficar ali com eles, mas Ruan me puxava com tanta força que eu não tinha escolha a não ser segui-lo. Entrei no carro com Laura e Marcos, ainda tremendo e sem entender nada do que estava acontecendo. O que diabos estava acontecendo com o mundo lá fora? E o que diabos éramos nós agora?
Ruan estava armado, eu não ia tentar algo contra ele. Isso me deixou com raiva dele, muita raiva. Eu comecei a chorar e o Ruan falou.
"Gente temos que sair, desculpa Yumi... Não queria te forçar a fazer isso, mas se ficarmos aqui vamos morrer de qualquer forma."
Meus tios me seguram também... Só que Ruan apontou na a arma na cara deles.
"Ela vai comigo, se querem morrer, morram juntos vocês, eu vou tentar ao menos me proteger e proteger você Yumi"
Meu tios ao verem a arma voltaram para trás, logo dois daqueles mesmo seres começaram a olhar para nós quando saímos da porta, Ruan pegou sua arma e apontou para eles e fomos andando em direção ao carro novamente, Laura e Marcos estavam conosco e nós olhamos diretamente para aqueles seres...
"Realmente, parecem demônios..." eu falei baixinho...
Quando chegamos a 5 metros do carro, eles foram para cima de nos. Ruan atirou 3 vezes, um errou e foi-se ao horizonte
Outro acertou no peito e derrubou um deles, o outro no pé, eles colocaram o bracelete em sua boca, quando Ruan viu, atirou na boca do que tentou!
Vendo isso o outro afastou o bracelete de sua boca. Dessa vez o barulho foi alto e ecoou muito pela região. Quando conseguimos olhar diretamente para a Ruan, vimos eles. Muitos deles, montando acampamentos.
Apenas poucos segundos olhando para aqueles animais... quando um olhou para nós, Ruan empurrou todos nós para o carro. Entrou, deu partida... E acelerou
Na força eu fui jogada para trás, cintos? Eles correram para cima de nós, Ruan vendo a cena pelo retrovisor, Ruan pediu para Laura e Marcos ficarem de baixo do banco, o que não foi difícil devido suas estaturas.
Ruan violentamente agarrou meu cabelo e me jogou minha cabeça para baixo. Segundos após isso começaram a atirar no carro.
O carro simples não parecia nenhum pouco adequado para andar rápido naquelas ruas com escombros e lama, sentia Ruan dirigindo com o carro patinando. Com os tiros Ruan desviava a atenção entre manter a direção, e proteger eu e ele dos tiros.
Nisso Ruan acabou afrouxando sua mão, eu me soltei, e vi... Alguns deles atirando em direção a minha casa.
Eu gritei, em choro... Quase certeza que tinham assassinado meus parentes. Ruan vendo isso percebeu que eu havia escapado de suas mãos, e ele me jogou de volta com a cabeça em direção ao painel do carro.
Eu estava me sentindo impotente, humilhada, com raiva ...
"Seu desgraçado, me deixa quieta, me larga!", eu de ei uma mordida com toda minha força na mão dele,
Ruan fez uma cara como se tentasse conter a dor daquela mordida, com uma mão ao volante, seu rosto alternando a atenção entre a pista e ao retrovisor.
Marcos e Laura estavam chorando, Ruan também, talvez chorando de tentar conter sua dor por eu ter mordido ele, no entanto conseguimos fugir daquela rua. Logo Ruan me soltou e eu continuei a xingar ele, enquanto chorava. Ruan estava triste, mas não falava nada.
Conseguimos sair daquela região, poucos segundos depois novamente barulhos de helicópteros, e caças, e então escutamos um míssil indo em direção da região que outrora estávamos a alguns minutos, eu olhei pela janela e vi ele...
Ele explodiu a região que onde era a casa de meus tios, a força de impacto foi tão forte que o vidro do carro se quebrou, e voou no meu corpo, com sorte não me cortou.
Sem dúvidas nenhumas... Meus tios estavam mortos!
Eu abaixei a cabeça e chorei, chorei muito. Ruan continuou dirigindo.
1...2...3? Horas tinham se passado? Quando voltei ao mundo real de minhas tristezas Ruan tinha parado o carro em um posto. Eu desci e foi falar com ele.
"Por que? Quem você acha que é? Eu não pedi que me salvasse!"
Eu comecei a balançar o ombro de Ruan com força, e apertei com força o suficiente para cravar minhas unhas nele.
"Me desculpe, eu só queria te salvar!"
Nessa hora Ruan me abraçou, eu tentei me soltar..., mas segundos depois voltei a chorar muito.
"Minha prima meus tios estão mortos... O que eu vou fazer sem eles..."
Ruan falou...
"Eu não sei... Não sei mesmo! Mas para mim importa que você e eu tenham saídos de lá vivos! De resto tudo podemos resolver, com você morta, tenho certeza que não conseguiria viver com a dor de ter podido te salvar, ou ter tem deixado morrer!"
Ele ao falar isso não a diminui minha dor, mas de certa forma aquelas lagrimas que eu deixava em seu peito estavam lavando meu coração.
"Vamos sair daqui, vamos para um lugar seguro. Depois que chegarmos, você pode nunca mais falar comigo..., mas eu já estou feliz apenas ter salvado você!"
"E Marcos e Laura me contaram que seus pais trabalham no governo. Vamos tentar fazer contato com eles! Certamente vão nos ajudar a sair daqui!"
Ruan parecia convicto que iria me ajudar... Eu não tinha muitas outras alternativas!
Depois de ter feito esse contato imediato com uma raça... Alienígena? Extraterrestres, demoníaca?
"Agora estamos a uns 150 KM de Belém, quero chegar a Santarém. Por hora acredito que lá e um lugar seguro."
Voltamos ao carro, e fomos a rumo dessa cidade. Eu torcia por ser um caminho tranquilo. Tudo que eu queria era poder dormir e por minha cabeça em ordem!
Apenas floresta, um oceano verde, era nossas companhias!
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