BELLA

Felix levou meu jantar, não disse muita coisa, apenas que voltaria mais tarde. Eu era livre para circular pela casa, isso se tornou oficial sem supervisão, mas encontrar Rose nos corredores era começar uma guerra. Parei de andar pelo quarto, e resolvi sair, ouvi os sussurros vindos da sala ao lado. Um loiro estava sentado no sofá de frente a janela e me encarou. Antes que pudesse avisar que desci, segui para biblioteca.
Edward estava sentado no sofá em um canto, Rose massageava suas costas e seus olhos me encontraram. Ela tinha um curativo no ombro e isso me fez sorrir. Mas os ignorei indo em direção a estante e procurando o primeiro livro que me agradasse. Peguei um que estava fora da ordem, o coloquei embaixo do braço e me virei para sair. Respirei fundo quando deixei a sala.
Caminhando pela casa, encontrei Felix na cozinha, estava encarando o jornal e sorriu ao me ver. Me sentei a seu lado abrindo o livro sem ao menos ler o título. Era uma válvula de escape.
–Como foram? –Perguntou.
–Normal.
–Você e Edward nunca tiveram uma conversa normal.
Bufei.
–Vou ter que ficar aqui. Não tenho uma data para ter minha vida de volta e tudo o que eu queria no momento era refazer as coisas.
–Nem sempre as coisas melhoram.
–Por que não me falou sobre seu irmão?
Seu olhar me encontrou.
–Não queria vê-la o odiando. Você passou um tempo presa, você sabe o que é ser torturada. Você não passou nem metade do que ele passou, eu tenho certeza que ele foi ao limite. Se pudesse não dizer nada, ele não diria.
Encarei meu livro.
–Eu entendo, não se preocupe. Eu só quero ir para casa.
–Você sabe que não vai para casa, não é? Edward não vai deixar.
–Ele não manda em mim.
–Você que pensa. -Bufou um sorriso. -Nos últimos três anos ele sabia cada passo que você dava.
–Como?
–Nem tudo ele nos manda fazer, às vezes ele procura profissionais. Uma vez achei um vídeo seu no computador dele, você estava em um café rodeado de garotas. -Sorriu. -Então eu descobri que ele ainda te perseguia, para ver se estava realmente tudo bem.
–Sentimento de culpa?
–Às vezes não.
–Eu o conheço, Bravinha. Eu sei como ele é.
–Ele parece muito bem. -Falei fechando o livro.
–É, Rose é seu novo tesouro. No começo ela não queria ficar aqui, mas se acostumou.
–De onde ela veio?
–Eu não sei, mas ela é comum se você quer saber. Mas quando se entra na máfia, você precisa ser como nós.
–Essa vida não é para mim.
–Só descobrimos isso depois de experimentar.-Se levantou.-Vou me divertir um pouco.
Me levantei.
–Aonde vai?
–Atirar. -Sorriu.
–Posso ir? -Eu senti falta de suas aulas.
–Você já está muito bem de pontaria.
–Acho que posso ser melhor. -Me pus a seu lado.
–Tudo bem.
O segui para fora da cozinha, entrando em uma porta ao lado da escada. Encarei a escada e o corredor iluminado que provavelmente nos levaria até o porão. Nomes marcados com faca preenchiam as paredes até o fim dela. Felix acedeu a luz quando chegamos lá em embaixo.
Encarei a parede repleta de armas, alvos em todos os cantos e cápsulas de balas no chão. Era o parque de diversão dos homens da casa. Algumas garrafas estavam espalhadas sobre a mesa de sinuca e bitucas de cigarro parecia ser o giz dos tacos. Felix passou a frente encarando a parede de armas e pegando uma.
–Melhor de três? -Perguntou.
–Pode ser.
–Ainda se lembra?
–Fiz aula de tiro depois do meu sequestro. Era uma prioridade.
Ele sorriu.
–Três alvos? -Perguntou.
Encarei o boneco de papelão.
–Peito, pescoço e cabeça. -Falei.
–Para uma garotinha, até que você está bem.
Sorri.
–Eu fico com a cabeça, o mesmo buraco nos três tiros.
–Fechado. Quem perder?
Pensou por um tempo.
–Uma garrafa de tequila.
–Fechado.
–Não. -Me parou quando peguei minha arma. -Vamos fazer melhor, um copo de tequila a cada erro. -Gargalhou.
–Acho justo, mas pega leve.
Fiquei em frente aos meus alvos, Felix cantarolava New York, New York se divertindo com toda a situação. O deixei ir primeiro, liguei o som para aplacar sua voz e ele gargalhou mais alto. Estar com Felix me afastava dos meus fantasmas e isso me fazia bem. Ele errou o primeiro tiro de propósito.
–Certo. -Me posicionei como se fosse a coisa mais fácil do mundo. Me lembrei de uma vez que Felix me disse que eu deveria pensar em alguém quando fosse atirar.
Descarregar minha raiva. Dois centímetros do coração.
–Errou.
Peguei meu primeiro copo virando a tequila de uma vez na boca. Felix se posicionou e acertou seu primeiro tiro me passando outro copo. Então foi a minha vez, acertei meu primeiro tiro. Ele sorriu, eu sabia que era idiotice brincar dessa maneira com Felix, o cara era um monstro. Continuamos nos nossos tiros e me dei à liberdade para mudar de arma.
–Isso me parece bem ousado. -Brincou.
–Eu gosto dessas maiores.
–Consegue acertar o alvo?
Perdi as contas de quantos copos haviam sido tomados, estava tudo girando. Mesmo assim, era divertindo. Meu último alvo piscava os lugares onde deveria atirar, me apoiei na mesa e encarei a primeira luz vermelha e atirei, ouvi o copo se afastar, o segundo tiro passou perto. E errei meu último. Felix me entregou meu último copo e me tirou a arma.
–O que está acontecendo aqui? –Ouvi a voz de Edward vindo de algum lugar, Felix ainda estava sorrindo. Virei meu copo na boca e o bati na mesa, senti meu cabelo se soltando e caindo em meu rosto.
–Estamos nos divertindo. -Felix trovejou uma gargalhada. Se afastou indo guardar nossas armas.
–Se divertindo? Ela está bêbada?
–Faz parte do jogo. Ela não é tão ruim.
–Cala essa boca! Eu acertei todos... os alvos.-Minha boca não queria se abrir.-Eu posso fazer de novo.-Tentei pegar a arma na mesa, mas ela desapareceu.
–Você não vai fazer nada. -Edward segurou meu braço.-Acho que já se divertiu muito por hoje.
–Felix... -Chamei.
–Ele não vai te ajudar, você está proibida de pegar em uma arma enquanto estiver nesse estado. –Me segurou.
–Não vou me matar.
–Eu duvido disso.
–Pega leve com a garota, Edward, ela só está se divertindo!
–É, Edward. -O encarei.
–Felix, tenho um serviço para você. E você, vamos sair daqui.
–Eu não vou a lugar algum com você.
–Também não vou deixá-la em uma sala cheia de armas. -Me puxou para saída.
–Eu posso sair sozinha.
Meus olhos arderam quando deixamos o porão, a casa estava silenciosa de novo e Edward me arrastou para o segundo andar. Conheci a porta que ele abriu, era a que estava trancada no dia da minha inspeção. Recolhi minhas coisas em cima da enorme cama de casal. Ao lado, uma estante enorme com livros e computadores em uma mesa larga. Era uma sala dentro de um quarto.
–Como conseguiu minhas coisas? –Perguntei.
–Eu peguei. Suas roupas, produtos de higiene. Tudo o que precisa.
–Eu não vou ficar aqui. Isso era desnecessário.
Me encarou.
–Você não tem data para voltar para casa, então aceite minha boa vontade de ter trago suas coisas.
–Obrigada? -Me aproximei da cama. -Já que foi até lá, você sabe como ele está.
O encarei.
–James não tem nada a ver com isso, então não o machuque porque na primeira oportunidade eu vou machucá-lo.
Edward gargalhou.
–Você sabe que não.
–Por que duvida de mim?
–Você já o teria feito. Poderíamos tentar agora se você não estivesse bêbada.
–Eu não estou bêbada.
Eu estou bêbada.
–Atiraria na própria cabeça.
Me deu as costas indo até a mesa com computadores, passou um bom tempo ali enquanto eu tentava controlar a queimação em meu estomago. Eu precisava dormir.
–Quero ir para o meu quarto.
–Esse vai ser o seu quarto a partir de hoje.
–Não vou dormir na mesma cama que aquela mulher. Quero o meu quarto de volta, frio e depressivo.
Edward me encarou por um tempo antes de se levantar e tirar a chave da porta.
–Até segunda ordem esse será o seu quarto. Se não quiser deitar na cama, deite-se no chão.
Pensei que ele voltaria, mas ele não voltou. Minha cabeça pesou antes do tempo então fiquei na cama por um tempo de olhos fechados ouvindo apenas o som do computador. Averiguei o mesmo mais tarde, senhas. Havia senhas em tudo por ali. Arrastei os lençóis para o chão com os travesseiros e tudo o que desse para fazer uma boa cama. Consegui tomar um banho e colocar uma roupa de verdade antes de me jogar no chão e ficar.
Eu não tinha medo de estar ali, era o que eu dizia a mim mesma o tempo todo. Mas no fundo eu estava com medo. Edward me mostrou seus dois lados, o que me torturou e o que me reivindicou como sua um dia, antes de me devolver de qualquer jeito. Agora eu estava de volta e ele tinha alguém. Eu tento achar uma parte do homem que conheci em seus olhos, mas tudo o que vejo agora é um homem calculista. Edward me assusta.
Dormi demais, já era manhã quando acordei com o barulho das teclas do computador. Encarei as costas de Edward por alguns segundos antes de realmente me considerar acordada. Ele me viu de alguma forma, me encarou por alguns segundos desligando com apenas um clique tudo o que estava fazendo. E eu estava na cama.
–Pensei que estivesse desmaiada. -Comentou.
–Não tive essa sorte ainda.
–Você precisa comer alguma coisa. Essa tarde você vai ficar com o pessoal.
Levantei sentindo minhas costas gritarem de dor, mas tentei não demonstrar isso. eu passei um bom tempo no chão.
–Que pessoal?
–Felix e os outros. E antes que pergunte, Rose vai estar por aqui, fiz um mapa para que não se encontrassem, então se algo acontecer sei que você adorou um esbarrão.
–Ah claro, se a faca entrar no meio do coração dela, foi apenas um esbarrão.-Sorri de lado enquanto ele me encarava.-Fico feliz pelo mapa, é para o bem de todos.
Arrastei-me até minha mala pegando um conjunto de moletom laranja que nada combinava com minha aparência no momento. Meus produtos de higiene estavam organizados no banheiro, consegui me aprontar em menos de cinco minutos. Edward estava à minha espera quando sai. Ele nunca me encarava tempo o suficiente para achar compaixão em seu olhar, ele me evitava. Então segui para fora do quarto.
–Você sabe aonde é a cozinha, sinta-se em casa.
–Nunca.
–Isso não é uma opção.
–Dane-se.
Felix acenou quando desci o último degrau, ele tinha aquele sorriso animado e cumplice. Ao seu lado, Rose me fuzilava como se o fato de passar alguns minutos com o seu dono fosse maravilhoso. Me limitei a mais alguns minutos ali, então segui para cozinha, havia pratos espelhados por todos os lados. Um pouco nojento por sinal. Segui para geladeira achando uma caixa de suco fechada e bolachas de ervas ainda boas em um pote. Era meu café da manhã até que houvesse algo com prazo de validade aceitável.
Me sentei a mesa e comi lentamente ouvindo a conversa vinda da sala. Eles riam como trovões e falavam como raios. Em pouco tempo, Edward entrava na cozinha segurando um pequeno computador arrastando uma cadeira até o meu lado.
–Hora de trabalhar.-Avisou.
–Não trabalho para você. Eu não posso trabalhar em algo que não estou realmente.
–Escolhas. Você não tem essa opção e isso está ficando repetitivo. -A tela se acendeu e ele clicou em uma pasta de fotos. -Eu preciso que me diga todos que conhece.
–Por quê?
–Importante e sigiloso.
–Não me importa.
–Vai tornar as coisas mais difíceis? –Chiou.
–Você já me torturou um dia, se lembra? Ainda tenho a cicatriz. E me colocou uma arma na testa com o dedo no gatilho. O que pretende fazer agora?
–Enfiar essa sua maldita língua goela abaixo. Que tal? -Apoiou os braços na mesa. -Você só precisa me dizer sim ou não.
–Você precisa me dizer para que. Não posso deixá-lo matar alguém inocente.
–Para mim, nem você é inocente o suficiente. Então... -Apontou ao computador liberando a primeira imagem.
Era Marcus Ferraz, ele trabalhava com investigação também, sempre coletava as provas do crime. As pessoas a seguir eram do seu ramo e poucas que tive contato. Meggie, Senna Andrews e Alec Lopez. Trabalhei com eles e passei a maior parte do tempo com Senna e Alec, eles trabalhavam para a investigação de inteligência do estado. Eu não saberia dizer se eram boas pessoas.
–Eu preciso dos dados do seu computador. Algum deles mexeu nele, certo?
–Por quê?
–Sem porquês.
–Não quero que mate mais ninguém. Você não pode achar que eles são ruins e colocar uma arma na cabeça deles sem chance de se defender.
Edward me encarava.
–Estou falando sério, você precisa confiar em mim para que eu possa confiar em você. Qualquer um que esteve com você pode ter dois lados. Podem até saber onde você está agora. Inclusive os da inteligência.
–Senna esteve mais tempo comigo.
–Certo. Conte-me mais.
Eu não ia citar tudo, não todas as pessoas que estiveram comigo todo esse tempo. Eu sabia que poderiam ser corruptos, mas também, podiam não ser. E minha cabeça começou a se enrolar em pensamentos. Voltamos a sala, Edward puxou uma mochila no sofá e deu um aviso a todos, claro que alguém teria de ficar de olho em mim. Antes de sair ele me encarou.
–Qualquer gracinha e a trégua termina. -Avisou. Pensei em responder, mas ele já havia se virado e trocado algumas carícias com Rose.
Felix passou o braço pelo meu ombro quando ficamos apenas nós dois. Eu queria gritar e bater em alguém.
–Desse jeito eles vão perceber que está com ciúmes.
–Eu não estou com ciúmes, eu só quero ir para casa. Ver meus pais e meus amigos, ver o meu noivo.
–Isso vai acontecer um dia.
–Um dia? Quando entregarem meu corpo?
–Edward não vai deixar que nada te aconteça.
–Claro, ele mesmo pode fazer o serviço já que colocou uma arma no meio da minha testa. Se não for alguém de fora, será ele.
Voltei ao meu quarto. Consegui levar algumas roupas para lá, tentei abrir as janelas, mas estavam isoladas. Nenhum telefone na casa era de uso livre e o tempo parecia passar e passar. Quando decidi sair, já era noite e meu estômago estava protestando. Estavam todos a mesa, inclusive quem não devia.
–Chegou na hora. -Paul trovejou. Pizza!
Peguei meu pedaço e uma cerveja seguindo para cozinha. Pensei em repreender Felix quando achei ser ele me seguindo, mas assim que passei pela cozinha a sombra se materializou.
–Aceita uma companhia?
O encarei. Diferentes dos outros caras, esse parecia mais sociável, moreno e alto com olhos fundos, ele parecia brincar com o piercing no canto do lábio. Os cabelos cortados nas laterais o deixavam com cara de presidiário, seus braços eram fechados por tatuagens escuras, e isso cortava o olhar de menino.
–Por que não? -Me arrastei ao banco.
–Eu não mereço ouvir aquela garota. -Reclamou pegando seu pedaço oleoso de pizza com as mãos.
–Rose?
Assentiu com uma careta.
–Ela acha que manda. -Falou de boca cheia. -Só porque dorme com o chefe.
Claro.
–Ela só nos dá problemas com essa mania de querer ir em todos os lugares. Um atraso. -Resmungou. -Mas e então, gostando dessa nova vida?
–Não dá para gostar de ter uma vida em cárcere privado.
–Segundo todos, você é a primeira mulher do chefe.
O encarei.
–Vocês estão muito mal informados. Sou apenas a prisioneira. Edward e eu não temos nada.
–Não? -Limpou o canto da boca com as costas das mãos.
Neguei.
–Certo, então isso te dá a liberdade de falar com todos aqui?
–Sim. Por que, não?
–Bom, não temos nada hoje, apenas precisamos esperar Edward voltar. Que tal uma partida de sinuca? Sabe jogar?
–Se eu sei? Sou a melhor. -Brinquei.
–Jasper. -Estendeu a mão depois de limpá-la no forro da mesa. -Te desafio a um jogo.
Apertei sua mão.
–Sem bebidas. -Avisei. Não estava preparada para outra.
–Sem a melhor parte da diversão. Aposto a louça suja. -Se levantou seguindo na frente.
Gargalhei.
–Apostado.
Havia mais garrafas de bebidas e copos na sala fechada, duas enormes mesas de sinucas estavam lado a lado com bolas espalhadas sobre ela, restos de cigarros preenchiam o local como se fossem parte da decoração. Jasper fez uma careta pegando as garrafas vazias e as colocando lado a lado em um canto perto de uma das poltronas de couro.
–Vocês deviam saber o que é limpeza.
–Sabemos, o que falta é coragem para manter.-Sorriu.
–Certo. -Peguei um taco perdido na mesa. -Acho que podemos começar.
Jasper ajeitou a mesa depois de tirar toda a sujeira que havia ali. Ele me deixou começar primeiro acendendo um cigarro e me passando. Há muito tempo eu não colocava um cigarro na boca, mas havia sido automático aceitar. Me abaixei sobre a mesa e acertei a primeira bola, a amarela que acertou a azul e entrou. Jasper bateu palmas.
–Isso foi bonito de se ver. -Zombou. -Mas podemos dar um show melhor que esse.
Uma gargalhada escapou quando ele errou sua primeira tacada. Era fácil irritar Jasper, porque além de parecer um menino ele tinha um espirito de menino. Ele falava alto e eu tinha certeza que todos já haviam nos escutado.
–Eu preciso beber. Não posso perder para você. -Se afastou indo em direção a mini geladeira e pegando uma cerveja.
–Se isso for ajudar. -Zombei seguindo para a minha tacada.
As horas passaram e nenhum dos dois tinha noção disso. Jasper havia ganhado nosso último jogo e comemorava zombando de mim, soquei seu braço quando a porta se abriu. Edward nos encarou por alguns segundos antes de se aproximar segurando meu rosto e se aproximando.
–O que está fazendo? -O empurrei.
–Vendo se não está bêbada também.
–Eu não estou bêbado. -Jasper se se encostou à mesa. -Estávamos nos divertindo.
–As ordens que foram dadas eram para serem cumpridas. –Gritou a ele.
Jasper o encarou.
–Qual é, Edward? Está tudo bem, desde que você saiu. Só estávamos nos divertindo, nada demais. E por sinal, essa garota é ótima quando o assunto é diversão.
Me afastei ficando ao lado de Jasper que deixou a sala em pouco tempo. Quando pensei em segui-lo, Edward me parou segurando meu braço e me mantendo no lugar.
–Acabou a diversão. -Avisei.
–O que estavam fazendo?
Apontei a mesa mostrando o óbvio.
–Felix, Jasper, quem mais irá se divertir com você?
Abri meu melhor sorriso irônico.
–Quantos mais quiserem, se estou presa aqui, acho que posso me divertir com os homens da casa.
Seus dedos apertaram mais meu braço.
–Muito engraçadinha você.
–Por quê? Estou proibida disso também? Você não devia se preocupar com isso, afinal, seus homens estão fazendo a segurança, não é?
–Isso não quer dizer que você pode sair se divertindo com eles. Como disse, eles estão fazendo a segurança, isso é: trabalhando!
Puxei o braço.
–Acha mesmo que vou deixar de falar com qualquer um deles porque está me mandando?
–Acho que você vai gostar de obedecer.
–Não conte muito com isso. -Puxei meu braço. -Só fale comigo quando for dizer que irá me soltar ou me matar. -Avisei deixando a sala.
Jasper sorriu para mim quando desci para o primeiro andar. Ele havia contado para todos sobre nosso jogo, ninguém arrumou a postura quando Edward voltou ao primeiro andar também, mas ele estava me odiando. Seu olhar queimava cada terminação nervosa do meu corpo e eu tinha certeza de que se ele pudesse, atiraria em minha cabeça. Rose estava do outro lado da sala e correu em sua direção enlaçando seu pescoço, eu tinha mais o que fazer para perder meu tempo assistindo aquilo.
Segui para cozinha, onde uma pilha de louça me esperava. Estava nojento. Jasper passou por lá com a cara enfiada na porta e um sorriso rasgando o rosto me desejando boa sorte. Atirei-lhe um copo plástico que bateu na porta. Tirei minha camisa sabendo que tomaria um banho ao invés de lavar apenas a louça. Separei as louças fazendo pilhas se formarem até em cima da mesa. Jasper me pagaria por isso.
Comecei pelos pratos, perdida em meus próprios pensamentos porque pensar ultimamente me levava aonde eu não queria estar. Queria saber como minha família estava, se estavam me procurando, se estavam todos bem realmente, mas eu não confiava em Edward e não sabia se podia confiar na polícia. Eles me colocaram nessa e eu tinha certeza que havia coisas maiores a se preocupar do que me resgatar. A porta se bateu e senti o forte cheiro de perfume doce invadir a cozinha. Rose me encarava apoiada na mesa, seu salto a deixava um pouco alta, mas não o suficiente para mim. Ela tinha um sorriso rasgando o rosto fazendo seus lábios grossos causando inveja.
–Não sabia que tínhamos ganhado uma empregada.
Fechei a torneira.
–Vamos ganhar um corpo muito em breve se não sair daqui. -Avisei me voltando a louça. Sua risada engasgada ecoou e a porta se abriu uma segunda vez.
Edward seguiu para geladeira pegando duas cervejas, como se nada estivesse acontecendo enlaçou sua cintura a puxando com ele.
–Você demorou.
–Me desculpe. -Falou. -Sua prisioneira estava me impedindo de seguir ao meu destino.
A encarei soltando minha esponja. Edward me encarava.
–Se não acredita, olha a faca dentro da pia.
Eu havia acabado de pegá-la. Edward se aproximou encarando a faca na pia e me encarou. Ele não disse nada, apenas deu a volta e a puxou com ele para saída. Continuei pagando minha aposta em silêncio. Podia ouvir a risada vinda do lado de fora, os tiros abafados no porão e sons de carros ao longe. Me sentia ansiosa para deixar aquele lugar, para apagar de novo três anos.
–Estávamos indo bem. -Sussurrei a mim mesma.
Mais uma vez a porta se abriu e não precisei me virar para saber que era ela de novo. Dessa vez seguindo para geladeira. Minha louça estava pelo fim, apenas alguns pratos quando ouvi a pequena pilha que fiz na mesa com louça limpa ir ao chão. Me virei e ela estava sorrindo, segurando a boca da garrafa entre os dentes.
–Caiu.
Algo dentro de mim se revirou, transformei minha vontade de chorar em força e quase sem pensar a puxei pelo cabelo, sua cerveja foi ao chão. Segurei um de seus braços atrás de suas costas e bati com sua cabeça na mesa até virar seu rosto o prendendo sobre a mesma. Podia sentir cada fio de cabelo se desprendendo de sua raiz.
–Acho que você não entendeu que não estou para brincadeira. E dormir com o idiota do chefe não te faz alguém superior a nenhum dos merdas aqui dentro. -Me aproximei de seu rosto. -Você me pegou em um péssimo dia e estou pensando seriamente em arrancar seus olhos com aquela faca de mais cedo.
–Edward... -Balbuciou. -Me.... solta! Está me machucando.
–Eu não quero olhar mais na sua cara, se tentar qualquer diálogo comigo o que acho possível já que você é um ser encéfalo, eu te mato na frente de todos.
–Edward! -Gritou entre dentes.
A porta se abriu, Edward e Felix entraram juntos. Senti um par de mãos me puxando para trás, mas não soltei seus cabelos. Eu queria fazê-la sentir dor, a mesma dor que eu estava sentindo por diversos motivos. Eu não me importava.
–A solte agora. -Edward ordenou em minha orelha. Mas eu não soltei, gostava de ouvi-la gritar e choramingar e quanto mais ela fazia isso, mais eu puxava. -Solte ela, Bella. Agora! -Falou firme.
Minha respiração estava pesada e todo meu corpo estava quente, pegando fogo para ser mais exata. Felix segurou minhas mãos e me encarou suavemente assentindo, mesmo vendo um breve sorriso querer surgir em seus lábios como se dissesse que eu havia feito um bom trabalho. Então eu a soltei vendo segurar a cabeça e gritar desesperada de dor como se isso fosse aliviar seu couro cabeludo. Fios de cabelos estavam presos em meus dedos e minhas palmas estavam vermelhas.
–Leve-a para um quarto. -Edward mandou me arrastando com ele para fora. Meus cabelos se soltaram, eslastico no meio do caminho.
Todos os presentes nos encaravam enquanto subíamos as escadas, eu tropeçando na verdade. Edward estava bufando, odiando tudo naquele momento e eu tinha certeza que ele me mataria dessa vez. Mas eu estava feliz, em tempos não feria alguém com vontade. Paramos no fim do corredor, no meu antigo quarto e fui jogada lá dentro, ele entrou logo em seguida trancando a porta atrás de si. Vasculhou uma gaveta no único móvel além da cama, que existia ali até pegar uma corda.
–O que vai fazer?
Não disse nada, apenas a esticou se aproximando de mim. Me afastei indo para o outro lado da cama.
–Você não vai me amarrar.
–Um pouco tarde para pensar nas consequências.
–Dane-se. Eu faria de novo e de novo, e enquanto eu estiver aqui.
Ele deu a volta na cama e pulou sobre ela indo em direção a porta. A chave estava presa.
Droga!