Sob a Máfia
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BELLA
Depois que Jacob saiu me dei a liberdade de pensar, poderia seguir em frente e lhe dar uma chance, ou poderia só seguir em frente – mesmo sabendo que em algum momento ele viria atrás de mim e me faria entender que eu precisava de alguém. Sim eu precisava, mas ele também lembrava minha vida, tudo lembraria depois.
Suas palavras ainda brincavam em minha cabeça: Não poupe. Ele só se esqueceu que para derrubar Edward, ele também cairia, assim como Jasper, Felix, Peter e todos os outros. Todos que estiveram e fizeram parte da vida de Edward cairia com ele – o mais justo dos casos, não? Então era essa pequena parte de Jacob que eu não conseguia compreender – em parte – por achar que estava fora disso tudo. Ele não estava. Nunca esteve. Então eu não poderia fazer isso da forma que estou fazendo com todos os outros.
Primeiro os peões depois a realeza, mas essa parte era pessoal. Estava fora de cogitação. Ele não entenderia isso e eu não estava fazendo um esforço para que ele pudesse entender, afinal, ele me achou e eu nunca fui atrás dele.
Apagar arquivo.
Eu queria chorar, mas não era dor ou tristeza era a única coisa que parecia me aliviar, como se fosse o peso que sairia das minhas costas, mais rápido. Um filtro. Então eu queria chorar se isso aliviasse, mas não havia lagrimas. Me concentrei nos sons vindo da rua, na luz espelhada na parede, no silencio confortável do meu quarto.
Eu tinha que aproveitar cada momento de paz antes não tê-la mais.
Um longo tempo depois fui despertada dos meus sonhos – eu acho que me dei esse luxo. Ainda estava em meu quarto, mas não havia som algum vindo da rua. Meu coração estava batendo seco dentro de mim como um enorme eco. Lentamente puxei a arma embaixo do travesseiro, outro som.
Jacob não pode ter voltado ainda!
Não era Jacob.
Meus olhos estavam ardendo, focados no pequeno espaço que me separava da sala-cozinha. Não havia luz e nem nada que pudesse me ajudar. Respirei fundo tantas vezes que estava me esquecendo que esse ato era simples e me manteria acordada.
Um passo de cada vez, e eu ouvi novamente. Dessa vez a arma não estava tremendo em minhas mãos, dessa vez meu corpo que estava vacilando. Não conseguia engolir a bola em minha garganta nem controlar minha pulsação, deslizei para fora do quarto mantendo meus olhos em alerta, então eu vi sua sombra se formar na parede com a luz da noite.
Abafei o som vindo do meu peito.
No três, Bella. Contei mentalmente quando o vi se aproximar, 1...2... me joguei para fora da parede.
Minha garganta se fechou, manchas pretas estavam se formando em minhas vistas, mas nunca me senti tão firme em toda a minha vida. A arma estava apontada a mim, mas dessa vez foi diferente, todo o espaço parecia se fechar conforme meu cérebro formava aqueles olhos em minha cabeça.
–Bella.
Tudo o que passava em minha cabeça era: eu já tinha passado ao inferno e sobrevivi. Tinha que lidar com a volta – por todos os lados.
–Viva...
Atirei.
Eu atirei em Edward, mas sabia que não havia acertado, era só o meu tempo.
–Viva! -Gritei. –E pronta para arrasta-los ao meu inferno particular.
–Eu não quero atirar em você! –Gritei.
Não conseguia mais ouvir seus passos.
–Está poupando balas?
–Quero que me escute.
Não!
–Quero que vá para o inferno.
–Eu vou, depois que me escutar.
Atirei até minha arma descarregar, Jacob havia deixado a sua, saltei por cima do sofá a puxando ao lado da TV. Edward deslizou para o quarto.
–Eu sei de tudo...
–Um pouco tarde!
–As coisas mudaram...
–NÃO PARA MIM, CULLEN! VOCE ME MATOU!
Eu preciso sair daqui!
–Você quer me mandar para o inferno, mas eu já estive lá!
Uma risada escapou.
–Que se dane! Vai ser o meu momento. Ninguém vai sentir o que eu senti! Não vai ser o suficiente para o que foi me tirado!
–Você não me odeia!
–É bem mais do que isso, Edward. Muito mais. E não é só por mim, é pelo meu filho!
Fechei os olhos tentando conter minha respiração, mais rápido do que pensei ele estava em cima de mim fazendo a arma deslizar para longe.
–Agora, você vai me ouvir.
–Não tão rápido. –Levantei minha perna o acertando. Suas mãos se fecharam em meus pulsos e pude ver as cores mudando em seu rosto.
Minha cabeça nunca doeu tanto quando o acertei, dessa vez ele caiu para o lado e consegui empurrar seu corpo. Tentei focar a arma, mas ainda estava tonta e foi o tempo suficiente para me puxar pelo tornozelo. Minha única de escapar estava longe de ser corpo a corpo.
Cravei as unhas em seus ombros e seus braços me apertaram, o ar estava ficando preso em metade do meu corpo, mas eram seus olhos que estavam me matando.
Eu não sabia o que estava vendo.
–Isso vai acabar... mal! — Raspou seus lábios nos meu. –E eu quero consertar essa merda toda! –Seus lábios se fecharam nos meus, mordiscando. Uma mão me soltou se fechando em meu cabelo meu puxando para ele. Me obrigando a permanecer ali.
Tentei acerta-lo novamente com uma cabeçada, mas seu corpo me prensou contra o sofá. Ele não queria me machucar, queria me parar – ele não podia. Eu não podia parar.
–Todo esse tempo! –Raspou – Você estava viva!
–Não, Cullen. –Tentei respirar. – Eu estava morta. E ainda estou. –Soquei suas costelas. Um grito escapou de sua garganta.
Estava sobre ele agora, obrigada minhas mãos a se manterem firmes em volta de seu pescoço, mas algo dentro de mim me alertava que não era nem metade do que eu queria – e ele poderia parar isso.
–Sabe como um segredo nunca é revelado, Cullen? –Suas mãos se fecharam em meu cabelo me puxando para perto. –Quando uma das partes morre.
–Você... não vai... me matar. –Meus pulsos estavam perdendo as forças, pareciam estar sendo quebrados em mil pedaços.
O acertei com outra cabeçada e dessa vez o sangue escorreu por seu nariz, meus pulsos estavam livres. Toda a minha raiva estava sendo posta em minhas mãos enquanto o socava com todas as minhas forças.
Consegui me equilibrar e sair de cima do seu corpo, senti a arma em meus pés, minhas mãos foram mais rápidas dessa vez. Edward estava de pé. Por um longo tempo tudo o fazíamos era esperar uma reação e no seu primeiro movimento, eu atirei.
Eu atirei.
Edward estava no chão.
EDWARD
–O que aconteceu com você? -Jasper estava gritando.
Eu não me lembro de como consegui chegar em casa, mas eu estava em casa. Estavam todos lá.
–Edward, você levou um tiro.-Felix estava tirando Jasper da minha frente. –Vão pegar alguma coisa para isso! Agora.
–Ela está viva. –Minha voz não era nada.
–Quem Edward? –Jasper estava na minha frente novamente.
–Bella. Bella está viva, ela atirou em mim ... estou assim porque tentei ... para-la.
–Edward, você...
–Não estou louco. –O encarei. –Bella está com Jacob. Viva. Só... não é a Bella... a mesma Isabella.
–Voltem ao trabalho. –Felix mandou.
Tudo o que tentei manter comigo estava desabando agora, eu já não sentia mais a dor. Só queria acordar, o que era para ser bom estava se tornando insuportável.
–Vamos cuidar disso e você vai explicar o que aconteceu.
–Ela esteve com John, ela foi atrás dele e tirou coisas que precisava. Ela está nos entregando, como eu não sei, mas é ela. –O encarei. –E vai chegar a mim, porque é isso que ela quer. Não... vamos lidar com a Bella. Ela é outra pessoa, esta atirando para matar.
–Ela está, confusa...-Jasper tentou.
–Não! Ela está nos odiando. Ela vai morrer, tentando, Jasper! Você não percebeu que ela atirou em mim? Ela queria machucar. Ela está machucada.
–Onde ela está?
–Eu não sei, acordei sozinho. Ela pode estar em qualquer lugar.
Pronta para me atacar.
–Eu vou arrancar a cabeça de Heidi, com minhas próprias mãos. –Era a única certeza que eu tinha.
Felix e Jasper trocaram um olhar.
–O que aconteceu?
–Edward.... Heidi fugiu.
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