Sob a Máfia
19 18
Notas iniciais
BELLA
–Pegue apenas o que você vai usar.-Rose me passou a mochila.- Já fizemos isso antes, não é tão assustador.
–Para onde vamos?
–Eu não sei, eles não disseram nada perto de Emmett.
–Phill é esperto.-Fechei minha mochila.-Eu não acredito que ele vá confiar tão cegamente em Edward. Mesmo que ele o idolatre, eles são inimigos naturais.
–Edward é mais esperto, ele vai usá-lo e depois entrega-lo a polícia.
–Estamos tratando de uma subtração. Edward e Phill, Edward e polícia, cabeça de Phill.
–Exatamente.
Me sentei segurando a cabeça.
–Você não acha que depois de preso ele vá entrega-lo?
–Estamos jogando as cegas, tudo é possível. Mas essa parte do mundo deles, eu não sei como funciona. E de verdade, eu não quero mais saber.-Rose jogou a mochila no chão ao lado da minha.
Desde a interrogação de Emmett ele me fez prometer que cuidaria dela, não era bem cuidar, passávamos o tempo juntas a maior parte dele durante a última semana. Rose estava dormindo no meu quarto em um colchão que ela arrastou para cá, as vezes a pegava sonhando, as vezes sorrindo ou chorando. Era tão diferente da garota que eu quis matar um tempo atrás.
–Obrigada.-Murmurou depois que apaguei a luz mergulhando na escuridão do quarto.
–Pelo que?
–Me mostrar o meu lugar.-Sorriu baixinho.
Abafei o riso.
–Pensei que fosse a garota da máfia.
–Eu também, mas acho que meu único objetivo aqui foi encontrar o meu mafioso.-Sorriu.-E não é Edward como pensei.
Me joguei de lado a encarando no chão.
–Você realmente gosta dele?
–No começo sim, agora eu acho que eu o amo. Sei, parece meio absurdo, mas o que eu tinha com Edward era posse e não amor.
–Isso é bom?
–Sim.-Suspirou.-Emmett vai me tirar daqui e vai sair da máfia. Acredita que ele estudou em Yale?
–Emmett?
–Sim, os pais deles são da Espanha e ele morou aqui com os tios. Ele conheceu Edward em uma feira na universidade. Ele disse que saindo disso tudo ele vai conseguir um emprego fácil e eu não vou precisar voltar para casa.
–Ele quer que você more com ele?
–Sim.-Falou eufórica.-Ele disse que eu não preciso ter pressa de nada, ele meio que acha que eu não gosto tanto dele assim.
–Por que não diz a ele que gosta?
–Porque ele me trata como se eu fosse a única coisa que importasse pra ele. Ninguém nunca me tratou assim, Bella. Mas no fundo ele sabe que o já amo.
–Eu fico feliz por você.-Sussurrei. Senti sua mão tocar a minha e podia ouvir seu riso.
–Obrigada. Vai dar tudo certo, para nós duas.
–Para nós duas.-Repeti antes de me afundar em um sono profundo. Cansada demais para questionar o silencio.
Rose não estava mais no quarto quando acordei, ouvi barulho de carros se afastando e eu sabia que eles estavam colocando o plano em pratica. Não demorei muito para estar pronta, então desci. Emmett estava me encarando sentado em uma das poltronas, Rose acenou para mim, seu rosto vermelho de tanto chorar. Não havia ninguém que eu conhecia ali, além de Edward. Seu rosto estava duro. Duas mãos se fecharam em volta do meu braço.
–O que está acontecendo? –Perguntei.
–Você deveria me dizer?
–Ela armou para você, Bella.-Rose falou.
Encarei os passos pesados na escada e um dos homens de Edward descia segurando um objeto e minha mochila. Edward apenas observava até ele estar a seu lado o entregando.
–Estava na mochila azul.
–Isso não é meu.-Falei.
–Esse é o celular da Heidi, o celular que sumiu misteriosamente das coisas dela. –Edward lutava com as palavras.
–Você acha que foi eu? –Gritei.
Edward se afastou tocando na tela do aparelho, seus olhos cresciam enquanto analisava tudo o que estava nele e por mais que eu quisesse acreditar que era algo contra ela. Eu sabia que não era.
–Como avisado. Aro vai estar formando uma barreira ao norte, Phill já sabe de nosso plano graças a um código que foi passado a ele nos últimos três dias.
–Não fui eu. –Gritei.
Edward sorriu sem humor.
–Bella...
–Me soltem.-Tentei me soltar, mas não consegui. A porta se abriu e outro homem entrou, nos encarou.
–Edward, não temos muito tempo. Precisamos deixar a casa agora.
–Tragam eles.-Edward mandou.
Rose gritou quando foi puxada do sofá e Emmett tentou começar uma briga sendo desmaiado por um dos homens. Edward sumiu, meu coração estava doendo agora de uma maneira diferente. Heidi colocou aquele celular nas minhas coisas, ou ela ou alguém. Alguém ali dentro.
Fomos colocados em uma van, Emmett apertou Rose em seus braços repetindo várias vezes que tudo ia ficar bem depois que acordou. Mas vendo que agora estávamos sendo os traidores, não parecia que as coisas estavam indo em uma boa direção. O carro começou a andar e ficamos nele por quase duas horas. Quando as portas se abriram, Emmett foi puxado para fora e a porta se fechou.
–Bella, nós vamos morrer. –Rose me encarava assustada.
–Não.
–Vamos sim.-Sua voz era tremula.-Nós vamos morrer porque ele acha que traímos ele. Eu estou com medo.
A abracei.
–Não, vai ficar tudo bem. Emmett disse que vamos ficar bem, confie nele.
–Edward está muito bravo, a polícia pode pega-lo...-Choramingou.-Podem machucar o Jasper, podem acabar com tudo e ele vai nos culpar. Mas foi ela, eu sei que foi ela.
–Eu também sei, ela está o manipulando, mas não somos nada perto dela. Isso torna tudo mais difícil.
–Você devia ter atirado nela.-Socou o chão. Segurei suas mãos a mantendo em meu abraço.
–Sim, eu devia. –E me arrependia por isso.
Sua respiração ficou mais lenta.
–Essa manhã, eu disse que o amava. Ele sorriu e disse que pensou que nunca ouviria isso.
–Ele vai ouvir muitas outras vezes. Eu sei que vai.
A porta se abriu muitas horas depois, estávamos com cede e fome. Um dos homens de mais cedo puxou Rose para fora a fazendo cair antes mesmo de pisar no chão, ela grunhiu, mas se levantou sendo arrastada para o nada. Estávamos em um galpão, era grande cheio de caixas espalhadas por todos os lugares. Eu não sabia onde estávamos, mas era longe.
Laurent segurou meu pulso, não era apertado e seu olhar era um enorme pedido de desculpas. Eu não odiava esses caras, os que eu conheci, eu não odiava nenhum deles como odiei esses vermes que Edward trouxe com ele. Laurent me levou até um canto onde um cano não ia mais do que cinco metros.
–Me desculpe.-Murmurou quando fez-me abaixar e vi as algemas.
–Não.-Me afastei.
–É só para você não fugir.
–Eu não vou fugir, Laurent.-Supliquei.
–Eu sinto muito.
Em seu primeiro momento de distração eu corri. Não sabia para onde estava indo, e ele não fez nenhum barulho que chamasse atenção e alertasse minha fuga. Apenas corri me decidindo que caminho tomar assim que passava por ele. Mas não consegui ir muito longe. Eu paro quando ouço várias armas sendo desarmadas apontadas para mim, meu coração passou a bater em meu cérebro. Incluindo Peter e Edward, meus ombros cederam porque eu não ia a lugar algum. Laurent apareceu segundos depois, mas ele não me levou dessa vez, era um dos novos homens de Edward que me arrastava para onde eu devia estar presa.
Meus pulsos estavam doendo, me debati tentando me soltar, gritei por Rose ou por Emmett, mas eles não me responderam e eu vi a noite cair. Meu estomago estava doendo, era uma dor semelhante a cólica um pouco mais forte do que ela e me curvei respirando fundo. Já havia ignorado a dor de cabeça e a dor nos ossos, quando os passos se aproximaram, meus olhos se mantiveram abertos.
Edward parou a pouco metros, as mangas da camisa levantadas e alguns botões abertos. Seus olhos eram fundos e baixos, ele não me olhava com ódio como esperava, apenas me olhava como se fosse cair ali e não se levantar nunca mais. Esperei que atirasse em mim, a arma estava em sua mão. Eu conheci um lado de Edward que não possuía nenhum sentimento para mim, então eu sabia de tudo o que ele era capaz. Fechei os olhos e esperei, mas se passou um tempo e ele estava sentado no mesmo lugar, abraçando os joelhos.
–Vai embora.-Mandei.-Ou me mate.
–Cale a boca.
–Vai embora ou me mate.-Repeti e repeti várias e várias vezes.
Edward se levantou vindo em minha direção, gritando e socando a parede fazendo meu corpo se curvar. Ele xingava, socava e gritava e tudo o que se ouvia era o eco de sua voz, sua respiração esta pesada quando seus joelhos cederam a minha frente.
–Essa merda machuca.-Murmurou.-Você não sabe o quanto isso machuca.
–Não dói tanto quanto dói em mim.
Lagrimas desciam em seu rosto.
–Poderia ser diferente.
–Não.-Me encarou.-Eu tentei te proteger e você me traiu, duas vezes. Você levou isso para o seu plano... você ignorou tudo! Tudo o que eu te disse! –Gritou.
–Você acha que eu te trai? — Sorri.-Olha para mim, Edward. Eu não te abandonei quando devia, nem te destruir quando eu podia. Porque eu amo um covarde, um maldito covarde!
Sua mão se fechou contra meu pescoço e seus lábios passearam contra os meus quando urrou.
–Eu não sou covarde! Eu não sou.
–Você é! -Tentei afasta-lo, mas eu estava presa.-Eu sabia que no fim seria você a me matar. Um pressagio ou uma certeza?
–Edward.-Uma voz soou atrás de nós. Eu sei que posso vê-lo, mas eu não desvio meu olhar de Edward.-Precisamos ir agora.
Edward o encarou sem dizer nenhuma palavra, percebi os nós de seus dedos machucados. Então estávamos sozinhos novamente. Suas mãos seguraram meu rosto, me encarando, estudando ou até memorizando antes de se chocar contra mim. Doeu quando seus lábios sugaram os meus, doeu quando me beijou de verdade, onde eu queria masoquistamente toca-lo, mas minhas mãos estavam presas. Podia ouvir seu grunhir passando por cada terminação nervosa de seu corpo antes de se chocar em nossas línguas. Doeu quando ele simplesmente se afastou. Esse era o seu até logo, antes de decidir a minha vida.
Mas eu havia morrido muito antes dele se decidir.
EDWARD
Algumas horas antes
–Felix! –Gritei.
Jasper estava incomunicável a minha frente. Ele não queria acreditar tanto quanto eu, mas o cerco havia se fechado.
–O que aconteceu?
–Recue as áreas, precisamos de todos os homens agora. Até o dia amanhecer precisamos deixar a casa.
–Por que?
Virei o computador a ele. Estávamos sendo rastreados, Aro sabia do nosso esquema.
–Isso não pode estar acontecendo, porque...
–Um código de rastreamento foi liberado daqui. E sei que não foi vocês.
–Quem seria?
Jasper me encarou;
–Ela.
Felix se aproximou.
–Ela quem, Edward?
–Isabella Swan.-As palavras queimaram em minha língua. –Recebi um alerta de nosso informante. Aro recebeu todo o plano em um código que apenas quem trabalha na corporação poderia enviar. Foi um alerta dela.
–Edward...
–QUE DROGA! PORQUE QUEREM DEFENDE-LA? QUEM DE NÓS PODERIA SER SE NÃO ELA? QUEM TEM UM MALDITO DOSSIE A SOLTA CONTRA MIM? E ELA!
Minha cabeça estava explodindo, se esse era o fim, ela iria comigo até o fim dele. Não queria acreditar que ela havia feito isso, mas era a única com experiência ali. Era a única que a polícia poderia confiar. Tê-la trago comigo havia sido meu maior erro, mas eu estava disposto a correr todos os riscos. Faze-la me entender quando eu me livrasse de Phill. Faze-la ficar, mas eu acabei com ela quando a deixei uma vez, não deveria esperar outra coisa além de seu ódio por mim. Não poderia esperar que ficasse do meu lado. Ela não ficaria.
Agora
–Vamos desviar a atenção. Nos dividimos bem, então assim que pegarmos Phill, voltamos ao galpão. –Marcus avisou.
Precisei recrutar novos homens, Felix não estava muito feliz com isso, mas havia sido preciso. A polícia invadiu o casarão assim que saímos, agora eles sabem que tem um problema maior do que imaginavam.
–Você vai cair fora assim que voltarmos.-Avisei Jasper.
–Não.-Retrucou.
–Eu sei que quer confiar nela, mas fomos entregues. O celular de Heidi estava nas coisas dela. As mensagens partiram dela diretamente para o sistema de segurança da polícia e fomos rastreados.
Jasper respirou fundo e não disse nada.
–Eu vou tira-lo daqui e vou resolver isso. São meus problemas.
–Ela também me deve explicação e eu quero ouvi-la.
–Isso não vai acontecer.
Eu sabia como estava se sentindo. Eu me sentia exatamente igual, e queria acordar do pesadelo assim que possível. Porque eu amava a mulher que havia me entregado, duas vezes.
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