Passos lentos ecoaram sobre o chão molhado, reverberando pelas paredes úmidas. A iluminação fraca lançava sombras distorcidas ao redor da imensa câmara.

— Você demorou, Naruto. — A voz pesada da raposa ressoou pelo espaço.

Naruto sorriu, parando diante da cela.

— Foi mal, parceiro. Você está bem?

Kurama estava deitada logo atrás das grades, os enormes olhos vermelho-sangue fixos no pequeno humano à sua frente. Um bufo irritado escapou de suas narinas.

— Você parece ridículo. Pensar que o Nanadaime Hokage agora é um pirralho fraco…

Naruto coçou a nuca, rindo sem graça.

— Você tem razão. Estou realmente fraco agora. Minhas habilidades físicas não chegam nem a um por cento do que eram, e meu chakra está uma bagunça. Se o Madara aparecesse agora… estaríamos ferrados.

Ele suspirou, então atravessou as grades e se sentou tranquilamente sobre uma das patas da bijū.

— Tsk… não diga o nome daquele maldito. Vai me dar náusea. — resmungou Kurama, desviando o olhar. — E não esqueça desse selo irritante. Enquanto ele estiver intacto, só posso te emprestar o equivalente a uma cauda.

Naruto assentiu.

— Eu sei. Mas não posso mexer nele agora. Posso ativar o selo de segurança que meu pai deixou.

— Hunf! Não tenho a menor vontade de ver aquele idiota afeminado do Yondaime outra vez!

Naruto riu alto.

Ele sabia que, por trás do temperamento explosivo, Kurama era apenas… complicada.

— Vamos esperar um pouco. O Ero-Sennin deve aparecer em uns seis meses. Aí eu refaço o contrato com os sapos e pego a chave com o Gamajii.

As caudas da raposa bateram irritadas contra o chão.

— Contrato com aqueles sapos nojentos de novo? Você podia procurar um contrato melhor. Raposas são muito mais elegantes em combate!

Naruto piscou, surpreso… e então caiu na gargalhada.

Kurama realmente não tinha mudado nada.

A risada de Naruto diminuiu aos poucos. Seu sorriso se desfez, dando lugar a uma expressão mais séria.

— Nee, Kurama… você sabe como acabamos aqui?

A raposa o observou pelo canto dos olhos antes de suspirar.

— Não faço ideia. Naquele momento, eu tinha me isolado da sua psique.

— Ahm? Nande?

Kurama soltou um suspiro audível.

— Você e a Hyūga estavam prestes a… fazer certas coisas, não estavam? Você sabe muito bem que eu não fico olhando nessas horas.

Naruto bufou, mas um sorriso torto escapou.

— Justo.

Ele expirou lentamente.

— Então não temos nenhuma pista… só nos resta seguir em frente.

— O que foi? Está pensando em desistir?

Naruto soltou uma pequena risada.

— Haha… claro que não. Eu nunca desisto. Esse é o meu nindō.

Ele inclinou a cabeça, o sorriso voltando — agora com um toque travesso.

— Mas vou ter que esperar mais uns quatro anos pra ver a Hinata naquela camisola de novo…

Kurama bufou.

— Ero-ahou.

Naruto riu.

— Maa… sou discípulo do Ero-Sennin.

Naruto sorriu, fechando os olhos enquanto deixava sua consciência emergir de volta à superfície.

Quando tornou a abri-los, estava novamente na sala de aula — agora quase completamente vazia. Apenas Sakura e Sasuke permaneciam ali.

Ele soltou um suspiro e se espreguiçou.

Seu olhar caiu sobre o relógio na parede.

Já passava das cinco da tarde.

Kakashi não deveria demorar muito mais.

— Che… finalmente acordou. — resmungou Sakura, lançando-lhe um olhar irritado.

Claramente, ainda estava brava com o que acontecera antes.

— O sensei ainda não chegou, então não faz diferença. — respondeu Naruto, dando de ombros enquanto se levantava.

Ele começou a vasculhar sua bolsa de equipamentos até encontrar o que procurava: um pequeno frasco de tinta e um pincel.

Aquilo era considerado material básico para mensagens e relatórios em missão.

Para Naruto… tinha outra utilidade.

Um sorriso malicioso surgiu em seus lábios.

Ele mordeu o próprio dedo até abrir um pequeno corte e deixou algumas gotas de sangue pingarem dentro da tinta.

Então caminhou até a porta.

Mergulhou o pincel no frasco, canalizou uma fina camada de chakra… e começou a escrever.

No chão.

No batente.

Na parte superior da porta.

Na própria porta.

— Naruto! O que você acha que está fazendo?! — exclamou Sakura, horrorizada ao vê-lo, no que parecia ser puro vandalismo.

Naruto riu baixo, sem parar o trabalho.

— É falta de educação chegar tão atrasado… — disse, pegando o apagador do quadro e posicionando-o cuidadosamente sobre a porta. — Então vou ensinar uma lição ao nosso sensei.

— Hunf! Não me culpe quando você for castigado! — declarou Sakura, apesar do brilho claramente curioso em seus olhos.

Sasuke também observava tudo com atenção.

O apagador era ridiculamente óbvio. Um jōnin de elite jamais cairia em algo tão infantil. O que realmente o intrigava era o fato de o loiro ter escrito nos quatro lados da entrada.

— Isso não vai funcionar — disse, olhando para Naruto com desprezo. — Nosso sensei é um jōnin de elite. Alguém assim nunca cairia numa pegadinha tão idiota.

— Maa… só observa — respondeu Naruto, afastando-se alguns passos da porta. Não pretendia ser atingido também.

Sasuke e Sakura encararam a entrada… talvez com mais expectativa do que o próprio loiro.

Passos ecoaram do lado de fora.

Todos prenderam a respiração.

Uma mão surgiu pela fresta.

A porta foi empurrada.

O apagador caiu — poc — bem no topo dos cabelos prateados.

Um segundo de silêncio absoluto…

BOOM! BOOM! BOOM! BOOM!

Quatro explosões simultâneas ecoaram ao redor da entrada.

Uma nuvem de glitter laranja neon tomou o ar. Tinta rosa choque espirrou por toda a sala. Penas de galinha voaram em todas as direções. E uma gosma verde brilhante, de origem altamente suspeita, se espalhou pela porta e pelo chão.

Sasuke e Sakura encararam o caos diante deles, expressões de choque e horror em níveis diferentes.

Naruto não aguentou.

Uma gargalhada alta escapou de seus lábios.

Fazia tanto tempo desde a última vez que pregara uma peça em alguém… era quase terapêutico. Não era à toa que sempre deixava Boruto fazer suas pegadinhas — desde que limpasse tudo depois. Ele sabia muito bem o quanto aquilo fazia bem.

— Hahaha! Você mereceu, sensei! Não se atrase tanto da próxima vez! — disse entre risadas.

— Vou manter isso em mente.

Sasuke e Sakura congelaram.

Viraram-se lentamente.

Naruto apenas sorriu, olhando por cima do ombro.

Kakashi estava ali.

De pé no batente da janela. Impecavelmente limpo. Seu único olho visível fixo no responsável pelo desastre colorido.

— Como…? — murmurou Sasuke, virando-se para a porta.

No lugar onde Kakashi deveria estar, havia apenas um pobre tronco substituto coberto pelo caos multicolorido.

— Kawarimi no Jutsu…?

Naruto sustentou o olhar do jōnin.

— Nada mal, sensei.

— Você também não é nada mal — respondeu Kakashi, o olhar agora calculado. — Vocês dois, subam até o telhado. Naruto, limpe tudo e depois vá se juntar a nós.

Assim que terminou de falar, desapareceu em um redemoinho de folhas.

Sasuke encarou o ponto onde Kakashi havia desaparecido, depois voltou o olhar para o loiro.

Naruto apenas sorria, como se tudo não tivesse passado de uma brincadeira infantil.

Após observá-lo por um longo minuto, Sasuke simplesmente virou as costas e saiu, desviando dos resquícios do caos colorido.

— Sasuke-kun! Me espera! — gritou Sakura, correndo atrás dele.

Naruto soltou uma risada baixa antes de se espreguiçar. Em seguida, formou o selo do Tigre.

Três clones surgiram ao seu lado.

Ele não precisou dar ordens.

Os clones começaram a limpar a sala imediatamente, trabalhando com eficiência impressionante.

Com tudo resolvido, Naruto saltou pela janela, concentrando chakra nas solas dos pés para aderir à parede externa.

Seu pé escorregou por um instante, mas ele ajustou o fluxo rapidamente.

Não era tão fácil quanto antes… mas ainda se lembrava da quantidade exata de chakra necessária para caminhar em superfícies verticais.

Subindo pela parede, alcançou o telhado antes mesmo de Sasuke e Sakura chegarem.

Kakashi estava encostado na grade de proteção, segurando um exemplar de Icha Icha.

Seu olhar ergueu-se imediatamente quando Naruto apareceu.

— Já limpou tudo aquilo? — perguntou, voltando os olhos para o livro.

— Sim. Está tudo resolvido.

Kakashi não respondeu.

Mas também não estava realmente lendo.

Seu único olho visível permanecia fixo no loiro.

Kakashi virou lentamente a página… sem desviar o olhar do loiro.

Naruto sentou-se no degrau à sua frente, braços atrás da cabeça, exibindo seu sorriso despreocupado.

— Engraçado… — disse Kakashi calmamente. — Sua ficha não menciona nada sobre fuinjutsu.


Notas finais
Obrigada por ler 💛 Comentários fazem meu dia 💛 Até o próximo capítulo 🌙✨