Sob a Mesma Lua, Outra Vez
1 De Volta ao Começo
Naruto entrou em casa arrastando os pés, fechando a porta com um suspiro pesado.
Tinha sido um longo dia. Seus clones cuidavam da maior parte da papelada, mas sempre restava trabalho que apenas o Hokage podia fazer — reuniões intermináveis, decisões difíceis, pessoas que dependiam dele.
Tudo o que queria agora era um banho quente, a comida da Hinata e alguns minutos de paz.
Talvez, depois disso, ainda tivesse energia para passar um tempo com Boruto e Himawari. Fazia tempo que não ficavam juntos de verdade. Eles estavam crescendo rápido demais. Mais um ano e Boruto já seria um shinobi. Himawari o seguiria poucos anos depois.
"Talvez eu possa levá-los ao Ichiraku na próxima folga…"
Ele se abaixou para tirar os sapatos.
— Okaeri, Naruto-kun.
Naruto ergueu o rosto — e congelou.
Hinata estava parada no corredor, iluminada pela luz suave da casa… usando uma camisola leve e semitransparente que ela sabia perfeitamente que o deixava sem palavras.
Ele engoliu em seco.
— T-tadaima… Boruto e Himawari? — perguntou, lutando visivelmente para manter os olhos no rosto dela.
— Estão no complexo Hyūga, com chichiue e Hanabi — respondeu ela, um sorriso divertido curvando seus lábios ao perceber o esforço do marido para olhar em seus olhos, ao invés de seu corpo.
Naruto deu um passo à frente, envolvendo a cintura de Hinata com firmeza e puxando-a para si. Seus corpos se encaixaram naturalmente, como se fosse o lugar mais óbvio do mundo. Ele a pressionou suavemente contra a parede, inclinando o rosto até que seus narizes se tocassem.
— Então… quer dizer que eu não preciso me segurar? — murmurou, a voz baixa e rouca.
Hinata sentiu o coração disparar, mas não desviou o olhar. Pelo contrário, aproximou-se um pouco mais, suas mãos repousando no peito dele.
— Não precisa… Naruto-kun.
Um sorriso suave e determinado surgiu em seus lábios.
— Eu quero você.
Seus lábios se roçaram, a milímetros de um beijo — quando o mundo ao redor pareceu se torcer e desmoronar.
Foi como ser puxado para dentro de um redemoinho. O chão desapareceu. O ar sumiu de seus pulmões. Tudo girava rápido demais.
Então… parou.
Naruto piscou, atordoado.
Ele não estava mais em sua casa.
Não estava mais prestes a passar uma noite com sua esposa.
Ele estava sentado em uma carteira dura de madeira.
Uma sala de aula.
À sua frente, Iruka — muito mais jovem do que ele se lembrava — estava parado diante da turma.
Ao seu lado, para seu absoluto horror, uma Sakura ridiculamente jovem vibrava na cadeira.
— Time 7: Uzumaki Naruto, Haruno Sakura, Uchiha Sasuke! — anunciou Iruka.
— YAAAAAAAY! — Sakura comemorou ao lado dele, apertando os punhos com entusiasmo.
Naruto não conseguiu reagir. Apenas encarou o professor, pálido.
"Mas que merda aconteceu, dattebayo?!"
Um pequeno guincho familiar chamou sua atenção.
Naruto virou-se — e a viu.
Tão pequena. Tão jovem.
Ainda com o cabelo curto e as roupas largas que escondiam completamente o corpo que ele conhecia tão bem.
Hinata estava de pé, Byakugan ativado, as mãos pressionadas contra os lábios como se tentasse conter um grito.
Seus olhos se encontraram.
O Byakugan se desfez imediatamente.
Pânico puro tomou o rosto infantil de Hinata enquanto ela o encarava, como se procurasse desesperadamente por respostas.
— Aconteceu alguma coisa, Hinata? — perguntou Iruka, voltando-se para ela.
Hinata desviou o olhar às pressas.
— D-daijoubu… — gaguejou, algo que ela não fazia havia anos, antes de se sentar novamente, rígida demais para alguém que alegava estar bem.
Naruto apertou os punhos sobre a carteira, as mandíbulas cerradas enquanto se obrigava a encarar Iruka.
Sua mente era um caos.
O que diabos era aquilo?
Genjutsu?
Alguém tinha conseguido lançar o Mugen Tsukuyomi?
Não… impossível.
Nos poucos segundos de pânico, Hinata ativara o Byakugan — e não demonstrara qualquer sinal de estar presa a uma ilusão.
Aquilo era real.
Frio percorreu sua espinha.
Ele não sabia como. Não fazia a menor ideia de quem ou o quê poderia ter feito aquilo.
Mas uma coisa era certa.
Ele e Hinata tinham sido jogados de volta no tempo.
Dir
eto para o dia em que os times genins seriam formados.
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