BELLA

Passei a madrugada em claro. Em uma semana consegui descobrir que a polícia estava dando proteção aos meus pais, assim como meus amigos. Então pela margem não parecia ser um problema. Eu achei Phill, e ele iria até minha armadilha, era perigoso e arriscado, mas passei por perigos o suficiente para saber do que eu deveria ou não fazer.
Deixei meu apartamento às duas da tarde e aluguei um carro, passei uma hora inteira observando cada movimento na entrada do restaurante principal no centro da cidade. Nosso último contato havia sido uma mensagem ansiosa por me ver. Eu não conseguia evitar toda a raiva que sentia no ultimo mês. Eu já não me importava muito com o que ia acontecer, se sairia viva ou não.
Já estava morta para todos os efeitos. Meu relógio apitou, cinco da tarde, o movimento começou a aumentar, então deixei o carro e atravessei a rua entrando no estabelecimento lotado. Segui para nossa mesa assim que me foi indicada, um calafrio passou por todo meu corpo depois que me sentei. Estamos em um lugar cheio, apenas relaxe.
Encarei a porta uma segunda vez, quando o vi entrar. Phill entrou com um sorriso encantador para hostess e seguiu para nossa mesa assim que me viu. Senti a arma pulsando entre minha saia, eu poderia sair dali morta, mas ele sairia comigo.
–Isabella, você realmente é encantadora. -Sua voz ecoou.
–Phillipe Dill, famoso traidor federal. -Sorri.
Seu sorriso é nojento.
–Um belo lugar para um encontro.
–Cheio. -Afirmei.
–Está sozinha ou isso é um blefe?
–Sozinha.
Phillipe passou os olhos pelo salão.
–Certo, estamos trabalhando com moedas de troca. Eu quero a cabeça de Edward e você quer sua liberdade, podemos tratar disso agora.
–O que tanto quer com ele, além do poder?
–Quero ele a sete palmos do chão.
–Por quê?
–Ele está aqui. -Fez um gesto com a mão. -E eu estou aqui. -Levantou a outra mão um pouco abaixo. -Edward matou os meus melhores homens e tentou me matar. Ele lidera máfias que eu quero para mim e só conseguirei isso o tirando do caminho.
–Você tem um esquema sujo com a polícia.
–Não é o suficiente, as outras máfias veem isso como dependência. Edward por sua vez não depende de nada disso. Ele é como um rei, mesmo não sabendo disso. Ninguém o enfrenta de frente e te colocar nessa foi a única maneira de fazê-lo aparecer. Já tiramos todos os que ele amava do caminho, mas com você as coisas foram mais profundas, entende?
O encarei.
–É o alvo mais fácil e até estranho ele sentir mais por alguém que não é do seu sangue do que por aqueles que tem o seu sangue.
–Você vai matá-lo?
–Depois dele me dizer tudo o que eu preciso. Você acha que roubar o governo te deixa rico, é porque não conhece o mundo que vivemos.
–Edward tem muitos homens.
–Eu sei. Por isso você será muito útil.
Encarei a saída.
–James. -Perguntei. -Você o colocou lá para me matar, não é?
–Ele estava lá desde o começo e você nunca nos disse nada. Eu não acreditei realmente que ele iria se casar com você, eu tinha certeza que Edward não deixaria. Dimitri nos disse que mesmo que você tivesse sido libertada, Edward nunca a deixaria realmente. Era esse o plano no dia do seu casamento se eu não tivesse ameaçado a minha presença. Se não for alguém aqui fora, será ele.
–Ele teria me matado antes, não acha?
Phill bufou.
–Você passou por muitas coisas para ainda ser ingênua, Bella. Edward te torturou, então deixe de acreditar nos contos de fadas e foque no primeiro encontro. No quanto você sofreu, isso a gente nunca esquece. Pessoas inteligentes não esquece pelo menos. Bufou.
–O que você quer realmente?
–Localização, quero me leve até ele.
–E depois?
–Você estará livre.
...não se engane que eles irão apenas matá-la, eles irão torturá-la até que conte tudo. Matá-la será apenas o bônus.
–Por quê?
–Porque eles sabem que vão me ferir dessa maneira...
O encarei.
–Quem me garante que não terei uma bala em minha cabeça assim que eu sair daqui?
Phill sorriu.
–Tem a minha palavra, você tem motivos para entregá-lo e eu tenho motivos para querê-lo. Podemos ser uma bela dupla.
Senti a arma queimar em mim. Entregar Edward me levava a dois caminhos, e eu sabia qual deles iria me ferir mais.
–Você não tem que temer nada, querida. Pense na sua família e na sua liberdade, Edward não traz nada disso a você. Nem a polícia. No momento apenas eu posso ajudá-la e diferente deles, eu cumpro com a minha palavra.
–Preciso de um minuto. -Avisei me levantando. Phill segurou meu braço.
–Dois dos meus homens irão acompanhá-la. -Avisou com um breve sorriso e encarei os dois homens parados a poucos metros.
Assenti retribuindo o sorriso e seguindo para a toalete. Fechei a porta atrás de mim e me encarei no espelho, todo o ar parado em meus pulmões ganharam liberdade. Minhas mãos estavam trêmulas e meu estômago doía. Tirei o celular de dentro do vestido e disquei os três números, era um jogo de morte agora. Ou eles estavam comigo ou contra mim.
–Quero fazer uma denúncia. -Murmurei. -Estou no restaurante Palace no centro da cidade com Phillipe Dill.
–Poderia se identificar? A mulher do outro lado da linha perguntou.
Encarei meu reflexo no espelho desligando logo em seguida. Ouvi o primeiro tiro vindo do lado de fora e encarei a porta, em seguida mais alguns até virar um campo de guerra do outro lado da porta. Os gritos e correria, não havia medo em mim, eu estava apenas esperando alguém chegar. A porta foi aberta e apontei a arma em direção a ela, Edward tinha uma arma em punho direcionada a mim e por um segundo vi alívio em seus olhos.
–Você realmente não tem medo da morte! -Praguejou se aproximando. Seus dedos se fecharam contra meu braço me puxando para fora.
–O que faz aqui?
–Vim ter certeza de que entregaria minha cabeça ao mesmo tempo em que perderia a sua. -Me puxou para o caminho contrário ao que havia feito.
Paramos a um passo da saída, seus olhos vagando por todos os cantos. Meu coração estava me matando.
–Pensei que fosse mais esperta.
–Eu tinha noção do risco.
–Isso não é inteligente droga! -Gritou quando uma bala passou por nós batendo contra a parede.
–Vamos ficar aqui esperando eles chegarem?
–São dois contra um bando.
O encarei.
–Você está sozinho?
Deu de ombros.
–Edward, você está sozinho aqui?
–Não é hora para as perguntas. -Me passou sua arma pegando a minha. -No três, vamos atravessar todo o salão, quero que descarregue essa arma. Pode fazer isso?
Bufei carregando a arma.
–Ótimo. -Resmungou. O ouvi contar até três enquanto esperávamos para saltarmos para fora. Edward passou a frente e os tiros vieram de todos os lados.
Phill não estava mais lá, o procurei em todos os lugares me esquecendo do que havia combinado com Edward a minutos. E seu protesto não foi o dos mais educados. Conseguimos atravessar o salão e o vi ficando para trás por um segundo.
–Para esquerda.
–Eu não vou com você!
Antes que eu pudesse dar um passo para o lado contrário, Edward me puxou com ele e mais tiros se seguiram atrás de nós. Corremos para a rua fechada atrás do restaurante, sua mão ainda estava fechada em meu braço quando me empurrou para a minivan. Alguém atirou a poucos centímetros de seu rosto.
–Desgraçados! -Praguejou se levantando e escorregando para o banco do motorista. Senti sua mão puxando a minha e estávamos presos.
–O que está fazendo?
–Evitando que salte do carro.
–Você está ficando louco?
Ele não me deu ouvidos, apenas pisou fundo no acelerador e deslizou para fora do beco sendo recebido por tiros. Encarei a mancha em seu ombro, estava sangrando. Droga! Ele estava sangrando.
–Você está sangrando?
–Está preocupada com isso? Você ia dar a minha cabeça, o estrago seria bem maior. -Edward não me encarou.
Levamos uns bons minutos para despistar os homens de Phill, e reconheci o beco que estávamos entrando.
–Andou me seguindo?
–Eu falei que ia te achar. Só não sabia que seria em grande estilo. -Me puxou para sair pelo seu lado.
Edward me arrastou para as escadas e a porta rangeu ao ser aberta. Não havia ninguém nos corredores. Ele parou em minha porta e tirou uma chave do bolso. Como ele tinha a minha chave? Assim que passamos pela porta ele a trancou, puxei meu braço o lembrando do pequeno detalhe até estarmos livres. Seus olhos encontraram os meus, mas logo se afastou indo em direção a janela e a fechando. O vi revirar o pequeno apartamento em pouco tempo, apenas o segui então ele estava com as algemas de novo.
–Já brigamos antes, Edward. Não ouse me forçar a isso de novo.
Ele abriu um sorriso.
–O único jeito de sair daqui é pela janela. -Falou se sentando em minha cama gemendo levemente de dor. -Eu te persegui por um bom tempo. -Seus olhos me encontraram. Isso me cansou muito.
–Que pena.
Seus olhos se apertaram por um segundo e suas mãos estavam manchadas agora.
–Por que veio sozinho? -Me afastei pegando a caixa de primeiros socorros embaixo da cama. O encarando de olhos fechados.
–Isso não é da sua conta. -Puxou a manga da camisa. Me aproximei o vendo me encarar. -Mas a essa hora você estaria morta se não fosse por mim.
–Isso é uma dívida?
–Com certeza é.
Larguei a caixa sobre o seu colo e me afastei, mas sua mão se fechou em meu pulso me mantendo no lugar.
–Ele ia te matar e você devia saber disso, porque eu te disse isso.
–Pelo jeito todos querem me matar agora, ele, você, a polícia. Eu quero jogar de igual para igual agora, Edward.
–Não. -Seus olhos escureceram.
–Isso não é você que decide. -Puxei minha mão.
–Jogar de igual significa fugir? -Perguntou. Podia ver as gotas de suor descer por sua testa. Ele estava com dor.
–Também. Se for a única forma de me manter viva.
–Você sabe... -Fechou os olhos. -Que vou arrastá-la de volta sempre que achá-la. Eu vou acorrentá-la no primeiro lugar que eu a encontrar.
Abri a caixa pegando o pequeno vidro de álcool. Edward ainda tinha os olhos fechados respirando devagar. Rasguei sua camisa revelando o sangramento. Foi de raspão, mas um bom tiro. Ele não gemeu de dor quando limpei seu ferimento, continuou de olhos fechados.
Eu não poderia odiá-lo, porque dentro de mim algo me dizia que era impossível. Mas ele não precisava saber.
Assim que tirei minhas mãos de sua pele, seus olhos se abriram e Edward me puxou de volta. Minha mão se apoiou em cima do curativo, mas ele não pareceu se importar, apenas me mantinha presa a ele.
–Edward, me solte. -Pedi.
Ele me encarava com seus olhos profundos, eram os mesmos do começo. Sua mão subiu pelas minhas costas até os cabelos em minha nuca, seus dedos se fechando ali, fazendo pressão contra o meu couro. Podia sentir sua respiração batendo contra meu rosto.
–Você é uma maldita. -Murmurou contra meu rosto. -Você me enganou e me matou! -Falou duro. Havia magoa em sua voz.
Magoa?
–Eu achei que três malditos anos fossem o meu fim até aquele dia. -Seus lábios tocavam meu rosto conforme falava. Tentei me soltar, lutando contra ele, mas Edward ainda me mantinha ali, uma mão em meu cabelo, o castigando, e a outra apertando minha cintura.
Ele estava abrindo a ferida.
–Você nunca me ouve, droga!
–Você nunca me deu motivos.
–Tem certeza? -Segurou meu cabelo me afastando de seu rosto. Seus olhos estavam vermelhos, mas era egoísta demais para derramar uma lágrima. -Você não tem noção do que já fiz.
–Se você sentisse alguma coisa, por menor que fosse Edward, nada disso estaria assim. -O soquei no peito.
–Eu sei que não fez nada! -Gritou. -Mas eu estava com raiva, porque você me causa isso. Raiva que escapa das minhas mãos e eu sinto à vontade esmagadora de fazê-la calar, de lhe causar alguma dor para ver se enxerga as minhas.
Meu corpo estava tremendo, cada pedaço dele estava tremendo e eu não conseguia controlar.
–Durante três anos você era uma maldita garota feliz. Com aquele desgraçado que eu espero que esteja queimando no inferno. -Tocou meu pescoço, seus dedos fechando lentamente ao redor dele me puxando para mais perto até seus lábios tocarem meu queixo.
Me sentia me desfazer em seu colo, mas eu ainda o odiava. Não sabia explicar, mas o odiava lá no fundo de uma maneira diferente. Tudo o que ele me fez passar, me machucava.
–Eu queria vê-la feliz, mas uma parte egoísta de mim queria matar todos que chegassem aos meus pensamentos como certeza de que iriam tocá-la, porque você é minha.
–Não... sou sua.
–Você sabe que é. -Mordeu meu pescoço. -Eu criei um monstro, somos tão parecidos e você sabe disso.
O puxei para trás.
–Eu odeio você.
–Não... em nenhum segundo você me odeia.
–Odeio. -Deixei uma lágrima escapar. -Eu te odeio tanto que dói.
Seus dedos castigavam minha nuca.
–Nós nos machucamos. -Repetiu meus pensamentos. -Mas eu não me importo.
–Eu me importo Edward, porque não posso ser o que você quer que eu seja. Porque não sou uma mercadoria, não sou suas porcarias ilegais.
–Eu não disse que era. -Mordeu meu pescoço e grunhi. -Eu fui um maldito morto vivo aquela noite quando você se matou, quando não confiou em mim. Quando tudo o que eu tive de você era a droga de corpo de gelo. -Sua testa colou na minha. -Porque eu achei que havia a matado aquela noite e isso me feriu, eu vou odiá-la para sempre. E pior que você sumiu, você fugiu de mim.
–Você me dá motivos, o tempo todo... já parou para pensar nisso? Você já tem alguém com quem se preocupar Edward, e não sou eu.
Seus olhos estavam confusos.
–Sua mulher. -Tentei me afastar.
–Eu só tive uma mulher, ela é a única que pode acabar comigo e por um triz ela não fez isso. Ela daria a minha cabeça aqueles desgraçados. Eu devia odiá-la com todas as minhas forças, maltratá-la de todas as formas possíveis e essa vontade queima dentro de mim. O tempo inteiro.
–Por que não faz o que quer? Por que não continua me maltratando?
–Porque isso vai acabar comigo também. -Tocou meus lábios.
Edward me beijou como havia me beijado um dia. E eu não saberia dizer o que estava acontecendo comigo, porque tudo se revirava dentro de mim. Tentei não esquecer os planos de como as coisas seriam, ele nunca deixou minha mente, mas eu sabia que poderia conviver com isso. Ele só precisava se afastar, mas agora, eu não queria isso. Eu o queria, então o beijei até que doesse. Até não haver nada da garota que ele conheceu, seriamos de igual para igual agora.
Minhas unhas arranham seu pescoço enquanto deixei tudo escapar de mim, qualquer controle. Medo ou frustração, toda a raiva que emanava de mim todas as vezes que o olhava. Seus braços me puxaram de encontro a cama e senti um nó em meu estômago me sufocar. Não pense, não agora. Edward tinha o controle sobre mim novamente, uma última vez. Seus dentes prenderam meus lábios com força até sangrar, então os chupou lentamente antes de me encarar. Eu não sabia identificar suas feições, talvez um sorriso tenha surgindo antes de nos mudar de posição e se manter sobre mim.
Senti seus dedos ágeis abrirem minha camisa tão rápida quanto possível, seus lábios em meu pescoço, marcando. Então ele estava em todos os lugares como esteve um dia, me estudando. Eu sentia falta disso, Deus, como eu sentia falta disso. Como doeu sentir falta dele e como doía agora. Seus lábios desceram por meu pescoço, sem parar até chegar em minhas costelas, molhando, sugando. Eu sabia o que ele estava fazendo, senti seus dentes se fecharem na pequena e leve protuberância em volta de meu umbigo e minhas mãos correram para seu cabelo, descendo e arranhando suas costas. Eu queria gritar, mandá-lo parar. Mas era a última vez, antes do tudo ou nada.
Trinquei os dentes em uma ordem para que parasse. Ele voltou lentamente e suas mãos pesavam prendendo meus pulsos.
–Eu vou... Fazê-la se arrepender de tudo. Cada... Dia que me torturou. -Sua voz rouca me paralisou. -Ainda não será o bastante.
–Eu odeio você. -Choraminguei. E ouvi sua breve risada.
–Eu sei. E você sabe.
Então o senti e por alguns segundos todo o ar parou dentro de mim. Suas mãos aliviaram meus pulsos até me reivindicar novamente, éramos um só. Somos ruins um para o outro. O sinto fundo e partes de mim inexistentes passam a existir, seus dedos escovam meus cabelos antes de prendê-los com força colando nossas testas, me fazendo encará-lo. Meu corpo estava pegando fogo, por muito tempo uma agonia me atormentando até seus movimentos voltarem. Lento e rápido, intenso Edward estava em todos os lugares e choraminguei de saudades.
Resmunguei seu nome à beira de um grito. Então ele me calou pressionando os lábios contra os meus.
Sinto minha cabeça espremer meus miolos, minhas unhas arranhando suas costas enquanto tudo dentro de mim se desmontava como uma grande explosão. Seu corpo pressionando com força contra o meu. Forte. Por longos minutos até tudo o que eu conseguisse fazer fosse fechar meus olhos sentindo seu corpo contra o meu.
Uma, duas, três vezes sem cessar. Meu corpo era como uma gelatina e eu tinha certeza de nunca ter sentido isso antes.
Meus dedos ainda estavam fechados em seu cabelo quando senti seu peso aliviar, meus olhos não queriam se abrir e eu não queria me mexer, era como se fios estivessem soltos dentro de mim e fossem entrar em curto só por respirar. Seria de igual para a igual quando ele me levasse de volta, porque tudo mudava quando ele voltava para casa.