Notas iniciais
Temos fic nova : Xeque-Mate passem lá!!!

BELLA

—Felix!

—Estou aqui, princesa.

Abri e fechei meus olhos, ele ainda estava ali. Parado a minha frente, seus olhos ainda me acalmavam. Não era o mesmo Felix, mas era ele. De social, mais arrumado que o normal, mas era ele.

—VOCE SUMIU! – Gritei – VOCES TODOS SUMIRAM E ME DEIXARAM AQUI COM TODAS ESSAS PESSOAS E EU ESTOU ASSUSTADA! MEUS PAIS ESTIVERAM AQUI E EU MAL CONSEGUIA OLHA-LOS, EU NÃO CONSIGO AGIR COMO A PORCARIA DE UMA PESSOA NORMAL PORQUE TUDO O QUE ME FALAM É QUE ESTAO TODOS MORTOS. –Chorei.

Seus braços me envolveram, suas mãos afagavam minhas costas.

—Tente se acalmar, por favor Bella.

—Diz que é mentira, diz que todos estão bem.

—Eu sinto muito.

—Não! –O soquei. –Não sente, ninguém sente. Isso é mentira.

Suas mãos se fecharam em meu rosto.

—Preste atenção, você fez o que era certo.

Neguei.

—Sim, você esta viva.

—Mas ele.... Eu não disse que o amava.

—Ela sabia disso, ele sabe disso. Bella, o que você fez ele não teria feito.

—Eu o deixei morrer. Eu devia ter matado Phill quando eu pude.

—Todos nós devíamos, mas ele esta morto agora.

—Ele esta! MAS ELE O TIROU DE MIM! Edward se algemou nele como segurança, para me salvar. Ele foi tão idiota que eu mesma deveria tê-lo matado.

Felix me abraçou.

—Não vamos te deixar, nunca.

—Jasper? Como ele está?

—Está bem, todos foram embora por um tempo.

Me afastei para fita-lo.

—Como assim?

—Edward conseguiu se salvar, chegamos a tempo de ele ser morto. Conseguimos juntar o que sobrou do nosso grupo, Edward ficou sabendo para onde estavam indo. Por isso ele conseguiu entrar naquele carro, conhecíamos atalhos. O restante de nós ficou para apagar os homens de Phill. Qualquer um vivo era a nossa morte de qualquer forma, a policia só teve o trabalho de limpar a bagunça. Eles precisavam dar um tempo, para o bem de todos.

—Eu quero acordar.

—Vai ficar tudo bem.

—Quando isso vai passar? Quando vai parar de doer?

—Em breve, apenas não se esqueça do plano. Ainda estamos nele ate a policia fechar o seu caso. Você foi sequestrada e eles estavam fugindo. –Suspirou. –A polícia está com perguntas um pouco confusas...

—Eu vou me sair bem.

—Eu sei que vai. Seus pais ainda estão seguros.

—Obrigada.

—Estamos com você, Bella.

—Por favor, não me deixem mais.

—Não vamos. Nunca, chefe.

Bateram na porta.

—Senhorita Swan, seu horário de visita estourou. O delegado Volturi este aí fora e quer vê-la. Iremos leva-la a uma sala, tudo bem?

Felix me fitou e assenti.

—Voltarei em breve.

—Não demore. –Pedi.

Me sentia um pouco pior agora, de forma que minha cabeça não conseguia pensar direito. Felix jamais mentiria para mim sobre Edward, nem sobre nenhum deles e agora eu sei por ele o que tentava não aceitar. Edward estava morto, ele cumpriu com sua palavra e me salvou. Mas eu não queria ser salva, não dessa forma.

Me levaram para outro quarto, me sentia com amigos, mas eu não estava. Da mesma forma que eles acreditariam em você, eles duvidariam também. Mas todas as cabeças estavam mortas, eu iria ocultar o fato de ter matado algumas pessoas – mesmo em legitima defesa. Eu teria de contar sobre elas e o porquê de tudo. Não queria nada, absolutamente nada.

—Bella. –Leah chamou. –Está tudo bem?

—Sim... só um pouco cansada.

Leah arrumou os gravadores, disse que havia repórteres do lado de fora e talvez alguns privilegiados teriam nossa conversa depois.

—Aro?

—Ele não virá, seremos apenas nos três. –Apontou ao psicólogo no canto do quarto.

Assenti.

—Bella, pode me contar o que aconteceu desde que foi sequestrada a quase um ano atrás?

Encarei as marcas da algema em meus pulsos.

—Foi tudo uma armação.... Eu achei que estava indo me casar com o homem da minha vida, mas James tinha um plano. Eu trabalhava para polícia e sabia muita coisa, então me fazer acreditar que ele me amava e que seriamos felizes era a forma mais fácil de me tirar tudo. Eu contei a ele boa parte da minha vida... porque eu confiava nele.

Leah estalou os dedos.

—Para onde foi levada depois do ataque em seu casamento?

Todas as imagens de Edward naquela primeira semana se chocaram em minha cabeça. Eu só queria gritar para que parassem de correr tão rápido.

—Acordei em uma casa, eu não sei onde fica.... Me deixavam em um quarto. Alguns homens ficavam comigo e me davam comida.

—Você tentou fugir?

—O tempo todo. Depois me questionou onde ele estava, até que um dia me tiraram de lá. Não sabia quanto tempo havia se passado, James estava me esperando. Era outra emboscada. –Ele ia me matar. –Saímos as pressas do nosso apartamento, ele s atacaram... James e seus homens forma atacados então eles me tiraram de lá e eu não sabia o que havia acontecido com ele.

—James tinha outra pessoa o ajudando?

—Phill... –Era a única verdade para esse começo. –Phill o fez me seduzir todo aquele tempo, não sei o que aconteceu para matarem James. Mas me levaram de lá e me prenderam novamente.

—Eles te torturaram?

—Sim... Phill me deixou presa, se negava a qualquer coisa e a casa era vigiada. Ele queria saber tudo... tudo sobre o que fazíamos. –Apertei meus dedos.

—Phill agia sozinho? Sem um parceiro de peso?

Levantei meu olhar.

—Sim.

—Bella, tivemos um grande confronto. Phill estava brigando com alguém de peso quando te resgatamos. Quem era?

—Eu não sei. Não sei de nada, eu só vivia presa... eles só queriam saber o que fazíamos. Queriam invadir computadores e....

—Tudo bem. –Leah segurou minha mão. –Eu entendi, alguém muito próximo a ele me mandou informações importantes. Graças as essas informações chegamos em muitas pessoas, inclusive a ele. Você tem ideia de quem seja?

Mordi meus lábios.

—Teresa.

—Teresa?

Assenti.

—Quem seria?

—Era a governanta, ela tentou me ajudar algumas vezes. Tinha livre acesso na casa e cuidou da filha de Phill.... Ela era a única pessoa que ele não desconfiaria, mas eles me tiraram de lá e eu...perdi contato. Eu não sei como ela está...

Leah abriu a pasta em seu colo e pegou uma foto.

—Ela?

Meu coração estava batendo rápido quando assenti.

—Sim. Como ela está?

—Morta. –Leah guardou a foto.

—Como?

—Achamos o corpo a quase dois meses. Ela deve ter arquitetado tudo para que recebêssemos todos os e-mails.

Encarei um ponto fixo na parede esperando tudo fazer sentido na minha cabeça. Estavam todos mortos, eu levei todos a morte e isso me assustava. Me assustava demais.

—Localizamos a filha de Phill, ela não tinha contato com o pai a muito tempo. Não a colocamos no caso, ela está fora disso. Tem alguma coisa que queira me contar, Bella? Qualquer coisa que lembre? Você está em segurança agora.

—Phill esteve atrás de todos que eu amo, todos o tempo todo. Eu fiquei com medo... de perde-los.

—Estão todos bem.

As horas foram passando e a cada minuto algo grandioso surgia. Sabia como funcionava, eles iriam te esgotar e eu estava esgotada. Havia chegado ao meu limite.

Quando voltei ao meu quarto tentei apenas dormir, os próximos dias foram sem visitas depois de muito insistir. Visitas me criavam expectativas e elas morreram. Morreram depois que o primeiro mês passou. Quando acordava todas as noites com pesadelo. Quando andava pela casa e ninguém batia na porta. Quanto o telefone tocava e eram Alice ou Amanda. Ainda era estranho sentar à mesa com meus pais, ouvir minha irmã tagarelar e tentar me animar – ela havia deixado seu marido por algumas semanas por mim. E eu não conseguia interagir ou retribuir isso.

—Hei. –Chamou. Tirei os olhos da parede e me virei a ela. –Mamãe disse que eu não deveria tocar nesse assunto, mas quando você foi sequestrada um cara bonitão estava ajudando a procurar você. –Piscou.

Me sentei na cama dando espaço a ela.

—Isabel...

—Eu pesquisei sobre ele. Edward Cullen, ele tem uma empresa importante que ignorei porque queria fotos. Achei simpático, ele veio aqui e ofereceu ajuda.

A encarei.

—Ele veio aqui?

—Sim, muita gente ofereceu ajuda na verdade. Mas achei gentil da parte dele aparecer. Acho que quando ele souber que acharam você, ele irá aparecer novamente.

—Isabel...

—Ele deve não ter lido as notícias. –Divagou.

Ele não vai vir! Nunca!

—Isso não importa.

—Bella, você está livre. Eu sei que é difícil, mas você devia vir comigo. Passar um tempo....

—Não vou morar na sua casa nem passar um tempo. Eu sou a mulher sequestrada e procurada por meses. Ninguém vai me deixar em paz e eu nunca mais vou ser uma pessoa normal, entendeu?

—Vai sim. –Beijou minha bochecha. –Você vai ver que tenho razão. Agora vou deixa-la descansar.

—Obrigada.

Minha surpresa maior veio duas semanas depois, estava entrando no segundo mês em que já estava em casa e apesar de tudo não estava neurótica com o mundo do lado de fora. Charlie estava parado ao lado da minha porta perguntando se eu estava bem para receber visitas, que nunca havia visto aquelas pessoas esperando. Assenti o deixando para trás.

De dois em dois desci todos os degraus que dava para a sala, reconheci o cabelo loiro queimado e mais ao lado, Jake. Jasper foi o primeiro a se aproximar me abraçando forte fazendo meus pés deixarem o chão e provavelmente meus pais sem entender nada. Logo em seguida, Jacob.

—Você está viva.

—Estou.

—Me desculpe por não ter ido vê-la. –Sussurrou.

—Bella. –Meu pai apareceu. –Tudo bem?

Precisei de alguns segundos para achar minha voz novamente.

—Pai, esses são Jacob e Jasper. Jasper Mansen. –Se Isabel tinha razão, ele iria ligar os nomes.

—Irmãos do Mansen?

Jasper se aproximou apertando sua mão, a maioria das pessoas os conheciam pelo segundo nome.

—Sim, é um prazer senhor Swan.

Charlie ficou meio sem jeito.

—Seu irmão já sabe... dá notícia?

Jasper tentou não me olhar, mas eu já estava chorando.

—Sim, mas está viajando. –Até quando ele ficará nessa viagem? Até alguém matar ele e isso ser anunciado?

—Oh sim... bom.... Fiquem à vontade, eu não sabia que se conheciam. –Divagou nos deixando a sós.

Jasper me puxou para outro abraço.

—Vai ficar tudo bem.

—Eu não consigo ficar, parece que está tudo em ruinas agora.

—Nada que o tempo não passa consertar.

Me afastei.

—O tempo só vai me destruir.

—Não pense assim. –Jacob afagou meu ombro. –Estamos vivos.

—Mas ele não.

—Bella... queremos você forte. Precisamos de você, então... nem pense em desistir.

—Eu não sei o que fazer. Sou a estranha até que o tempo prove o contrário.

—E você verá que não é, vamos ser as pessoas normais. Isso é chato. –Piscou. –Mas é o que precisamos ser agora.

—Eu não posso fazer nada.

—Pode descansar sua mente, é a única coisa no momento. Vamos estar sempre aqui com você, o tempo todo.

—Obrigada.

—Agora precisamos ir. –Jacob me abraçou. –Se mantenha sã.

—Eu vou ficar.

—Não se esqueça, você não está sozinha.

—Não vou esquecer.

Charlie me assustou quando eles saíram.

—De onde os conhece?

—Faculdade. –Me joguei a seu lado no sofá. –Eles ficaram preocupados.

—Não sabia que eram seus amigos.

—Eu estive fora por tanto tempo, pai. Que nem eu me conheço.

—Você vai ficar bem. Você está em casa.

Eu estou em casa, mas não me sinto em casa. Essa é a ironia.

Os curiosos passaram a me esquecer no terceiro mesmo assim não conseguia me ver saindo de casa como uma pessoa normal. Jasper me levou até o apartamento de Edward, mas não consegui ficar lá por muito tempo, tirando Jacob que foi embora sem me contar, os demais estavam por lá. Alguns trabalhando tranquilamente na empresa de Edward como motoristas, porteiros e etc. eles acenavam cumplices e sorriam para mim. Era onde eu me sentia bem, até voltar para casa.

Me sentia longe deles, me sentia desprotegida, sentia meus pais desprotegidos. Isabel se cansou de me chamar para uma temporada em sua casa – eu conhecia sua vida de cigano. Então eles sumiram, Jasper parou de me ligar e Felix andava ocupado demais para retornar minhas ligações. Voltei a me fechar novamente, parecia ser a melhor coisa a se fazer.

—Bella?

—Estou acordada, mãe.

Renee sorriu da porta.

—Telefone para você.