Notas iniciais
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BELLA

Estava me decidindo entre atirar ou tortura-la, mesmo estando ali seus olhos estavam em Edward. Ela não parecia com medo, não de mim pelo menos. Edward me olhou pelo canto dos olhos e senti seus dedos se fecharem contra os meus parando qualquer ação.
–O que esta fazendo? –Murmurei.
–Como chegou aqui? –Ele ignorou minha pergunta. Sua voz era controlada.
Heidi não parecia uma pessoa que passou por bons momentos, e isso me alegrava mais do que achei possível. Havíamos parado de escutar sons, mas era certeza que eles estavam por ali e de duas uma: ou ela estava ali por ele ou estava contra ele.
–Eu vim... eu corri meu amor. Eu vim salvar você. –Seus passos eram forçados. Edward soltou minha mão e deu um passo a frente.
Heidi sorria para ele totalmente fora de si. Era só atirar, apenas atirar, mas Edward parecia ter um plano melhor do que apaga-la de uma vez.
–Quantos são?
–Muitos, eu fugi para te avisar, vamos sair daqui. Eu e você, vamos?
–Edward. –Chamei. Ele apenas acenou para eu que parasse.
–Onde estão?
–Eu não sei. Eu... acho que no rio. Isso no rio, eles estão lá.
–Como posso saber que está falando a verdade?
Heidi sorriu para ele como uma boba apaixonada.
–Eu jamais mentiria para você.
Edward deu um passo entrando em minha frente.
–Tudo bem, eu vou com você. –Falou calmamente – Você pode me dar sua arma?
Levantei meu olhar, ela tinha uma arma!
–Você vai mata-la? –Seu olhar estava em mim agora.
–Sim, eu vou matá-la. –Edward acenou lentamente. Era um aviso para eu correr.
–Então vamos sair daqui eu e você?
–Sim.
–Vamos ser felizes?
–Vamos, eu prometo.
Heidi estendeu a arma, mas não esperou que ele a pegasse. Ela atirou em minha direção, bem perto, perto o suficiente para ter me acertado. Edward a jogou no chão e seus gritos chamaram atenção.
–Edward! –Chamei quando percebi o primeiro movimento não muito longe. – Eles estão se aproximando.
–Droga! Eu quero que você saia daqui agora. –Mandou.
–Eu não vou te deixar.
Peguei a arma no chão e atirei, Heidi gritou segurando a perna.
–Eles vão cercar tudo. –Avisou. –Felix e os outros devem que foram pegos de surpresa. Vamos sair daqui, vamos pelo rio.
–A polícia não deve demorar, acho que o aviso já chegou até eles.
Heidi choramingava.
–Eu vou matá-la.
–Ela é toda sua.
Edward caiu sobre mim, Heidi conseguiu pegar sua arma e atirou nele.
–Porcaria! –Gritou.
–Edward.
–Meu braço.
–Eu falei que você me pagaria e essa é uma boa hora para você me pagar. –Puxei a arma de Edward.
Nunca pensei muito na ideia de tirar a vida de ninguém – uma ideia pronta –, nem por sobrevivência. Mas não conseguia ter um pingo de compaixão pela mulher já destruída a minha frente. Poderia ser diferente se não tivessem me criado para ser um monstro em treinamento, e se eu não fizesse agora, alguém o faria. E esse era o premio que eu não iria gostar de passar assim, tão facilmente.
–Me matar não trará nada para você, de volta. Ele te destruiu como eu te destruí.
Meus dedos estavam firmes.
–Digamos que te matar me trará paz.
–Mas você vai queimar no inferno. — Sorriu.
Um sorriso brincou em meus lábios e isso me assustou.
–Então acho que nós veremos por lá.
–Bella. –Ouvi a voz de Edward como um som abafado. Mas eu não queria escuta-lo.
Não agora.
Todo o som que deixei preencher meus sentidos eram os da bala ate o estalo da arma me avisar que havia sido o fim. Quando seus olhos estavam mortos em minha direção e isso jamais iria me perturbar, foi um longo tempo me preparando para isso.
–Foi um prazer te conhecer, Heidi.
Edward estava me encarando quando me virei a ele. Seus olhos eram uma mistura de dor e espanto. Eu disse que faria, era preciso. Fazia parte da minha nova vida. Seus dedos se fecharam em meu braço.
–Você está bem?
Assenti.
–Tem certeza?
–Isso te afeta?
–Qualquer coisa que te afete, me afeta.
–Estou falando ela.
Me beijou: — não.
–Precisamos sair daqui. Eles estão nos vigiando. Não vai ser uma boa ideia ter a policia e eles para enfrentar...
Edward me abaixou quando uma sombra se aproximou do galpão.
–Hei, sou eu. –Jasper estava ofegante. –Eles estão por todos os lados. Felix está cuidando das saídas de segurança. Precisamos sair e atirar.
Me levantei, Jasper encarava Heidi e sua poça de sangue.
–Como...
–Ela atirou no seu irmão. E estava me devendo, mas acho que temos um problema maior do que isso para tratar.
Jasper me olhava com o mesmo olhar de Edward.
–Tudo bem, eles montaram uma guarda na saída, Jacob já deixou as motos e isso foi uma boa ideia pois vamos precisar. Eu vou em direção ao rio, nos dividimos em quatro. Vamos tentar apagar o máximo que conseguirmos. A polícia está a caminho. Não tem mais volta. Vamos nos separar.
–Não. –Edward segurou meu pulso.
–Ele não vai conseguir atirar.
–Não é uma boa ideia vocês ficarem juntos. Muito menos discutirmos isso agora.
Ouvimos uma sessão de tiros por quase três minutos.
–Estou indo. Por favor, se mantenham vivos.
–Vamos ficar bem. –Edward avisou.
Jasper sumiu galpão afora.
Edward fez uma voagem até a sala segura voltando com uma faixa.
–Preciso que aperte com toda sua força. –Pediu. Seu rosto estava ficando vermelho conforme ia enrolando e puxando a faixa.
–Você está a fim de perder o braço?
–Perco o braço, mas não perco você. –Me beijou. –Vamos ter que sair, mantenha a porcaria dos seus miolos dentro da cabeça.
–Sim.
–Pronta?
Assenti e nos separamos.
Os homens de Phill estavam fora de seus carros agora correndo entre as arvores e atirando por todos as direções. Mais tiros eram possíveis ser escutados ao longe e queria acreditar que isso vinha da nossa parte do grupo. Edward descarregou sua arma em menos de trinta segundos e eu não confiava em seu braço. Meus olhos seguiram para o ponto rápido a dois metros dele e atirei. Seus olhos estavam em mim.
–Mantenha a porcaria dos seus miolos dentro da cabeça. –Pedi carregando minha arma.
–Até onde está marcado? –Apontou ao chão em um aviso sobre as bombas.
–Mais cinco metros e acabamos.
O perdi de vistas quando precisei entender que era cada um por si e meus miolos estariam fora da minha cabeça se continuasse assim. Minha atenção estava para a bola de fogo caindo do céu, alguém havia abatido um helicóptero. Edward voltou atirando então todo o som eram de gritos de comando, dor e tiros.
Edward me encarou, meus olhos estavam varrendo todos os corpos espalhados a metros de nós. Mas não era isso, não era o que ele via em mim. Era o que via atrás de mim. Era o que eu via agora atrás dele.
–Acho que não foi uma boa recepção. –Phill falou. –Eu avisei que nos veríamos novamente.
Edward tinha pelo menos seis armas apontadas em sua cabeça. Foi a primeira vez que o vi realmente sem saída, tiraram sua arma e eu deixei a minha ir ao chão.
–Seus amigos estão tendo um pouco de trabalho. Não sabia que iam chamar a imprensa. –Seus dedos tocaram meu cabelo. –Você está tão linda.
–Vai para o inferno.
–Ainda não. –Seu olhar estava em Edward. –Vou manda-lo primeiro.
–A deixe ir.
Phill gargalhou.
–Por que eu faria isso? Ela a pertence a mim agora.
–Seu... –Sua mão se fechou em meu cabelo.
–Olha o que vai dizer.
–A deixe ir e você terá tudo o que quiser.
–Eu não quero mais, Edward. Agora eu me contento com a sua morte e com a sua mulher. –Senti sua língua em meu pescoço e segurei para não vomitar. – É a melhor coisa que você me dará. Já que chamaram a polícia. O leve de volta ao galpão e a coloque no carro.
–Edward!
–Vamos fazer uma pequena viagem, querida antes dos seus amiguinhos chegarem.
Eles levaram ele, Edward tentou se soltar, mas o jogaram no chão. Phill estava tomando uma direção sem saída, mas parecia não saber disso. Havia muitos homens com ele se espalhando, mais tiros, mais correria e isso provava o quanto estava com medo.
–Acha que a polícia irá acreditar em você? Que plano mais sem noção.
–Por favor, não o mate. –Pedi.
–Onde está toda a sua raiva, querida? –Me parou. –Ele destruiu sua vida e você vai destruir a dele. Eu não me importo que tenha matado, Heidi. Alguém o faria uma hora. Mas será apenas eu e você.
–Você nunca terá a vida dele. –Cuspi.
–Não. Mas teremos a nossa vida, como nunca percebi que você era mais agradável que o poder?
–Eu não sou.
–Sim, você é. –Fechou as algemas em meus pulsos. –E vou te provar isso. Eu quero que atirem para matar.
–Por favor. –Pedi.
–Não posso atender a esse pedido. Eu sinto muito.
Todos os tiros seguintes me sufocaram, mas não conseguia gritar. Não conseguia pensar, estava presa e sendo arrastada para longe de todos.
Phill me jogou dentro de uma minivan, senti minha testa se rasgar em alguma coisa e o sangue descer por meu rosto quando me sentei. Homens corriam para todos os lados e um rádio avisava quem chegava e quem saia do perímetro que supostamente haviam feito. Me abaixei quando ouvi tiros batendo contra a janela e os vidros se estilhaçando sobre mim. Mais vozes em ordem de comando e eles não voltaram.
Tentei me soltar, mas era inútil, meus pulsos se apertavam a cada nova tentativa. Quando a porta se abriu, encarei pelo menos seis homens caídos aleatoriamente perto do carro. Phill piscou pegando uma arma no banco da frente e batendo a porta novamente. Minha cabeça estava começando a querer pular para fora do pescoço. Edward não morreu, ele não morreu. Ele está vivo. Eu sei que está.
Droga!
Alguns longos minutos se passaram até a porta se abrir novamente.
–Peter!
–É, sou eu. Precisamos te tirar daqui. –Segurou meus pulsos. –Conte até três isso talvez doa.
Não consegui contar dois, meus pulsos pareciam ter se soltado literalmente. Mas estavam livres.
–Onde Edward está?
–Eu... –Sua voz se cortou. E seu corpo caiu sobre mim, meu coração parou de bater por alguns segundos.
–Bancar o herói é uma péssima ideia, querida. –Phill atirou nele.
Peter piscou duas vezes e sorriu para mim.
Peter estava morto.
–Recuar a área. –Phill gritou.
A porta se fechou novamente. Vamos todos morrer, era isso.