Sob a Luz das Estrelas

1 Sob a luz das Estrelas


Notas iniciais
***Música: Sound the Bugle - Bryan Adams - Tema de Spirit o Corcel Indomável. ***

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Sob a luz das Estrelas

“Sound the bugle now - play it just for me

As the seasons change - remember how I used to be…”

“Soe o clarim agora — Toque apenas para mim

Conforme as estações mudam — Lembre-se de como eu costumava ser...”

Era mais uma noite simples, dessas em que nada acontece.

As horas seguiam, em seus minutos e segundos desproporcionais aos pensamentos que não paravam de circundar a mente dela.

As pessoas lá embaixo seguiam suas vidas, em seus carros... Celas de ferro, onde se fecham por vontade própria e esquecem que seus corpos já são celas o suficiente para toda a vida.

Cada suspiro de sua alma, ela oferta as poucas estrelas expostas no firmamento, enevoadas com densas nuvens negras de tempestade e poluição. Assim como uma ave negra corta os céus, ela deseja estranhamente fazer o mesmo.

“Now I can\'t go on - I can\'t even start

I\'ve got nothing left - just an empty heart”

“Agora eu não posso continuar — Nem mesmo começar

Não tenho nada restando — Apenas um coração vazio”

Sentada, com suas pernas balançando no espaço, o parapeito parece cada vez mais promissor e tentador a medida que os olhos castanhos focam as luzes da cidade lá embaixo...

Recostada em uma singela parede fria daquele edifício, ela toma o último gole da bebida amarga e sem valor, que faz com que seus lábios se contorçam em desaprovação... A vida não poderia ser mais linda?

“I\'m a soldier - wounded so I must give up the fight”

“Eu sou um soldado — Ferido, então eu devo desistir da luta”

Ela ri suavemente, como a brisa que brinca nos cabelos cacheados, e atira a garrafa num canto do “telhado” , admirando a beleza dos cacos explodindo em nuances de brilho claro...

Ela abraça os joelhos e deita seu rosto contra eles, mordendo os lábios e deixando lágrimas claras escorrem pelo sorriso juvenil. Havia tanto para ser dito... tanto para ser mostrado a ele... O coração é uma armadilha traiçoeira que nos permite sentir coisas que um dia iremos desejar nunca ter sentindo e aquele era um dia que ela nunca queria ter que sentir.

“There\'s nothing more for me - lead me away...

Or leave me lying here”

“Não há nada mais para mim — Irei me afastar...

Ou deixe-me deitado aqui...”

Despedir-se nunca é fácil, não quando se é jovem, não quando a vida é roubada de modo tão simples e rápido como só uma bala perdida pode fazer. Como é fácil o sangue escorrer do ferimento aberto, como é fácil o corpo tombar fraco num chão de cimento duro e perder a noção do mundo a sua volta... Dos gritos, das palavras que se perdem, do choro de desespero, de mãos afoitas tentando parar o sangramento...

“Sound the bugle now - tell them I don\'t care

There \'s not a road I know - that leads t anywhere

Without a light I fear that I will - stumble in the dark

Lay right down - decide not t go on”

“Soe o clarim agora — Diga-lhes que não me importo

Não há nenhuma estrada que eu conheça — que conduza a qualquer lugar

Sem nenhuma luz eu tenho medo — de tropeçar no escuro

Diretamente para baixo — decido não partir”

Ele havia sorrido para ela, havia dito palavras que ela adolescente jamais esqueceria...

Havia o som de gritos ainda zunindo por todos os lados e os tiros... Havia o som de sirenes de policia, bombeiros, ambulâncias... Havia tanta coisa que ela queria esquecer, mas a mente... Essa mente cruel e bandida que amava torturá-la continuava a lhe mostrar o sorriso dele, com as palavras dele...

“-Continue Vivendo”

Apesar daquelas palavras, o abismo urbano era tentador... As luzes de carros indo e vindo na avenida agitada também, assim como a luz das poucas estrelas que ofuscavam distantes, algumas já mortas mas que ainda para nós tolos humanos, chegam na forma de luz brilhante e acolhedora...

“Then from on high - somewhere in the distance

There\'s a voice that calls - remember who you are

If you lose yourself - your courage soon will follow

So be strong tonight - remember who you are”

“Então de cima — em algum lugar distante

Há uma voz que chama — lembre-se de quem você é

Se perder a si mesmo — sua coragem logo o seguirá

Seja forte esta noite — lembre-se de quem você é”

Raquel ergueu seus olhos vermelhos para o firmamento, e os apertou com força. Ela sabia que a morte não lhe traria nada... Ela sabia que a vida talvez lhe traria alguma coisa, então desejou do fundo de seu coração, ser como as estrelas... Mortas , mas que ainda ofereciam seu brilho para os outros...

A jovem desceu do parapeito do edifício, calçando seus “all stars” roxo com estrelinhas pink, sentindo a brisa menina acariciando gentilmente sua pele... Ela sorriu triste e pisou firme de cabeça erguida seguindo em frente...

“Ya you\'re a soldier now - fighting in a battle

To be free once more...

Ya that\'s worth fighting for”

“Sim, você é um soldado agora — lutando em uma batalha

Para estar livre uma vez mais...

Sim , por isso vale a pena lutar...”

A vida era frágil, como ela presenciara alguns dias atrás, como no dia de hoje em que ela enterrou seu melhor amigo, seu amor, seu irmão, seu pilar. Mas ela agora entendia que a vida, mesmo sendo frágil, tinha que ser vivida... A noite, as estrelas, e a brisa diziam isso a ela...

“-Continue Vivendo” — A brisa sussurrava em sua mente...

Ela seguiu em frente, indo embora do telhado do edifico... Ela viveria... Ela seria forte e correria para o futuro , tão forte quanto o vento, mais radiante do que as estrelas no firmamento...

“Luciene – Luna”

2010

“Para a esperança que nunca morre, para a tristeza que nunca parte”

Notas finais
Capa by: http://summerthunder.deviantart.com/
Imagem inicial by: http://azrael59.deviantart.com/
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