Sob a Face de Boneca

8 Capítulo 8 - Retribuição


Dois anos depois...

A jovem aprendiz de Bai Mulan já havia adquirido vários apelidos desde que foi aceita oficialmente na seita, graças a forma de tratamento de sua shifu durante seu treinamento o que a fez acabar adquirindo a mesma personalidade. Então quando Bai Sya dava as costas para as suas shijie e suas shimei é chamada de tudo quanto é nome, face grossa, tirana, a fada tirânica do vinho, tudo porque quando treinavam juntas Bai Sya não pegava leve com ninguém, colocando tudo o que aprendeu com sua shifu em pratica, golpes que não eram daquela época, fazendo-a sempre vencer seus oponentes pela surpresa.

Uma das suas shijie estava presa em uma chave de braço depois que teve sua espada de treinamento tirada de suas mãos, agora lutava para respirar em quanto Bai Sya lhe dava um sermão sobre sua incompetência.

[Nota: Shifu:Mestre/Mestra – Shijie: Irmã aprendiz mais velha – Shimei: Irmã aprendiz mais nova]

— Você é distraída demais para quem esta em campo de batalha, se eu fosse seu inimigo teria lhe decapitado assim que tirei a espada de sua mão. – Suas criticas eram duras, as outras aprendizes estavam em silencio, já tinham passado pelo que sua companheira estava passando, e não duvidavam nem um pouco que Bai Ningyue teria a decapitado se estivesse usando a Zhanshou. – Precisa segurar sua espada firmemente ou morrerá por um simples cadáver, não deve agir pelo desespero e nem pela raiva, deixe seus sentimentos de lado e concentre-se no objetivo. – Bai Sya afrouxou o braço antes que a menina desmaiasse em seus braços e lhe empurrou para frente e lhe deu um chute no meio das costas. – Que é derrotar seu adversário.

Quando começou a cultivar seu QI as memórias do seu passado começaram gradativamente a voltar, lembranças de sua infância vieram dentro de sonhos, mas estranhamente seu corpo atual não era o mesmo da sua vida passada, quando conversou com sua mestra sobre seus sonhos começou a entender o que transmigrar era para as irmãs Bai, suas almas haviam imigrado para o corpo de pessoas daquele mundo, por isso Sya era diferente em seus sonhos.

Com os meses outras memórias despertaram quando ouviu o som da flauta de Bai MingYue, a musica lhe trouxe uma mistura de sentimentos de tristeza e saudade. Em seu coração desejava tocar aquela musica para alguém, mas não lembrava. Então todas as noites antes do toque de recolher tocava aquela musica com a Jìnghuà, seus dedos sabiam exatamente o que fazerem para reproduzir o som que estava gravado em sua alma.

[Nota: A musica reproduzida pela PP é My Heart Will Go On]

Um frio subia pela sua espinha gelando seu corpo, sua mente a levava para dentro de um navio, os ventos batiam em seu rosto como finas laminas de gelo, conseguia imaginar perfeitamente o barulho do casco batendo em um iceberg. Quando a musica chegava ao fim seus olhos ficavam embaçados com lagrimas que se formavam, ao piscar aquelas pequenas gotas se uniam as outras que escaparam sem perceber.

***

Bai Sya por ser aprendiz principal da segunda irmã Bai eram poucos que tinham coragem de se aproximar, o temperamento das duas era parecido graças à convivência direta, então ninguém gostaria de despertar a fúria da Dama de Sangue. Sem amigos em sua própria seita passou a praticar arco e flecha, alguns desavisados da fama mórbida da Sya ficavam espionando o seu treinamento, não era nenhum incomodo desde que não atrapalhassem sua concentração. Quando não estava atirando estava acompanhando sua shifu em caçadas noturnas para praticar o cultivo demoníaco.

Na seita Bai os aprendizes treinavam tiro de arco e flecha, flauta, guqin, o caminho da espada e o cultivo demoníaco. Aqueles que tivessem certa afinidade com um estilo passavam a concentrar seu tempo nele, poucos escolhiam o cultivo demoníaco já que era como um tabu entre os cultivadores, mas Bai Sya o cultivava mesmo assim, por ter iniciado no mundo da cultivação um pouco tarde seu núcleo dourado não estava completamente formado, então para não ficar fora de alguma missão ou das caçadas noturnas recorria ao cultivo demoníaco.

Esse caminho só foi permitido pela segunda irmã Bai porque a própria Sya jurou que iria parar de praticar quando seu núcleo dourado estivesse formado, e só poderia usar o caminho demoníaco se tivesse sob a supervisão de um superior.

— Bai Sya porque esta sempre só? – Perguntou a segunda irmã Bai, Bai Ling. – Só a vejo treinando, e criando rivalidade entre os discípulos, esta precisando de ajuda para fazer amigos?

Algumas discípulas da seita ouviam discretamente a conversa em quanto adentravam a montanha para mais uma caçada noturna. Todas sabiam que Bai Sya não sabia como agir com os outros além de trocas de espadas e quando tentava era desastroso.

— Não será uma tarefa fácil, a ultima vez que tentei acabei ofendendo o líder da seita Jin. – Suas orelhas ficaram levemente rosadas.

— Ele é um piralho imaturo que mal sustenta a posição que tem não se preocupe com ele, pretendo me casar em breve e levarei você comigo.

— Se casar? – Seus olhos se arregalaram com a noticia inesperada.

— Sim, minha irmã esta cuidando do assunto, soube que a seita do meu futuro noivo tem algumas crianças que são bem disciplinadas ao contrário do líder Jin. – Tirou da sua manga uma jarra de licor e pulou na primeira arvore que viu e se sentou bem acomodada. – Ouçam! Soube que nessa montanha tem pequenos espíritos, acabem com eles e se encontrarem membros de outras seitas evite confusão, nossa seita é pequena, mas ainda temos o nosso orgulho, não ousem me fazer curvar para as grandes seitas, agora espalhem-se!

Os membros rapidamente obedeceram à ordem da sua líder, Bai Sya foi a única a não se mover, seus olhos estavam fechados, seus ouvidos atentos a cada farfalhar das folhas ao vento, até o barulho da líder Bai engolindo o sorriso do imperador não escapou dos seus sentidos. Dentro do seu peito ou até mesmo dentro da sua alma podia sentir a agitação, embora a paisagem parecesse tranquila havia energia negativa forte vinda de uma direção, ao abrir os olhos seus pés se moveram naquela direção.

A cada passo se aproximava do que poderia vir a ser um grande desastre, mas se sua shifu não estava preocupada é porque confiava que sua discípula poderia cuidar sozinha, então iria desaponta-la. Depois de correr muito finalmente chegou na origem do problema, um membro da seita Jin estava gravemente machucado, suas vestes amarelas estavam manchadas de vermelho, um garoto da seita Lan tentava protegê-lo sozinho contra um grupo de cadáveres ferozes. Como membros de diferentes seitas puderam entrar naquela situação desvantajosa e porque não teriam chamado ajuda?

Sua mão foi direto em sua flauta, quanto tocou a primeira nota foi como tocar durante uma passeata, ninguém ouviu, mas os efeitos dela foram percebidos pelos os azarados, quanto tocou mais alto os cadáveres ferozes começaram a atacar um aos outros.

— Mestre Wei? – Chamou o garoto Lan do outro lado, mas Bai Ningyue não podia parar de tocar para corrigir o garoto. Entre a luta voraz entre os cadáveres pode ver o garoto indo socorrer seu colega da seita Jin. Ele provavelmente achava que estava seguro se o tal ‘mestre Wei’ estava cuidando da bagunça deles.

Uma luta entre cadáveres ferozes rolava entre os alunos das seitas, de fundo a trilha sonora da flauta Jìnghuà, que tocava loucamente, braços e cabeças eram jogados para diferentes cantos daquele pequeno campo de batalha. De certa forma aquela cena lhe agradava, a violência entre cadáveres, usando o mal para destruir o mal. Ao não restar mais nenhum cadáver inteiro, o som de sua flauta se dissipou, atravessou entre os membros decepados e viu quem foi os garotos que salvou, não pode deixar de sorrir, a jovem dama Jin tinha sido salvo por Bai Sya, conhecida por seu nome de cortesia Bai Ningyue.

Enviou o sinal da sua seita ao céu, o líder Jin precisaria de cuidados imediatos, assim chamaria atenção dos superiores ao redor.

— Quem é você? – Perguntou o Lan, a fita na testa não deixava duvida sobre sua origem.

— Da ultima vez fui salva pela jovem dama Jin Ling, agora ele foi salvo por mim, estamos quites. – Falou Bai Ningyue ignorando a pergunta, pegou uma pequena bolsa de dentro da sua manga e jogou para o Lan. – Tem algumas ervas que podem ajudar seu amigo.

— Não respondeu minha pergunta. – Lembrou. – Eu sou Lan Sizhui.

— Bai Ningyue. – Estava para deixar os garotos por conta própria quando foi chamada de volta.

— Você é a aprendiz da noiva do Zewu-Jun? – Perguntou surpreso.

Sua bota ficou suspensa no ar ao ouvir o questionamento, o futuro marido da sua shifu era o líder da seita Lan? A seita que tinha mais regras do que alunos.

— Ela vai se casar com quem? – Virou de repente, assustando o jovem com seus movimentos repentinos, andou até o menino e ajoelhou a sua frente.

— Lan Xichen.

— Minha shifu vai para a única seita que proíbe seu hobby favorito? – Não pode deixar de cair na gargalhada, quem diria que sua shifu tinha um lado masoquista. GusuLan não seria a mesma depois que a segunda irmã Bai se estabelecesse. – Esse noivado será interessante.