Sob a Face de Boneca

10 Capítulo 10 - My Heart Will Go On


Notas iniciais
Demorou pra sair, mas saiu! O capitulo difícil de se escrever, espero que agrade a aqueles que ficaram esperando ansiosamente.

Seus dias em Gusu eram estranhos, aquela sensação do cenário ser familiar mesmo sendo sua primeira vez a visitar a seita não saia de sua cabeça, quando acompanhou o casal por ordens de Lan Qiren que não queria mais um sobrinho desvirtuado. Estavam adentrando na floresta onde mais para frente estaria à criação de coelhos de sua excelência Hanguang-jun.

Seus dedos insistiam em tocar nas folhas que pareciam irreais aos seus olhos, conhecia aquele caminho, podia ter quase certeza que já tinha pisado em cima daquela grama. Sentiu uma pontada atrás de sua cabeça, uma sensação de desespero espalhou pelo seu peito, apertou suas vestes e estancou no lugar, seu corpo todo tremia em angustia, raiva e desespero. Caiu de joelhos no chão sujando suas vestes limpas com a sujeira da terra. O ar começou a faltar em seus pulmões. Imagens distorcidas apareciam diante de seus olhos.

Um gigante acorrentado sendo torturado por uma ave colossal, suas pequenas mãos moldando o barro com sangue que escorria da criatura. Antes o que era só uma pontada se tornou uma dor insuportável que se alastrava por todo o seu corpo.

— Mulan... – Cuspiu sangue manchando as folhas verdes. Sua guardiã interrompeu a conversa acalorada que estava tendo com o líder da seita e olhou para sua discípula.

— BAI SYA! – Gritou alarmada, deixou seu noivo e correu até a jovem, aquela menina nunca tinha lhe deixado tão assustada como aquele momento.

— Ela esta tendo um desvio de Q.I. – Falou Zewu-jun para a noiva, ajudou a jovem Bai a se sentar.

— Ajuda ela, Lan Xichen, eu não consigo. – Implorou a Bai Mulan, seu desespero era evidente em seus olhos, em seu atual estado ela não era capaz de ajudar sua pobre discípula e irmã.

Lan Xichen se sentou atrás de Bai Sya e colocou a palma da mão em suas costas.

***

O mundo parecia aos seus olhos desprovidos de cor, como em um filme em preto e branco, sem graça e sem nenhum brilho, até o sol era sem graça. Estava naquela mesma floresta, mas dessa vez sem dor, um pequeno barulho lhe chamou a atenção no horizonte, poderia ser facilmente confundido com uma lufada de vento, mas decidiu verificar mesmo assim.

No horizonte viu uma pequena boneca, parecia possuída, já que se mexia e falava alguma coisa que não entendia, mas compreendia seus sentimentos, seu desejo de ter algo que lhe foi tirado. Se aproximou até ficar frente aquela boneca de uns 20cm e se ajoelhou, ela gritava aos céus, estava desesperada.

Uma sombra se formou atrás da linda boneca em um formato que não condizia com o corpo da boneca, lhe lembrava da cabeça de um chacal.

— Alguém teve misericórdia da sua alma afinal. – Disse uma voz masculina vindo de todos os lugares.

— Se não fosse descuidado ninguém precisaria ter misericórdia da minha pobre alma. – As palavras saíram da sua boca sem que percebesse até dizê-las.

Ouviu risos vindos de trás das arvores, um sopro de vento fez as folhas voarem por toda parte.

— Eu Anúbis, o senhor da morte vi civilizações serem criadas, reis destronados e reinos inteiros desaparecerem da noite para o dia. Julguei escravos, faraós, sacerdotes sem nunca quebrar uma regra do Duat, mas você uma mortal insignificante conseguiu destruir todo o meu currículo, montado com tanto esforço em um único estante. – Falou a voz, parecia ressentida, mas não aparentava guardar raiva ou ódio.

— Já pensou em visitar cemitérios à noite? A chance de encontrar um mortal fazendo uma homenagem a um falecido são bem baixas. – Recomendou a garota.

— Com certeza seria, seguirei seu conselho algum dia. – Sua fala parecia honesta, embora suspeita-se, que ele não era tão educado assim. – Também tenho um conselho a você, o destino já começou a trabalhar, passará por tempestades que a fortalecerão ou que irão lhe partir ao meio, terá que confiar no inimigo já que não poderá confiar nos seus amigos. Viverá em um campo de batalha sem fim. Pode tentar fugir, correr e se esconder, mas não poderá escapar do seu destino.

— Você não é esfinge para sair falando enigmas – Sempre odiou esse tipo de pessoa, fala, mas não diz coisa alguma, só um monte de bobagem que os deixava com um ar de inteligentes, mas não passavam de exibidos.

— Seu tempo neste mundo lhe mudou, mas será que a mudança será boa? Ou será só mais um obstáculo?

Quando acordou estava em seu alojamento, as velas já estavam apagadas, estava sozinha no escuro. Colocou suas botas e atravessou o cômodo usando sua memória geográfica, deixou o quarto e caminhou para fora do alojamento feminino, deixou seu coração guiar suas pernas, tinha algo que ele desejava, seu coração doía, por isso continuou a andar, precisava entender o que estava lhe acontecendo.

Quando seus pés pararam se viu encarando um lugar que era muito familiar. Sem cerimônia alguma abriu as portas e deixou a luz da lua iluminar o cômodo adentro. A primeira coisa que seus olhos viram foi uma boneca de madeira bem realista, seus cabelos pareciam fantasmagóricos com o brilho lunar.

— Aqui esta a resposta que meu coração buscava. – Suspirou Bai Sya – Sa Xinyue, somos intimas o suficiente para que eu lhe chame pelo seu nome de cortesia. Olá minha velha eu.

O corpo da boneca estava perfeitamente posicionado para parecer que tocava a guqin na sua frente.

— Havia uma musica que eu sempre quis tocar para o Zewu-Jun, agora que tenho pulmões e minhas memórias estão voltando, finalmente poderei tocar. – Invocou a Jìnghuà e tocou a musica que nunca deixou de tocar no clã Bai.

Cada nota tocada despertava suas memórias adormecidas, seus olhos deixaram de ver seu antigo corpo e passaram a ver as lembranças que tinha em GusuLan. Não pode deixar de sorrir ao se lembrar quando atacou os cabelos de Wei Wuxian por ter lhe feito possuir uma boneca minúscula, na época só pode tirar alguns gemidos de dor em troca da piada de mal gosto, lembrando do incidente não levou para o coração, era uma lembrança engraçada afinal.

Sentiu uma presença vinda de longe, trazia uma aura de calmaria e autoridade, lembrava bem a quem pertencia, não parou de tocar mesmo quando Lan Xichen lhe viu, afinal tocava para ele.

— Não deveria estar aqui, não é permitida a presença de forasteiros. – Censurou o homem com uma expressão seria.

Bai Ningyue finalizou a canção e se virou para o líder da seita com um sorriso fino e um olhar misterioso.

— Não a nenhum forasteiro aqui. – Disse a garota abaixando sua flauta. – Cumprimento o líder da seita.

Reverenciou Zewu-Jun e o mesmo devolveu seu cumprimento, sem deixar a face seria.

— Pode apreciar a musica que toquei há pouco? Essa era a musica que eu disse que queria tocar para você. – Perguntou em quanto girava a flauta entre seus dedos.

O líder da seita a olhou intrigado.

— Não sei explicar, mas a musica do Titanic faz lembrar-me de casa, talvez seja porque carrego uma boa lembrança dela, mesmo sendo uma musica bem triste. – Falou sem se importa com a expressão no rosto de Lan Xichen que ficava cada vez mais confusa.

— Nunca conversamos sobre seu desejo de tocar esta musica. – Falou intrigado.

Bai Ningyue deixou escapar um sorriso triste, a ultima vez que havia conversado com o líder Lan foi quando o mesmo a selou, a lembrança lhe perturbava.

— Talvez seja porque na época eu usufruía de outra face. – Explicou a jovem dando um sorriso travesso. – Líder Lan... Eu sou a Bianca, a pobre alma que possuía a boneca Sa Hsia.

A revelação espantou a jade de Gusu, o mesmo não conseguia acreditar nas palavras que ouvira.

— Você! – Sua expressão de choque foi mudando gradativamente. Bai Ningyue teve que interrompê-lo antes que tirasse conclusões precipitadas.

— Antes que complete o que deseja dizer, saiba que esse novo recipiente foi me dado depois de clamar aos deuses, eu não roubei de ninguém. – Explicou a jovem moça, que deixou o homem mais aliviado. – Minha história tocou o coração do primeiro deus que criou os humanos, devo a minha vida a Prometeus.

Notas finais
O que seria dos Bai sem uma dose drama? kk, finalmente a verdade foi revelada, só falta nossos queridos corta-manga descobrirem, mas não vai demorar, a seita Lan pode ser pior que Hogwarts quando se trata de fofoca das boas. E Anúbis? Dando o ar de sua graça fúnebre. A piada que vi em um meme se encaixou perfeitamente, não pude deixar de colocar kkk