Sob a Aurora
4 Impasse
Nimbos carregados apareciam no horizonte de Hafnarfjörður, formando uma paisagem escura e carregada. Era cedo da manhã, no entanto os raios solares ainda não brilhavam no alto, no inverno a luz solar durava apenas cinco horas, maior tempo a escuridão pairava naquela região Ártica, causando uma escuridão quase sem fim. A neve chegou de mansinho pela madrugada e com o passar das horas, já causava um certo acumula no pequeno vilarejo. Se locomover pela manhã seria difícil.
O galo no quintal do Uchiha cantou pontualmente, mesmo no escuro o galo não perdia seu costume.
Sakura estava encolhida em seu cantinho próximo a parede, ela tinha ganhado um lençol do Uchiha. O que não deixou a feiticeira animada, ao mínimo ela esperava um colchonete de feno confortável para dormir, no entanto pobre engano. Sasuke não seguiu ás ordens do seu avô e deu apenas uma coberta já velha e com alguns ácaros que fizeram a rosada espirrar por boa parte da noite. Quando pensou que não podia piorar sua noite, o Uchiha trouxe uma bela nativa para lhe acompanhar durante á primeira noite do inverno e como de costume, gemidos escandalosos foram ouvidos no silêncio da madrugada e tiraram o sono da Sakura, a feiticeira bufou de raiva, já não bastava sua condição desconfortável ali e ainda por cima ter que encarar aquilo, que ultraje.
O barulho tinha cessado por boa parte da madrugada, no entanto depois que o galo cantou suas três vezes, o barulho voltou, os gemidos e palavras incompreensíveis. Sakura acordou assustada, seu rosto já demonstravam olheiras e já aparentava pequena fúria. Ela ira fazer algo e fez !
Um grito feminino foi ouvido e logo apareceu uma mulher de cabelos azuis compridos apareceu seminua em sua frente, a olhou assombrada e proliferou uma palavra e saiu como um relâmpago pela porta. Sasuke apareceu enrolados em cobertas, bocejou e parou em frente á feiticeira. Sakura segurava um sorrisinho de lado altivo e desafiador.
— Bom dia. – ela disse faceiramente. O Uchiha deu um sorriso anasalado e abaixou-se na frente dela.
— Molhou minha cama. – disse ele, nada feliz. Coçou o cabelo o bagunçando ainda mais e meneou a cabeça de forma negativa. – Péssima escolha, tsc.
Sakura não teve medo e continuava o encarado de forma e aparentava um tom de satisfação em seu semblante. – Péssima escolha. – Sakura tinha definitivamente alagado a cama do Uchiha, águas tão gelada quanto a de uma geleira.
Quem suportaria um banho desses logo cedo da manhã?
Sasuke colocou suas mão sobre a algema de aço que prendia os pés da bruxa, Sakura retesou seu corpo e franziu seu cenho demostrando interrogação. Em pouco tempo sentiu suas correntes ficarem quentes.
— Ai ! – sim, Sasuke estava aquecendo a corrente de ferro puro, já estavam quase ficando vermelha.
— Raka, raka, raka. – ela dizia, porém não perdia sua pose de firme, mesmo com dor ela ainda o encarava com o maxilar trincado.
Ela não era mulher de demonstrar dor e muito menos para um homem selvagem.
As algemas entraram em um estado de calefação, podiam ser ver pingos de água pulando, logo uma pequena fumaça aparecendo, a água estava entrando em seu estado de vapor, era torturante.
— Druknna . – ela gritou e o Uchiha logo levantou-se colocou a mão em seu pescoço, tinha algo errado acontecendo. Sentiu como se sua caixa torácica estivesse sendo inundado por água, e estava. Colocou a mão no pescoço, queria respirar mais não conseguia, estava se afogando e ela causava isto.
— Brenna. — ele disse, já tossia e estava vermelho. Sakura sentiu corpo queimar, era uma sensação horrível dos dois.
— Sasuke, Sasuke. – ouviu batidos na porta e alguém o chamando, era seu tio.
Logo os dois cessaram. Sasuke colocou água para fora como um vômito e dela saiam um vapor, ela estava vermelha algumas manchas como pequenas queimaduras apareciam em sua pele.
— Sasuke, Sasuke abre essa porta. – as batidas aumentaram.
— Já vai. – disse Sasuke sôfrego. Ele respirou, como era bom aquela sensação de o ar entrando pela suas narinas, pode sentir a contração e o relaxamento do seu diafragma. Não era a primeira vez que passava por isso, certo que se afogar na sala de sua casa era a primeira vez, mas quando criança ele caiu no lago do outro lado da montanha, estava brincando sobre á superfície gelada , rapidamente o gelo partiu ao meio e ele sucumbiu ali, passou uns dois minutos imersos lutou para tentar voltar a superfície, mas não tinha chance. Tinha uns cinco anos e pouca força. Quando perdeu de fato á esperança, como uma luz seu tio Obito apareceu e o salvou.
Sasuke rira , era a segunda vez que o seu tio lhe salvava de um afogamento.
Os dois se encararam por poucos segundos, não deixaram transparecer a surpresa do poder assombroso que cada um tinha.
Ele é poderoso. – deduziu ela.
Ela é poderosa. – deduziu ele.
Sasuke recompõe-se e foi abrir a porta.
— Bom dia sobrinho, meu pai ordenou que fosse até á beira do porto e levasse a feiticeira.
— Agora?
Acho que dá tempo de você comer algo e depois ir, não demore. – o Viking apenas assentiu e fechou a porta.
Foi para sua cozinha e foi comer algo, ainda havia uma porção generosa no caldeirão de sua gororoba habitual, colocou um prato e serviu-se. Sua pequena cabana era um primeiro andar, embaixo não haviam divisória e ele via muito bem a feiticeira á sua frente, ela estava olhando o seu braço, nada satisfeita. Ele levantou-se e colocou algo no prato para ela comer e a entregou. Sakura reagiu com sua expressão de enjoo ao ver aquela comida.
Como ele aguentava comer isto ?
— Humpft. – ele bufou e voltou ao seu lugar. Sua primeira mastigada, bem...tinha algo errado.
Sakura colocou para fora. Aquilo estava azedo.
Sasuke afastou seu prato e demonstrou uma plena raiva, Sakura sorriu da expressão. Pelo ao menos não iria comer aquilo, por outro lado, iria morrer de fome.
Akureyri
Ino tinha acordado há algumas horas atrás e relatados todos os acontecimentos para o seu pai.
Ela ficou surpresa por ter descoberto que Sakura não havia retornado, pois sua irmã nunca erraria um feitiço. Seu pai manteve a manteve calma. Todos os dias uma equipe de caça deslocavam-se para procurar pela feiticeira de madeixas rosas, porém nada era encontrado.
— Talvez ela foi pega. – disse ele, estava em sua cadeira de gelo onde despachava todos ali.
— Lhe disse, escapamos deles, não tem a mínima possibilidade. – disse a jovem de cabelos loiros e olhos tão azuis quanto um lago cristalino.
Sai retornou sem nenhuma resposta. Já são dias, temo que tenho que oficializar que minha filha se foi.
— Senhor, tem um homem querendo lhe ver. – disse Iruka, uma espécie de ajudante do líder. – É ele, JIraiya.
— Mande o entrar. – disse ele entediado. – Não dê nenhuma palavra sobre o assunto com ninguém, Ino. A loira assentiu.
Se retirou da sala, estava absorta em seus próprios pensamentos e formulando teorias do que tinha acontecido com a irmã, deveria ter uma explicação para isso. Ino era a irmã caçula, por onde passava chamava atenção por sua beleza e seu jeito gentil, sempre ajudava ás crianças do lugar com suas magias, não era fácil para os pequenos aprenderem controlar seus poderes. A feiticeira tinha uma mente considerada madura para sua idade, tinha completado quinze anos recentemente .
Ela olhou pela janela do palácio e viu Sai se aproximando, ele conversava com alguns membros da equipe de caça. Prestou atenção nele, Ino o admirava há alguns tempo, ela carregava um sentimento por ele que era proibido, alias ele era da sua irmã.
— Ino.
— Sai. – ela disse desajeitada, era só ele aparecer que ela perdia o bom senso.
— Que bom vê-la. – ele a abraçou, ah se ele soubesse o significado daquilo para aquela garota. Sorte que ele não sentiu seu coração disparar. – Ainda não encontrei, Sakura.
— Eu sei. – ela disse demostrando tristeza.
— Não se preocupa cunhada, eu irei acha-la.
— Cunhado. – disse ela não com certo desgosto.
— E o seu pai?
— Um dos representantes do clã Eiðar, parecia sério em querer falar com meu pai.
— Entendo.Me dê licença.
Ino o observou até ele sair de sua vista, não sabia lidar com seus sentimentos.
— Desejando o cunhado. – disse uma voz atrás dela e a assustou.
— Oráculo.
— Menina, tão inocente. – ele tocou o rosto dela. Kabuto era oráculo do reino, uma grande feiticeiro capaz de ver o futuro, rezava a lenda que os oráculos eram abençoados pelos deuses que lhe concediam o dom de ver o futuro e já por outros, considerado um intrometido.
— O que quer ? – disse ela.
— O que você quer? Sabe alguém vai notar você de olho nele.
— É um assunto meu.
Ele tocou com o dedo o peito esquerdo da garota indicando o seu coração. – Ah, se soubessem o que se passa ai dentro. O que se pai acharia que você deseja que sua irmã não volte ?
— Serpente enganadora.
— O que diriam da meiga Ino? – disse ele em tom irônico e pode ver o ódio no rosto dela. – Guarde seu ódio minha bela, ele lhe servirá no futuro. Serão tempos sombrios pela frente.
— Me poupe de suas previsões.
— Ah, não vejo Sakura no caminho do Sai. Faça o que tenha que fazer, disfrute enquanto a grande tormenta não vim. – ele disse e foi embora, ele era sempre um mistério com seu jeito pragmático, nunca dizia nada concreto, mas de um jeito ou de outro se cumpria.
Aquilo lhe deixou curiosa.
Fazer o que eu tenho que fazer. – sua mente dali em diante, maquinaria mil modos de descobrir o que ele quis dizer. No entanto, ela sabia da resposta.
**
Sakura estava ao lado de Sasuke, era a primeira vez que saia do seu cubículo desde que foi feita cativa. Enquanto os flocos de neve caiam, ela olhava atentamente para vila e seus aldeões que ali apareciam e olhavam com assombro para ela. Não podia evitar ela gostava de ser temida. O boato que a feiticeira tinha feito com uma das acompanhantes do neto do líder logo foram espalhado e a cada vez que contado, uma nova versão surgia.
A última que fora espalhada, é que a feiticeira congelou a acompanhante como uma boneca de gelo.
Ela estava sem suas correntes no pés, tinham sido transferidas para as mãos. O que foi um alivio, estava com queimaduras naquela área dos calcanhares e a incomodava.
Ela iria pensar em algo contra o Uchiha, mas por momento ela não iria o subestimar, ele era forte.
Olhando para as casas dali, notou certa semelhança com a sua vila em Akureyri , eram parecidas, compostas de pessoas humildes que viviam em um tipo de harmonia. Suspirou demostrando um sentimento de falta de sua terra, seu pai, e suas irmãs...tinha o seu noivo também, Sai. Eles tinham se tornados noivos por um acordo, Sai é um bruxo poderoso e extremamente habilidoso, Sakura era a sua companheira, os dois ás vezes saiam para caçar ou procurar alguma ameaça que poderia tirar o equilíbrio e a paz do clã. Passavam dias ou semanas fora. Anos atrás, os dois saíram para ás regiões dos vulcões procurar obsidianas, rochas conhecidas como vidros vulcânicos, esse mineral é usado para fazer lanças e outras armas, no entanto o uso no clã servia para afastar criaturas fantasmagóricas, quando associados com quartzo e rituais para purificação da alma. Nessa aventura, os dois se envolveram, no começo era algo casual e só pela prática sexual, depois quando essa prática chegou aos ouvidos do seu pai, logo ele quis que os dois assumirem algo sério.
Como não tinham nada a perder, aceitaram.
Chegaram á beira do porto de madeira e lá estavam Madara, Itachi e Shisui. Eles carregavam tochas, pois mesmo dia, a luz solar não apareceria por ali.
— Que demora ! – Itachi reclamou como de costume.
— Estou aqui, não ? – respondeu o irmão demonstrando irritação, sim ele estava irritado e muito, primeiro teve seu sexo matinal atrapalhado e segundo não conseguiu fazer uma refeição.
Ela não comeu, literalmente.
— O que querem?
— O nível do mar subiu nas últimas horas. – disse o patriarca, mas atrás tinham homens colocando sacos de areia, criando uma barreira para impedir que a água tomasse ás ruas. – E a neve já está acumulando e pior, sobre ás plantações e as estufas cederam. O inverno chegou alguns dias antes do previsto, as batatas não estão prontas.
— E agora estão abaixo de neve. – eles não poderiam derreter o gelo, pois a inundação as batatas seriam perdidas de qualquer jeito. Essa plantação serviria para metade do inverno e não podiam perde-las.
Sakura sentiu os olhares de Shisui, ele estava a encarando de lado. Sasuke notou que ela já o tinha notado, como ela era imprevisível e sem limites, ele não sabia o que ela seria capaz de fazer com o outro viking, resolveu chamar a atenção dele enquanto Madara falava.
— Por que não diz logo, o que quer que eu faça e para com toda essa enrolação. Eu não ligo para suas informações sobre o nível do mar ou como funciona uma plantação de batatas.
Madara sorriu, ela era sem farpas na língua, era espirituosa. Uma filha de Loki.
— Você pode retirar toda a neve das plantações e melhor, pode evitar que elas caiam sobre o local. É poderosa para isso ? – Madara pegou no ponto certo do ego dela, ele notou que ela tinha um e dos grandes.
Se ela poderosa para isso ?
Ela torceu o nariz. – Está me desafiando?
Eu só lhe perguntei, humildemente. – disse o líder, ele parecia ser sincero por um minuto, Sakura lembrou do seu pai, pareciam ter o mesmo humor. Certo, que Madara não contou nenhuma piada infame e suja, como o seu pai costuma contar.
— Me leve até lá. – eles cederam passagem e a caminharam com ela. Estava escuro, ela não via a plantação. Essa época do ano era de um certo incômodo. Sakura encheu sua mão com a neve, apertou em seu punho.
Odin me ajude. – disse para si mesma. – Andi vatni og gamla , sem ákalla. — uma luz violeta era emitida de seu corpo e iluminava ao redor. Os presentes ali se olharam, Sasuke olhava aquilo com atenção, vai que aquilo fosse algo contra eles. A luz violeta se propagava como uma onda.
— Magnifico ! – exclamou o velho bruxo. Não era a primeira vez que ele tinha visto aquela ação mágica.
— hætta á þessari jörð . – ela continuou e sua luz foi em direção a plantação, se apossando de cada lugar, brecha ali possível. Ela abriu o punho e cambaleou á frente, estava fraca e como ainda estava em jejum, aquilo quase tirou suas forças.
— Vai ficar brilhando sempre ? – questionou Obito curiosamente.
— É um feitiço, oras. – ela disse impaciente e o viking se encolheu.
— Esplendido ! – o velho líder não escondia sua satisfação com aquilo, foi como planejou. Aquela feiticeira apareceu na hora certa.
A luz solar conseguiu um breve espaço entre ás nuvens e começou a raiar. A aldeia enfim, poderia dizer que era uma manhã.
— Cadê o feitiço? – perguntou Itachi com certa ironia.
— Não pode ser visto na luz solar. – retrucou Madara e Sakura lhe olhou curiosa, ele sabia muito sobre os feiticeiros.
De onde ele aprendeu tanto?
Ela colocou essa dúvida na sua cabeça. Prestaram atenção de como os flocos de neve iam atingindo o local, eles caiam e simplesmente desapareciam, provavelmente quando encostavam no feitiço. As batatas estavam seguras. Passado o momento de admiração, eles caminharam de volta.
— Me diga minha jovem, como está a estádia na casa do meu neto ? – perguntou o líder, ele falava pacatamente e ela notou, que ele era um dos únicos ali que não a olhava torto. Lhe tratava igual.
Ele conhecia o seu poder e do que ela faria.
Sasuke não a olhava julgando ou com desprezo, no entanto ela concluiu que ele era apenas um trepador idiota, mas sua percepção sobre ele mudou, depois do ocorrido da manhã.
Ela encarou o jovem viking e sorriu de lado, já ele estreitou os olhos.
— Está agradável dentro do possível. – Disse e despertou o sorriso generoso do ancião. – Claro que não fico nada feliz em ficar algemada o tempo todo.
— Isso dependerá de você, minha jovem. Bem, Itachi e Shisui quero que vão ao norte e ver se tem algum morador em perigo. Óbito venha comigo e Sasuke, está livre por hoje.
Sasuke e Sakura caminharam silenciosamente até a casa do Viking.
— Por que não disse a ele ?
— Porque quero me vingar de você. – ela falou com aquele expresso sorriso de canto. -
— Hn. – ele deu de ombros fazendo desdém.
De fato, os dois ainda travariam muitos impasses e birras, mas no momento eles só queriam algo para comer, estavam famintos.
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