Sob a Aurora
18 Desolação
Pelas ruas de Akureyri, uma multidão acompanhava a prisioneira fazendo a sua caminhada rumo á morte. Ino era xingada o tempo todo, alguns mais acalorados jogavam frutas podres na pobre bruxa. Estava diferente do que costumava ser, era radiante, mas agora faltava o seu brilho. Seus cabelos loiros estavam opacos e sua pele tão sem vida.
Pelo caminho ela avistou seus ex-alunos, as crianças que antes adoravam a professora hoje eram ensinados pelos os pais a chama-la de assassina.
— Maldita assassina! – ela apenas abaixou a cabeça envergonhada.
Já tinha cansado de dizer que era inocente. Era exaustivo.
Seguiu sendo acompanhada por dois guardas bruxos que faziam sua escolta.
Tantos rostos conhecidos a julgando.
Akureyri pela noite teve leves tremores, o que fez boa parte dos bruxos nem dormirem pela noite. O dia amanheceu nublado e apático, até a neve tinha cessado.
As pessoas falavam ou cochichavam em alto som, ela era uma bruxa com uma alma negra, sem amor.
A escória e a vergonha dos bruxos.
A fragilizada Ino nada falava, seguiu em silêncio como uma ovelha ao seu matadouro. Sua cabeça baixa e sua franja cobria seus olhos, assim não a viam chorando.
Chorava por si e pelo seu bebê. Sua vida com passos contados.
Ela avistou a forca no meio da praça central, seu coração quase que parou diante de tanta angustia. Um homem ajeitava a corda.
As punições dos bruxos tinham se tornado um pouco mais brandas, antes os bruxos eram jogados acorrentados com magia eterna no fundo do lago e ficavam ali até morrer, muitos passavam a vida debaixo da água do lago até o último suspiro. Era cruel.
A forca era prática.
Uma guarda puxou o cabelo dela para trás, a forçando olhar para cima. Ele a forçou a subir os degraus da estrutura de madeira. Era um lugar quadrado com uma grande vara de madeira e uma viga com uma corda amarrada.
Cada passo que ela dava naqueles degraus sentia suas pernas tremerem. Era o seu fim.
— Quer falar algo? – perguntou o guarda.
Ino olhou a multidão que a julgava, procurava um olhar amigo e não encontrou, nem Sai foi salva-la e sua irmã não compareceu, por essa ela ficou feliz.
Iria morrer com mágoa de sua irmã, mas estava em paz consigo mesma, era inocente.
Ela negou com cabeça, não tinha nada para falar. Nos poucos minutos antes de sua morte estava sozinha.
O guarda colocou a corda no pescoço dela.
— Pule! – ordenou.
— Eu irei me juntar a você Sakura. – foi a última coisa que ela disse antes de pular para sua morte.
◇
A neve fofa aparou a queda de Sakura. Lá estava ela deitada no chão. Despertou e a primeira visão que viu foi o seu braço coberto pelos flocos de neve.
Seu corpo estava dolorido e sua cabeça um pouco zonza. Ela sentou-se.
Sua varinha estava longe e a espada de Sasuke a incomodava um pouco sua costas.
— Sasuke! – ela falou para si, precisava retornar para o clã deles.
— Assassina! – ela escutou quase que um coral gritando.
Sakura levantou-se e apanhou a sua varinha. Perguntou para si mesma se estava em casa, talvez não tivesse força o suficiente para viajar para tão longe.
Pegou a espada do seu urso e colocou na bainha da calça. Seguiu rumo pela neve, sua bota afundava no gelo a cada passo.
Ao sair das árvores e seguir o barulho, ela encontrou-se na rua principal do seu clã. Estava em casa. Teve até uma bela surpresa e deu um riso aliviada. Não esperava retornar tão cedo para Akureyri, mas ficou feliz de estar ali. Seria uma breve visita, afinal ela tinha que explicar seu sumiço, porém se fizesse isso, sabia que o seu pai não a deixaria voltar.
— Eu tenho que retornar. – disse, sabia que ali não era mais o seu lugar.
Sakura percebeu que a multidão estava em um certo êxtase, quem seria enforcado?
Sua curiosidade era grande e quem iria ser enforcado, o que fez? Ela foi caminhando pelas bordas, não conseguia visualizar quem estava sendo posicionado para o enforcamento.
— Pule! – escutou o guarda ordenar e a multidão comemorar. Viu de longe alguém pulando.
— Morte á bruxa! – gritava uma mulher.
Sakura não conseguia ver nada, as pessoas estavam alvoroçadas e mal deixavam ela passar.
Por fim ela resolveu perguntar a uma criança: – Quem está sendo enforcado?
— A minha professora Ino. – a garota de cabelos loiros e olhos verdes a respondeu um pouco triste.
Sakura arregalou os olhos.
— Que Ino? – ela perguntou um pouco alterada.
— A irmã da bruxa Tsunade.
O choque em Sakura foi imediato.
— O quê!? – a bruxa saiu querendo cortar caminho, mas parecia ser uma tarefa impossível, eles não a deixavam passar.
Ela retirou a sua varinha e apontou para a frente da multidão. – Tómarúm. – ela lançou um feitiço, quem estava na frente foi arremessado para longe e assim ela seguiu até chegar perto onde se deparou com uma Ino se debatendo na forca.
Foi a pior cena que ela viu em toda sua vida.
Ino já estava roxa.
Sakura correu até a estrutura de madeira, mas os guardas tentaram a impedir sua passagem, a bruxa ergueu a sua varinha.
— Tómarúm. – os dois caíram longe e sem reação. Sakura puxou a espada de sua bainha e cortou a corda da irmã que não caiu no chão devido um feitiço de levitação.
Com uma mão ela empunhava a varinha e a outra a espada, apontando para quem ousasse a se intrometer.
Seus olhos demostravam a fúria que estava. Seu ódio era visível, mas não negava dentro de si que estava confusa.
Por que a sua adorável irmã estava na forca?
Ino levitava no ar, estava inconsciente e em um estado nada bom.
— É a Sakura! – alguém disse.
— A irmã. – logo o burburinho foi sendo repassado para quem estava por ali.
— Não a defenda, ela é uma assassina. – disse um homem da guarda.
— Se se aproximar de mim eu o mato. – disse furiosa, seu olhar penetrante expressava tamanho sentimento.
— Você não sabe, não estava aqui. – um outro apareceu, estava amedrontado, já que reconheceu que era Sakura. – Ela matou o pai dela, o seu pai. – disse.
— O quê? – ela perguntou incrédula.
— Ela matou o nosso líder. – ele repetiu.
— Meu pai está morto? – ela abaixou a espada, era nítido para quem a olhava ver o estado de perplexidade estampado em seu rosto.
— Sua irmã o matou.
— Eu não acredito. – disse com convicção. – Você! – ela ergueu a espada para ele. – A pegue.
— Eu devo obedecer ao...
— Ou você a pega ou eu te mato. – o guarda não teve escolha, sabia do temperamento da bruxa.
Sakura se aproximou da irmã, Ino ainda estava roxa e respirava com dificuldade. Ela pediu para que o homem a botasse no chão. Ino precisava de cuidados e urgentes.
— Eu cuido dela. – disse Kabuto.
Sakura o olhou com certa esperança.
— Kabuto...
— Eu sabia que você iria voltar e eu sei que não foi a Ino. – ele abaixou-se e começou uma reanimação na bruxa. – Pobre criança, isso foi longe demais.
— Do que está falando? Meu pai realmente está morto? – doía um pouco sua garganta dizer isso, falar essa frase causava dor. – Me diga!
— Sim, ele está morto.
— Quem o matou? – era visível sua raiva, sua indignação.
— Vá até o palácio. Não peça mais, deixe eu cuidar de Ino!
◇
O motivo para Sai não ter aparecido no enforcamento da mãe de seu filho era simples: Dan armou uma emboscada para o jovem bruxo e lá estava no fundo do lago agonizando. Um único bruxo não poderia lidar com vinte e seis guerreiros armados para cima dele.
Ele estava próximo de libertar Ino e pretendia solta-la durante a caminhada e os dois fugiriam para longe dali. Ele só não contava que Dan tinha colocado alguns bruxos para o seguir.
O fundo do lago era um lugar macabro. Ele percebeu assim que abriu os olhos e viu o remanescente dos bruxos ali. Olhos sedentos e curiosos. Tinha alguns cobertos por algas marinhas e peixes habitavam por ali como moradia.
Mesmo ferido e debilitado ele tentou se livrar, mas foi inútil. Era magia de selamento.
— Os peixinhos são bonitos. – um disse, ele já era velho e estava louco.
— Como eu saio daqui? – perguntou Sai.
— Peixinhos gostam de sangue. – falou um outro coberto por plâncton.
Sai logo percebeu, já que alguns se aproximavam dele. O seus machucados estavam atraindo peixes. Eles davam mordidas chatas.
— O que fez? – era uma voz feminina. – Aliás, como está o clã? Tem vinte e seis anos que não sei como está.
Os presentes ali começaram a perguntar, um por um como era acima da superfície, como estava o clã.
Sai negou-se a responder.
Ele tentou conjurar feitiços, no entanto nada funcionava.
— Feitiços não funcionam aqui, bonitão. – a mulher disse. Sai deu um grito de raiva, desabafo e foi nesse momento que ele parou para pensar que Ino já estaria morta com o seu bebê.
A sorte de estar ali, é que ninguém enxergava suas lágrimas, estavam misturadas com a água doce do lago.
Sentiu-se inútil, não pode salvar a Ino. Lembrou da sua família e a mesma que não pode salvar quando era criança.
Dizia para si mesmo que não tinha culpa, mas sentia.
Maldito tenha sido o seu destino.
Uma luz forte brilhou no fundo do lago, alguém estava nadando para perto do homem.
— Como ousa vim aqui? – os outros perguntarem.
— Venha Sai. Aniaki evayne esfryst – a magia de selamento foi desfeita.
— Como!? – Sai estava assustado com a figura a sua frente.
— Eu lhe explicarei. Agora precisamos defender o clã, tem tantas coisas que hão de vir.
Hrafnagil
Os Nottikins estavam reunidos no salão principal. A notícia da repentina e inesperada aparição de Sakura no clã dos bruxos, fez as criaturas fantasmagóricas mudarem de planos. Iriam atacar o clã nas próximas horas.
— Os bruxos estão escondendo, mas está lá. Eles os detém. – argumentou um. Estavam diante de uma mesa enorme com um mapa de Akureyri.
— Eles não irão suportar um novo ataque. – o líder deles pronunciou, estava sentando na cadeira principal. – Agora, onde eles escondem?
— Eu não sei, vamos revirar tudo naquele lugar e assim poderemos encontrar. – um sugeriu e marcou com um punhal o castelo principal.
— Vamos agora. Eu senti um poder estranho vindo de lá. Tinha um bom tempo que eu não sentia aquele poder.
— Ele está certo. Dan falhou, a bruxa está viva. Temos que agir imediatamente. – Chōjūrō falou.
◇
A Informação que milagrosamente Ino foi salva do enforcamento pela sua irmã chegou ao castelo. A primeira a saber foi Tsunade que quase caiu para trás com tamanho susto. Sakura viva!
Ela agradeceu a Odin, Freyra e o Thor. Sua irmã estava viva depois de tanto tempo.
Tsunade decidiu que iria contar para o marido a grande novidade, sua irmã querida estava viva. Só poderia ter sido um presente dos deuses, já que no mesmo dia ela estava perdendo a sua irmã. Ela não gostava de lembrar disso.
Ino ainda era a sua irmã, mesmo com tudo que havia acontecido.
A mulher saiu do seu quarto e foi encontrar o marido que desfrutava de um chá quente no jardim congelado. Era uma bela cena o jardim, tudo era congelado, desde as flores, árvores e os bancos.
— Te encontrei meu querido. – ela foi até ele e depositou um beijo na sua testa.
Dan á essa altura se achava o intocável, tudo estava acontecendo como planejou. A herdeira fora e o soldado leal abaixo d’àgua. Ninguém iria contra ele.
— Tome um chá comigo e coloque mais um pouco em minha xícara. – ele observou a devotada esposa o servindo.
Ela era a próxima da lista. Seria o fim da linhagem dos Harunos.
Tsunade era submissa demais e inútil, concluiu o seu marido. Não serviria para os seus planos. De modo algum.
Todavia Dan fingiu ser o seu exemplar marido apaixonado diante a família, mas agora ele era o soberano por ali, não estava abaixo de ninguém.
— Tenho que lhe contar algo, uma coisa maravilhosa aconteceu.
— Diga. – ela o entregou a xícara. Ele martelava em sua cabeça qual seria o melhor jeito de eliminar Tsunade.
Não iria sentir falta, talvez dos seios, concluiu.
— Sakura está viva e entre nós. – disse com um largo sorriso que foi se perdendo quando viu a reação do marido, estava branco como papel. – Não acha que é uma maravilhosa notícia? Ino também está viva, acho que... – ela pausou, algum espirito de racionalidade passou pelo o seu ser. – Deveríamos deixar esse bebê nascer e depois mataríamos a Ino.
Claro que ela não estava raciocinando cem por cento.
— Sakura? – ele levantou–se e deixou a xicara cair.
— Sim. Não acha bom? – Tsunade era tão cega de amor que doía. Ele a segurou pelo o pescoço a colocando contra a parede, a bruxa ficou sem reação apenas com os seus olhos abertos mais que o normal.
Dan desferiu um tapa no rosto dela e a mesma caiu no chão.
Não, ele não teria seus esforços por água abaixo com a aparição da bruxa que dois meses atrás ele fez de tudo para que a matassem, agora a maldita bruxa apareceu.
Ele estava possesso.
— O que está acontecendo? – Tsunade perguntou horrorizada. – Dan?
— Cale a boca. – ele precisava agir imediatamente. – Guardas!
Sakura corria pelas ruas de Akureyri, tentava conter suas lágrimas. Seu pai era tudo para ela, foi inevitável não lembrar dele e as aulas que ele a dava. Aquelas lembranças...
Não entendeu bem porque Kabuto a mandou para o castelo. Aliás, quem estava no poder esse tempo todo e sem dúvidas ela queria tirar satisfação com Tsunade. Como ela pode ter deixado a irmã ir para á forca.
Ela entrou no castelo desnorteada. Queria saber de toda história e saber quem realmente matou o seu pai, ela não perdoaria. Sentia a ira correndo em suas veias. O castelo estava silencioso e mal iluminado. Parecia que todos ali tinham sumido, tão diferente da época que vivia por ali.
— Quem está no comando? – ela perguntou para uma jovem camareira que apareceu saindo de um dos quartos.
— O senhor Dan. – Sakura riu de escarnio, como ele poderia estar no comando e logo lembrou de sua irmã. – Tsunade. Onde ele está?
— No jardim congelado. Senhorita Sakura, como é bom revê-la. – Sakura apenas demonstrou um sorriso insonso e virou-se, precisaria ir até o jardim. Quantas lembranças tinha de lá.
Não demorou muito até ela chegar no jardim, logo foi arrebatada por memórias, seu pai lhe contava histórias ali sobre as guerras e magias antigas. Naquele lugar ela descobriu que os bruxos tinham inimigos e um deles eram bárbaros vikings que viviam ao oeste.
Como queria dizer ao pai que eles não eram tão bárbaros e que encontrou um que a amava.
Sua mente logo saiu de seus pensamentos quando escutou um gemido de dor vindo de lá. Tinha marca de sangue no chão branco.
— Sakura. – uma voz masculina potente foi ouvida.
— Dan, graças a Thor eu te encontrei, o que está acontecendo nesse clã? Minha irmã estava sendo enforcada e meu pai morreu. O que houve?
Dan naquele momento demostrava o seu maior cinismo.
— Você está viva, cunhada. – ele disse.
— Eu nunca morri. – ela disse e fitou rapidamente o chão, tinha uma trilha de sangue.
— Pois é, nunca morreu. – ele disse em tom irônico.
— Cadê Tsunade? E me responda, o que está acontecendo aqui?
Dan andava calmamente pelo o jardim. Ele pisou no jardim das flores de cristais de gelo, as preferidas de sua mãe.
Sakura teve um breve pressentimento que tinha algo errado.
Algo errado vinha dele. – Saia das flores. – ela o ordenou, seu olhar o guiava e não era dos mais amigáveis.
— No tempo que você esteve “morta” muitas coisas aconteceram por aqui. – ela falava em um tom arrastado e frio. – Tantas coisas. – era dissimulado. – Eu fiz tantas coisas.
— Saia das flores. – ela sabia do valor que elas tinham, o valor sentimental e seus poderes.
— Então do nada a filha prodiga volta. Não... eu não tive todo o trabalho para vazar o selo da torre do gelo para você voltar.
— O quê? – Sakura franziu o cenho, não precisou de esforço. – Foi você, claro, você que libertou os prisioneiros que iam a julgamento.
— Adlev. – ele conjurou um feitiço com sua varinha, era um grande raio azul de gelo que saiu, Sakura foi mais rápida e o expeliu.
— Tem certeza que quer me enfrentar Dan? Por favor, eu sei o quanto medíocre você è. Frysta. – ela rebateu.
Ele se escondeu atrás de uma árvore.
— Tão covarde, por isso o líder nunca lhe aceitava.
— Ele me subestimou, Sakura.
— Você! – ela sentiu seu chão desabar, ela era inteligente e logo deduziu, tinha sido ele quem matou o seu pai, tinha arquitetado tudo.
— Por que me acusa? – ele se movia agilmente atrás delas. – O plano tinha que acontecer.
Sakura ficou imóvel onde estava, nem sua pálpebra ela piscava. Dan percebeu que a bruxa não se movia e resolveu ataca-la, porém seus punhais de gelo foram evaporados no ar.
Em um piscar de olho ele não viu mais Sakura. Ela tinha sumido. Dan ficou abismado e nervoso, apontava sua varinha para todos os lados, sabia que ela era ardilosa e uma das bruxas mais poderosa da atualidade.
— Apareça Sakura! – ele disse, soava frio e teve que limpar sua testa com a manga de sua blusa. Então ele percebeu que Sakura tinha assumido a forma do elemento, virou água.
Conseguia ver seus rastros pelo gelo. Um fino rastro como fosse uma cobra rastejando.
— Vai me matar com água? – ele riu de escarnio. – Esperava um pouco mais de você, Sakura. – ele correu, via que o rastro estava se aproximando dele.
Ele expelia vários feitiços, mas não a detinha. Dan correu até o meio do jardim. Tsunade que estava inconsciente tinha acordado, seu rosto estava roxo e dolorido.
— É um jogo de perseguição? – ele falou nervoso.
— Não! – Tsunade gritou quando viu Sakura voltando a sua forma humana e cravando uma espada pelas costas de Dan de surpresa.
— Não é um jogo de perseguição. – a bruxa respondeu e virou sua espada, virando dentro dele. Dan estava em choque, olhos arregalados e quando olhou para a sua barriga viu a ponta aguda da espada coberta de sangue.
Que erro fatal do bruxo.
Quando bruxos se transformavam em elementos, qualquer objeto que estivessem com eles não podia ser transformados, a não ser com uso de uma magia e essa era proibida para os bruxos, e de magias proibidas Sakura conhecia.
Tsunade estava pasma diante da cena de seu marido caindo ao chão aos poucos.
— O que você fez? – ela ia correndo até o marido, mas Sakura ergueu a espada em sua direção.
Dan ainda agonizava no chão, tentava conter o sangue, mas era em vão, no entanto começou a sorrir.
— Acha mesmo que esse clã irá sobreviver? – ele riu de forma maléfica e assustadora. – Não!
— Por favor. – Tsunade já deixava as lagrimas rolar. – Sakura, não o mate por ele ter batido em mim. Ele nunca fez isso.
Sakura viu a mancha roxa no rosto da irmã.
— Foi sem querer. – ela tentava arrumar uma desculpa convincente.
— Tsunade, olhe para a espada. – ela recusou–se. – Tsunade! – sabia o quanto a irmã era fraca, não por poderes, mas por sua escolha. – Ele matou o nosso pai.
— Nunca ele faria isso. Sakura, eu te imploro.
— Por culpa dele nossa irmã ia morrendo.
— Foi a Ino. – ela tremia e começou a chorar compulsivamente. – Foi ela.
Sakura balançou a cabeça negativamente. Sua irmã era um caso perdido.
— Sakura! – ela fincou a espada no pescoço do homem com gosto, era a sua vingança ao homem que tirou a vida de seu pai. Dan morreu instantaneamente de olhos abertos.
Tsunade caiu de joelhos no chão em choque.
Sakura não pode evitar o choro, mesmo vingada não poderia trazer o seu pai de volta. Doía em seu interior, nem ao menos pôde se despedir dele. Era amargo o gosto das lágrimas.
◇
As auroras refletiam no céu sua usual dança. O verde e o roxo dançavam juntos dando um colorido reluzente. As estrelas de cima pareciam mais brilhantes e ainda assim, mais distantes. O ruído dos ventos era ouvido, deixando a noite ainda mais sombria.
Sasuke estava em cima de um Ainevi, uma criatura laranja com listras pretas nas costas, tinha um bico achatado, parecia com pássaro, mas era enorme e não tinha asas, conseguia voar como levitação e no ar ganhava velocidade. Era uma das criaturas magicas que o clã Uzumaki criava.
Naruto estava na frente guiando o Ainevi e Sasuke ao seu lado. Jiraiya estava em um outro á direita com Obito e Setsuna. Sasuke estava centrado, seu maxilar estava trincado e ele estava com o punho fechado. Estava tentando entender porque Itachi tinha feito aquilo, mas logo lembrou das palavras de Jiraiya mais cedo.
A ambição deixa um homem cego.
— Em poucos minutos chegaremos. – Naruto avisou brevemente, ele se ofereceu para ir.
Com a velocidade dos Ainevis, rapidamente eles cruzaram pelo céu uma parte do Ártico. Estava frio, Naruto estava com os lábios tremendo e Jiraiya coberto por uma manta de pele de búfalo. Ainda assim, sentiam frio.
Minutos mais tarde, Sasuke avistou um rastro de fogo ao longe e fumaça vindo do interior da montanha, era o seu clã queimando.
Seu coração apertou. Sua vila queimando.
— Mais rápido! – Naruto ordenou.
◇
Hafnarfjörðu estava em cinzas.
Era um cenário de guerra e como de praxe em todas as guerras, havia um vencedor, um herói no meio de tantos e esse era Itachi. Mesmo diante da desolação, os vikings o saudavam brevemente, afinal, ele tinha destruído os gigantes e cruéis Málaliðars.
— Conseguiu. – Shisui estava á sua direita. – É o novo líder deles.
— Eu disse, não disse? – ele sorriu vitorioso.
— E o Madara? – Shisui perguntou.
— Debaixo dos escombros. – disse sem ao menos se importar. Mesmo com o êxito de seu plano, Itachi ainda não estava completamente satisfeito, ele não tinha matado Sakura. A bruxa escapou, o quanto ele se odiava por isso. – Eu vou reunir todo mundo e dizer palavras de encorajamento, afinal de contas somos um clã unido.
Shisui sorriu, realmente ele adorava o cinismo de Itachi.
Itachi posicionou-se no meio do clã chamando a atenção dos outros que logo se reuniram ao seu redor.
Ele era um excelente exemplar de caradurismo.
— Eu não tenho palavras para explicar o que estou sentindo.
De cima Sasuke e os outros viram a desolação, tudo em chamas. Os Ainivis foram posando, porém os vikings não esperaram ele pousar por completo, pularam do animal.
— Eu o matarei. – disse Obito, seus olhos vermelhos estavam despertos.
— Deixe isso comigo. – respondeu Sasuke sério. Obito se surpreendeu com a feição séria do sobrinho, parecia um outro. Um urso furioso.
— Minha espada. – Naruto o entregou e Sasuke pegou.
Casas incendiadas, mortos jogados ao chão, crianças procurando os pais e choro. Era uma visão desoladora e angustiante.
Sasuke foi caminhando em direção a multidão com a espada empunhada. Quem o via o deixava passar.
— Vamos construir a nossa aldeia de volta. – discursava Itachi com clamor. Tão convincente. Ele avistou o irmão no meio. – Sasuke, meu irmão. – ele estendeu o braço para um abraço.
— Como você pode ser tão miserável? – ele deu um soco impiedoso de direita no rosto do irmão. Itachi deu uns passos para trás cambaleando, sentiu o gosto amargo na boca, estava sangrando.
Sasuke não parou, ele continuou andando até o irmão.
— Do que está falando? Como ousa a fazer isso com o seu irmão? – Itachi revidou o acertando.
Os vikings olhavam, e viam surpresos o que estava acontecendo, nada estavam entendendo, mas nenhum deles ousou a ir aparta-los.
Sasuke estava coberto de ódio, mal percebeu e já estava em chamas. Uma tocha, Itachi não deixou passar.
Como destruir fogo versus fogo? Os vikings se perguntavam.
— Eu salvei esse clã, como me agride dessa maneira?
Sasuke partiu para cima dele com um golpe de esquerda em seu rosto, não temia o seu irmão. Itachi veio para cima, mas Sasuke desviou e esticou sua perna, dando um golpe nas costas do irmão.
Itachi não tinha muita habilidade de luta mão a mão como seu irmão detinha, Sasuke encarava ursos e conseguia vencer apenas com sua força bruta. Era anormal.
Ele tombou para a frente, sabia que o irmão tinha larga vantagem nesse tipo de combate, então pegou o seu machado, o empunhando na mão.
Itachi já tinha o afastado para evitar esse combate deles, porém estava curioso para saber quem o tinha delatado, pensou primeiro no oráculo do clã com certeza seria ele. Sem sombra de duvidas, a sua próxima vitima.
— É tudo o que tem a me oferecer? – Itachi debochou com os braços abertos, Sasuke não ligou estava centrado.
Seu inimigo era tão conhecido...
Pegou a espada cravada no chão que Naruto o tinha emprestado, Itachi foi em sua direção dando golpes com o machado, o urso se defendia com a afiada espada de prata. Os dois eram rápidos e habilidosos com as. armas, parecia mais uma coreografia de um espetáculo. Os tilintados da espada contra a lamina afiada do machado eram ouvidos.
Logo os dois ficaram cara a cara empunhando suas armas na altura do rosto. Olho a olho, as orbes pretas se encaravam, sem nenhum ressentimento. Desprezo do lado de Sasuke e soberba de Itachi.
Os dois tomado por ódio, porém com vertentes diferentes.
— Eu sei que foi você e eu não deixarei isso em pune. – disse Sasuke.
— Então vamos lutar, lutar até a morte, meu irmão e que o melhor vença. – Itachi era sempre o malicioso e deu um chute em Sasuke o desequilibrando, com o seu machado ele deu um golpe que a lâmina afiada do machado fez um corte na lateral do abdômen de Sasuke. Mata-lo não seria tão errado, Itachi sabia que o seu avô tinha planos para o seu irmão, mesmo sem Sasuke querer ele insistia.
O mais velho não aceitava, não. Nos últimos passou a ver o irmão com desprezo, Sasuke não merecia aquele cargo. Não haveria outro destino.
O urso segurou um rugido de dor cerrando os dentes. Não era a primeira vez que ele sentia dor e essa não seria a última. Isso só aumentou seu ódio.
Ele ergueu-se com toda força e golpeou o braço de Itachi na região do pulso, e a mão caiu decepada com o machado.
Foi um ataque surpresa, Itachi logo voltou a sua forma humana. Itachi não tinha desistido e resolveu atacar o irmão pela última vez, Sasuke o deu uma rasteira e ele caiu no chão. Era assim que terminaria.
Itachi via o céu, a aurora parecia até mais convidativa.
Sasuke se aproximou do irmão caído.
Não teria que ter aquele final, ainda eram irmãos de sangue. Seu irmão mais velho, nunca espero que aquilo terminasse daquela maneira, mas o que Itachi fez não tinha perdão. Acabou com a vila que seu avô tanto amava. Custou vidas inocentes. Seu irmão teria que ser morto. Tudo culpa de sua ambição e ela seria a sua cova.
Obito assistia a cena em silêncio.
Implorou para Odin para não lembrar das lembranças do seu sobrinho, não conseguiu. Ele não pôde imaginar o quanto Sasuke estava sentindo naquele momento. Ali via o quanto o seu sobrinho caçula era justo.
— Dizem que quando a morte está chegando ouvimos uma canção. – Itachi disse, estava perdendo muito sangue, tremia no chão coberto de neve.
O gelo esfriava o seu corpo.
Sasuke ergueu a espada.
— Você é um bom guerreiro, Sasuke. – ele sorriu.
— Adeus, meu irmão. – Sasuke cravou a espada no peito dele e deu um grito assimilado um bramido de um urso.
Não era o que queria fazer, mas era o que devia.
Era o justo.
Ele retirou a espada, deu as costas ao irmão. Ia lembrar de Itachi pelas lembranças boas.
Seus olhos estavam marejados.
Entregou a espada a Naruto. O Uzumaki o saudou, que árdua tarefa os deuses tinham preparado para ele. Um irmão, Naruto não sabia se poderia cumprir algo assim se fosse ele.
Óbito se colocou na sua frente.
Um abraço deu no sobrinho. Ele chorou por seu sobrinho morto. Sasuke mantinha o seu olhar para o horizonte. Era difícil ser forte, mas precisava.
— Não! – Sasuke ouviu os gritos de Mikoto diante do cadáver do filho morto. – Não! Meu filho, meu filho.
— Seja forte. – Setsuna disse.
Jiraiya o cobriu com o seu casaco de pele. – Vai precisar. –Sasuke agradeceu apenas com um aceno da cabeça.
Não, ele não estava bem, e tudo o que ele queria, na verdade, o que ele precisava era do colo dela.
Dela. Como precisava de Sakura.
Correu pelas ruas, estava descalço sentia a neve fria em seus pés. Como a queria.
Ele enfim chegou a sua casa, estava queimando a parte de trás, escutou os latidos de Floki. Ele deu um chute na porta a derrubando e encontrou o cachorro.
— Sakura! – a chamou. – Sakura!
Ele foi vasculhando pelos os cômodos da casa. A fumaça era insistente.
— Sakura! – avançando com esforço, ele chamou de novo, e continuou chamando cada vez, mais freneticamente. – Onde está ela Floki?
Ele seguiu para o quarto deles, ali não estava queimando, Sasuke afastou as chamas que estavam vindo. Não poderia queimar ali.
O cachorro deitou-se no chão e colocou a pata entre o rosto.
Ele desceu a escada e saiu de casa. O cachorro o acompanhava pelo caminho como uma companhia.
Nessa altura ele nem ligava para o seu grave ferimento. Ele só queria saber dela. Quando precisava de seu corpo quente, de seus beijos. Não, nem era isso. Quando ele a precisava apenas para abraça-la e tentar diminuir um pouco da dor que estava em seu peito.
— Cadê ela Floki? – ele perguntou como se o cão pudesse o responder, seu coração estava apertado e uma agonia dentro de si o tomava conta. – Sakura! – ele gritou alto o suficiente.
Ele não iria descansar, não descansaria até encontra-la.
Ele foi caminhando, mas já sem forças caiu de joelho na neve.
Precisava dela.
Seu ferimento era profundo e estava perdendo sangue, Sasuke colocou a mão por dentro do casaco e tentou estancar, mas era em vão.
Ele enfim percebeu que ela não estava mais ali.
Akueyri
Sakura estava sentada numa cadeira de gelo no jardim.
Olhava para a as flores de cristais de gelo, com a ponta de sua varinha ela tocou em uma e imagens começaram a passar nas pétalas das flores.
As flores de cristais tinham o poder o magico de armazenar lembranças por um bom tempo. Sakura olhava as imagens de sua mãe segurando Ino no colo e ela brincando ao redor com uma arco e flecha que seu pai tinha lhe dado.
Apenas lembranças.
Logo a cena mudou para uma outra com o seu pai no aniversário da mãe. Em poucos dias sua mãe descobriria que estava doente e morreria. Ela passou a cena.
Sua cabeça estava tonta e estava enjoada. Ela se encolheu no banco e ficou ali esperando o enjoo passar.
Seu clã estava uma bagunça, sua irmã quase morta, a outra bem, era a outra e sem um líder.
Sakura olhou para a espada dele.
Sabia que tinha que voltar para seu urso, mas antes tinha que arrumar toda a bagunça.
— Quase não acreditei quando falaram que você estava viva. – Ino apareceu perto dela. Rin tinha cuidado dela e dado uma poção rara de cura. Era feita de uma bromélia azulada que só nascia uma vez a cada cem anos. Sakura levantou–se e abraçou a irmã. – Você acreditou em mim.
— Sempre. Sempre. – Sakura passou a mão no rosto dela. – Você é minha pequena boneca de porcelana.
Ino sorriu envergonhada e isso ela estava diante da irmã.
Pensou o caminho todo como iria contar a Sakura que dormiu com o noivo dela e engravidou. Não seria uma conversa fácil, mas estava preparada para enfrentar e acataria o que Sakura determinasse.
O momento das irmãs foi interrompido por um guarda que entrou no jardim.
— Venham até a torre da muralha, estamos sendo invadidos.
Sakura olhou para a irmã assustada e as duas correram atrás do guarda. Subiram os degraus correndo, era uma longa escada até o topo da muralha ao leste.
Lá as bruxas avistaram Kabuto, Rin ao lado de alguns soldados que estavam preparando os arcos e flechas para conter o exército que vinha descendo a montanha. Era um grande exército vindo, incontáveis soldados apareciam do lado leste.
– Onde está o Sai? – Sakura perguntou, ele era um hábil guerreiro e com certeza ajudaria naquele momento. Ela parou para pensar e sim, Sai esse era um que ela devia boas explicações, mas esse não era o momento.
Ino sentiu o seu coração parar quando a irmã pronunciou o nome dele. Sakura ainda o amava, ela segurou o choro.
— Ele sumiu desde que disse que iria libertar a Ino da prisão de gelo. – Kabuto respondeu.
Os bruxos atacavam com gelo e água, mas era inútil, o exército ainda avançava, passavam pelo o gelo como fosse papel.
— Odin! — exclamou Ino.
Sakura sabia quem era eles, lembrou da vez que lutou com Nottikins, sabia que o gelo não iria para-los.
Estavam perdidos.
— Quem são eles? – Ino perguntou aflita.
— São Nottikins. – respondeu um homem de voz conhecida, as bruxas olharam para trás e tiveram uma surpresa.
— Papai! – Ino disse boquiaberta.
— Vocês não falaram que ele tinha morrido? – Sakura perguntou perplexa.
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