Ele estava sentado próximo da cratera vulcânica, a lava borbulhava lá em baixo, a alta temperatura era sentida. O Vulcão era o topo mais alto de toda a planície de Hafnarfjörðu, de lá ele olhava o pouco que sobrou do vilarejo.

Os vikings ainda estavam avaliando os prejuízos, o lugar que tanto amavam, agora apenas cinzas cobertas por neve. Sasuke estava consternado com aquilo, porém nada machucava mais o seu coração do que quando se lembrava dela.

Seu amor tinha ido embora.

Ele se encolheu, aquilo doía, machucava-o saber que não iria mais beijá-la, não poderia mais abraçá-la e ser acordado por ela, não contemplaria mais aqueles olhos verdes pela manhã.

Tão doloroso.

Ninguém a traria de volta.

Ele nunca teve uma visão utópica sobre o amor, sabia que em algum dia de sua vida, iria encontrar alguém e dividiria a casa, teriam filhos, seria o seu destino. Parte do ciclo da vida. Era o destino de todos.

No entanto, ele nunca pensou que encontraria alguém, que amaria daquele jeito e que fosse tão arrebatador, Sakura era a sua alma gêmea. Aquela que o fazia completo.

O mais bravo dos ursos sentia a dor da perda.

Se pudesse nunca mais olharia para o oceano a sua frente, ele trazia à mente lembranças dela.

Ninguém a traria de volta...

Ele culpou os deuses, Odin, Thor, Freya... por quê?

Então logo percebeu, seria aquela a maldição? A maldição dos deuses era fazê-lo amar tanto e do nada ser castigado a ficar só.

Ele levantou-se e ficou na borda do vulcão, a atividade magmática por ali estava intensa. Ele mergulhou na lava pura, precisava colocar a mente em ordem.

E pensar o que seria dele pela frente.

Obito trazia madeira recém-cortada da floresta. A vila tinha que ser reerguida. Shisui estava com a equipe de caça providenciando alimentos para as crianças e mulheres. Havia] muitos sem-teto por ali, a comida tinha acabado. Consequências de uma guerra. Para Shisui essa era a pior parte de uma grande batalha. Quem ficava sofria vários tipos de aflições.

— Cansado? – Obito perguntou.

— O bastante. Fomos para uns bosques longe daqui. A neve não ajuda.

— Nunca ajuda. – comentou. – Consegui madeira para uma casa. Temos que organizar isso, quem irá receber primeiro.

— Acho justo. A lista dos órfãos é grande. – Shisui falou com certa tristeza.

— Sim. Vamos ter que ir a Denmag trazer algumas aves, ovelhas. Teremos que ver isso com o Sasuke.

Shisui passou o mão abaixo do nariz. – Ele está destruído. Não sei Obito, não é melhor contar que a bruxa dele não morreu? Porque quem parece que morreu foi o Sasuke.

— Eu sei, mas não é o melhor por agora, precisamos dele para reerguer isso.

Shisui aparentemente não gostou.

— Me dói vê-lo assim também meu amigo. Quando tudo voltar ao normal, quem sabe.

— Sabe que ele irá surtar, não é?

— Não quero nem imaginar Shisui. Não quero imaginar, ou quando ela aparecer por aqui, viva.

— Não fique tão triste meu amigo, Sasuke estará tão feliz que não se importará. Isso se ela aparecer por aqui. – falou, no fundo Shisui desejava que Sakura aparecesse por ali e levasse para longe a mágoa de Sasuke, no fundo ele tinha essa esperança.

A mesma que Obito compartilhava.

A noite estava fria, grande parte dos desabrigados estavam em uma cabana improvisada, era enorme e comportava várias pessoas por ali. O jantar tinha sido servido, ovelhas e frangos faziam parte do prato principal.

As crianças mais espevitadas ficavam próximas do caldeirão e sempre que não tinha alguém olhando, alguns pegavam pedaços de frango e corriam.

Foi o que aconteceu com um que pegou uma grande coxa de galinha e saiu correndo, no entanto esbarrou em Sasuke. O garoto ficou vermelho de vergonha.

— Quer? – ofereceu sem jeito.

Sasuke apenas deu um discreto sorriso de lado. – O que fez não é certo.

— Me desculpe.

— Tudo bem, pode comer esse, no entanto não faça isso na próxima. Certo?

— Certo. – o menino concordou.

Obito e Shisui não disfarçaram a alegria de vê-lo por ali. Até Floki foi correndo para perto de Sasuke todo feliz.

— Tem lugar aqui. – ofereceu Shisui.

Sasuke caminhou até eles e sentou-se.

— Frango ou ovelha?

— Estou sem fome no momento. Vovô, como ele está?

— Ainda sente dores, mas não como antes. A perna dele desinchou um pouco.

— Minha mãe?

— Desolada na floresta. – Obito falou de um forma engraçada. – Desculpa.

— Tudo bem. Ela perdeu um filho e esse foi morto pelo o outro filho dela. Compreensível. Por falar, sabem da Izumi?

— Morreu. – Shisui disse.

Sasuke nada disse.

Ele estava fitando as crianças brincarem ao longe, logo olhou ao redor da aldeia. Mesmo com a sua mente e coração arrasados, ele teria que fazer algo para reerguer aquele local, não era justo não fazer nada com os aldeões.

Seu avô acamado, os guerreiros estavam em baixa. O clã dos vikings estava vulnerável a qualquer ataque. Ele não poderia permitir que nada acontecesse, mesmo que a sua vontade fosse sair dali.

Teria que ocupar sua mente com algo para não pensar nela.

Sua bruxa.

Sentiu o nó apertado em sua garganta quando lembrou dela. Fechou os olhos com força por um instante, como quisesse expulsar seus demônios interiores.

— Temos que mandar uma dracar até Denmag, precisamos de mantimentos e alguns guerreiros. – disse, precisava focar naquilo. – Temos que reconstruir isso aqui o mais rápido possível. Quando tudo estiver pronto por aqui e sua rotina voltar ao normal, irei a Acéuslis, vou trazer guerreiros para cá e fortalecer o nosso clã.

Obito olhou espantado para Shisui, não esperava por essa reação do sobrinho.

— Somos um clã conquistador e isso é o que vamos ser.

— Estou com você, sobrinho.

— Estamos juntos, novo líder. – Shisui o saudou.

— Sasuke é o nosso novo líder? – Rai perguntou.

Obito olhou para Sasuke como se quisesse que ele mesmo anunciasse a sua decisão.

— Vou lutar por vocês, em parte me sinto culpado por tudo isso. Graças a ambição do meu irmão, esse lugar sucumbiu, tenho a obrigação de restaurar o nosso clã.

Todos ali prestavam atenção nele. Cochichos eram ouvidos, um por um falando que ele tinha jeito de líder, uns até falavam que ele recordava Madara. Tinha a mesma força de vontade nos olhos.

Seria um bom líder.

— Vida longa, novo líder! – Hikaku falou.

— Vida longa ao novo líder! – um por um foi falando.

Sasuke nada disse, em seu íntimo sabia que iria honrá-los. Nunca almejou ser um líder, sempre quis esse fardo para longe. Era um pescador nato, queria uma vida pacata e tinha seus planos.

No entanto aqueles velhos planos não seriam mais possíveis. Iria se dedicar ao clã, só assim ia tentar, aos poucos, afogar a mágoa que corroia-lhe por dentro.

A dor de um amor que se foi.

Akureyri

Assim como o clã dos Vikings, o clã dos bruxos estava arrasado. Os dois sofreram golpes internos e em ambos, quem não tinha nada a ver sofreu.

Se o clima nas ruas não era dos melhores, dentro do castelo estava pior. Ninguém sabia o que acontecia por ali, eram como ilhas isoladas.

Hashirama passou parte da manhã pensativo.

Era um líder sábio, sabia bem que se não fosse duas de suas filhas, muita coisa teria sido evitada.

Seu corpo estava dolorido, porém com esforço ele caminhou e sentou-se em seu trono. Não era tolo, entendia muito bem que o povo iria querer respostas.

Ali ele pensava no que iria fazer, seu primeiro pensamento do dia com certeza era o mais óbvio, Sakura seria a herdeira e logo ela assumiria o clã, ele não tinha mais disposição. No entanto, Sakura naquele momento não parecia tão transparente, ela tinha sumido por meses e do nada reapareceu. Ele a cobraria respostas.

Seu segundo pensamento foi sobre a sua filha primogênita, quando pensou em Tsunade, ele até pegou uma taça de vinho e deu um trago forte.

Ela era um desgosto.

Ele era sábio, então teria que ter punição para ela. Seria punida, era o justo a se fazer, por causa de Tsunade a sua caçula iria morrer.

Ah, sua caçula.

Uma vez um homem disse a Hashirama que ter filhas mulheres era um grande problema. Mulheres tinham pensamentos próprios e facilmente entravam em problemas, ele duvidou, mas olhando bem seu atual cenário, o homem estava certo.

Amava suas filhas, mas elas eram um trio de problemas.

Ino, sua preciosa gema de âmbar, sem dúvidas de grande inteligência, sendo essa maquinando para o mal e pelo noivo de sua irmã. Ele deu outro trago na bebida.

Infelizmente sua caçula teria que ser punida também, mesmo estando grávida.

— O que fazer? – disse em alta voz.

Sakura estava no quarto com Ino, essa cuidava de Sai que estava com uma febre alta. Ino colocou algumas compressas no rosto dele na tentativa de aliviar. Tão ferido.

Sakura estava sentada ali aguardando respostas da irmã, tudo o que sabia foi que ela se deixou ser possuída por um Nottikin. Meio terço da história.

Naquela manhã Sakura estava completamente enjoada. Sua cabeça estava zonza e doendo bastante. Ela precisava de repouso e associou o seu mal-estar com a luta. Mal descansou nas últimas horas.

Seu corpo implorava por descanso, esse era o reflexo.

— Eu não sei por onde começar.

— A do Nottikin sabemos, eu quero o resto. – disse um pouco séria.

Ino notou que a sua irmã estava um pouco sisuda e que aquela conversa não terminaria bem.

Como falar que ela forçou o noivo da irmã a transar com ela e engravidou?

Uma gota de suor desceu pelo o rosto dela.

— O resto. Claro.

— Ino, não me enrole. – falou severamente.

Sakura não estava nada amigável.

— Ele me prometeu o amor do Sai, disse que iria me ajudar, mas para isso, teria que entrar em meu corpo.

Sakura balançou a cabeça negativamente reprovando-a.

— Eu estava desesperada e como você não estava.

— Achou justo ser possuída por sabe-se lá quem. – disse em um tom irônico.

— É. Eu sei que você não vai me perdoar, mas eu amo o Sai, bem antes de você se deitar com ele, não estou te ofendendo.

— Continue.

— Eu fiz uma poção com granada vermelha e me deitei com ele, contra a vontade dele. Sai era fiel a você.

Sakura desviou o olhar.

Nessa história ela não era tão inocente, principalmente no quesito fidelidade.

— Eu o forcei a se deitar comigo e fiquei grávida. Eu não tenho justificativa para o que fiz, meu amor me fez fazer coisas impensáveis. No fim eu não consegui o amor dele e você deve me odiar. – ela abaixou a cabeça.

— Apenas isso?

— Eu também ameacei a Kurenai de morte, o Kabuto, matei o meu noivo, eu fiquei noiva e enfim.

Sakura ficou atônita com as revelações da irmã.

— Você foi longe por um amor, infelizmente da forma errada. – ela levantou-se. – Eu não a odeio. Eu também não passarei a mão em sua cabeça e não alegarei que você é muito jovem e não tem domínio sobre seus pensamentos, eu sei muito bem que você é bem inteligente.

— Vai ficar com o Sai, não é?

Sakura sorriu indignada.

— O que você acha?

— Papai com certeza vai sentenciar alguma coisa. Eu não sairei ilesa disso e espero que a Tsunade também não.

— Essa não irá escapar. Papai é justo.

Ino mordeu os lábios temerosa.

— Vou ser banida com o meu bebê ou talvez você fique com ele e com o Sai. – ela voltou a cuidar do homem acamado.

— Eu não tenho planos de ficar com o Sai. – ela disse. Ino arregalou os olhos.

— Não?! – ela negou. – Mas é o seu noivo!

— Era. Engravidou minha irmã, eu sei que o Sai é um homem íntegro, ele nunca abandonaria um filho e ele honra o que fala. Ele não é um canalha.

— Você o está liberando para mim?

— Eu não estarei interrompendo nada, mas você sabe que vai arcar com as consequências.

O semblante de Ino entristeceu, a cada momento ficava mais difícil ficar com ele.

— Sim, eu sei. Sakura...

— Sim?

— Se algo acontecer comigo, você cuida do meu bebê? – pediu um pouco sem jeito.

— Não vamos pensar nisso agora, mas se algo realmente acontecer, eu cuidarei do meu sobrinho. – ela caminhou até Ino e a abraçou. – Você é a minha irmã que amo tanto, eu não sei bem o que tem na sua cabeça. – ela fez um cafuné. – Talvez seja muito oca.

— Sakura.

— Eu vou estar ao seu lado.

— Você me perdoa?

Sakura a fitou, viu a expressão de arrependimento no rosto de Ino.

— Sim. Só me prometa que não usará mais a sua inteligência para benefício próprio e duvidoso.

— Eu estou com medo. – ela disse. Sakura ainda a abraçava. – Eu estou muito assustada. – ela falou chorando e apertou forte a irmã.

— Tudo o que fazemos tem uma consequência minha querida. – ela afagava o cabelo da irmã.

— E o Sai?

— Ele ficará bem, ele é forte. Ino, você tem uma vida dentro de você, creio que esse não é o momento mais oportuno para você pensar no Sai.

Sakura colocou a mão na cabeça, sentiu sua visão escurecer um pouco.

— Ino! – ela exclamou.

Sua irmã percebeu o quanto ela estava gelada, aquilo não era normal.

— Sakura! – Ino tentou segura-la quando ela caiu bruscamente. – Sakura!

Ino estava preocupada ao lado da irmã. Sakura ainda não tinha retornado. Sakura estava deitada em sua velha cama. Nada tinha mudado desde a última vez que ela esteve por ali. Hashirama estava sentado perto da filha, assim como Ino, estava preocupado, mas achava ser fadiga da filha. Tinha lutado bravamente, era normal o corpo ficar exausto.

— Eu trouxe uma curandeira. – Rin chegou.

— Qual é o problema? – a velha mulher de cabelos brancos perguntou.

— Ela desmaiou e está muito gelada. – Ino explicou.

— Algum outro sintoma?

— Não sei. – respondeu Ino.

Uma luz azul saiu da mão da curandeira. Ela foi passando pelo o corpo de Sakura.

Ino no momento fazia de tudo para não encarar o pai, sabia que ele iria puni-la.

— O que ela tem? – perguntou ele.

— Calma.

As mãos pairaram sobre o ventre de Sakura. – Hm.

Ino estava impaciente, queria logo saber o que era.

— Ela está grávida.

— O quê!?

— A magia me mostrou que ela está grávida. Isso causou o desmaio dela. Façam chá de ervas do campo para ela, sua gravidez irá precisar.

Ino anuiu.

— Vou providenciar isso. – Rin falou.

Assim que a curandeira e Rin saíram da sala, a atenção de Ino foi ao seu pai que olhava Sakura dormindo. A caçula sabia que ele queria respostas e até ela estava curiosa sobre a repentina gravidez da irmã. Sakura passou meses longe de casa, talvez foi violada, foi o pensamento que Ino teve.

Triste destino da irmã.

— Assim que Sakura acordar, vá com ela e Tsunade para a sala do trono.

— Certo. – disse temerosa.

Rin se despediu da curandeira e saiu as pressas para falar com Kabuto. Sakura grávida!

Ela foi procurar pelo oráculo no quarto dele, mas não teve êxito, como não obteve no jardim, na sala de poções e nem no templo de sacrifício à Odin. Onde mais ele estaria?

Ela questionou-se.

— Na torre!

Saiu correndo rumo a torre do leste, tinha intuição que ele poderia estar ali, desde o fim da batalha, Kabuto costumava a ficar como um sentinela observando o vilarejo.

Subiu as escadas rapidamente e ofegante, não costumava a fazer exercícios físicos com frequência. – Te achei!

— Olá Rin!

— Tenho novidades, a não ser que você já saiba.

— Não sei.

— Sakura está grávida. – disse entusiasmada. – Não é do Sai, por motivos óbvios, não é? – ela deu um curto sorriso. – O líder parece que não gostou de saber disso. – ela parou assim que percebeu que não foi surpresa para o oráculo. – Já sabia, não é?

— Já. Tem um tempo.

— Muito?

— Antes de ser fecundada.

Rin arregalou os olhos confusa e fez uma careta. – Espero que não tenha visto o ato.

Kabuto sorriu do comentário tão espontâneo da bruxa.

— Não chego a ser tão curioso.

— Desculpa. Tudo ligado às irmãs traz algum tipo de problema, o bebê dela causará problemas, discórdia e quem é o pai?

Kabuto voltou a contemplar o horizonte. A neve caia lentamente sobre o rosto dele.

— Você é bem curiosa, isso deve ser hereditário de bruxos que cuidam de poções.

— Não me culpe.

— Digamos que será valiosa, tem uma magia excepcional dentro de si. Será cobiçada.

— Hm, e o pai?

— Não posso falar sobre ele agora. Só peço que cuide de Sakura, sua gravidez será arriscada, há muita magia sendo envolvida, ela terá que ser forte para conseguir aguentar essa gestação.

— Falando assim você me assusta.

— Poderia dizer mais, mas não quero te assustar.

— Não me tente. Eu vou cuidar de fazer uma poção para ela, magia de equilíbrio?

— Vai precisar. Sempre prepare essa.– ele falou. Rin concordou e se despediu dele.

Kabuto continuou a olhar sua bela paisagem.

— Fogo e gelo. – disse em voz alta.

Alguns minutos antes tinha falado com Orochimaru, e esse pediu para que ele cuidasse de Sakura. Falou até com certo temor, Kabuto perguntou se não era melhor que Sakura fosse de volta para os vikings, mas o oráculo negou, disse que o pai teria que seguir o seu caminho, para no futuro poder salvar o fogo e o gelo. Ele não entendeu bem o porquê, mas ficou em silêncio e aceitou o que o outro oráculo disse.

— Tenha bom ânimo, tudo será por um bom propósito e os proteja. – foram as últimas palavras que Orochimaru disse para ele.

— Isso nunca é fácil.

Sakura tinha despertado, estava com um péssimo mal-estar e sentindo seu corpo fraco.

Ino estava ao lado de Rin quando ela acordou. A irmã estava segurando a língua e ansiosa para contar para irmã que ela estava grávida.

Rin segurava uma caneca com uma poção azul estranha, no entanto com um ótimo cheiro.

— Minha cabeça ainda está zonza. – ela reclamou.

— Tome. – Rin ofereceu. – Vai melhorar.

— Grata. – ela pegou a caneca, a aparência não era a melhor, mas o cheiro atraía. – O que tive?

Os olhos de Ino brilharam de tamanha euforia para contar. – Você está grávida! – disse entusiasmada.

Os olhos de Sakura estavam arregalados e ela deixou até a caneca cair. Rin logo pegou e limpou.

Ela parecia perplexa.

— Grávida! Eu nunca achei que você seria mãe, mas olha que surpresa.

Sakura colocou a mão no seu ventre, aos poucos sua expressão cética foi sendo trocada por um sorriso misturado com temor.

— Grávida. – ela repetiu uma vez. – Urso. – disse abobalhada.

Ino não entendeu o que ela quis dizer.

— Papai quer falar conosco, você tem condições de andar?

A mente de Sakura estava longe, tudo o que conseguia pensar era em Sasuke e quão ele iria ficar feliz ao saber disso. Ele teria um ursinho ou uma ursinha. Logo imaginou o viking todo bobo com a novidade, era tudo o que ele queria, ter uma família com ela.

— Sakura? – Ino estralou os dedos na frente do rosto da irmã.

— Sim!

— Pode se levantar? Papai quer falar conosco para bem ou para mal.

— Posso. – disse.

Tsunade foi a primeira a chegar na sala. Sentou-se numa das três cadeiras reservadas diante do trono do pai. Mais cedo ela tinha velado o marido, não teve um funeral de pompa. Foi cremado discretamente e suas cinzas jogadas na cratera do vulcão. Ela ainda não aceitava a morte dele, o seu luto era doloroso.

Hashirama fingia não ver isso. Sua primogênita era um caso perdido.

Ino entrou com Sakura, ela segurava a irmã que cambaleava um pouco.

Só faltava essa de Sakura, grávida.

— Podem sentar. – ele disse sério.

A mais nervosa das três era Ino, estava com medo de qual seria o castigo de seu pai, ele não pegaria leve.

— Tenho três filhas e as três conseguiram trazer problemas.

Ino abaixou a cabeça.

Tsunade enxugava as lágrimas e Sakura nada disse, estava serena. Sua preocupação era outra.

— Me decepcionaram como nunca, talvez isso deva atestar que eu sou um péssimo pai. Falhei em criar vocês. Eu sou um homem justo, jurei proteger esse clã, no entanto minha própria descendência quase o destruiu, isso me parte o coração, mas como disse, sou um homem justo e agirei com justiça e imparcialidade. Tsunade.

— Sim.

— Minha primogênita e de maior desgosto. – ela começou a chorar compulsivamente. – Seu amor e devoção por seu marido deixaram-na cega e deixou a sua irmã caçula padecer, e estando essa grávida. Renegou seu próprio sangue.

— Me perdoe.

— Eu como um bom pai a perdôo. – Ino o cortou.

— Como? Ela me mandou para forca!

— Não me deixou terminar Ino.

— Me desculpe. – sentou-se.

— Tsunade, será exilada do clã por alguns anos.

— Papai!

As duas irmãs olharam para ela, Ino achou justo e até ficou contente, não disfarçou.

— Não terá direito a sua varinha.

Tsunade desabou em choro. – Por favor!

— Consequências. Todos temos que arcar com nossas ações. – ele disse. – Sakura.

— Sim, papai. – o respondeu, não precisava ser adivinha para saber que seu pai ia exigir respostas de onde ela esteve e agora com a gravidez, com quem esteve. Tinha que pensar rápido, seu pai não poderia saber que ela estava no clã dos famosos bárbaros e que estava grávida de um. Ela tinha que esperar para contar a Sasuke a novidade, eles seriam pais.

— Onde esteve?

— Durante a batalha, eu me teletransportei para um lugar que não conhecia, era deserto e eu estava fraca. – ela pausou, até agora não tinha mentido. – Fui feita de refém para alguns pescadores do litoral e eles estavam com minha varinha nada poderia fazer.

Hashirama ergueu a sobrancelha direita em forma de interrogação. – Pescadores? – ele não estava acreditando que sua filha, uma das mais bravas bruxas foi aprisionada por pescadores. Era muito fantasioso.

— Eu estava fraca e era mantida acorrentada. – disse.

— Foi violada? – ele perguntou.

Sakura desviou o olhar por uns segundos. Tinha que pensar bem em sua resposta. – Sim.

— Minha irmã. – disse Ino segurando sua mão em um gesto de solidariedade.

— Interrompa essa gravidez. – Hashirama falou.

— Não! – ela exclamou alto.

Até Tsunade cessou o seu choro e prestou atenção na sua irmã.

— Não acho que ela tenha a ver com o meio em que foi concebida.

— Do que está falando, Sakura? – o tom impaciente em sua voz foi notado. – Quer manter uma criança indesejada, fruto de um estupro?

— Irei. – respondeu. Isso só aumentou as suspeitas dele. Sua filha não estava falando toda a verdade.

— Sabe que essa criança não será de sangue puro, não poderá ser herdeiro e talvez nem carregue magia. Será um Ylen.

Bruxos não eram autorizados a manter romance com quem não era do clã. As crianças geradas de relacionamentos com humanos normais, eram chamados de Ylen. Em alguns casos raros eles dominavam o elemento, mas eram mal vistos pelos bruxos, por não ter sangue puro e esses sempre tinham tendência para o mal.

— Eu sei.

— Sabe que não estou acreditando nessa história, não é Sakura?

— É a mais pura verdade, meu pai. – afinal Sasuke era pescador.

— Tenho uma herdeira que será mãe de um Ylen. – disse decepcionado. – No entanto, nessa história que me contou há furos e eu vou querer saber mais, não pense que acreditei. Sua varinha, me entregue.

— Isso é um absurdo!

— A terá de volta, quando me contar a verdade.

— Me recuso. – ela puxou a varinha e ia iniciando a conjuração do feitiço de teletransporte.

stöðvatímann. Seu pai conjurou um feitiço na frente. Percebeu as intenções dela. Agora sabia que ela escondia algo.

O tempo parou, as três à frente dele não se moviam, apenas ele, que levantou-se e pegou a varinha dela. – aðhverfa. – era um feitiço rápido, milésimos de segundos.

— Hverfa. – Sakura conjurou, mas logo percebeu que estava sem a varinha. – Pai!

— Quando me contar a verdade, terá de volta.

Tsunade e Ino olharam surpresas aquela cena e foram unânimes em perceber que tinha algo errado com Sakura.

— Isso não é justo! – esbravejou furiosa, mas Hashirama não deu atenção.

— Ino!

A caçula tremeu. O seu pai não tinha poupado Sakura, o que seria dela? Engoliu seco.

— Eis-me aqui.

— Você foi o caminho de passagem para que os Nottikins entrassem no clã e tivessem acessos aos pergaminhos secretos. Que decepção e tudo para conseguir o noivo de sua irmã. Você me decepcionou minha pequena. Será isolada do clã e terá que viver na floresta sozinha até o seu filho nascer.

— Papai, eu...

— Eu sou um homem íntegro. – ele falou por fim, também estava triste por aquilo, mas era o que tinha que fazer.

Ele levantou-se e saiu da sala, deixando as filhas em silêncio, que durou pouco.

Tsunade e Ino choraram por seus respectivos castigos e Sakura estava desolada.

Como retornaria a Hafnarfjörðu sem sua varinha? Achou uma injustiça ser prisioneira em sua própria terra natal. Seu pai não agiu corretamente com ela.

Tsunade foi a primeira a sair do clã. Ainda estava escuro quando ela saiu sem rumo e apenas com a roupa do corpo e alguns mantimentos. Sakura e Kabuto foram os únicos que testemunharam a bruxa indo embora.

Sakura não negou que ficou triste pela irmã, mas era o justo a se fazer, Tsunade foi vítima e vilã de si mesma. Um dia as duas iriam se reencontrar novamente, desejou sorte a irmã em sua jornada ao desconhecido.

Ino acordou já se sentindo derrotada. Seus olhos estavam vermelhos, sinal que chorou a noite toda. Antes de sair do castelo ela se despediu de Sai, o bruxo estava melhorando aos poucos. Seu coração estava dilacerado, no final não ficou com ele.

Assim que ela desceu as escadas encontrou Sakura. Sua irmã estava ali, ela correu e abraçou a irmã de cabelos róseos.

— Eu não quero ir.

— Vou interceder por você.

— Papai vai me deixar isolada na floresta para sempre e você sabe que lá é assombrado.

— Eu sei que você é corajosa e eu mesma não deixarei nada acontecer com você.

— Diga ao Sai quando ele acordar que eu não irei mais forçar nada dele, nem condições eu tenho para isso mesmo, no entanto eu gostaria que ele me perdoasse.

— Não se preocupe.

— Posso te fazer uma pergunta? – Sakura concordou. – O pai do seu bebê, eu não sei muito sobre o amor, mas deve ser algo parecido quando você falou sobre um urso. Você não foi violada, certo?

Sakura não conseguiu negar, o sorriso logo floresceu em seu rosto. – Não, eu não fui.

— Você está apaixonada. – Ino sorriu, jamais viu a irmã dessa forma. – Você vai voltar para ele?

— Irei sim, vou arrumar um jeito de reencontrá-lo.

— Não esqueça de mim.

— Não irei. – ela se despediu de Ino com um beijo na testa dela. – Eu te amo minha irmã.

Ino acenou em despedida e foi guiada por dois guardas.

Sakura não escondeu a tristeza por ver a irmã indo embora, Kabuto a amparou.

— Você sabe onde eu estive. – ela comentou.

— Sim. Denmag é linda. – Kabuto disse com um sorriso e Sakura concordou.

— Eu vou retornar para o Sasuke. – ela falou esperançosa.

— Não acho o momento apropriado Sakura. – ele pausou, teria que ter cautela nas palavras que usaria. – Está sem sua varinha e uma bruxa caminhando sozinha e cruzando clãs inimigos não é boa ideia, e mais grávida.

— Acha que eu tenho esperar o Sasuke vir me buscar? Eu tenho certeza que ele virá, ele têm capacidade para tal atitude. – disse sorrindo. – Ele com certeza fará isso e enfrentará o papai.

Um mês tinha se passado e no clã dos bruxos havia paz, estavam se reerguendo aos poucos, ainda teria muito tempo pela frente para voltarem a ser um clã sem sinais de guerra.

Sai tinha saído da enfermaria, durante esse período ele ficou sob o cuidado de Rin. Ele não concordou com a decisão de Hashirama em mandar Ino para a floresta de Dumbarhð. Era uma floresta sombria e inabitável. O ancião estava irreversível em sua decisão e ainda o avisou que ele não poderia ir até Ino até o bebê nascer.

Nesse período, a gravidez de Sakura estava causando muitos enjoos para ela. A parteira da vila não entendia o que acontecia com a gravidez da bruxa, isso não era comum. A bruxa sentia-se exausta, tudo o que fazia a deixava cansada e logo deitava.

— Aqui, mais poção do equilíbrio.

— Eu não aguento mais tomar isso Rin. – ela fez uma careta.

— Vai ter que tomar até o fim da gestação, seu bebê a está consumindo. A parteira está surpresa com essa situação.

Sakura trocou breves olhares com Kabuto. Ela temia que não pudesse continuar sua gravidez até o fim.

— Você ia me falar sobre Tsunade, me diga como ela está. – pediu ao oráculo.

— Ela deu de uma sorte. Foi encontrada no meio da estrada de Varmahlíð. Adivinha quem a encontrou?

— Não sendo Nottikins. – ela disse preocupada. – Me diga quem.

— O primogênito do clã Uzumaki.

Sakura ficou surpresa.

— O que negou ser líder? Eu só recordo que ele tinha cabelos brancos como uma juba.

— Esse mesmo.

— Como os Uzumakis são nossos aliados, não há perigo. Temia por ela sucumbir em algum lugar e se aproveitarem dela.

Os presentes ali ouviram batidas na porta.

Sai entrou no quarto para surpresa de Sakura, desde que ela retornou, os dois não conversaram

— Acho que temos que ir, Rin.

— Logo voltaremos. – disse a bruxa. – Sai, eu arrumei o que sobrou de sua casa.

— Grato.

Os dois foram embora, deixando os outros[6] dois sozinhos.

— Que bom vê-lo vivo.

— Que bom vê-la viva. –ele replicou. Deu um curto sorriso de lado. – Digo o mesmo.

— Aham. – Sakura endireitou a postura de seu corpo.

— Eu pensei que você tinha morrido, por um bom tempo eu te procurei.

— Eu posso imaginar.

— E cá estamos novamente. Você grávida e eu prestes a ser pai, do seu sobrinho. Seu pai me disse que você foi violada.

Sakura abaixou o olhar, tomou uma decisão para si mesma. – Ele não me violou. – disse.

Sai ficou surpreso, frustrado seria a palavra mais adequada.

—Você me traiu. – ele falou consternado.

Ela foi direta. – Sim. No entanto, não foi algo que planejei e sim aconteceu e quando vi, já tinha acontecido.

— Eu não estou no lugar de julgar. Não vou dizer que estou bem com isso, creio que o único que foi violado da história foi eu. Sua irmã.

— Ela utilizou a granada vermelha, fiquei sabendo. Ino agiu por sentimentos e não avaliou as consequências.

Sai evitava olhar Sakura, ele estava um pouco triste. Mesmo os dois antigamente não tendo uma relação de amor, eles eram noivos e estavam juntos, mesmo por conveniência. Isso pesou.

— Me perdoe.

— Você foi verdadeira, pelo menos. Sabia que essa história de pescador te prendendo era um pouco fictícia. Não é fácil isso tudo, eu estou até confuso. Tem Ino, mal consigo dormir pensando que ela está numa floresta sombria e cercada por lobos. Seu pai foi cruel.

— Ele ainda pegou leve com ela e Tsunade. As duas mereciam a torre de gelo e perpétua.

Ele concordou.

— Vai voltar para o pescador?

— Sim. Espero que me perdoe de verdade.

— Não estamos confortáveis. Eu engravidei sua irmã, tem uma criança com o meu sangue nela. Eu honestamente não sei o que dizer, não sei mesmo. Eu estou decepcionado, mas isso é normal.

— O que fará quando o bebê da Ino nascer?

— Eu irei cuidar do meu filho. Eu estou feliz por ter um filho. De verdade.

Sakura deu um sorriso gentil.

— E a Ino?

Sai colocou a mão no meio da testa. Aquilo era difícil. Uma pergunta difícil.

— Ela ainda é uma adolescente. Dezesseis anos. Eu não sei, eu não tenho um sentimento formado por ela, eu a via como a sua irmã e na minha vista, ela também era a minha. Eu estou bem perdido.

— Vai se encontrar. Ino aprenderá pelas suas consequências, ela vai precisar de ajuda. – os dois ficaram em silêncio.

— Eu vou indo, eu vou na floresta, mesmo que de longe. Foi bom te ver.

— Digo o mesmo.

Sai foi embora.

Sakura respirou aliviada da enorme pressão que teve. Não sabia qual seria a reação dele. Eles sabiam que não era preciso uma discussão, acusações de ambos os lados. Não precisava, pois eles nunca se amaram de verdade.

Hafnarfjörðu

Era o último dia de inverno; alegria para os vikings.

Quatro meses tinham se passado desde o ataque orquestrado por Itachi. A vila estava sendo reerguida, mais rápido que o previsto. Sasuke estava empenhado em fazer seu clã grande novamente, trabalhava quase o dia todo e ia para casa apenas dormir.

Era a sua ocupação. Sua distração.

As casas tinham sido reconstruídas e não havia mais nenhum desabrigado. Foi criado um orfanato para as crianças que perderão seus pais. Mikoto cuidava dele, era um meio de suprir a falta do filho.

Como o inverno estava indo embora, várias dracars já se preparavam para enfrentar o oceano para a pesca. Sasuke estava animado com isso, mesmo que não fosse pescar. Ele estava preocupado em treinar os jovens para serem guerreiros. O clã estava com um déficit.

Madara olhava da frente da sua casa o fim do treino. Os jovens estavam exaustos.

— Ele é tão parecido com você. – comentou Rai.

— Até me surpreendo. – ele estava segurando uma muleta, desde aquela luta ele mancava, sua perna direita perdeu o movimento.

— A vila está voltando a velha harmonia.

— O bom é que eu estou apenas aproveitando tudo isso. – sorriu. – Sem trabalho.

— Você merece descansar. Vou indo, até mais Madara.

— Até.

Ele sentou-se em um monte de feno. Viu que Sasuke vinha em sua direção com o seu fiel escudeiro.

O cabelo do viking estava um pouco maior, Sasuke estava mais forte, tinha adquirido mais músculos. Era um belo exemplar rude nórdico.

— Quantas vezes eu vou dizer a você que o seu cachorro é um lobo.

Sasuke olhou para o Husky, ele estava enorme agora. – Ele parece com um lobo, mas é um cachorro avô.

— Para mim é um lobo. Está enorme.

— Floki é um devorador. – Sasuke comentou animado. Amava aquele cachorro, era uma lembrança que tinha dela. No início não foi apenas Sasuke que sentiu falta de Sakura, o cachorro também sentiu bastante. Sempre ia até a fonte de água quente procura-la.

Aquilo apertava o coração de Sasuke.

— Vou organizar expedições para Denmag. Quatro dracars.

— Bom. Vai querer carneiro assado para o jantar?

— Sim.

Sasuke avistou ao longe um barco se aproximando, era enorme e ele jamais tinha visto um daquele.

— Quem será? – Madara perguntou.

Sasuke caminhou com Floki até a praia, outros vikings foram se aproximando, estavam curiosos.

Assim que o barco ancorou, algumas pessoas foram descendo.

Os vikings ficaram em posição de ataque.

— Essa não é uma boa forma de ser recebida, depois de passar um mês navegando.

— Konan! – Sasuke disse surpreso. – O que faz por aqui?

— Se o Rei não vai a Acéuslis, a própria vem. Bom revê-lo vossa majestade.

— Sasuke vai usar aquelas roupas? – perguntou Obito sacanamente.

— Tio! – Sasuke repreendeu. – Não irei usar aquilo, logo aviso.

— Tudo bem. Não vim falar sobre vestes reais. Antes de tudo, esse é o meu amigo, Hatake Kakashi. – ele estava ao lado de Konan e Sasuke estava curioso pelo o homem.

Sasuke encarou o homem, ele tinha o cabelo platinado e roupas estranhas que nunca tinha visto.

— Vossa majestade. – o reverenciou.

Como Sasuke odiava isso, até revirou os olhos. Konan sorriu, o jeito de Sasuke era único.

— Hm.

Sasuke apresentou Hafnarfjörðu para Konan que ficou encantada com o lugar. Era diferente de onde ela vinha. Tudo tão simples e rústico. Achou acolhedor. Os outros vikings estavam tirando mantimentos de dentro do barco. Havia especiarias, ouro, armas, alguns animais, comidas e tecidos. As mulheres dali adoraram os tecidos de cores tão vivas, dariam ótimos vestidos.

— Encantador o seu reino.

— Não sou rei daqui. Aliás, onde você arrumou aquele homem?

— Kakashi veio de uma terra muito longe, lá do oriente. Ele é alquimista. – Sasuke não sabia o que era isso. – Ele mexe com um tipo de magia de conhecimento. Ele é um sábio e me ajuda bastante. Somos mais que amigos, se você me entende.

— Bom para você. Então, você veio de lá para cá, só para dizer que está junto do cara de vestido?

— Sempre tão desconfiado. Quando você me enviou o corvo dizendo o que houve aqui, eu fiquei preocupada, no entanto não pude vim de imediato. Eu sinto muito por ela. Sakura foi uma grande bruxa.

Ele não gostava de falar sobre isso. O desestabilizava de uma maneira incontrolável.

— Eu cheguei a pensar, que se ela não tivesse ido embora e eu como o líder, nossa relação seria assumida. Ela estaria aqui ao meu lado, com certeza com aquele jeito dela falando mal de tudo e querendo do jeito dela.

Konan achou encantador a forma que ele falou, realmente era um homem apaixonado.

— Tome. É um ramo de flor de cerejeira. Eu não sei se vai crescer aqui, talvez o inverno rigoroso a mate.

— Flor de Sakura. – ele pegou o ramo em um vaso. – Obrigado. Ela ficou fascinada quando viu essas cerejeiras em Denmag. Pelo o pouco que vivi com uma bruxa, eu sei que bruxas não são boazinhas assim do nada e elas sempre querem algo em troca.

—Parece que conhece bem as bruxas. — ela disse humorada. — Preciso de sua ajuda, ou melhor, o seu reino precisa de sua ajuda.

— Prossiga. – os dois seguiam caminhando pela planície.

— Acéuslis está cercada por reinos vizinhos, cada um tem o seu rei e suas leis. São treze reinos ao total. Contudo, desses reinos, o nosso é o mais que prospera e sempre há aqueles que alimentam sentimentos negros. Há um plano entre os doze reinos de invadirem o nosso.

Sasuke prestava atenção no que a bruxa falava.

— Eu lhe proponho algo que se você conseguir, fará o seu nome entrar em toda história e todos os reinos respeitaram o seu nome. Bravo rei Urso.

— O que está sugerindo?

— Que você vá com o nosso exército e derrote um por um dos reis que querem se levantar contra nós. Contra o seu reino.

— Não tenho interesse em entrar na história.

— Eu sei. No entanto, esse seria um meio de você esquecer um pouco o que você está tentando sufocar, a perda dela. Ocupará a sua mente. Você perdeu o seu grande amor, nada como um sentimento de ódio para fazer um guerreiro.

— Eu estou ocupado aqui.

— Quando suas obrigações acabarem? Vai ficar remoendo os sentimentos e se auto destruir. Você é um guerreiro, foi feito para lutar e conquistar. Você terá guerreiros para proteger o seu clã, o quanto quiser. O que me diz? – ela ofereceu algo tentador, um motivo que lhe daria vida, já que o mesmo se encontrava nas trevas.

Se tivesse que morrer, seria em um campo de batalha, nada mais justo para um viking. Ele não tinha mais ela, não tinha um bom motivo para voltar para casa. Cada campo de batalha que agora ele fosse, seria como se fosse o último. Iria enfrentar as batalhas com sua própria vida.

Nada mais importava. Era o único jeito de evitar que a sua solidão machucasse.

— Aceito.

O resto seria consequência.

Akureyri

Alguns meses depois...

O reflexo do luar entrava pela janela do quarto de Sakura.

A parteira foi chamada por Rin as pressas no meio da noite. A bruxa estava entrando em trabalho de parto. Sem sombra de dúvidas era a pior dor que ela já sentiu em sua vida. Não exagerando, mas sentia como se sua alma estivesse saindo do corpo.

Sakura estava desabilitada, sua gravidez foi quase uma tortura.

Suas mãos tremiam e ela segurava um urro de dor.

— Vai ficar tudo bem Sakura, você aguentou oito meses desse sofrimento. Agora eu tenho ideia porque os clãs não se misturam. – comentou Kabuto, sua intenção era amenizar, mas não adiantou muito.

— Sasuke. Eu quero o Sasuke! – choramingou. – Eu quero o meu urso, meu urso.

— Aqui está ela!

— Graças Odin, chegaram. – Kabuto agradeceu.

— Ela está péssima. Eu não sei como ela aguentou levar até o fim.

— É a bruxa mais forte de todo o reino. – comentou Rin.

— Salve o bebê. – Sakura pediu.

— Farei o meu melhor. – a parteira respondeu. Sakura gemia de dor. – Faça ela tomar algo forte.

— Quer poção do equilíbrio? – Rin perguntou.

— Não mesmo! – ela esbravejou.

Kabuto deitou a bruxa sobre a cama. A parteira abriu as pernas dela.

— Dê algo para ela morder. Ela já está se contorcendo, o bebê já vai vir. A mulher pegou uma lâmina afiada e deu um pequeno corte incisivo na região do períneo, para auxiliar a saída.

Sakura gritou de dor.

— Sua força querida, ele ou ela já está vindo. Faça força!

A bruxa se esforçou e colocou toda sua força para fazer o bebê sair. Foi rápido quando ele saiu.

A mulher pegou a lamina quente e cortou o cordão umbilical imediatamente e deu o bebê a Rin.

— É uma menina! – Rin falou. Sakura sentiu um alivio.

—Rin, dê um tapinha no bebê, faça-o chorar. Minha querida, não desfaleça a perna, vamos tirar o outro.

— Outro? – ela perguntou cética. – Sasuke seu infeliz!

— Força! Vamos até o três. Não fraqueje.

Enquanto o Sakura fazia força, o choro da menina ecoou pelo o quarto.

— Vamos! Está vindo. Mais força.

Sakura colocou a força que restava, gritou agudamente, talvez todo palácio tenha ouvido. Ela estava suada e exausta. O bebê não demorou a sair e a senhora fez o mesmo procedimento.

— Temos aqui um menino. Um forte menino.

Sakura chorou, mas não foi de dor e sim alegria por aquele momento em poder ver seus dois filhos, seus dois ursinhos.

Como ela queria que ele estivesse ali naquele momento.

— Nenhum tem cabelo rosa.

— Quero vê-los. – disse emocionada.

Rin entregou a menina primeiro. Sakura acariciou a menina, ainda suja e em seguida o menino.

— Tão pequenos. – ela disse boba.

— Eles precisam de banho. Daqui a pouco você pode segurá-los.

— Não os leve.

— Calma. Kabuto, dê algo forte a ela, um chá de malva, ele é bom para recuperar forças e aliviar dores. Ela fez muito esforço, achei que não iria conseguir. – ela pegou um pano e passou sobre o rosto de Sakura, tirando o excesso do suor.

Sakura enfim segurou os dois pequenos em seus braços. De início foi complicado, mas a parteira a ensinou alguns truques. Os dois estavam mamando tranquilamente o peito da mãe.

— Esfomeados como o pai. – disse. — Queria agradecer a vocês por me ajudarem.

— De nada. – Kabuto falou e em seguida Rin.

—Fico a pensar como a minha pequena irmã deu à luz a seu filho sozinha naquele lugar.

— Ino é bastante corajosa. Ela mesma fez o parto dela. Eu não teria tanta coragem. – Rin comentou. O bebê de Ino tinha nascido um mês atrás, era um menino e se chamava Inojin. Ele passou poucos dias com a mãe, como parte da punição ela teve o bebê retirado. A garota chorou e implorou ao pai, no entanto não funcionou. Sai cuidava do bebê com a ajuda de Rin.

Sakura estava apenas esperando se recuperar para poder interceder por sua irmã. Era desumano aquilo.

— Como vão se chamar? – Rin perguntou.

Sakura olhou bem os seus bebês. – O menino vai ser Satsuki. O pai falou sobre esse nome uma vez. Sasuke tinha bastante planos em ter filhos, sempre falava sobre nomes. Meu urso bobão.

— Gostei. E acho que ele também, ele sorriu. – Rin falou.

— E a menina?

Sakura pensou um pouco.

— Sarada. Acho que combina com ela, meus dois bruxinhos, ou melhor, ursinhos como o pai chamaria. ­— ela sorriu. Nem mais lembrava aquela mulher que estava sofrendo horas atrás as dores do parto. – Kabuto...

— Sim?

— Onde é que está o Sasuke que não veio me buscar ainda? Ele vem me buscar, não é?

— Ele está em um reino distante, é o líder de um exército que está avançando contra um reino inimigo. — ele pausou, sabia que seria doloroso dizer aquilo. – Não Sakura, ele não vem te buscar.

Notas finais
Ouch! O tempo passou nesse capítulo, pois eu não queria que ficasse enrolação. Temos dois novos ursinhos no pedaço, sabem aquele lance de fogo e gelo. Qual será o elemento da Sarada? #Curiosa E agora, será que a Sakura vai atrás dele, mas já pensando no quanto a nossa bruxinha é orgulhosa, não sei não.