Sob Os Efeitos Da Paralisia Do Sono
1 Capítulo Único
Tudo estava completamente escuro, um verdadeiro breu. Todo aquele pequeno quarto, que continha apenas um espaço de 90 centímetros da cama até o roupeiro, um espaço que permitia Daniel chegar até a sua cama, tudo aquilo estava assustadoramente escuro. Não havia nenhuma fonte de luz, nem mesmo pequenos riscos vindo das venezianas da janela. Não havia nada. Seu quarto estava submerso em uma escuridão profunda.
Aquele cômodo parecia apenas uma caixa escura com nada dentro dela. E era exatamente assim que o garoto se sentia, mesmo estando dormindo. Se sentia dentro de uma caixa escura, mas apenas com ele lá dentro.
O menino de 13 anos abriu seus olhos e viu a parede escura do seu quarto. Ele sentia-se desconfortável quando estava deitado de barriga para cima, e tentou virar-se, mas não conseguiu. O único movimento que ele conseguia fazer era fechar seus olhos, e logo apavorou-se. Suas mãos não correspondiam aos movimentos que ele tentava fazer, não conseguia nem movimentar os dedos do pé.
Daniel decidiu fechar os olhos imediatamente, estava ficando tenso, e talvez até um pouco claustrofóbico, parecia que tudo estava tão pequeno agora. Mas fechar seus olhos era praticamente a mesma coisa que deixá-los abertos: enxergaria apenas o escuro.
O garoto, que tentava desesperadamente não entrar em pânico, ouviu um ranger de porta, e assim o quarto iluminou-se numa luz fraca, mostrando a silhueta de algo. Não era humano, não podia ser, aquilo não tinha nada de humano em sua estatura, pela sombra, Daniel podia notar que a criatura era horrenda, era magra demais, tenebrosa demais. O menino não sabia se a criatura estava olhando pra ele ou estava apenas de costas. Mas pelo desconforto que ele estava sentindo, com certeza a criatura o olhava atentamente.
O piso começou a ranger, alertando que a criatura se aproximava. E Daniel, como não podia se mexer, tentava acompanhar todos seus movimentos com o rabo do olho, até que não pudesse mais. A criatura estava parada bem ao seu lado.
Sentiu pequenos dedos finos afundando o colchão, e chegando finalmente até seu peito. O garoto estava se sentindo tão indefeso com aquela criatura pressionando-o no colchão, impedindo que ele saísse de lá. O medo alastrou-se em seu corpo rapidamente, assim como o desespero. Ele não queria fechar mais seus olhos, queria enfrentar o que estivesse ali, mesmo tendo medo do que pudesse encontrar.
Os dedos finos, parecidos como galhos de uma árvore, cansou-se de permanecer do peito do garoto, e então partiu para o seu pescoço, sufocando-o.
O menino estava tão perdido, não havia como explicar o que se passava na sua cabeça agora. Não podia atacar, não podia… gritar.
Gritar?
Ele abriu a boca, e tentou com todas as suas forças gritar, mas parecia apenas um tolo com a boca aberta. A voz não saía, nenhum ruído saía. Ele não podia nem demonstrar o desespero que sentia.
– Você tem medo de morrer, Daniel? – sussurrou a criatura bem ao lado do garoto, fazendo ele estremecer perante o modo que seu nome foi dito.
Sim, ele tinha medo de morrer. Mas naquele momento ele sabia que não iria, ele só tinha medo de permanecer no estado que se encontrava por mais tempo. Ele estava aterrorizado.
Tentou se acalmar, aquilo não era real, não podia ser.
O garoto tomou a iniciativa de começar uma respiração leve e profunda, concentrou-se no som que seu coração fazia e fechou os olhos, ignorando a criatura que estava ao seu lado. Tentou aos poucos mexer seus dedos do pé, e conseguiu. Não se permitiu dar um sorriso, precisava de concentração. E então mexeu seus dedos da mão delicadamente, e todo o medo e desespero que estava sentindo esvaiu-se.
E enfim, seu corpo acordou.
Notas finais
Se você gostou da história, não se esqueça de comentar e me fazer feliz. Comente o que achou, peça por mais histórias. A melhor coisa que tem é ver que uma pessoa realmente gostou de um trabalho seu.
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