Sob Nova Direção

4 Capítulo 4 - Conflitos


Notas iniciais
Ois!
Olha o novo capítulo chegando bem cedinho pra ninguém reclamar, já que talvez, só´talvez, o próximo não chegue no fim de semana... Mas isso não é desculpa pra não deixarem reviews, bonitinhos...
Enfim, não vou enrolar muito... Tá aí!

Capítulo 4 – Conflitos

A primeira semana do clube do coral não fora das mais divertidas. Tudo começou com a primeira apresentação do New Directions na quadra da escola, diante de todos os alunos. O número fora bem ensaiado, a apresentação, bastante boa. Entretanto, os resultados não foram positivos. Os alunos encararam, por mais que a música fosse boa, tudo aquilo como uma tremenda chatisse. Ao fim, restaram apenas o diretor Figgins e claro, William Schuester para aplaudi-los. Realmente constrangedor.

O clube, ainda não acostumado com a nova coordenadora, recebeu dessa um discurso realmente inspirador, porém, bastante diferente do que estavam acostumados a ouvir.

-- Aqueles babacas não sabem o que é música! – Disse. – Querem saber de mais? Danem-se eles! Vocês vão ganhar troféus e troféus, ficar famosos e ganharem muito dinheiro e eles vão casar, ficarão gordos e acabados! Aqui para eles! – Terminou sua fala batendo a palma da mão direita nos dedos fechados da mão esquerda.

Seu falar era sereno, porém, algo em seus gestos sugeria energia, segurança, uma certeza que fluía dela para eles. Aquilo os assustava, verdade; mas também os animava e muito. Conseguiam até mesmo esquecer as raspadinhas geladas no rosto enquanto estavam naquele auditório.

-- É equilíbrio, gente! Vocês são tão bons que eles precisam ser superiores em alguma coisa! – Maya sempre dizia e eles quase acreditavam. Quase.

Sue colocara seu primeiro plano em prática. Arruinar as inscrições do clube do coral, com certeza, deixaria a tal Maya muito irritada. Irritada o suficiente para ver quem é que manda; irritada o suficiente para retirar a maldita verba do clube, ou, melhor ainda, compartilhá-la com outros clubes. Ou então... Não, melhor que ela voltasse pro Brasil ou sei lá e deixasse as coisas como estavam. Ela daria um jeito de resolvê-las.

Próximo passo, acabar com certa treinadora de futebol. Sue tinha certeza de que receberia um certo dinheiro, como aquele suficiente para ter seu canhão de confetes, se Shannon Beist e todo o seu papo estranho de chamar a si mesma de “pantera”, falando e agindo como um verdadeiro animal, não estivesse na escola, privilegiando o time de futebol.

Em sua sala, após efetuar uma chamada para a pizzaria mais próxima, encomendando 25 pizzas em nome da Beist, satisfez-se consigo mesma. Ao ver tanta comida, a mulher

lembraria de sua passagem pela escola, provavelmente frustrante, solitária e repleta de muita, muita comida.

Batidas na porta interromperam sua autoadmiração.

-- Entre! – Ela disse.

Sua satisfação cresceu ao ouvir os tênis de mola rangentes e e sentir o perfume francês extremamente forte. Mas ao ver Maya com os olhos, conferiu sua habitual tranquilidade. Nossa, como aquela mulher era irritante!

-- Olá! – Sue cumprimentou, com falsa cortesia. – Ao que devo a honra da sua presença?

-- Vim parabenizá-la, treinadora. – A outra respondeu naquela voz insuportável que parecia querer dizer “E daí que o mundo vai acabar amanhã?”.

-- Pelo quê? Ficou sabendo de mais algum sortilégio meu?

-- É claro! – Sorria, um sorriso de aparente escárnio. – Você é mesmo muito criativa, Sue. Os nomes que você rabiscou a folha de inscrição do clube do coral... – Realmente impressionantes.

Então ela já tinha visto? Ótimo! Aquela calma era uma máscara, claro, no fundo, a tal Maya estava, provavelmente, fervendo de ódio!

-- Bem, eu só queria deixar a minha marca bem evidente, sabe? – Sue espelhou a paciência tranquila da mulher à sua frente. – É bom que você se lembre da conversa que tivemos em seu primeiro dia.

-- Não se preocupe, não vou esquecer.

Apenas com essas palavras, a mulher virou-se, fazendo menção de ir embora. Mas ao chegar à porta, voltou-se:

-- Fico realmente contente em saber que você se incomoda comigo, Sue. Fico mesmo. Sinal de que você se importa! Mais tarde, tenha a gentileza de me contar quanto tempo perde de suas noites de sono planejando contra mim enquanto eu durmo tranquilamente, certo? – E foi embora.

-- Maldita! – A treinadora gritou para a sala vazia, enquanto chutava coisas, enfurecida. Precisava destruir aquela mulher antes que ela a destruísse!

Pausou por um minuto, respirou fundo algumas vezes e tentou acalmar-se. Ainda tinha um espetáculo para assistir. Sorriu com issso e rumou para fora da sala, tencionando trabalhar com suas meninas. Mas antes, que tal uma passadinha no campo de futebol para se servir de um pedaço de pizza?

Finn estava arrazado e não só por si mesmo. Com pena de Artie que havia perdido sua namorada, Tina, tentou ajudá-lo a entrar no time de futebol. A princípio, achou loucura um cadeirante jogar, afinal, os jogadores de futebol americano são sempre uns monstros! Porém, o próprio Artie havia sugerido que Finn o empurrasse com velocidade pelo campo. Não parecia uma má ideia, poderia até mesmo ser uma vantagem para o time! Mas aquela treinadora esquisita com cara de homem não só recusara, como também gritara com ele. Agora, ele não era mais o quarterback e sim, o aluno novo, Sam Evans. Finn tentava não se ressentir com o garoto, afinal, parecia ser um cara muito legal, além de talentoso. Uma boa peça para o clube do coral. Ok que Ele não tinha comparecido nos testes, nem aquela garota, a tal de Sunshine que Rachel havia convidado, o que o deixava ainda mais triste. Se o clube não conseguisse logo mais membros, não poderiam competir nas seccionais.

Mas ele não era mais o quarterback. Por tentar ajudar um amigo a reconquistar uma garota, corria o sério risco de perder a sua própria. O que seria deles agora? Um casal de perdedores? Precisava pensar em um jeito de reavivar sua popularidade e bem rápido. Por Rachel, pelo clube do coral e claro, por ele mesmo.

Quinn seguiu para sua aula pensativa. Permanecia em estado de alerta, atenta a qualquer olhar que lhe dirigissem. Não carregava mais o peso e a responsabilidade de um filho; era a capitã das líderes de torcida novamente, graças a uma “pequena sugestão” que fizera a Sue: já que era membro do celibato e conhecia tantas igrejas dispostas a patrocinar um grupo de líderes de torcida que ajudaram a reabilitar uma adolescente grávida... Sim, uma bela jogada. Colocara Santana e seus peitos gigantescos no lugar dela, no fim da pirâmide das Cheerius.

Mas ainda assim, caminhava pensativa e pensativa permaneceu durante as aulas. Santana, enquanto a agredia com fúria, havia dito algo que lhe tocara de verdade. Sim, Quinn era uma mãe. Sua filha não estava mais com ela e sim com uma mulher com plenas condições de cuidar de um bebê. Mas isso não mudava os fatos. Quinn era uma mãe e Puck um pai. As pessoas sabiam e nem todo glamour do mundo apagaria isso de suas memórias. Estava vestindo o uniforme das Cheerius novamente e seria a capitã. Ótimo. Mas precisava trabalhar com mais afinco em seus feitos, à fim de subir sua popularidade de tal forma que, dane-se o fato de ter uma filha sua caminhando pelo mundo. Seria tão popular que ninguém mais se importaria com isso.

O New Directions descobriu que Rachel mentira à aluna nova, Sunshine, a respeito das audições para o clube, enviando-a para um endereço errado: uma casa de craque desativada. Todos já estavam muito chateados com ela e tudo só piorou quando o coordenador do Vocal Adrenaline foi buscá-la, à fim de levala para a escola rival!

Realmente, uma gigantesca perda para o clube, mas e daí? Ela ainda estava lá, não estava? Uma verdadeira estrela!

Mas, que grande porcaria, a tal Sunshine cantava tão bem... Até era mais baixa que ela, pode isso? E se de repente o clube achasse que ela era melhor? E se Finn achasse que ela era mais bonita? E se a Senhorita Miller decidisse dar solos para ela? O que seria de Rachel? Uma baixinha, insignificante, sem brilho, sem talento, sem nada! Apenas havia se defendido, por que era tão difícil ser compreendida?

Apenas Finn a compreendia. Como ela o amava... E daí que ele não era mais o quarterback? Que diferença faz? Ela ainda era a estrela do clube do coral e um dia, ah sim, seria mundialmente reconhecida! Mas por agora, sentia-se triste, deprimida... Sozinha. Ninguém queria sequer olhar para ela.

Pensando nisso, Rachel caminhava em direção ao auditório. Àquela hora do dia, ninguém estaria lá, ou ao menos era o que a menina imaginava. De dentro da sala, uma música vinha: um piano lento e deprimido, acompanhado de uma voz. A pessoa cantava muito bem... Oh meu Deus, será que era mais alguém que tencionava tomar seu lugar no clube? Mas descartou esse pensamento rapidamente. A voz até era bonita, mas não tinha o brilho necessário para os palcos da Broadway. Era demasiado arrastada, parecia pertencer a alguém que cantava por pura tristeza.

Movida pela curiosidade, entrou. Sentada ao piano, de costas para Rachel, a pessoa tocava e cantava de cabeça baixa. Não tinha qualquer partitura sobre o piano, tudo estava na mente. O que a pequena morena podia ver eram as costas largas cobertas pela blusa de tecido fino e o colete, ambos largos, e os cabelos cacheados cobrindo os ombros.

A mulher parou de tocar e girou no banco, encarando Rachel. Aquele familiar arrepio percorreu sua espinha ao ver os olhos verdes. A Senhorita Miller podia ser muito divertida e agradável se não a olhasse nos olhos.

-- Desculpa... – Disse Rachel. – Eu não queria incomodar, pensei que não teria ninguém aqui.

-- E não tem – respondeu a outra, fechando o piano. – Já estou indo embora.

À medida que a mulher alta saía, a pequena entrava. Quando se cruzaram, Rachel não conseguiu segurar o peso que carregava nos ombros. Não era sua intenção fazer o que fez, mas quando o nome passou por seus lábios, o desejo de pôr aquilo para fora com outra pessoa a tomou:

-- Senhorita Miller?

-- Sim? – A mulher a olhou, não havia qualquer traço de acusação no olhar. Era alguma coisa.

-- O que vai acontecer comigo? – Não foi uma pergunta pensada, planejada. Apenas escapou, tal como as lágrimas que começavam a queimar.

-- Não sei, Rachel. Do que está falando?

A mulher sentou-se e a menina imitou-a. Uma ou duas lágrimas escorreram e ela as enxugou rapidamente.

-- Todos do clube me odeiam – ela disse.

-- Você os afasta, sabia? – Maya falou tão baixo que mais parecia estar refletindo sobre si mesma. Mas Rachel a ouviu. – Você é tão insegura que precisa impor às pessoas o que você quer que pensem... Eles apenas não gostam disso.

-- Não sou insegura – retrucou, sem sentir qualquer convicção. – Sou uma estrela!

-- Você se sente uma estrela?

-- É claro! – A resposta saiu automaticamente, jogada aos ares sem sentimentos.

-- Então, por que essa necessidade de ser reconhecida? Por que esse medo de não ser sempre a melhor?

A morena não entendeu a pergunta. De que adianta brilhar se ninguém está lá para ver? Pensava que isso fosse bem óbvio.

-- Não entendo – disse.

-- O sol é uma estrela, sabia?

Ela não fazia a mmínima ideia do que a mulher queria dizer com isso. Claro que sabia!

-- Sim, e daí?

-- Sabe, o sol brilha lá encima, é um brilho tão forte... Ainda fornece calor à Terra. É impossível viver sem ele. Os planetas giram ao seu redor. Verdade que algumas pessoas, como eu, não gostam muito dele e preferem usar óculos escuros. Mas isso só acontece porque essas pessoas não suportam tanto brilho. Agora, me responda: você acha que o sol escolheu ser a principal estrela dentre nove planetas?

Rachel negou com um movimento de cabeça. Achava que começava a entender onde a Senhorita Miller queria chegar.

-- Você acha que o sol se importa com as pessoas que usam óculos escuros? – Mais uma negação vinda da morena. – O sol simplesmente está lá, brilhando. Nnguém pediu para ele ir para lá, ele simplesmente... Está.

-- Está dizendo que eu nunca vou ser uma estrela porque eu... – As lágrimas fluíam como a compreensão. – Porque eu simplesmente não brilho e sim me forço a brilhar?

-- Estou – a mulher respondeu. – Mas você não é um astro, Rachel. Você é uma pessoa com o direito de brilhar como uma estrela. Você tem muito talento. Só precisa encontrá-lo e usá-lo, em vez de esperar que as pessoas encontrem por você. Queime com seu próprio fogo, Rachel!

-- Como eu faço isso? – A menina chorava copiosamente.

-- Aceite-se seus defeitos, exponha suas perfeições e, mais importante, confie em você mesma!

-- Não sei se consigo... – As palavras mal saíam em meio aos curtos soluços. – Tenho medo que...

-- Vai conseguir se lutar – a outra a interrompeu, pousando uma mão firme, porém gentil em seu ombro.

A mulher retirou-se e Rachel desabou em prantos. Nunca sentira tamanha solidão e, ainda assim, sufoco. Havia alguma razão no que havia ouvido, mas era confuso, muito confuso. Sempre soube que o caminho até o topo é solitário e cansativo, mas não esperava tanto. Porém, ela tinha um sonho. Entenderia os mistérios da fama e os desvendaria, seguiria em frente e, como o sol, brilharia.

Maya deixou o colégio em passos apressados, mesmo que lentos o suficiente para não chamar a atenção dos outros. Sua boca estava seca e estava louca de vontade de fumar. Sentia pena da pequena Rachel, de fato. Um pequeno e perdido prodígio, tão mergulhado nos próprios sonhos, sem permitir que alguém lhe tomasse a mão. Temia por essa garota. Ela lembrava-lhe alguém que conhecia muito bem.

Todavia, nem mesmo toda a compreensão do mundo a prenderia dentro daquele auditório por mais um segundo. Correu ao carro, agarrou a garrafa de uísque que mantinha sempre sob o banco e sorveu goles diretamente da garrafa, sentindo o líquido que queimava sua garganta como fogo, um fogo que incendeia os males da mente; logo em seguida, acendeu um cigarro. Seus músculos que estavam tensos e as memórias do passado, ainda frescas em sua mente, que revivia no auditório antes de Rachel chegar começavam a desvanecer. Ela precisava daquilo. Precisava provar a dor dos próprios feitos e depois, mandar embora. Preferia escondê-los atrás das preocupações com os jovens do clube do coral, mas não conseguia. Não eram fortes o suficiente. Com um trago profundo e pesaroso, ela desejou o melhor para Rachel e para quem mais tivesse problemas no McKinley. Porque ela não tinha mais salvação.

Notas finais
Então, o que acharam? Notaram a pequena dor de cabeça do Finn e da Quinn? Pois é, esta foi minha primeira ideia pra dar uma movimentada no enredo da fic... E vocês vão me ajudar! Alguma ideia do que esses dois podem fazer pra subir os graus do populômetro? xD
Bem, olhem aqui a música que a Maya estava cantando... Bem, só na minha cabeça, claro:
http://www.youtube.com/watch?v=Y3srfPBoRPY
Essa não é a versão original da música, mas estava soando mais ou menos assim... rsrsrs
Bem, deixem reviews, please please!
Até a próxima!