Sob Luar

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Sob o Luar

Por Pikenna

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Sempre me pego fazendo a mesma pergunta. “Por que os garotos são tão imaturos?” Essa nem eu sei responder. Logo ele...Tinha quer ser justo aquele idiota! O que eu fiz para merecer isso?

Estava tão perdida em devaneios que acabei esquecendo por completo do mundo ao meu redor e como conseqüência, acabei trombando com algum infeliz. Meus livros de estudos diários foram direto para o chão, causando certo barulho capaz de fazer com que muita gente à toa parasse para olhar o que tinha caído.

Comecei a recolhê-los apressadamente, nem lembrei de pedir desculpas para o individuo que se chocou comigo. Eu estava no auge de minha irritação e o que mais almejava no momento era chegar logo na sala comunal para resolver a enorme lista de deveres.“Pelos menos isso vai me distrair um pouco, assim espero!”

- Então você vai começar a agir desse modo? Agora você vai me ignorar? – Eu nem precisei ver o rosto do garoto que me xingava, só pela voz arrastada e entediada já sabia de quem se tratava.

- O que você quer Ron? Não vê que eu estou muito ocupada? Não tenho tempo para suas piadinhas infantis e brincadeiras de mau gosto. – Neste exato momento eu acabara de me superar no tom frio e rude.

Voltei a andar rapidamente quando recolhi o último livro no chão, sem olhar para ele e sem esperar por uma resposta. Acho que depois disso, Rony ficará um bom tempo sem falar comigo. Mas, eu também não me importo, até prefiro que fique desse jeito. Quem sabe assim, ele não para de me infernizar?

Não demorei muito para chegar ao meu destino desejado. Logo tratei de iniciar os meus deveres. A sala comunal não estava totalmente vazia como eu queria, tinha duas garotas do segundo ano conversando, aliás, fofocando, pois é só isso que sabem fazer. E uns cinco alunos, acho que do quarto ano, todos discutindo sobre algo que não consegui escutar.

Optei por começar com a matéria que eu julgava ser a mais fácil. Então peguei da minha enorme pilha, um livro de Herbologia e o abri na página 90. Retirei todo o material de que necessitava da mochila, um pergaminho amarelo; uma pena preta comum; um tinteiro e iniciei o meu texto sobre a Lupina.

Trata-se de uma flor rara que só desabrocha uma vez a cada dez anos e que serve para fins medicinais, que só cabe aos especialistas saberem.“Que coisa chata.”Eu nunca fui fã de Herbologia, na verdade eu odeio essa matéria. Eu não me dou bem com as plantas, elas parecem me detestar. Todas que algum dia eu tentei plantarmorreram de causas sobrenaturais.

- Oi Hermione! – Como sempre, estava tão perdida em devaneios, que nem percebi a presença de meus amigos – Hermione! Estou falando com você! Hey! – Quando Harry estalou o dedo médio com o polegar na minha frente, foi que eu despertei de meu longo transe momentâneo.

- Ah! Oi Harry! Desculpe-me pela grosseria, eu não lhe vi. – Eu respondi com carinho, deixando minha voz transparecer toda a sinceridade.

- Em que mundo você estava? – Ginnyme perguntou com um grande sorriso estampado na face.

- Herbologia e flor Lupina. – Respondi secamente, sem demonstrar entusiasmo – Eposso saber o motivo dessa felicidade toda? – Tentei esboçar um sorriso, masacho que saiu uma careta no lugar. Pelo menos indaguei com uma voz mais doce e suave.

- O treino de quadribol foi ótimo, pena que não pode ver. – Ela respondeu, tentando ocultar atrás de mais um sorrisoa tristeza por minha ausência sem motivos. Na verdade, tinha um, cujo nome é Ronald Weasley.

- Hum – Foi o único som que consegui produzir.

Ginnyse levantou e Harry fez o mesmo, segurando as mãos de minha amiga. Ela se aproximou de mim o suficiente para deixar escorregar por entre seus finos dedos, sem que o Potter percebesse, um pequeno pedaço de pergaminho todo amassado.

A Weasley mais nova saiu andando com Harry ao seu lado, de mãos dadas, um pequeno sorriso de satisfação riscando os lábios. Eudefinitivamente não gostei nem um pouco disso, pois sabia que ela estava aprontando alguma coisa.

Peguei o pedaço de pergaminho amassado que ela jogou em meu colo e o abri. Tive um pouco de dificuldade para entender aquelas palavras que mais pareciam com rabiscos que letras redondas. Aproximei mais o rosto para tentar enxergá-las melhor, para que assim eu pudesse ler o recado e quando consegui, não pude deixar de ficar muito intrigada e nervosa.

Desculpe pela brincadeira de mau gosto. Será que ainda podemos ser amigos? Encontre-me no jardim secreto por volta das 23h 30min da noite. Com carinho.

Ronald Weasley.

“O que aquele idiota quer comigo? E por que no jardim secreto? Estou sentindo cheiro de confusão.”Pensei. Se eu iria a esse encontro? É claro que não! A insanidade ainda não me visitou.

Voltei a me concentrar nas Lupinas e continuei o meu texto, porém não foi tão fácil, meus pensamentos não me obedeciam, estavam invadindo a minha mente sem minha permissão. Mil perguntas surgiam e a imagem do jardim secreto ficava nítida, como se eu estivesse nele no momento.

“Hermione, concentre-se em seu texto. As Lupinas só abrem a meia-noite... Hoje às 23h 30min no jardim secreto... e seu cheiro de mel é exalado no ar... Rony Weasley...”

- Que droga! – Eu gritei, furiosa, fazendo com que todos os alunos da Grifinória presentes na sala comunal lançassem seus olhares de espanto para mim.

Abaixei a cabeça, envergonhada com a situação, sabia que minhas bochechas estavam ruborizadas devido ao leve formigamento que eu sentia. A tarde seria longa e muito cansativa.

-x-

“A insanidade acabou de me fazer uma rápida visitinha. Onde foi parar o meu juízo? Não acredito que eu estou fazendo isso!”pensei enquanto descia as escadas, as quais davam acesso à parte externa do castelo. Eu estava atrasada, já se passavam das onze e meia.

Quando eu coloquei meus pés fora dos pisos internos do imenso castelo, senti-me mais aliviada. Nessa parteé menos propicio de alguém me pegar quebrando as regras.

Resolvi correr para tentar chegar mais rápido, masnão foi uma ideia de muita utilidade, pois diminui o passo devido ao cansaço e falta de ar. Acabei voltando a andar, porém mais apressado que o normal.

Passei pela cabana de Hagrid, e percebi que as luzes estavam apagadas.“Deve estar dormindo ou fazendo sua tarefa noturna pela Floresta Proibida”dei de ombros. Cheguei até a entrada daquela enorme mata, repleta de árvores imensas escurecendo a mesma. Então fui seguindo seu perímetro na direção da esquerda.

Caminhei até me deparar com um muro de pedrascoberto por plantas pequenas e de uma coloração esverdeada bem escura, cheia de ramificações. Empurrei-o bem devagar, fazendo com que ele se movesse para o lado, dando-me passagem. Não hesitei e nem pensei em nada, apenas deixei que meus pés me conduzissem.

Adentrei no lugar. Nada tinha mudado, continuava o mesmo. Grandes arbustos enfileirados, como se fossem guardas protegendo o mágico castelo, enfeitavam um longo corredor, onde um tapete de lírios brancos cobriam o chão. No final dele, podia-se ver uma fonte jorrando água para cima, e cada gotícula cintilava a luz da brilhante e maravilhosa lua cheia.

Algumas orquídeas ajudavam na decoração da fonte, enfeitando suas laterais. E em volta da mesmatinha alguns bancos feitos com plantas trançadase, apesar da aparência frágil, conseguiam suportar o maior dos elefantes.

Eles também passavam a impressão de serem muito desconfortáveis e incômodos, porém não eram nada disso. Os bancos chegavam a ser mais confortáveis e macios que uma simples e delicada pluma.

O céu estava límpido, sem estrelas e nuvens, apenas a lua se fazia presente, iluminando uma grande parte da negritude. Não conseguia sentir o vento, por causa de sua suavidade. Só era possível saber de sua presença, devido ao frio gostoso que ele emanava em minha tez. Aquele lugar era perfeito, com cada peça em sua devida posição, fazendo sua função que lhe foi dada, formando assim um belíssimo conjunto.

Avistei Ron, enquanto admirava cada parte daquele jardim mágico. Encontrava-se sentado em um dos bancos, escondido atrás da fonte. Ele olhava para o céu, sendo mais exata, seus olhos esverdeados estavam voltados para a imensa e magnífica lua branca, fitando-a.

Caminhei em sua direção, tomando o cuidado de manter uma distancia razoável entre nós. Motivo? Tudo nele era inebriante para mim, seu cheiro, sua voz, seu toque, tudo. E eu queria estar consciente para escutar suas razões em me chamar para uma simples conversa no jardim secreto.

Não podia me perder no mundo Ronalde deixá-lo perceber qualquer fraqueza minha. Do contrário, ficaria a mercê dele e eu não quero dar esse gostinho a ele. No momento, apenas almejava esclarecer minhas dúvidas torturantes.

- Oi Rony! – Chamei, fazendo-o sevirar instantaneamente para mim.

Consegui perceber o contentamento que se ocultava em seus olhos ao me ver.

- Oi Hermione! Pensei que não viria. – Ele disse com seu costumeiro timbre de voz.

- A minha loucura interior dominou meu corpo. – Respondi secamente.

- Sente-se ao meu lado. – Ele me ofereceu, arredando para o ladopara assim poder me dar espaço suficiente para me sentar com conforto.

Eu permanecia em pé, os olhos fixos no lugar vazio que deveria ser preenchido por mim. Lancei meu olhar para ele, tentando encontrar seus olhos verdese assim que os acheidisse com o tom mais ríspido que consegui produzir:

- O que você quer Rony? Seja objetivo, não tenho a noite toda a sua disposição. – Eentão ele sorriu. Mesmo com o modo como proferi aquelas palavras rudes e estúpidas, ele abriu um pequeno sorriso cheio de ternura.

- Eu queria lhe pedir desculpas. – Ele estava sendo sincero, isso dava para perceber.

- Não acha que é um pouco tarde para isso, não? – perguntei sarcástica.

- Nunca é tarde para se arrepender e tentar reparar os erros. – Ele respondeu. Aquilo caiu em mim como um tapa de luva. Por um momento tive asco de mim mesma, mas ergui a cabeça e encarei outra vez aqueles olhos duvidosos.

Não podia ficar calada. Pensei em alguma resposta para retrucá-lo a altura, porém, ao abrir a boca, não proferi palavra alguma. Ele me deixou sem respostas e eu odeio quando fico sem argumentos. Eu estava estupefata e irritada com o que ele me disse.

“Esse não é o Rony, não pode ser! Alguém tomou poção polissuco e se tornou o Weasley, tenho certeza!”Contudo, no fundo, eu sabia que era ele. Aquela voz, seu cheiro de lavanda, o modo de falar... Só ele possuía essas qualidades e isso é algo impossível de se imitar. Eu o conhecia tão bem, que nada, nem mesmo poção polissuco, podia me enganar.

- Hermione Granger ficou sem palavras? Não posso acreditar! – Aironia e satisfação na voz dele era perceptível e isso me irritava mais ainda.

- Se você me chamou aqui para zombar de mim, fale logo, que então eu desapareço da sua frente. Não estou com vontade de aturar mais piadinhas idiotas e infantis. – Respondi com muito escárnio.

- Desculpe-me, não quero que vá embora. – Falou ele, a voz mudando para um tom triste – Sente-se ao meu lado – Rony me convidou novamente.

E mais uma vez recusei a oferta, permanecendo em pé, estoica.

- Eu não mordo Hermione – Brincou ele, agora um sorriso formando em seus lábios.

- Cão que ladra não morde, isso é fato. – Eu retruquei com mais desdém.

- Se você for ficar me dando respostas grosseiras a tudo o que lhe digo, vou aceitar sua proposta de desaparecer da minha frente. Se quiser, pode ir embora. – Ele respondeu, a infelicidade transparecendo em sua voz apática.

Eu estava tratando-o mal, enquanto ele estava sendo muito gentil comigo. Fiquei arrependida e envergonhada por minhas atitudes grosseiras. Então, para me redimirsentei ao seu lado e pude notar uma imensa alegria crescendo nele.

Ronaldme fitava, os olhos repletos de emoção. Senti aquele delicioso cheiro de lavanda que ele exalavacomeçar a me embriagar. A serenidade em que ele se encontravame acalmava de um modo inexplicável. Então, como eu temia, Rony segurou minhas mãos e uma sensação de deleite percorreu meu corpo inteiro.

- Você me perdoa? – Ele perguntou com sua voz, a qual emanava uma paz incrível.

- Sim. – Respondi, tentando manter-me consciente.

- Obrigado. – Agradeceu educadamente.

Ronaldfoi aproximando seu rosto, enquanto eu recuava o meu. De repente senti uma forte e deliciosa fragrância de mel. Olhei em volta e vi belíssimas flores vermelhas se abrindo em cada parte do banco e por todo o jardim.

- O que são? – Rony indagou encantado.

- Lupinas, flores raras que só abrem uma vez a cada dez anos, apenas em dia de lua cheia, quando os relógios marcam meia-noite em ponto. – Respondi naturalmente, apreciando aquele momento único.

- São maravilhosas – Ele elogiou e subitamente voltou sua atenção para mim, fitando-me outra vez – Assim como você – Aquela declaração repentina fez com minhas bochechas enrubescessem, devido ao encabulamento em que fiquei.

Rontentou aproximar novamente seu rosto e dessa vez eu não afastei. Nosso narizes se tocaram. Minha respiração tornava-se ofegante e meu coração acelerava.

- Eu te amo. – Sussurrou ele, sua voz cálida e esbanjando alegria.

Não consegui responder nada, pois Ronald me impediu com selar de lábios. Ele beijou-me e eu correspondi. Sua língua aveludada encontrou a minha e elas se roçaram em um sincronismo perfeito.

Muitas emoções surgiram em mim, fazendo com que eu me sentisse extremamente satisfeita e feliz. Aquele lugar era realmente mágico. Algo naquele jardim me modificava, dando-me uma calmaria apaziguadora. Sensações indescritíveis percorriam meu corpo.

As Lupinas enfeitavam ainda mais o jardim, dando-o uma aparência romântica. E o perfume que elas exalavam no ar era inebriante. Eu acabei me perdendo no mundo Ron, como tinha previsto, porém, dessa vez, eu não queria sair.

Apenas curti aquele perfeito momento. Palavras não eram necessárias. A única certeza que tenho e posso confirmaré que a vida não tem graça sem algumas pequenas loucuras, perigos e desafios. Sim, eu tinha acabado de me tornar uma Hermione completamente insana e não sentia nenhum arrependimento.

Mas também, aqueles que amamnão são denominados como loucos? Portanto, pertenço a esse clube, já que eu amo alguém muito especial, o qual não deixarei escapar mais de meus braços. E esse alguém se chama Ronald Weasley.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!