Sob Condicional
6 Capítulo 6
Marcar encontro com médicos foi uma tarefa difícil, especialmente quando ambos pareciam mais interessados em Rachel que em mim. Mas consegui chamar atenção do mais velho, o moreno quando falei sobre o concerto de piano que está acontecendo na cidade. Não o imaginei como um tocador ou algo do tipo, todavia sua linguagem culta fez-me pensar que realmente é apreciador de música erudita. Felizmente eu estava certa! E foi muito útil esse conhecimento herdado de minha mãe que até pouco tempo, mais precisamente na época em que passei três meses por lá, após a expulsão estava com o mesmo. Leonard Davidson era seu nome. Ousei até mesmo citar o nome do ex de mamãe para ganhar créditos de conhecimento sobre música clássica de pequenos artistas. – Aliás, foi ótimo anotar na mão para pesquisar sobre ele mais tarde. – Desde criança, conheço Für Elise, de Beethoven e o Concerto n° 1 para piano, de Tchaikovsky. Depois de alguns anos tive conhecimento sobre Mozart e várias outras composições dos dois anteriores, infelizmente sou uma desconhecedora de artistas locais. – Diferente da mamãe, o velho Thomas prefere as músicas compreendidas entre os anos 70, 80 e 90. Graças à ele não posso sequer ouvir: “Here she comes” e de imediato preciso completar com: “She’s a meneater”, por isso digo ser a minha música. Dele herdei esse gosto e somente ao som de músicas assim escrevo meus poemas anônimos. – Como Rachel ainda não poderia passar produtos sobre a pele titia e eu resolvemos adiar a limpeza de pele, ao invés disso estamos sentadas do lado de fora da casa, aproveitando a brisa com Rachel andando de patins e eu tentando reproduzir em um aplicativo de piano no celular algumas notas de River Flows in You. Depois de algumas horas penso que finalmente esses ruídos começam a parecer-se com o original. Bom, ao menos consegui descobrir que uma profissão não tinha muito a ver comigo, ser pianista não era para mim.
–Você deveria aprender a andar de patins, Natt. Deveria deixar de ser tão desastrada, além do mais ninguém te viu cair da última vez! A Amy estava ocupada demais paquerando o Matt. Aliás, como terminou mesmo a nossa amizade? – Rachel franziu os lábios e andou em círculos. Estava com meu walkman e nele um dos discos de Hall and Oates. – Ela e eu mudamos de colégio, mas ao que sei você ainda foi lá umas duas vezes e eu mais uma!
–Ela tornou-se popular antes de você, passou a sair com gente legal, usou efeito melhores nas fotos e agora é uma modelo de várias lojas além de fotográfico. Todos a conhecem por sua habilidade de desenhar e para todos eu continuo sendo a mesma Natalie. A maioria nem lembra de mim ao longo dos anos. – Girei os olhos nas órbitas e liberei um suspiro. Não era um dos meus maiores desejos ser lembrada na minha juventude como a fracassada. Os anos fizeram muito bem, tanto a Rach quando a mim e ficou para trás aquelas duas fracassadas, uma desarrumada por falta de melhores condições e a outra com aparelho e espinhas precoces. – Todos lembram de você porque sempre foi uma extrovertida em evidência por suas loucuras.
–Você também sempre foi legal, Natt! – Franzi os lábios, sei que estava mentido, afinal, os garotos tinham medo de mim. Todas exceto as garotas tidas como “nerds” achavam-me uma fracassada, somente após a popularidade de Rachel tornei-me finalmente a famosa Natt das apostas e consequentemente a Natt responsável pelo trote Wright. – Tudo bem! Você sempre foi legal com os que falavam com você, sempre tendo dó daquelas fracassadas e forçando-me a chama-las para sentar conosco mesmo quando eu insistia para que chamássemos o bonitinho da turma.
–Hoje elas também não lembram de mim e agradeço por não ter participado daquelas fotos ridículas entre os estudantes e professores nas festas e fins de ano! Poupe-me! Não tenho vocação para ser motivo de piadinhas em um futuro realmente muito próximo! – Bati o pé no chão e agora patinando de costas notei que a loira gastou alguns de seus neurônios ao pensar melhor sobre o assunto. Rachel é uma das garotas mais espertas que conheço, em termos de matérias escolares. Bom, seu relacionamento com Simon é só a amostra de que não é tão espera fora da teoria. – Esse silicone à prestação foi caro demais para almejar que lembrem o quanto você era tábua, certo?
–Não foi totalmente à prestação! Simon pagou a metade como entrada e agora estou quase terminando-o. Se não fosse por ele eu nunca teria conseguido fazer em uma clínica tão sofisticada e assegurada! Então não fale do meu silicone, tá bom? Esses seios abriram muitas portas. – Após cansada, Rachel sentou ao meu lado e compartilhamos a música. Eu precisava encostar meu ouvido no seu para fazê-lo, mas não importava, estávamos cantando Kiss on my list. – Tia Chloe, como conseguiu se casar?
–Você quer mesmo se casar com alguém, Rachel? Não me diga que é o Simon ou eu não sei o que farei primeiro. A- Arranco as minhas orelhas com as mãos ou B- Arranco a sua cabeça como se faz com boneca Barbie. – Fizemos uma mini disputa de quem poderia mostrar mais a língua até que titia puxou a orelha das duas dizendo que ambas parassem. Consenti e esfreguei minha própria orelha se ela contou de como o meu pai estava desesperado para se ver livre do meu tio, então, arrumou uma série de ligações e posteriormente um encontro entre os irmãos. No meio, papai e mamãe os abandonaram e entre vais-e-vens casaram-se. Ainda hoje discutem muito, por coisas muito bobinhas e voltam aos beijos e carícias. Ah... o amor...
O domingo foi o dia de família, papai e eu aproveitamos para ir a lugares que não vamos faz muito tempo, cinema, livrarias, praia e terminamos comendo em um boteco enquanto assistíamos a lutas de UFC até tarde da noite. Não entendo nada e não me atrai ver dois homens brigando engaiolados, porém fizemos tudo o que eu desejei durante o dia. Mais do que justo assistirmos durante a noite o que ele quer. Depois um programa sobre carros, com esse me identifico muito mais, tenho fascínio pela velocidade e com estilo e luxo tudo só melhora. – Já a segunda-feira foi mais tranquila, Rachel e eu caminhamos juntas para o colégio e dividimos um cigarro, tal item foi apagado antes de entrarmos nos territórios da linha inimiga, ou escola. Estamos novamente na aula de biologia e dessa vez não danço por cima das cadeiras. Certamente tal acontecimento não me impediu de escrever do quadro antes: “Beije minha bunda ou chupe minhas tetas”, nem sequer descobriram que fui a responsável. Acenei para Liam e fiz-lhe uma careta irônica. Ele respondeu com uma mordida no lábio inferior e desviou o olhar.
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