Sob As Estrelas
6 Miss Chérie
Notas iniciais
Queria dedicar esse capítulo e o próximo para minha melhor amiga Izabelly Rodrigues: para que você saiba que, no amor, as coisas acontecem da forma mais inesperada, e que mesmo passando por dificuldades, continua firme. Ou talvez ele não seja o cara certo pra você. Existem muitos outros peixes no mar, e quem sabe ele seja apenas uma sardinha perto do tubarão que está destinado à você?! Pensa no Kevin, amiga! Seja forte, seja forte! E se precisar de alguém pra conversar, eu estou aqui.
POV: Jennifer
Sábado. Ó glorioso sábado. Dia da chegada de Jason. A festa estava boa, é claro, foi Thalia quem planejou tudo. A maior parte das pessoas que estavam lá eu conhecia, mas Thalia convidou TODOS os amigos de Jason, então eu não conhecia alguns. A música estava muito alta. Eu estava curtindo a festa, mas depois de algumas horas comecei a ter dor de cabeça. Nunca fui muito de festas. Footloose começou a tocar, mas embora eu amasse a música, a dor de cabeça não me permitia ficar na sala. Pensei num lugar calmo para ficar sozinha e relaxar: o telhado. Passei pela portinha baixa no corredor e cheguei ao telhado. Leo estava lá. Ai, Jesus. Ele estava deitado no telhado olhando para as estrelas. Vestia uma blusa branca com coisas escritas de preto, jaqueta jeans preta, calça jeans azul escura e all star. Um estilo meio bad boy que combinava perfeitamente com ele. Sua pose reforçava seu estilo: com as mãos sob a cabeça. Meu coração começou a bater forte, mas eu me aproximei mesmo assim.
– Posso me sentar aqui? – perguntei.
– O país é livre – ele respondeu, num tom sério, sem olhar para mim.
Fiquei calada. Ele deu um sorrisinho ao ouvir meu silêncio e virou a cabeça para me olhar. Analisou-me o rosto e riu.
– Claro que pode – ele disse – Pode até deitar se quiser. Precisava ver a sua cara de “você disse isso mesmo?”.
– Ok, eu mereci essa – falei, me sentando ao lado dele – Desculpe ter sido fria com você.
– Gelo anula o fogo. Fogo anula o gelo – ele disse meio que para si mesmo, aumentando a voz depois – Frio é bom quando está quente. Garotas frias fazem bem para garotos quentes. Você faz bem para mim.
Eu ri.
– Então devo ser fria com você o tempo todo?
– Pode ser o que quiser que vai ser ótimo.
Senti meu rosto esquentar.
POV: Leo
Eu a olhei. A luz da lua deixava sua pele ainda mais clara. Seu cabelo parecia preto, mas repleto de fios de prata, por causa do brilho natural deles e a luz da lua. Seu short deixava a mostra suas pernas torneadas e a blusa resaltava sua cintura fina. Nunca a vira mais linda. Uma brisa bem suave soprou seus cabelos no rosto de porcelana e trouxe até mim o cheiro de seu perfume. Desde o dia em que a conheci, já percebi pelo menos três perfumes diferentes. O de rosas, o de vinho e o de flor de maracujá e frésia, mas esse era diferente.
– Gostei do seu perfume... De que é? – perguntei.
– Ahn, flor de lótus e jasmim. – ela respondeu.
– Quantos perfumes você tem?
– Uns cinco ou seis...
– Uau! – falei – Você gosta mesmo de perfumes, não é, Miss Chérie?
– Miss Chérie? – ela perguntou.
– Existe uma loja de perfumes excelente em Paris chamada Miss Dior Chérie... – expliquei – Mas o nome completo não ficaria legal como apelido... Por isso Miss Chérie.
Ela sorriu.
– Então, acabei de ganhar um novo apelido? – ela perguntou.
– Exato – confirmei, fazendo-a rir — Você fala francês?
– Um pouco.
– Sabe o que Miss Chérie significa?
– Querida senhorita ou algo assim? – ela respondeu.
– Exato de novo. Ser uma loja de perfumes não foi o único motivo para eu lhe dar esse apelido...
– Obrigada – ela disse baixinho.
POV: Jennifer
Senti meu rosto esquentar pela segunda vez. Para disfarçar, olhei para o céu, que estava repleto de estrelas e identifiquei minha constelação preferida: o Centauro. Eu escorreguei mais no telhado para observá-la melhor. Leo viu meu sorriso.
– O que foi? Gosta de alguma estrela em especial? – ele perguntou.
– Uma constelação. O Centauro. – falei apontando o contorno do desenho – Sempre foi minha preferida.
– Qual o significado dela?
– O Centauro concebe a união dos três planos da existência: o animal, representado pela parte cavalo; o racional, representado pela parte homem; e o espiritual, representado pelo arco e flecha. O Centauro aponta esse arco e flecha para cima, o que quer dizer a busca pela sabedoria. O cavaleiro deve conduzir o cavalo, ou seja, a força racional deve ser a condutora da força animal para alcançar a força espiritual.
– Resumidamente... – ele pediu.
– A busca pela sabedoria e a união e o controle dos três planos da vida: animal, racional e espiritual. – eu disse, sorrindo.
– Quem diria que uma simples figura pudesse significar tanto! – Leo comentou. – Você é bem esperta, Miss Chérie.
Eu ri por causa do meu novo apelido. Nós dois ficamos olhando o Centauro de estrelas até que eu não consegui me segurar e elogiei as estrelas:
– São muito lindas!
– Mas existem coisas... Pessoas mais bonitas que elas – ele disse.
– Existem? – duvidei.
– Você tem espelho em casa? – eu assenti em resposta – Então deveria saber.
Eu corei novamente. Leo se apoiou num dos cotovelos, virando-se para mim, para que seu rosto ficasse da mesma altura do meu. Ele se aproximou e segurou meu rosto. A distância encurtava devagar e Leo estudava minhas reações. Reações inexistentes, claro.
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