Sob As Estrelas

8 Fim Alternativo 1 - Eu te amo, mas...


POV: Jennifer

Pi. Pi. Pi.

Barulhinho irritante. Talvez seja até reconfortante, pois confirmava que eu estava viva. A última coisa de que me lembro é de ter caído do telhado da casa de Thalia, logo após o melhor beijo da minha vida. Pelo barulho das máquinas, soube que estava num hospital. Era estranho não saber se era dia ou noite. Tentei me mover, mas não consegui. Então, pensei que seria melhor ir por partes: tentei contrair as mãos, mas não as senti. Só tinha consciência do ar gelado que vinha em minha direção, quando uma voz me deixou atordoada. Era ele. Sua voz era um sussurro carregado de dor.

- Me desculpa Jenny. Eu devia ter te segurado melhor, não devia ter ficado no telhado por tanto tempo. Desculpe não poder fazer nada...

Meu coração doeu ao ouvir o sofrimento em sua voz. Meus sentidos voltaram de repente e eu tive consciência da dor em meu corpo, mas ainda não conseguia me mover. Provavelmente porque tinham me sedado e o efeito ainda não tinha passado totalmente. Abri os olhos bem devagar e vi que Leo estava de cabeça baixa, sentado numa cadeira ao lado de minha cama, sem olhar para mim. Minha mãe estava passando pela porta do meu quarto hospitalar. Fiquei surpresa por vê-la ali, porque quase não gastava seu tempo comigo. Ela aproximou-se de Leo, sem perceber que eu já tinha acordado, e lhe falou algo que não consegui ouvir. Seu olhar continha frieza e... Ódio?

Ela deu as costas para ele, sem ao menos olhar para mim antes de sair do quarto. Leo levou as mãos aos cabelos castanhos, numa postura de desespero, e levantou-se da cadeira, virando-se para a porta. Ao perceber o que ele estava prestes a fazer, a agonia tomou conta de mim. Consegui soltar um sussurro alto o suficiente para ele ouvir.

- Leo.

Ele voltou-se para mim, olhou em meus olhos e deu um sorriso fraco de alívio.

- Miss Chérie... – ele falou com a voz trêmula – Você está bem?

Eu assenti, espelhando seu sorriso fraco.

- Quando você caiu, eu fiquei louco. Pensei que ia perder você... Nossa... Eu te amo muito.

Meu coração deu um salto imenso. Ouvi-lo dizer aquilo me deu vontade de levantar dali e o beijar, o abraçar e dizer que também o amava, mas não podia. Pois estava em uma cama, cheia de agulhas em minhas veias, naquele lugar indesejado que era o hospital. Lembrei-me da sensação de seus lábios nos meus, durante a primeira e única vez em que nos beijamos.

- Eu também te amo – sussurrei.

Pude sentir quando Leo segurou firme minha mão direita, pouco antes de minha mãe abrir a porta do quarto novamente.

- Leo. – ela disse.

Ele a olhou, me deu um beijo na testa, me olhou nos olhos e saiu do quarto, minha mãe fechando a porta atrás dele. Aquela foi a última vez que eu o vi.

* * * * *

Duas semanas depois, recebi alta e minha mãe me levou para casa. Chegando lá, Annabeth, Thalia, Percy e Jason me esperavam. Abracei a todos e quase chorei de saudade quando chegou a vez de Percy. Olhei em volta e procurei pelo rosto que eu mais ansiava. E não o encontrei.

- O que foi, Jenny? – Annabeth perguntou ao ver minha expressão.

- Cadê o Leo? – perguntei, analisando os rostos de cada um.

Thalia olhou para Annabeth, triste e sem graça. Percy olhou para o chão, assim como Jason. Minha mãe fez uma careta.

- Jenny... – Percy falou, segurando minha mão – O pai dele teve uns problemas no emprego e a família dele teve que voltar para a cidade anterior.

Foi como se uma bomba tivesse caído bem em cima de mim e explodido tudo. Meus olhos se encheram de lágrimas. Percy segurava mais forte a minha mão, de acordo com a minha reação. Isso me reconfortou um pouquinho. O problema é que eu reconheço quando Percy mente. E aquilo era mentira. Seus olhos verdes me mantiveram forte, ou pelo menos, me mantiveram controlada. Meu celular tocou na mochila e todos pularam de susto com o toque alto. Soltei a mão de Percy, peguei o celular, que piscava com um número desconhecido, e fui para a cozinha. Ao ficar sozinha, quase desabei em lágrimas, mas respirei fundo e atendi o celular.

- Alô? – falei.

- Jennifer?

Imediatamente, esqueci-me de como respirar e como pronunciar as palavras que enchiam minha mente. A mesma voz que antes, no hospital, devolvera-me os sentidos, dessa vez os retirou. As lágrimas que estavam em meus olhos escorreram para meu rosto. Levei a mão livre até a boca para evitar os soluços.

- Jenny? – ele chamou de novo.

- Leo... – falei.

- Eu sinto muito – ele disse – Eu te amo, mas foi o único j...

- Não, não, não! Não diga que foi o único jeito porque não era! Você podia ter ficado! Seus pais tinham que se mudar? Você podia morar com o Percy! – eu o interrompi.

Ele ficou em silêncio e eu me arrependi imediatamente de ter brigado com ele.

- Desculpe... Mas eu acho muito injusto... Só passamos uma noite juntos...

- Eu sei, Miss Chérie... – mais lágrimas rolaram pelo meu rosto ao ouvir o apelido que ele me dera naquela noite no telhado. – Também queria que não tivesse sido assim.

O silêncio durou por um tempo.

- Eu te amo – ele repetiu.

- Também te amo... – falei.

O barulho de “fim de ligação” apitou em meu ouvido.

Fim.

Notas finais
Explicando a história da mentira do Percy e o motivo do Leo ter ido embora da cidade:
a mãe da Jenny culpou o Leo por causa do acidente. Ela contou a versão errada da história pros vizinhos e acabou os convencendo que o Leo era o culpado de tudo. A família do Leo sofreu pressão por causa disso. Os pais do Leo tentaram fazer um acordo com a mãe da Jennifer, para que ela parasse de espalhar mentiras sobre seu filho. A Sra. Collins prometeu parar e dizer para os vizinhos que foi tudo um mal entendido, mas somente se o Leo saísse da cidade e nunca mais visse ou falasse com a filha dela. Os pais do Leo concordaram, sem pedir a opinião do filho. Eles o forçaram a sair da cidade com eles.

Enfim, é isso...