Sob A Mesma Lua
1 Sob a mesma lua
Notas iniciais
Era a mesma tarde com aquele céu pesado e lúgubre como nossos plangores
Onde sob tal remoer de memórias, guardava sorrisos que calavam dores
Perdi-me na brisa doce de seus suspiros entre seu ludibriar encantador
Vi o inexistente e lutei até a morte achando que tivestes amor
Pernoitei pelo Inferno enquanto busquei nosso céu entre olhares ignotos e vagos
Mergulhei em sua íris de infinitos devaneios, tracei caminhos que até hoje apago
Torturei-me em noites insones tentando achar conforto por estarmos sob a mesma Lua
Vertendo lágrimas quentes enquanto procurava-te desesperadamente em qualquer rua
Medrei falácias por apaixonar-me pelo seu riso de sinos ao vento
Por ter entregado-me a promessas eternas de um singelo momento
O sol se põe a cada tarde e eu pergunto-me aflitamente se retornarei a te ver
As estrelas encaram-me tristemente, peço a elas cuidarem-te já que não posso te ter
Sua voz terna e maviosa ecoa em meus devaneios secretos e atormenta meus pesadelos
O que antes eu admirava e abraçava, tornou-se meu mais pueril e sincero medo
Do qual está presente em cada cômodo vazio onde deverias estar
Difuso em um véu gélido da qual insiste toda noite me velar
Cerro as pálpebras e antes que eu possa impedir-me, vejo-me em ilusões sós e sonhos quebrados
Catando cacos de esperanças mortiças em um corpo já degenerado
Alquebrando cada manhã auspiciosa e definhando nosso pretérito cálido
Revigorando-me pelas mentiras decrépitas de um coração irreversivelmente pávido
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