Notas iniciais
Minha autoria, não copie.

Era a mesma tarde com aquele céu pesado e lúgubre como nossos plangores

Onde sob tal remoer de memórias, guardava sorrisos que calavam dores

Perdi-me na brisa doce de seus suspiros entre seu ludibriar encantador

Vi o inexistente e lutei até a morte achando que tivestes amor

Pernoitei pelo Inferno enquanto busquei nosso céu entre olhares ignotos e vagos

Mergulhei em sua íris de infinitos devaneios, tracei caminhos que até hoje apago

Torturei-me em noites insones tentando achar conforto por estarmos sob a mesma Lua

Vertendo lágrimas quentes enquanto procurava-te desesperadamente em qualquer rua

Medrei falácias por apaixonar-me pelo seu riso de sinos ao vento

Por ter entregado-me a promessas eternas de um singelo momento

O sol se põe a cada tarde e eu pergunto-me aflitamente se retornarei a te ver

As estrelas encaram-me tristemente, peço a elas cuidarem-te já que não posso te ter

Sua voz terna e maviosa ecoa em meus devaneios secretos e atormenta meus pesadelos

O que antes eu admirava e abraçava, tornou-se meu mais pueril e sincero medo

Do qual está presente em cada cômodo vazio onde deverias estar

Difuso em um véu gélido da qual insiste toda noite me velar

Cerro as pálpebras e antes que eu possa impedir-me, vejo-me em ilusões sós e sonhos quebrados

Catando cacos de esperanças mortiças em um corpo já degenerado

Alquebrando cada manhã auspiciosa e definhando nosso pretérito cálido

Revigorando-me pelas mentiras decrépitas de um coração irreversivelmente pávido

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!