Sob A Lua Violeta
4 Epílogo
Notas iniciais
Apesar de que senti que esse capítulo ficou meio corrido, mas fiz o possível para ficar aceitável. Se tiver alguma crítica, podem soltar que sou toda ouvidos e só quero melhorar. >
Bem, chega de enrolação, boa leitura e até a próxima. :3
-Muito bem, senhores, hoje é a noite tão esperada da Lua Violeta. Após esperarmos impacientemente por dias, que se arrastaram preguiçosamente tanto quanto as noites, finalmente estamos próximos do momento exato de nosso objetivo se realizar. E antes que cheguemos ao Vale de Aihst, tenho uma coisa a dizer... – Mortty fez uma careta e praguejou: — Esse chocolate é horrível! Isso aqui não é chocolate nem aqui, nem em outro planeta!
Lee o olhou sobre o ombro e recordou:
-Eu disse para você que o preço estava tão suspeito quanto a cara do vendedor.
-Nunca mais eu compro algo pelos lados de cá. – o necromante enfezou-se e jogou a barra do suposto chocolate numa moita.
Rikko disse à frente:
-Pessoal, devemos ser mais discretos possíveis. Tudo conforme o plano.
Ansur alertou o seu grupo:
-Fiquem próximos uns aos outros.
Antes que Júpiter tivesse a ideia, sentiu a mão macia de Julieta buscar pela sua. Imediatamente, ele a agarrou e o garoto murmurou para a irmã:
-Está com Galadhion aí?
Ela apenas virou os olhos para ele e respondeu num cicio:
-Sim, estou.
Samira aproximou-se ao lado oposto da ruiva e sorriu simpática:
-Dará tudo certo. Com um contratempo ou outro, sairemos vivos. Relaxem, pequenos.
Os irmãos olharam para a ladina e sorriram ao mesmo tempo ao repararem que ela queria tranquiliza-los, afinal, desde a manhã daquele dia, os mais jovens do grupo demonstravam estarem num turbilhão de nervos. Júpiter franziu as sobrancelhas e disse com ar perspicaz:
-Está certa. Quem tem que temer é os infelizes que se intrometerem em nosso caminho.
O grupo inteiro usava capas longas com capuzes que caíam sobre suas cabeças e ocultavam suas faces parcialmente. Após aquele diálogo, ninguém falou mais alguma palavra. Já estavam muito próximos do Vale e o sol já se despedia, após outro dia que cruzou pelo céu azul com seu brilho magnífico.
Chegaram ao local ao mesmo momento que o crepúsculo preludia a nova noite que se aproximava. Sob os fracos raios solares que ainda despontavam no horizonte e o cintilar das estrelas tímidas, o grupo reparou plenamente que não estavam sozinhos: ao redor do grande Vale, muitos outros estava assentados, com os olhos fixos nas profundezas da depressão do solo. Julieta reparou que, de fato, ele estava recheado por pedras de vários tamanhos e formas, mas todas em tons brancos ou vagamente acinzentados... Por enquanto.
Longos minutos se passaram desde que chegaram ali. Na estalagem, já haviam feito os planos e agora era apenas esperar, sob o silêncio ameaçador, que a Lua Violeta aparecesse. Então, após dois mil anos, lá estava ela no céu noturno de Embrere outra vez. A princípio, não houve uma pessoa sequer que não quis admirá-la pela sua peculiar cor e brilho: parecia uma pérola rósea com nuances violetas. Então, o Vale de Aihst se iluminou e pontos roxos brilharam ao fundo. Não eram muitos, mas foi o suficiente para que o silêncio se quebrasse: um dos expectadores se levantou de seu lugar abruptamente e correu pela descida, tropeçando em seus passos até por as mãos em uma das Pedras da Lua. Ele mantinha um sorriso de satisfação macabro. Ao erguer a rocha, olhou ao redor e gritou para os outros:
-Venham logo, idiotas, o que estão esperando? – mal ele terminara de falar e foi transpassado por uma flecha movida à magia arcana. Sua morte foi imediata.
O que chamaram de “guerra” há duas noites entre os amaldiçoados não passou de apenas uma briga corriqueira após aquele incidente: aos pés do Vale, ocorreu uma verdadeira confusão e correria. Não tardou para que se aproximassem estranhos ao redor do grupo de Yahiko e investirem contra eles também. Imediatamente, o bardo apossou-se de sua flauta e a tocou antes de realizar um ataque, enquanto os outros avançaram conforme seus hábitos e táticas de combate já combinados antes: Mortty girou sua foice e atingiu um dos adversários no ombro, deslocando seu osso e o desnorteando de dor, enquanto Samira se esquivou entre dois e deu um gancho de esquerda num terceiro desavisado, que mantinha sua atenção na aparente indefesa ruiva do grupo.
Ansur lutava bravamente, entre rodopios, esquivas e embates contra outros inimigos: com a lâmina de sua espada, transpassou o peito de um que quase o atingiu no abdômen com uma adaga. O germânico segurou o corpo do adversário agoniado e puxou a espada com força de seu corpo. O valente filho de Sigrid manchou-se de sangue, mas ignorou aquilo plenamente e continuou dando cobertura para os outros.
No meio da discórdia, Julieta finalmente se arrastou até as profundezas do Vale com o coração aos pulos, acompanhada por Lee. O elfo disparava flechas em todos os que tentavam se aproximar com intenção de alcança-los e feri-los. A ruiva se inclinou para agarrar uma Pedra, mas, ao estender o braço, um cão passou em sua frente mostrando os dentes e ela perdeu o equilíbrio.
-Você está bem? – o ruivo perguntou com os olhos bem atentos ao redor.
Ela caiu sentada e grunhiu:
-Adoraria fritar esse cão infeliz assim como o dono, mas não agora. – se arrastou e, finalmente, pôs as mãos em duas Pedras da Lua. Rápida e cuidadosamente, Julieta pôs as rochas dentro do saco de pano que trouxe consigo e se levantou. Tocou Erick no ombro: — Certo, já peguei duas, vamos embora.
O elfo estranhou:
-Espere aí, Mortty precisa também.
Ela respondeu:
-Eu sei, por isso que estou levando para ele e Rikko. – disse à parte: — Eu não preciso tanto quanto eles.
O elfo a repreendeu:
-Não se acanhe, menina, pegue a sua também. – disparou outra flecha contra outro indivíduo alterado.
Julieta cedeu e abaixou os olhos procurando por mais outra rocha, entretanto o Vale estava quase vazio. Ergueu a cabeça e reparou num brilho vago entre outras rochas maiores. Sem Lee reparar, ela se moveu até aquele local, se apossou da Pedra e, quando deu meia volta, se viu cercada por três desconhecidos suspeitos.
-Olhem só, ela tem três Pedras da Lua. Dá para nós dividirmos, rapazes. – um deles debochou.
Julieta blefou:
-Peguem-nas se forem capazes! – guardou o saco dentro da pequena bolsa que trazia a tiracolo e sacou sua espada.
Um por vez, a confrontaram sem resquícios de piedade por ela ser jovem e mulher. Julieta também não tinha intenção de ser misericordiosa e não usava aquelas suas características como desculpas para ter um “tratamento diferente”: o primeiro teve os golpes de sua arma branca bloqueados por várias vezes pela lâmina élfica da espada da garota, até que finalmente ela o atingiu num ponto vital do pescoço e ele sangrou compulsivamente. O segundo, utilizando magia arcana, moveu correntes para deter o braço que ela carregava Galadhion, entretanto foi uma péssima ideia: Valquíria correu para aquele lado ao avistar a garota em risco e teve a ideia de mandar uma bola de fogo naquela direção. A ruiva, imediatamente, estendeu a mão livre e manipulou as chamas para que tomassem a forma de um dragão que avançou contra os outros dois patifes restantes.
Os indivíduos a deixaram para trás e correram agoniados pelas chamas. A feiticeira perguntou à menina:
-Você está bem?
-Sim, estou. – a ruiva meneou a cabeça.
Lee aproximou-se das duas com os olhos assustados e disse:
-Senhoritas, precisamos sair daqui agora.
Ambas responderam ao mesmo tempo:
-Certo.
Quando os três subiam a ladeira íngreme do Vale de Aihst, ouviram um grito eminente de águia. Antes que Julieta pudesse reagir, sentiu as garras do animal gigante agarrarem sua capa. A ruiva se virou de uma vez, sacou Galadhion da bainha e tentou atingi-la, porém a ave monstruosa moveu suas asas de um modo que a fez perder o foco e deixar a espada cair. Lee e Valquíria tentaram afugentá-la, mas sem sucesso.
Júpiter perdeu o fôlego quando viu aquela cena do ponto mais alto. Ansur e Chad correram na direção dos três que estavam em apuros enquanto Samira e Rikko estavam de costas um para o outro, mas, devido ao fim de estoque das Pedras da Lua, não houve mais inimigos numerosos para combater.
A águia queria alçar voo e carregar Julieta consigo. Foi um momento tentador em invocar Rubro, mas a menina sabia que deveria resistir e apenas se debateu a fim de se livrar da capa que vestia. Enquanto ave e garota se confrontavam e os outros tentavam puxar a ruiva para cima e livrá-la das garras do animal, Julieta ouviu algo se quebrar próximo ao seu corpo e deduziu que as Pedras da Lua haviam se transformado em fragmentos de rocha. Só a dedução já foi desagradável.
Mas, antes que o desespero tomasse conta por completo, a águia foi agarrada por trás por outra criatura e ambas rolaram ladeira abaixo. As profundezas do Aihst estavam escuras, pois a Lua Violeta foi ocultada pelas nuvens e as poucas pedras restantes pararam de brilhar naquela trégua de luz. Julieta manteve seus olhos naquele breu profundo, enquanto Júpiter esbarrava em todos e se lançou sobre ela a abraçando desesperadamente:
-Eu achei que ela te machucaria.
A ruiva estava tão intrigada com a criatura misteriosa que a livrou da águia que não deu muita atenção para o irmão e apenas esperou alguma coisa sair do fundo do Vale. Então, quando a Lua reapareceu, todos repararam em algo subindo a ladeira lentamente e mancando. Então, quando a criatura ficou mais próxima, descobriram o que jogou a águia para o fundo – que, na verdade, era outro metamorfo humano -: uma gárgula. Antes que houvesse uma reação negativa entre o grupo, a criatura voltou à sua forma normal e Rikko reconheceu Francis.
A menina subiu mancando e perguntou para Julieta, ignorando a presença dos outros:
-Você está bem?
A ruiva meneou a cabeça, mas, antes que falasse, sentiu uma dor pulsante na cintura. Logo reparou que estava sangrando. Francis avistou Yahiko e se desculpou:
-Peço desculpas por não seguir seu pedido, senhor Sanato, mas eu precisava vir aqui, pois não queria que se sacrificassem por mim enquanto eu estive sã e salva na estalagem.
O bardo sorriu e disse:
-Eu que peço desculpas por subestimar suas capacidades, pequena dama.
Mortty resmungou:
-Bah, ela chegou no final da festa. Não valeu. – lançou um olhar vagamente preocupado para Julieta e alarmou: — Vamos logo levar essa encrenqueira para um médico antes que ela morra também.
Samira ajudou Julieta a se levantar e murmurou irônica:
-Sempre tão gentil com as crianças, acho que seria um ótimo terapeuta infantil. – mas, não ouviu a garota rir, pois a mestiça estava se tornando inconsciente devido ao cansaço e o sangramento.
“Se tivesse contado comigo, não teria se ferido” o Dragão apontou.
“Cale a boca, Rubro” a garota grunhiu em pensamentos.
“Eu menti, por acaso?” os olhos dele cintilaram de forma ameaçadora.
“Você está em meu corpo, logo você não tem o direito de mandar em algo que não é seu” Julieta o desafiou.
Em sua soberba draconiana, ele deu as costas na escuridão e murmurou gutural:
“Não é ‘meu’ por enquanto...”.
Julieta acordou lentamente. Lutou por alguns minutos para manter os olhos abertos, os quais o sono queria manter fechados. Quando a consciência se pôs a agir sobre sua mente, logo se viu dentro de um quarto de paredes brancas e tudo ao redor bem organizado e silencioso. Ela estava deitada de barriga para cima, usando roupas claras, não tão alvas quanto o lençol que a cobria. Olhou para o lado e avistou Júpiter dormindo de boca aberta, encostado folgadamente numa cadeira apoiada na parede.
Logo ela concluiu que estava num quarto de hospital. Mal ela tomou consciência, a porta do quarto se abriu e Valquíria e Samira entraram. Ao reparar que a menina estava acordada, a feiticeira a cumprimentou num murmúrio gentil:
-Bom dia. Como está se sentindo hoje?
-Bom dia, meninas. – Julieta sorriu de volta. Suspirou: — Estou bem, só com um pouco de dor de cabeça.
Samira deu um meio sorriso astuto e apontou:
-Todos nós ficamos. Achamos que você tinha se machucado gravemente, mas o médico disse que você estava fora de perigo. Sinta-se agraciada pela sorte. – riu. – Estimo melhoras.
Julieta fechou os olhos e disse com vago ar de desdém:
-Eu já passei por coisas piores. – abriu os olhos, que estavam voltados para frente e perguntou: — Rikko e os outros estão bem?
Valquíria respondeu:
-Sim, todos nós estamos. Apenas algumas lesões superficiais e arranhões, mas nada de grave. Após o fenômeno da Lua Violeta, acho que podemos dizer que a vila voltou ao fluxo normal e não corremos mais tantos perigos, por hora.
A ruiva virou o rosto na direção das duas mulheres e meneou a cabeça:
-Fico feliz ao ouvir isso. Não suporto ver pessoas sofrendo ou se matando por causa do egoísmo e desespero como vi. – suspirou. – Acho que é um desejo infantil, mas foi assim que me senti nesses últimos dias.
A loira vagou com seus olhos azuis pela extensão da cama e concordou:
-Você não está sozinha nessa linha de pensamento, querida. Porém, enquanto estivermos vivos, veremos muitas pessoas agindo por vaidade, egoísmo, arrogância e por aí vai. – esboçou um sorriso tímido novamente e deu tapinhas de leve numa das mãos da menina: — Apenas descanse porque vocês ainda têm que voltar para casa, mais tarde.
Julieta riu fraco:
-Eu sei, é o jeito. – lançou seu olhar para Júpiter, que ainda dormia, e pensou em quanto tempo o irmão estava naquela posição.
Samira a fez perder o foco dele quando anunciou:
-A propósito, isso aqui é seu. – e estendeu uma fina corrente de prata com uma pequena Pedra da Lua como pingente. – Isso foi tudo o que sobrou das Pedras que pegamos ontem.
Julieta ajeitou-se melhor na cama e ficou perplexa:
-Daquelas três que eu peguei, sobrou apenas essa?
-Sim, as outras quebraram. Tudo graças ao nosso coleguinha cabeça de penas. – Samira estalou a língua ao recordar.
Valquíria cruzou os braços e suavizou a situação:
-Era apenas mais um desesperado pelo caminho que, infelizmente, partiu dessa para outra e atrapalhou quem ficou.
A ruiva ainda estava confusa em outra questão:
-Esperem, se essa foi a única que sobrou... O que haverá com Mortty e Rikko?
Samira e Valquíria a fitaram e a morena explicou:
-Eles chegaram ao acordo que você precisa tanto quanto qualquer um dos três porque viajou uma dimensão para cá a fim disso. – deu um meio sorriso e piscou um olho: — Somos embrerianos, temos outras manhas para nos livrarmos de maldições. Agora, descanse, gatinha.
Como já era esperado, Julieta recuperou-se rápido. Algumas horas mais tarde, o médico se convenceu de que ela estava totalmente apta para voltar à sua rotina e lhe deu alta. Ela saiu do pequeno hospital acompanhada por Júpiter e, quando chegaram à praça central, se encontraram com Ansur que caminhou até eles e sorriu satisfeito:
-Fico feliz em saber que já está bem.
Julieta riu:
-Admita que você quase cuspiu o coração ao me ver sangrando. – contornou o germânico e chamou por ele e pelo irmão: — Vamos logo, temos que arrumar as malas o mais rápido possível.
O homem virou-se para o romano e gargalhou:
-É, ela está bem mesmo.
Júpiter rolou os olhos e a seguiu:
-Com certeza, já está pronta para outra.
Ao chegarem à estalagem, Chad estava com os outros no andar debaixo para recepciona-los. O gaulês abraçou a prima com firmeza e brincou:
-Próxima vez, lembre-se de levar milho para despistar as aves.
-Mas, águias são carnívoras, seu idiota. Depois, era um metamorfo e... Você está me sufocando, Chad! – Julieta se debateu.
-Ah, se era um metamorfo, ele poderia gostar de milho também. – ele refletiu.
-Seja bem-vinda de volta, Julieta. – Rikko disse solenemente.
A ruiva franziu as sobrancelhas:
-Vocês agem como se eu tivesse hibernado. – seus olhos voltaram-se para o balcão, onde ela avistou Francis.
A garota de cabelos negros estava usando uma muleta para se locomover. Em sua briga com a águia, ela torceu o pé como Valquíria há uns dias atrás. Mas, para a dona da estalagem que suspeitava de nada, a menina mentiu dizendo que caiu da cama e, de um jeito misterioso, torceu o pé.
Repentinamente, a humana da Terra ignorou o grupo barulhento e se aproximou sutilmente do balcão. Francis ergueu a cabeça ao avistá-la e também a cumprimentou:
-Bem-vinda novamente, senhorita Julieta, espero que esteja bem melhor.
-Eu estou sim, obrigada. Aliás, estimo melhoras para você. – a adolescente de cabelos alaranjados desejou com sinceridade. Pegou o colar que ganhou mais cedo, que estava em seu bolso, e o entregou para a menina: — Tome, você precisa dele.
Francis se assustou com aquele gesto. Olhou para os lados a fim de se certificar que Rosa não estava ali.
Ao reparar naquilo, Mortty abriu o bico novamente:
-Mas, o que aquela burrinha ruiva está fazendo...
Foi interrompido por Lee:
-Fique quieto, necromante.
Francis balbuciou constrangida:
-Não, não posso aceita-lo. Ele é seu. Você se sacrificou para obtê-lo. Eu... Eu só me intrometi na hora errada e ajudei em quase nada.
Julieta negou:
-Você salvou minha vida. Estou em débito contigo assim como estou com os outros. – meneou a cabeça levemente para o grupo assentado do outro lado. – Eu sei que fará bom uso dele.
-Mas, e quanto a sua sina? – Francis sussurrou.
Julieta sorriu de modo orgulhoso e disse no mesmo tom:
-Eu sou uma dragonesa. E dragões sempre têm um jeito para tudo. – deixou o colar sobre o balcão.
Francis ficou muito feliz. Debruçou-se sobre o tampo de madeira grossa e abraçou Julieta, emocionada:
-Muito obrigada, senhorita Julieta. Espero que vocês sejam felizes também.
A desavisada Rosa a chamou da cozinha:
-Francis, venha aqui me ajudar! Tem um rato na cozinha, me empreste sua muleta!
A menina riu da situação, pôs o colar no bolso do avental e gritou:
-Já vou, já vou. – e deixou os hóspedes a sós.
Julieta aproximou-se da mesa novamente, em silêncio. Olhou para Ansur e avisou:
-Se Minna perguntar, deixe que eu mesma resolvo isso.
O germânico apenas disse:
-Acho melhor assim porque prefiro falar nada. – virou-se para o grupo de viajantes embrerianos e agradeceu solenemente: — Obrigado pelo apoio e pela companhia. De fato, nossa viagem foi conturbada, mas conhecer vocês valeu a pena. Espero que, no futuro, possamos nos encontrar novamente.
Mortty moveu a mão num sinal de pouca importância e murmurou:
-Próxima vez, tragam chocolates para adoçar um pouco essa vidinha amarga.
Lee desejou:
-Boa sorte na viagem de vocês.
Júpiter interviu:
-Desejamos o mesmo para vocês.
Yahiko fitou Julieta e a cobrou:
-Já que você disse há alguns minutos atrás que está em débito conosco, quero lhe pedir uma coisa para a próxima vez que nos encontrarmos.
A ruiva pôs uma das mãos na cintura e indagou:
-O que seria?
-Um duelo amistoso. – ele deu um meio sorriso. – Reparei que você sabe lidar muito bem com chamas.
Julieta revelou:
-Sei apenas manipulá-las, não cria-las com magia como você.
-Manipular já é alguma coisa. – Samira riu.
Valquíria desejou:
-Tomem cuidado na volta. Aliás, vocês marcaram o local de onde vieram para não perderem o posicionamento certo do portal?
Ansur meneou a cabeça:
-Sim, sim. – virou-se para os três jovens que o acompanhavam: — Subam para os quartos e arrumem suas coisas. Daqui a pouco é a hora de Minna abrir o portal novamente.
Mortty manifestou:
-Tenho que dizer que estou muito curioso para saber quem é essa Minna de quem vocês tanto falam.
Valquíria bufou e pensou alto:
-Mas, é um descarado mesmo...
O necromante sentiu-se ofendido:
-Eu só comentei!
Samira murmurou e apenas Erick ouviu:
-Apenas comentou por enquanto. Daqui a pouco, temos mais outra pobre vítima do necromante xarope.
O elfo riu silencioso:
-Essa é a vida.
Então, um pouco depois do meio-dia, o portal foi reaberto. Julieta olhou para trás pela última vez antes de passa-lo e sentiu o vento brincar com seus cabelos. Inspirou o ar profundamente e olhou para o céu de Embrere: em pensamentos, desejou voltar para lá após terminar sua missão de busca para o fim de sua maldição.
E também desejou que aqueles humanos que ela conheceu conseguissem escapar do lado obscuro do Destino e triunfassem.
Fale com o autor