SoF - Jovens Vingadores : Livro de Contos
3 Conto 3 — Barnes & Wilson
Notas iniciais

CONTO 02 — SAMUEL BARNES & ABIGAIL WILSON
Ser um Jovem Vingador nem sempre era tão legal quanto poderia parecer para uma pessoa de fora. Não, ser um jovem herói, na realidade, acabava sendo muita responsabilidade, muito estressante e muito perigoso na maior parte do tempo, porque muitas vezes as missões eram bem arriscadas e algumas delas acabavam saindo do controle rápido demais.
Por exemplo, às vezes, você podia ser pego no meio de uma explosão, enquanto tentava escapar de um grupo de mafiosos.
Quando percebeu o que estava prestes a acontecer, Sam Barnes ergueu o escudo de energia e puxou Abby Wilson para mais perto de si quase no último segundo, esperando conseguir protegê-la do impacto maior. Para seu alívio, o escudo aguentou muito bem (ele amava aquele escudo), e os protegeu de danos maiores, mas mesmo assim, quando a explosão aconteceu, os dois foram lançados violentamente para trás, acertando o que quer que estivesse no caminho.
Sam caiu batendo com as costas no chão, depois de quicar algumas vezes, atordoado. O escudo falhando em seu braço protético até que se desligasse por completo. Ele levou um segundo até conseguir se situar novamente, tossiu e tentou se focar. Barnes não sabia se havia perdido a noção do tempo por um minuto ou uma hora, mas assim que recobrou os sentidos completamente, a primeira coisa que fez foi acionar pelo comunicador em seu ouvido o resto de sua equipe, e pedir reforços.
— Gente, coisa está um pouco feia por aqui. — resmungou, se esforçando para que a voz não falhasse. — A Asa Vermelha e eu perdemos o Matador Mascarado de vista e o maldito Bombadroid dele explodiu bem na nossa cara.
Uma leve estática chiou em seus ouvidos.
— Estaremos aí em quinze minutos. — Aiden Danvers garantiu, após receber as informações. — Dez se eu conseguir um céu limpo.
Barnes não sabia se tinham quinze ou mesmo dez minutos. Seus ouvidos estavam zunindo por conta da explosão, então ele não conseguia identificar sons muito ao longe, mas sabia que ainda haviam muitos capangas da Maggia naquele pequeno prédio numa parte mais afastada da cidade, e que logo eles chegariam aonde estavam, armados e prontos para pegá-los.
Então, ele precisava agir rapidamente. Precisava encontrar Abby e sair de lá o mais rápido possível.
Abby. Ele se deu conta de que não estava vendo e nem ouvindo-a, e aquilo o preocupou.
Com esforço, ele se colocou de pé, mesmo com a dor intensa que sentia pelo corpo todo. A sensação era de que ele tinha se quebrado inteiro dessa vez, e isso queria dizer muito, já que ele era um semi-supersoldado em todos os sentidos.
Pelo menos seus braços estavam bons—ponto positivo de se ter braços protéticos, ele suponha.
Trincando o maxilar e dando pequenos passos arrastados devido a dor, Sam passou a procurar por Abby, e logo a viu, caída não muito longe de onde ele estava. Andou até lá, e se ajoelhou ao seu lado, estudando-a. Parecia estar desmaiada, mas viva e não tinha ferimentos muito graves pelo corpo, apenas vários machucados superficiais que ele podia identificar rapidamente, e talvez um ou dois ossos quebrados, mas isso ele não sabia ao certo.
Tudo o que ele sabia era que precisava levá-la para a médica da equipe urgentemente.
— Asa Vermelha, está me ouvindo? — Ele a sacudiu com certa delicadeza, tomando cuidado para chamá-la por seu codinome e não por seu nome real, e ela abriu os olhos lentamente.
Ela parecia tão atordoada quanto ele estivera momentos atrás.
— Patriota?
— Estou aqui. — Ele olhou ao redor de onde estavam. A fumaça, os destroços e alguns focos de incêndio aqui e ali após explosão dificultavam sua visão, mas ele sabia que os cúmplices do do vilão com o qual se meteram logo dariam um jeito de chegar até eles. Eles não tinham tempo a perder. — Os outros já estão vindo, mas temos que sair daqui sozinhos. Consegue se levantar?
— Não sei. — A Wilson tentou se mover, mas fez uma careta de dor e sua respiração ficou pesada imediatamente. Se Sam já estava todo dolorido e com dificuldades de se movimentar, ele só podia imaginar como Abby, que não tinha nenhum super poder ou ajuda de uma genética de super soldado, estaria se sentindo. — Acho que não. Acho que devo ter quebrado o tornozelo... e mais algumas coisas.
Sam suspirou.
— Não tem problema. Eu te carrego.
Ele tentava não deixar a dor que sentia transparecer, mas sua amiga pareceu notar bem rápido seu estado.
— Você não pode nem andar, muito menos me carregar.
— Bem, se eu não puder, nós dois estamos mortos, então vamos torcer para que você esteja errada, pode ser?
E sem esperar por mais protestos, ele reuniu toda a força que lhe restava e pegou Abby em seus braços, com seu equipamento e tudo. Não foi tão difícil quanto ele imaginou que seria, a pior parte era se movimentar, mas ele tentou se focar em seu objetivo, que era sair dali, e foi em frente.
— Seu escudo. — Abby começou com a voz um tanto fraca, e Sam ficou grato por ter alguma coisa para se distrair enquanto fazia o caminho para o lado de fora. — Já tinha visto ele em ação várias vezes mas é realmente incrível. Quero um pra mim.
Ele conseguiu soltar uma pequena risada.
— Bom, depois de hoje, eu também vou querer. Outro.
— Como assim?!
— Acho que esse aqui já era. — ele explicou, levemente frustrado. — Acho que se danificou muito na explosão de agora.
— Ah não.
— Não tem problema. — Ele daria de ombros se pudesse. — O Iron Lad dá um jeito. Se ele consertou meu escudo uma vez, pode consertar outra. O Stark é bom nessas coisas, você sabe. — Logan provavelmente também teria de dar uma reparada nas asas de Abby depois que saíssem de lá, já que uma delas estava pela metade, mas isso era assunto para mais tarde. — Além disso, sempre soube que meu escudo sofreria danos vez ou outra, mas ainda acho que ele é melhor do que o do próprio Capitão América, né não?
Abby pareceu se divertir com aquilo.
— Vou falar pro meu tio que você disse isso.
Sam sorriu, e se deu conta de que finalmente havia alcançado seu objetivo. Haviam saído pela porta de trás do prédio, direto para um largo beco deserto. Já estava de noite, e Sam sabia que logo bombeiros e policiais estariam lotando aquele lugar. Eles não haviam sido exatamente sutis naquela confusão. Mas por hora, apenas ele e Abby estavam ali.
Quer dizer, ele, Abby e dois atiradores, que apareceram atrás deles, de repente. Sam pode ouvir a arma sendo engatilhada e apontada para eles, mas antes que pudesse se virar e reagir, ouviu o disparo.
Ele fechou os olhos por reflexo, mas o impacto da bala não veio, porque, como pode ver assim que se virou por completo, havia uma barreira de energia entre eles e os capangas, que agora estavam no chão, apagados com dardos tranquilizantes.
— Não precisa mais se preocupar com eles. — A voz robotizada de Logan Stark fez com que Sam olhasse para cima, e visse o amigo se aproximando deles, coberto com sua armadura negra e dourada, tão semelhante a de seu pai, o Homem de Ferro. — Soldado Estelar, Skaar e a Gaviã Arqueira já estão atrás do idiota do Matador Mascarado, ele não vai escapar de novo. Asgardiano e Garota-Hulk estão limpando o prédio. — A armadura então os encarou, e se aproximou. — Vocês dois não parecem nada bem.
— Não precisa se preocupar comigo, estou melhor do que ela. — Sam disse, passando Abby para os braços de Logan antes que esse pudesse fazer uma análise mais extensa de seus ferimentos. — Leva ela pra Hazel, agora! Vou esperar os outros aqui.
Sem protestar, Logan levantou voo outra vez e deixou Sam sozinho no beco, respirando um pouco mais aliviado.
É, ser um Jovem herói era perigoso.
Algumas missões davam muito errado muito rápido, e você quase sempre acabava em uma situação como aquela. Mas, apesar dos contratempos, Sam sabia que, pelo menos daquela vez, tudo ficaria bem.
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