So you wanna play with magic.
1 One Shot.
Notas iniciais
Nada irritava mais Regina do que ver todo aquele potencial guardado dentro de Emma ser desperdiçado.
Vendo a loira grudada nas beiradas que sobraram da ponte, uma ideia lhe veio a mente. Uma ideia que parecia sensacional e perfeita até seus olhos verem Emma desaparecendo.
Naquele momento, tantos sentimentos a invadiram ao mesmo tempo que fora impossível manter um registro de todos. Aliás, nem ela mesma sabia que podia sentir tanta coisa ao mesmo tempo: medo, raiva, esperança. Medo de que Emma tivesse ido para sempre. Quem iria cuidar do seu filho naquela confusão que estava Storybrooke? Não podia fazer tudo sozinha. Não, precisava dela ali. Quem iria se levantar para lhe defender, afinal? Emma era uma das poucas pessoas que nunca duvidaram das suas boas intenções. “Eu conheço você”, a frase da loira ecoou pela sua cabeça. Raiva – quem ela pensa que é para, simplesmente, desistir tão fácil? Quem disse que ela podia desistir? Esperança. Emma era melhor que um truque de magia.
Estava confusa também. Tanta coisa tinha mudado desde que tentara a envenenar com uma torta de maçã? Regina continuava imóvel. Sim, tudo havia mudado. Como não percebera antes? Emma, ou bem ou mal, sempre esteve ao seu lado. E aos poucos a raiva que sentia por ela ter destruído tudo o que construira foi se esvaindo e dando lugar a admiração. Emma era corajosa, perseverante, firme no que acreditava. Aquela admiração foi crescendo sem pedir licença e foi se transformando em algo a mais. Ao ponto de Regina se preocupar com a vida da salvadora. Ao ponto de, por Deus, sentir ciúmes dela. A ideia de sequer imaginar Hook com Emma fazia seu estômago revirar.
Como não tinha percebido antes? Todos os sinais estavam bem ali, na sua frente! Regina amava Emma. Sim, puro e simples amor. Era possível amar de novo. Amor não se constrói com uma profecia – ou mágica -, o amor é a mais pura forma de mágica. Ele sempre esteve lá, esperando o momento certo para despertar. Por isso se esforçava tanto para fazer as coisas certas por Emma. Por isso que machucara tanto quando todos na cidade a acusaram de ter matado o Archie e Emma, no final de tudo, tinha se virado contra si. E o brilho nos olhos... Claro, agora tudo fazia sentido! Mas do que adianta saber disso tudo agora quando já é tar...
Um barulho tirou Regina do transe. Piscou e viu Emma levitando com um pedaço da ponte. Sentiu uma imediata onda de alívio que relaxou seu semblante. Respirou aliviada. Ah, mas ela ainda tava brava com a loira! Como ousara ter feito se sentir assim tão... Inútil? Era uma tarefa simples: bastava consertar as cordas que seguravam a maldita ponte. E o que Emma fez? Deixou a ponte inteira cair para aparecer levitando com a maior cara de pau do mundo em um pedacinho de madeira!
- Você parece quase aliviada de me ver aqui. – Emma comentou casualmente. Regina a encarou. – E... Um pouco irritada? Eu fiz, não fiz? Não vejo como o “como eu fiz” é importante aqui.
- Eu não estou irritada com... – Regina suspirou, desistindo de falar no meio da frase. – Olha todo o potencial que você tem dentro de você! E você o desperdiça!
Emma fez uma careta.
- Alguma ideia de como usá-lo? – Falou, sorrindo, cutucando o braço da morena com o cotovelo. Passou por ela, deixando uma Regina muito confusa para trás.
Regina ficou encarando a loira andar na sua frente. O que diabos tinha sido aquilo? Deixou um sorriso tímido tomar conta dos seus lábios, desfazendo o cenário montado e reaparecendo de volta no seu cofre junto com Emma.
Talvez, no final de tudo, pudesse mesmo ser feliz.
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