Mais dois meses passaram voando. Bianca já havia passado do 7º mês de gestação, e sua barriga parecia que ia explodir a qualquer momento. Ela havia voltado para sua cara, como prometido, e levado João a reboque. A presença do meio-irmão, como esperado, a ajudou na transição.

Ele recebeu alta um mês depois, mas ainda não havia fechado nenhum apartamento. Desde então, haviam trocado de lugar: como Bianca não aguentava mais dirigir, João a levava para os lugares. Havia sido bastante difícil para ele entrar novamente no lugar de motorista, mas assim como ele a havia ajudado, ela o ajudou a vencer isso.

A aproximação deles, na verdade, causava certo tumulto na família. Enquanto Karina, Pedro, Dandara, Renata e Nat torciam muito para que os dois se resolvessem, Gael e Alan viam tudo com desconfiança e irritação. O primeiro, desacreditado que algo de bom pudesse vir da proximidade da filha com o esquisito; o segundo, porque não aceitava que alguém tentasse tomar o lugar de seu irmão.

“E ontem à noite, o Lucca não parava quieto. Eu e a Bi dormimos na sala, porque ele só parava quando eu conversava com ele. To doloridão.” João reclamou, estralando as costas. Pedro o encarava, um sorriso indiscreto no rosto. “O que foi, seu maluco?”

“Irmão, quando você vai chamar a Bianquinha para sair?”

“O quê? Pedro, tá maluco? Por que eu sairia com a Bianca?”

“Olha, eu posso listar vários motivos.”

“Pedroso, brother, nós somos só amigos.”

“Não digo que não são, mas que esse climinha entre você está visível, isso está.”

“Que clima, Pedro? Nós só estamos nos apoiando em tempos difíceis. Ela perdeu o marido, eu perdi minha noiva. Nos entendemos e nos apoiamos.” O tom de João era convincente; ele só não sabia se tentava convencer o amigo ou a si mesmo.

“Não estou dizendo que não, cara, mas tem algo a mais aí... Algo daquele sentimento de muitos anos atrás, sabe?” Pedro foi compreensivo. “Você vai dizer que não percebeu?”

“Isso é loucura, Karina. Eu e o João? Clima?” No quarto, Bianca discutia com a irmã.

“Tá quase para uma tempestade tropical! Bi, olha para mim... Vocês dois estão morando juntos, fazendo tudo junto.”

“Eu já falei que...”

“Que vocês estão se apoiando, que ele está procurando um novo apartamento, te ajudando nessa reta final da gravidez... Já decorrei esse discurso, troca o disco.”

“Ka, ele nunca vai ser o Duca.”

“E eu não estou falando isso.” A lutadora sentou ao lado da irmã, segurando sua mão. “O que eu estou falando, Bi, é que vocês podem se reerguer juntos. Vocês já se gostaram, ainda se gostam, e precisam muito da ajuda um do outro. Por que não unir o útil ao agradável? Por que não fazer uma limonada desse saco de limões que a vida deu para vocês?”

~J&B~

A noite, após tomar banho, João foi para a sala e encontrou Bianca com o aparelho de som ligado, a bata erguida e as mãos na barriga. Tocava alguma música agitada, e ela rebolava no lugar, sorrindo.

“O que está acontecendo aqui?” Ele perguntou, atraindo a atenção da atriz. Ela sorriu, estendendo a mão.

“Vem aqui ver, João. Olha isso... Ele gosta de música, está dançando.”

Ele se aproximou, posicionando a mão na barriga dela. Os calombos que se formavam eram gigantes, ritmados, deixando João maravilhado.

“Caraca, o moleque tem um ritmo muito bom. Melhor que o meu, pelo menos.”

“Qualquer um tem o ritmo melhor do que o seu, João.” Bianca riu, recebendo um olhar feio.

“Ah é, dona Bianca? Pois eu digo que faz muito tempo que você não me vê dançar.” Ele caminhou até o iPod, trocando de música. “Me concede essa dança?”

“Espero que meus pés saiam inteiros no processo.”

Realmente, comparado a única vez em que haviam dançado juntos, João tivera uma melhora de 200% em seu gingado e coordenação. Vicki adorava ir em festas e ser o centro da pista de dança. Eles sempre treinavam em casa, enquanto faziam o almoço ou o jantar, ouvindo algum DVD na TV.

“A Vicki gostava de Roupa Nova, sabe? A gente sempre colocava para tocar enquanto cozinhava, e ficava dançando na cozinha. Ela também dizia que eu era péssimo dançarino, mas ficava tentando me ensinar.” Ele contou com um sorriso triste.

“E você melhorou mesmo.” Bianca concordou com a voz fraca, pega de surpresa pela declaração. Em um gesto impulsivo, o puxou para mais perto e o abraçou apertado, deitando a cabeça em seu ombro.

Ficaram naquele balanço ritmado, envoltos nos braços um do outro, em silêncio.

“Eu não sei o que fazer, Bianca.” Suspirou ele, finalmente.

“O que, João?”

“Eu estou em conflito comigo mesmo, entende? Eu olho para você e eu... Eu sinto algo diferente. Mas ao mesmo tempo, a Vicki ainda está tão viva dentro de mim. Eu sinto o peito apertar em vontade de chorar.”

“João...” Bianca rompeu o abraço, caminhando até o som e o desligando. O rapaz caminhou até o sofá, sentando ali. “Acho que eu não preciso dizer que eu sinto a mesma coisa que você, que o Duca está vivo dentro de mim, no Lucca... Mas ao mesmo tempo, eu sinto outra coisa.”

“O quê?”

“Que eu tenho que seguir em frente, João. O Duca e a Vicki se foram, não vão mais voltar. E estacionar com a vida não vai trazer eles de volta, ou honrar a memória deles... Vai destruir a nossa vida. Mas eu acho que eu não sou a pessoa certa para você recomeçar.”

“E por que?” Ela apontou a barriga, fazendo ele rir. “Porque você está grávida?”

“Obviamente.”

“E se eu dissesse que essa está sendo a melhor parte da minha vida? O Lucca?”

“Eu não duvidaria, mas uma coisa é ser tio, outra coisa é ser padrasto.”

“Se for para entrar nessa, é para ser pai dele.” A convicção na fala dele a pegou de surpresa.

“Desde quando você está pensando nisso?”

“Há algum tempo, na verdade. Honestamente eu tinha pensando em algo bem estilo dos filmes, com um encontro romântico terminando em um beijo e altas declarações, mas estamos lidando com a vida real aqui.”

“Mas você está querendo que fiquemos juntos por conveniência?” Perguntou ela, um friozinho no estomago.

“Eu quero que a gente fique junto porque se gosta, Bianquinha. Claro, podemos não sentir o que sentíamos pela Vicki e o Duca, ainda é tudo muito recente. Mas acho que até um cego consegue ver que existe algo entre a gente, sempre existiu... Talvez só não fosse a hora.”

“Estranho é pensar que essa é a hora, depois de tudo o que aconteceu.” Os dois riram da ironia, enquanto ela sentava ao seu lado. “Eu só tenho medo de nos decepcionarmos.”

“Acho que essa é a uma variável a ser considerada, mas não podemos colocar todas as fichas nela. Eu acho que podemos tentar, para ver se dá certo. Que tal eu te levar para jantar na sexta-feira? Sabe, um encontro.” Ele propôs, meio sem jeito.

“Acho que não vou em um encontro há muitos anos, nem sei como agir.”

“E quem dirá eu.” Riram gostosamente naquele momento, enquanto ele levava sua mão até a dela. “Eu não tenho conseguido sorrir com ninguém como eu sorrio com você e o Lucca, Bianca. Eu achei que minha vida ia ser trevas puras, mas de repente vocês trouxeram luz e vida de volta para ela. E eu nunca vou poder agradecer o bastante por isso.”

“Vocês também estão me fazendo seguir em frente, João.” Ela concordou, apertando a mão dela. “Bom... Você me ‘pega’ que horas na sexta?”

Notas finais
Heeeeello Bom, eu realmente tinha pensado em fazer uma cena de filmes e tal, mas achei que a fic já tava muito 'viajada' e decidi fazer algo mais realista. Claro, teremos cenas lindas entre eles e etc, mas achei que ela aproximação e decisão deveria ser mais sensata, levando em conta o momento da vida em que eles estão. Espero que gostem. E no capítulo que vem... Será que tem beijo? hm* See you ;* http://www.facebook.com/fanficswaalpomps