A viagem de Duca estava marcada para dia 23 de dezembro, no início da manhã. Ele iria de carro até Cusco, para que a viagem fosse realmente uma aventura. A viagem demorava três dias, parando para dormir.

“Você vai me deixar sozinha no Natal, Duca? De verdade?” Bianca reclamava uma vez mais, enquanto o marido colocava as mochilas no carro.

“Meu amor, eu vou estar de volta dia dois.”

“Mas o Natal e o ano novo já vão ter passado.” Ela estrilou, nervosa. Os ânimos da professora de teatro andavam à flor da pele.

“Minha linda, nós teremos milhares de outros natais juntos. Por favor, fica feliz por eu estar realizando um sonho. Você sabe que eu sempre quis acampar e fazer trilhas no Peru.” Ele segurou o rosto da esposa com carinho, sorrindo com compreensão.

“Achei que seu sonho era Machu Pichu.”

“Prefere que eu vá para lá?”

“Tá, Cusco está de bom tamanho.” Ela bufou, recebendo um selinho. “Mas me liga sempre que puder, entendeu?”

“Sempre que o sinal permitir.” Ele lhe deu um beijo mais longo e apaixonado, antes de ir para o lado do motorista e abrir a porta. “Juízo, hein? Não quero saber de atorezinhos de meia tigela rondando a minha esposa linda.”

“Então não deixa ela sozinha.” Murmurou a morena, vendo o marido dar partida no carro e acenar uma última vez.

~B&J~

No apartamento de João e Vicki, a cantora corria de um lado para o outro, eufórica. O pai lhe dera uma mala repleta de roupas novas de Natal e agora ela separava o que iria ou não para a Inglaterra.

“Gata, você sabe que temos um limite de bagagens, não é? E eu tenho certeza que não é cinco malas com dez quilos.” João zombou da namorada, que lhe mandou a língua.

“Nós vamos para alguns dos lugares mais lindos e mais chiques do mundo, João Spinelli. Eu preciso me vestir de acordo.” Ela rodopiou segurando um vestido de seda preta em frente ao corpo. “Que tal essa roupa para o jantar de Natal?”

“Você sabe que fica linda de todo o jeito, principalmente sem roupa.”

“João, você não serve para comentários maliciosos, meu amor. Na sua boca, eles saem hilários e não sexys.” Vicki riu, correndo e se jogando por cima do namorado. “Sorte sua que na ação você é melhor do que no falatório.”

“Isso deveria ser um elogio?”

“Algo assim.” Ela lhe deu um selinho, se levantando e rumando para o quarto. “Já levou o presente da sua mãe, do Gael e da Renatinha?”

“Não... Vou passar no Pedro e na Karina e depois ir para a casa do mestre Cruel. Quer vir junto?” Propôs o rapaz, apanhando os embrulhos e os empilhando.

“Preciso terminar as malas... Vou tentar reduzir à duas, prometo.” Ela arremessou um beijinho e correu para o quarto dos dois.

“Ainda bem... Porque ia ser difícil disfarçar.” Ele murmurou um agradecimento, levantando e indo até a porta. “Opa, carteira.”

Ele desceu as escadas aos pulos, discando no celular.

“Fala Pedroso.”

“Fala aí, Johnny.

“Já pegou minha encomenda?”

Se está falando daquele anel com uma pedra tão pesada que vai dar câimbra no dedo da Vicki Vigarista, então sim, já está aqui.”

tem que falar isso da minha garota desse jeito, brother?” Riu o nerd, abrindo a porta do carro.

Você pode até casar com ela, Johnny, mas ela sempre será a Vicki Vigarista.” O melhor amigo riu pelo telefone.

Está falando com o João? Fala que adorei o anel.” A voz de Karina veio ao fundo.

Mas não quer um desses para você.”

“É bonito para aquela patricinha de meia tigela, não para mim.” João gargalhava da discussão dos melhores amigos.

“Eu chego aí em dez minutos... Ou dão um rapidinha ou segurem as pontas até eu sair daí.” Ele avisou, desligando o celular e entrando no carro.

Ele era filho de dois artistas, obviamente quando a ideia de propor casamento à Vicki surgiu, veio também a vontade de que fosse algo único, especial e, por que não, teatral.

A primeira ideia era Paris, mas o lugar já estava ridiculamente batido. Disney também foi cogitada, na queima de fogos em frente ao castelo encantado, mas encontrou alguns milhares bem semelhantes (e até mais elaborados). E foi então que pensou em Londres, local de desejo da amada havia muitos anos (Vicki era uma fã árdua de Harry Potter e portanto da Inglaterra, com uma paixão especial por Londres).

“Eu não acredito que você vai fazer o que o Pedro disse que você vai fazer.” Karina abriu a porta espumando, fuzilando o irmão. “João, cortar um livro do Harry Potter é sacrilégio.”

“Já deu com a língua nos dentes, né, sem vergonha?” Resmungou o nerd, entrando na quitinete do casal.

“Ela me flagrou vendo a foto que você mandou e pensando na melhor forma de cortar o exemplar de ‘Enigma do Príncipe’.” Explicou o guitarrista, massageando a nuca. “Tomei um belo golpe no cocoroco por isso.”

“Esquentadinha, é por uma boa causa. Eu acho que a Vicki também vai me matar, mas dizendo sim antes eu já fico feliz.” O loiro sorriu, beijando a bochecha da lutadora com um estalo.

“Tá melosinho, hein?”

“To apaixonado, isso sim. Quando que eu ia imaginar que mais um plano maluco do Pedro ia dar em algo de bom.” Zombou João, recebendo uma risada forçada do amigo, que passava o estilete pelas páginas do livro.

“A Bianquinha também ajudou, nem vem jogar toda a culpa em mim.” O rapaz apontou o estilete na direção do outro, que fez um careta.

“To lembrado, brother, relaxa aí... E esse corte, sai logo ou não?”

~J&B~

Como sempre acontecia quando o marido viajava, Bianca resolveu passar alguns dias com o pai, a madrasta e a irmã caçula. Renata tinha quase quatro anos e era um verdadeiro xodó para os três irmãos mais velhos.

“Bibi, o Duquinha tá longe?” Perguntou com sua vozinha infantil, brincando de pentear os cabelos da irmã.

“Tá indo para longe, bonequinha. Ele foi para o Peru.”

“O passainho?

“Quase isso.” A mais velha riu, puxando a criança para o seu colo e a enchendo de beijos. “E enquanto isso a Bibi fica aqui com vocês, não é legal?”

“Sim. Mamãe faz bolo pra gente.”

“Isso, a mamãe está fazendo bolo para nós duas. E depois eu vou ligar para a K e pedir para ela vir, e aí nós assistimos Frozen.”

Fozen.” A pequenina começou a saltitar, seus cabelinhos castanhos voando para todos os lados.

“Posso saber porque meu grilinho está tão feliz?” A porta da frente foi aberta, chamando a atenção das irmãs.

“Joãozinho.” Gritou Renata, esquecendo de Bianca e disparando para os braços do irmão mais velho.

“Papai Noel passou lá em casa mais cedo e eu vim trazer seu presente.”

“E no Natal tem oto?” Ela perguntou com os olhos iguais aos dele brilhando.

“Lembra que eu falei que eu e a Vicki não vamos estar aqui no Natal, grilinho? Eu vou lá para a terra dos soldadinhos engraçados.” Ela cruzou os braços e fez biquinho.

“Não quero. Você tem que ficar aqui com eu, a mamãe, o papai, a Bibi, a K, o Pedinho, a Icki... Você é meu gaotinho–homem favorito.” Os dois irmãos riram.

“Garotinho-homem?” Questionou o nerd, sentando no sofá com ela.

“É, poque homem é só o papai.”

“Isso, homem na sua vida só o papai.” Gael veio da cozinha com um copo de suco. “Fala, moleque.”

“Mestre Cruel. Cadê a minha mãe?”

“Aqui, meu amor.” Dandara veio sorridente da cozinha, trazendo um prato com bolo. “Chegou bem na hora.”

“Vim pelo cheiro.” Riu o rapaz, apanhando um pedaço junto da irmã caçula. “Vim trazer os presentes de vocês enquanto a Vicki tenta terminar as malas... Ela precisa reduzir de sete para duas.”

“Alguém tem tanta roupa assim?” Gael arregalou os olhos.

“Ela.”

“E o anel? Está com ele?” Dandara perguntou ansiosa, surpreendendo Bianca.

“Você vai pedir a Vicki em casamento?” Ele assentiu, pegando o livro que Pedro e ele haviam preparado e entregando a mãe.

“Que lindo.” Suspirou Dandara. “O anel é tão delicado, filho.”

“Pedro achou exagerado, aquele tonto. A Karina disse que é lindo, mas não para ela.” Contou, vendo o padrasto rir.

“Bem a cara da minha filha.”

“E meu pesente? Cadê?” Renata ficou impaciente com a demora, começando a fuçar à sacola do irmão.

“Calma, ansiosa. Está aqui, seu presente. E esse é da mamãe e do Gael.” Ele estendeu dois embrulhos aos mais velhos, que agradeceram.

“E da Bibi?”

O clima ficou tenso, obviamente. Ao contrário de João e Karina, que tinham uma relação e sentimento forte de irmãos, o rapaz e Bianca mal conseguiam se chamar de amigos. Se viam nas festas de família e em almoços ocasionais aos domingos, mas não tinham uma relação muito próxima. E apesar de toda a família entender isso, na cabecinha de Renata isso era ilógico.

“Esqueci lá em casa.” O rapaz deu um tapa na testa, forçando um expressão frustrada.

“Joãozinho lerdinho.” Riu a pequena, abraçando seu pônei novo. “Joãozinho, a K vai vim assistir Fozen com eu e a Bibi. Assisti também.”

“Eu tenho que ir para casa, grilinho. Eu vou viajar amanhã bem cedinho.” Ele se desculpou, beijando a bochecha gordinha. “Agora deseja boa viagem pro seu irmão favorito.”

Depois de uma longa e melada despedida e de abraços em Gael e Dandara, chegou Bianca. Se eles não se despedissem teriam mais um comentário inoportuno de Renatinha. A atriz se levantou e abraçou o rapaz.

“Boa viagem, João.”

“Obrigada, Bianca.”

“E felicidades no seu noivado... Que vocês dois sejam muito felizes.”

“Nós vamos ser.”

Notas finais
Ooooooooi gente A autora estava com dengue, por isso demorou, ok? Enfim, acho que já está dando para sentir e prever um pouco do que vem por aí, certo? Tensão e mistério e drama e romance... Espero que estejam gostando. See you ;* Curtam a página do face: https://www.facebook.com/fanficswaalpomps