A primeira manhã do novo ano chegou ensolarada, repleta de alegria. Para um jovem casal que acabara de se unir em matrimônio, só poderia significar coisas boas. Lucca sempre dormia a noite inteira, então João e Bianca estavam podendo desfrutar muito bem das noites de sua lua de mel, mesmo que em casa.

“Bom dia, Bianquinha.” João saudou a esposa recém-desperta, ainda piscando os olhos sonolenta.

“Bom dia, meu amor.” Ele sorriu ao ouvir aquele tratamento, lhe dando um beijo na nuca. “O Lucca acordou?”

“Acabei de ver, ainda está dormindo como um anjinho.” Ele avisou, se afastando para pegar algo da cômoda. “Preparei um café na cama para o primeiro dia do ano.”

“Hum, assim eu vou gamar.”

“A ideia é essa. Você ficar gamadona em mim, para todo o sempre.” Ele depositou a bandeja, lhe dando um beijo carinhoso nos lábios. “Ah, quase esqueci... Feliz ano novo, minha esposa.”

“Feliz ano novo, meu maridinho.” Ela riu enquanto o beijava, sentindo como a vida podia ser leve novamente. “Obrigada por esse último ano.”

“Qual é, o último foi horrível.”

“Não, o último ano começou horrível. A exatamente um ano atrás, a única coisa que eu queria fazer era dormir e não acordar mais; honestamente, eu queria estar morta. E hoje, agora, eu só tenho a agradecer. Você e o Lucca preencheram minha vida de luz e alegria, e eu mal posso dizer o quão grata eu sou por isso. Eu te amo muito, João, mais do que palavras podem expressar.”

Os olhos esverdeados do rapaz se encheram de lágrimas, maravilhado com aquela declaração. Entrelaçou suas mãos, beijando o anel de ouro no anelar esquerdo da garota.

“Te amo muito, Bianca, muito mesmo. Você e o nosso filho.”

“Ele é nosso.” Ela sorriu para ele, lhe dando um selinho e encarando a bandeja. “Não é querendo cortar o clima, mas que tal comermos? Eu to cheia de fome.”

“Essa bandeja está aqui para isso.” Ele riu junto dela, os dois voltando toda a sua atenção para os pratos. Ela apanhou uma rosa solitária, e João piscou. “Feliz uma semana de casados.”

“Todo mundo ainda está nos xingando por termos resolvido casar na véspera de Natal. Ninguém conseguiu viajar para lugar nenhum.”

“Você sabe que o pessoal gosta de reclamar. No fundo, estão todos muito felizes por nós, por termos dado um rumo para nossas vidas. E o mestre Gael curtiu bastante a festa, se você está lembrada.”

“Claro, minha avó ficou cuidando da Renata, ele e a sua mãe se esbaldaram nos drinks e sumiram.” Os dois riram, especialmente ao lembrar da ressaca que acometeu o casal no outro dia.

“Opa, espera aí que eu já volto.” Ele pulou da cama depressa, antes que Bianca conseguisse registrar o que acontecia. Foi só quando ele sumiu pela porta que ela ouviu o murmurinho pela babá eletrônica, e Bianca não pôde evitar se maravilhar novamente.

A verdade era que, nos últimos quatro meses, sua vida havia sido tão preenchida de momentos de profunda alegria que era até difícil imaginar que havia passado pela borda de um buraco negro há tão pouco tempo! Se sentia culpada em admitir isso, mas ela e João só se lembraram do aniversário de morte de Vicki e Duca graças à família. Estavam tão envoltos na sua aura de alegria, de nova família, recém-casados, que em seus cérebros não havia espaço para a tristeza.

“Bom dia, mamãe. Feliz ano novo.” João entrou com Lucca em seu colo, a boquinha banguela resplandecendo em um sorriso.

“Bom dia, minha vida. Feliz ano novo.” Ela sorriu, apanhando o filho e lhe beijando a face gorducha. “A fralda estava suja?”

“Não, acho que é fome mesmo.”

Era assustador, mas muitos diziam que Lucca era a cara de João. O narizinho era mais fino, os cabelos castanhos viviam bagunçados, e era uma criança bastante carente, sedenta por colo e afago. Só os olhos que eram idênticos aos da mãe, grandes bolas castanhas. Até mesmo Alan, que havia continuado um tanto arredio, tinha que reconhecer que pai e filho eram bastante parecidos.

“A Jade mandou mensagem, pedindo para colocar a roupinha de Superman nele. Disse que vai colocar a da Mulher Maravilha na Lara e quer eles combinando no primeiro dia do ano.” Contou a atriz, olhando o celular enquanto o filho mamava.

“Daqui a pouco o Cobra tem um ataque com essa história dela de querer casar os dois. Eles mal sabem que existem.” Gargalhou João, se deliciando com um pote de pão de queijo. “Acho que eu fui mineiro em outra vida.”

“Acho que você é um guloso, isso sim, João Spinelli. Vai me deixar sem pão de queijo.”

“Fica tranquila, sra. Spinelli, se esses acabarem eu faço mais para você.” Prometeu o rapaz, beijando sua perna, onde estava deitado. “Mas agora eu vou tomar um banho... Daqui a pouco, os padrinhos desse gordinho fofo aparecem aqui, e um de nós precisa estar inteiro.

~J&B~

Havia passado vários meses pensando em como seria estar ali, naquele dia. Honestamente, se não fosse a ligação da ex-sogra pela manhã, mal se lembraria de que dia era aquele. O pai de Vicki se recusava a falar com ele, ressentido por seu casamento e pela rapidez com que esquecera Vicki, ou, nas palavras do homem, “havia esquecido que fora responsável pela morte dela.”

Sabia que era apenas a dor pela perda da menina que ainda não havia cicatrizado no pai, agora mais do que nunca o entendia. A mãe e a irmã da falecida noiva lhe pediram desculpas pelo comportamento do homem, mas ele foi compreensível, pediu que elas não se preocupassem. Haviam se topado na entrada do cemitério, bem rapidamente, enquanto a família deixava o local e ele chegava com Bianca e Lucca.

Apesar de ter pedido, quase implorado, que a esposa não o acompanhasse naquele momento, ela foi irredutível.

“Bi, amor, hoje também é um dia difícil para você. E você mal tem um corpo, um local onde ir. Se você for lá, talvez isso não te faça bem.” Ele era sincero em sua preocupação, e ela sorriu com isso.

“Nós somos uma família, João, e vamos ficar juntos em todos os momentos, bons ou ruins.”

E lá estava os três, debaixo do sol escaldante do verão, trajados em cores alegres e vibrantes, que celebrassem a vida de Vicki e tudo o que ela havia feito, não lamentasse um ano da sua morte.

João se abaixou em frente à lápide de pedra, tocando o nome daquela que sempre seria sua primeira. Sorriu emocionado, mas não chorou. Sabia que ela não gostaria, que o repreenderia. Você tem uma vida nova e maravilhosa, Johnny, ela diria, para que vai ficar se lamentando?

“Eu não vou me lamentar, minha Vigarista. Obrigada por tudo o que nós vivemos, por ter me ensinado tanto. Se hoje eu tenho a vida que eu tenho, é graças a você. Eu te amo para sempre, onde quer que você esteja.” Ele prometeu, depositando um lírio branco no local de descanso.

Se levantou, limpando a poeira das pernas e indo até Bianca e Lucca. Os abraçou, os três encarando a flor em silêncio, a pequena criança apenas maravilhada com seu perfume. Após alguns minutos, sem dizer nada, voltaram a caminhar para fora dali, sem olhar para trás.

Aquele era o fim de um ano muito difícil, marcado por muita dor, e que se recomeçava cercado de alegria. Era uma vida nova.

~*~

“Como o meu afilhado é lindo, meu Deus. Eu fico espantado com isso.” Pedro ninava Lucca pela sala, enquanto Karina, João e Bianca o observavam.

“Claro que ele é lindo, Pedro, é filho meu.” Se gabou Bianca, fazendo todos rirem.

“Não tenho participação no código genético, mas me gabo também, porque eu sou o cara.” João fez os risos aumentarem, enquanto Pedro passava a criança para ele.

“Vai arrasar o coração da Lara, certeza.”

“O Cobra tá por conta com essas brincadeiras, vocês não tão entendendo.” Karina contou, rindo. “O duro é que toda brincadeira sempre tem um fundo de verdade.”

“Aliás, mudando de pato para ganso, como assim vocês marcam a data do casamento e não avisam ninguém? O papai ligou maluco aqui, dizendo que tinha visto nas proclamas do jornal.”

“Ah, a gente tinha se decidido em marcar para o ano passado, sabe? Íamos anunciar no ano novo e tudo, mas aí aconteceu tudo aquilo e não rolou. Aí a gente decidiu esperar um pouco, mas também não temos mais saco.” Contou Karina, abraçada com o noivo.

“É, e além do mais, também quero encher o bucho da minha esquentadinha de filhinhos. Só os sobrinhos não tão bastando.”

“Ele jura que vamos ter sete filhos.” Karina revirou os olhos, enquanto o casal Spinelli ria.

“Isso. Um vai ser lutador, um guitarrista, um cantor, um ator, um dançarino, um jogador de futebol e um vai ser estudioso.” O rapaz foi enumerando, enquanto Karina negava com a cabeça.

“Ele acha que somos o Brad Pitt e a Angelina Jolie, para ter dinheiro o suficiente para cuidar de sete. Deixa ele sonhar, eu amo isso nele.” O casal trocou um selinho, enquanto Bianca revirava os olhos.

“Pari o primeiro, irmãzinha, aí a gente volta a conversar.”

“Mas por fim, quando vai ser esse casório?”

“Setembro desse ano. Até lá, a Lara e o Lucca já estão andando, mesmo que cambaleante. Aí a Renatinha entra com eles.”

“Olha isso, filhão, vai ser pajem no casamento dos padrinhos.” João beijou a cabeça do filho, sorrindo.

“E vocês vão ser padrinhos no casamento dos padrinhos.”

“Agora eu vi firmeza, bro. Até porque, se você e a esquentadinha não chamassem eu e a Bianquinha para sermos padrinhos, o Lucca não iria chegar nem perto da cerimônia.”

“Mas são dois bobos, meu Deus.” Bianca gritou, jogando a cabeça para trás.

“E vocês não vivem sem esses dois bobos, cunhadinha.” Pedro riu, abraçando Karina com mais força. “É a campainha?”

“Ou o que sobrou dela. Ela tá quebrada desde que o João bateu nela com um martelo.”

“Eu tava tentando pendurar aquele vasinho ridículo.” O rapaz se defendeu, caminhando para a porta com o filho. “Já vai, meu Deus.”

“Oi esquisitão. A namoradinha do Lucca chegou.” Jade saltitou assim que ele abriu a porta, pegando o bebê de seus braços. “Não é, coisa mais gostosa da titia? Você é o genro perfeito.”

“Essa mulher vai me matar, cara, escreva isso.” Cobra veio atrás, carregando Lara. “E se seu filho chegar perto da minha filha, eu mato ele.”

“Esse sim é um começo de ano animadíssimo.” Ironizou o dono da casa, fechando a porta e indo em direção a baderna que já se formara.

Notas finais
Não vou me desculpar, não tenho mais cara de pau para isso HAHAHAHAHA E aí, gente, como vão? Gostaram do capítulo? Farei mais um com o Lucca pequeno, porque a Kerow tá reclamando que as crianças não ficam muito tempo babys. Depois teremos uma passagem de quase dois anos. Não é muito tempo, é? Enfim, comentem e me animem. Tentarei voltar logo, prometo. See you soon ;* http://www.facebook.com/fanficswaalpomps