So let me on down
1 Too little
Notas iniciais

Na teoria
Ela realmente afundava, mas...
Não era só em pensamentos.
Era na enorme piscina do clube.
Ela deveria manter a respiração regulada e os olhos abertos.
Mas ela mantinha a boca aberta e o olho fechado.
—
Por que eu não queria sentir mais dor.
O espaço que antes era preenchido não existia mais, o grande vazio que me impedia de viver.
Eu sou somente um eco nessa vastidão.
Eu deveria sentir?
Eu deveria sorrir?
So let me on down
—
O único barulho na sala de aula era das cadeiras rangendo, não propositalmente, afinal isso era caso de punição.
Qualquer coisa ali era uma punição.
Até mesmo respirar.
Não que a escola seja rígida ou que realmente estivesse silenciosa.
Muito pelo contrário, eram regras não tão complicadas.
Mas eu realmente não me importava com tudo isso, o meu grande foco era nos meus pensamentos e incrivelmente eles estavam mais silenciosos que o normal.
E de tanto pensar nos pensamentos silenciosos, minha cabeça voltou a ser barulhenta.
Como sempre foi.
I can't wait
Eu só queria um descanso rápido e eficaz.
O meu corpo mal suportava andar mas eu o forçava
Não porque eu precisava.
Mas por que eu necessitava.
— Passa logo, qual a demora? — Sempre assim, me pediam algo e por menor que seja eu entregava sem contestar, sempre ordenavam, imploravam e eu sempre correspondia as expectativas, não que eu seja boba por completo, quem eu queria enganar? não dá para negar por tanto tempo, era mais que ingenuidade, era tolice minha.
Eu costumo fazer isso, abdicar pelos outros.
Entreguei como se tivesse entregando meu orgulho, mas eu não estava mesmo?
Inconscientemente eu reclamava, mas por fora eu não tinha tamanha coragem para tal.
E no pedaço de papel que estou no momento escrevendo tudo isso eu demonstro os meus rancores.
Eu quase amasso o papel e o jogo fora.
Mas...
Por que eu faço isso? Porque é assim que eu sou. Porquê?
São várias perguntas.
Mas tudo bem, eu sempre volto a ser o meu 'eu' sociável, só assim eu consigo um pouco de paz.
Voltar a ser meu eu do passado...
Decepcionaria as pessoas? Ou só a mim mesma?
Go find someone else
O sangue escorria.
Não, eu não sou do tipo que corta os pulsos de forma errada para chamar atenção ou para aliviar a dor.
Eu fazia pelo prazer.
Pelo prazer de ser capaz de fazer algo por mim sem ser por outra pessoa, eu controlava.
Onde cortar, como cortar e com que força cortar.
Eu precisava desesperadamente desta dor.
Era só minha.
Ninguém a tomava.
Sentia uma dor intensa, não aparentava, disfarçava, ignorava e assim se seguia.
But I refuse to cry
E de volta eu percebia que só existia eu.
Não importava quantas pessoas estivessem me rodeando.
Eu sempre seria a velha.
A velha garota.
Eu não tinha sexo.
Eu era considerada uma garota pelo órgão, e um garoto pelas atitudes e aparência.
Já não ligava mais
Não faz tanta diferença quando você se importa somente com sua ida e não se importa de voltar.
Sobre isso...
Não me servia mais.
Só um pouco mais de paciência para esperar.
No tears will fall from these
Era o fim de mim.
E o começo de mais outro.
Só mais uma.
Apareceria outra pessoa e ela faria uma diferença significativa.
Só me arrependeria de perder algumas pessoas.
E eu sei que elas me sentiriam, ou minha essência.
Somente as memórias.
Por que era só isso que me importava.
As belas memórias, absorto em tristeza.
E no final, sempre haverá um recomeço.
Isabela G
12/05/2014 às 20:57
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